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wilco-junho-2013

Ontem começou o Solid Sound, o festival organizado pelo Wilco em North Adams, Massachusetts, nos EUA, em que eles tocam duas noites e convidam bandas amigas (como, nesta edição, Low, Yo La Tengo, Medeski Martin & Wood, Dream Syndicate, Foxygen, White Denin, os Mutantes, entre outros). O próprio Wilco toca duas noites e na primeira delas, dedicou seu setlist basicamente a versões. Destaco a de “Get Lucky” pois foi o vídeo que encontrei e por motivos de zeitgeist:

E que tal “Cut Your Hair”, do Pavement?

E “Color Me Impressed”, dos Replacements, com o Tommy Stinson na guitarra?

Alguém achou mais outra? A Nayla (valeu!) descolou um trecho de “Marquee Moon” ao vivo, que também pintou no Soundcloud.

E o áudio desse show, será que aparece? O setlist completo e segue abaixo:

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Daft Punk ao piano

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E por falar em “Get Lucky”…

Dias estranhos

Temptations-1970-ball-of-confusion-uk

Na noite desta quinta-feira a situação começou a sair de controle, por isso vamos parar um pouco para pensar antes de sair falando qualquer coisa que venha à cabeça, ou dar voz a boatos, paranóias ou pânico. Não estamos vivendo o baile da confusão que os Temptations cantaram nos anos 60 – ainda. Por isso, vou segurar um pouco o clima de protestos e amenizar o tom dos posts até o fim de semana. Já escrevi e reescrevi o post sobre os acontecimentos desses dias algumas vezes – e toda hora tenho que reescrever porque as coisas mudam completamente da noite pro dia. Por isso, peço desculpas por esse momento #offtopic.

Muita calma nessa hora.

1, 2… 1, 2, 3, 4, Ow!

People moving out, people moving in
Why, because of the color of their skin
Run, run, run but you sure can’t hide
An eye for an eye, a tooth for a tooth
Vote for me and I’ll set you free
Rap on, brother, rap on

Well, the only person talking about love thy brother is the preacher
And it seems nobody’s interested in learning but the teacher
Segregation, determination, demonstration, integration
Aggravation, humiliation, obligation to our nation

Ball of confusion
Oh yeah, that’s what the world is today
Woo, hey, hey.

The sale of pills are at an all time high
Young folks walking round with their heads in the sky
The cities ablaze in the summer time
And oh, the beat goes on

Evolution, revolution, gun control, sound of soul
Shooting rockets to the moon, kids growing up too soon
Politicians say more taxes will solve everything

And the band played on
So, round and around and around we go
Where the world’s headed, nobody knows

Oh, great googalooga, can’t you hear me talking to you
Just a ball of confusion
Oh yeah, that’s what the world is today
Woo, hey, hey

Fear in the air, tension everywhere
Unemployment rising fast, the Beatles new record’s a gas

And the only safe place to live is on an Indian reservation

And the band played on
Eve of destruction, tax deduction, city inspectors, bill collectors,
Mod clothes in demand, population out of hand, suicide, too many bills,
Hippies moving to the hills. People all over the world are shouting, ‘End the war.’

And the band played on.

Great googalooga, can’t you hear me talking to you.
Sayin’… ball of confusion.
That’s what the world is today, hey, hey.
Let me hear ya, let me hear ya, let me hear ya.
Sayin’… ball of confusion.
That’s what the world is today, hey, hey.
Let me hear ya, let me hear ya, let me hear ya, let me hear ya, let me hear ya.
Sayin’… ball of confusion.

Uma dancinha

Que mal tem?

universe

Você conhece essa história:

Quando o Žižek (que eu entrevistei no início do ano) visitou o OccupyWallStreet, no Parque Zuccotti, em Nova York, em 2011, deu um discurso que voltou a ser compartilhado principalmente a partir do clima de puro oba-oba que aos poucos pareceu ter se infiltrado pelas brechas do pacifismo da passeata que parou São Paulo na segunda-feira. Publiquei a tradução naquela época e volto a replicá-la aqui mais uma vez:

Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

O discurso foi filmado e seus vídeos vão a seguir:

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passe-livre-roda-viva-cultura

Repito: o mérito do preço da passagem ter voltado ao valor anterior ao aumento é do Movimento Passe Livre. Para quem ainda acha que esses caras são só “jovens revoltados”, vale assistir ao Roda Viva, da TV Cultura, que foi feito com dois deles – Nina Cappello e Lucas Monteiro de Oliveira -, abaixo.

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quanto-lucram

Um vídeo bem didático, veja abaixo:

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sp17j

Estou batendo o texto sobre esse #sp17j e queria ouvir mais opiniões e versões sobre a noite dessa segunda-feira em todo o Brasil. E não queria ver só texto, comentário, link de post no Feice ou de blog (mas mandem esses também), mas também links de fotos no Insta, ilustrações, links pra vídeo no YouTube, paródias, pensatas, matperias… Tou interessado na forma com esses acontecimentos vêm sendo registrados, que é um dos meus assuntos preferidos. Abaixo a versão desse jovem gênio, o Rafucko:

olho-furacao

O Michel fez esse vídeo em cima das fotos que ele fez no protesto que aconteceu no Rio…

…e a Babee citou um vídeo bem didático para esses dias:

…além de outras dicas importantes, veja lá.