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Perdida no meio do melhor disco do ano, “Lost” escorrega na pista de dança à medida em que Frank Ocean passeia e perde-se por emoções, cidades, países, meios de transporte, marcas – numa canção sobre a ausência do glamour no tráfico de cocaína. Algo como se o Prince fosse frágil feito Michael Jackson, mas cascudo feito Timbaland. Que música!

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Jason Pierce apresentou seu Spiritualized a 2012 com um longo noise de dois acordes que, graças a uma insistência hipnótica e uma graça bruta, eleva esta incursão ao submundo Velvet Underground a um nível épico que chega a resvalar no sublime. O clipe, cru, pessimista e poético, só ajuda a traduzir em imagens os sentimentos deste gospel elétrico que usa o rock’n’roll para sair da sarjeta rumo ao céu.

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Base eletro-teutônica sob vocais indie com tempero oriental – descrita, “Genesis” lembra muito “Oblivion“, a outra grande faixa de Grimes em 2012. Mas a placidez dos teclados se sobrepõe aos beats quebrados a colocam num ponto equidistante entre a eletrônica mais tímida e o indie dance, a arte conceitual e o synthpop. Uma das melhores surpresas do ano, em “Genesis” Grimes se firma como a mais forte candidata ao posto de herdeira da Björk – trono que andava vago desde que a islandesa abriu mão do pop para ficar só com a arte, no início do século.

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A grande música do Tame Impala em 2012 talvez seja a que menos caiba no rótulo “psicodélico”, que sempre é atrelado à banda australiana. “Feels Like We Only Go Backwards” é uma canção de reencontro e reaproximação, tanto numa relação quanto individualmente, guiada pelo doce vocal de Kevin Parker (até o nome desse rapaz é clássico), que paira sobre uma estranha combinação de teclados etéreos e bateria rock’n’roll. Um primor.

Delicate+Steve

O dedilhado no violão de Steve Marion ganha outras dimensões impressionistas graças ao acréscimo de texturas plácidas e sons ambiente, enquanto a letra, que apenas arrasta o título da canção num canto emocionado sem pender para a euforia ou para a introspecção, evoca a única coisa que importa numa paixão.

Neil-Young

Uma música sobre a duração do amor, a vida a dois, filhos crescidos… mas quando menos nos damos conta estamos novamente no abismo sônico, no furacão de microfonia causado a partir do encontro do velho Neil Young com seus compadres Crazy Horse, que pegam pesado ou bailam contigo em momentos distintos, escalando um épico elétrico de 17 minutos de estrada. Haja chão, haja guitarra – tudo lá.

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Chan Marshall deixou a cantora de bar de blues que encarnou nos últimos anos em um armário junto com as garrafas de uísque e jogou a chave fora ao reassumir a persona indie que cultuava pelo meio da última década do século passado. Mas se a Cat Power original era introspectiva e tristonha como o indie daquela época, a nova ressurge praticamente hipster, uma espécie de irmã mais velha da Grimes. “Cherokee” foi a música que anunciou a nova fase, consagrada no surpreendente Sun, e mesmo não sendo dos momentos melhores lapidados do álbum, é a música que marca o ano para a cantora – autônoma, esotérica, inabalada.

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Uma música de Jorge du Peixe liberta de vez Céu ao final de seu terceiro disco, mostrando que a viagem andarilha pelo deserto que se dispôs em seu Caravana Sereia Bloom tem um inevitável lado pernambucano – que, em vez de bater os tambores do mangue beat, prefere deslizar pelo calor da paquera.

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No meio do ano, a impenetrável dupla sueca JJ lançou um EP de verão – High Summer – e logo no início, o reggae pálido e esquivo “10” colocava em xeque relações artificiais, revoluções televisionadas, remixes feitos por amigos e conversas sem sentido – numa crítica hippie e triste não propriamente ao novo século digital, mas como suas qualidades são distorcidas pela maioria das pessoas.

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A inesperada volta de Bobby Womack trouxe a ainda mais inusitada parceria com Lana Del Rey, em “Dayglo Reflection”. E o blue beat que transforma a canção num híbrido de soul elemental com balada dubstep funciona como cenário tanto para a introspecção gospel do vocal emotivo do velho Bobby como para o tom gélido e fatal do timbre da jovem Lana. O resultado, que soa indigesto à primeira vista, torna-se um envolvente lamento que transcende idade, gênero, raça.

(E com o Damon Albarn acompanhando então… A música entra a partir dos quatro minutos no vídeo abaixo.)