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Foi de chorar.


Spiritualized – “Sound of Confusion”

Jason Pierce trouxe apenas o broder Tony Foster para acompanhá-lo ao teclado elétrico, enquanto empunhava apenas um violão à sua frente. Jason de branco, Tony de preto, um de frente para o outro, ladeados por oito brasileiras divididas em dois quartetos: de preto ao lado de Tony, as cordas; de branco ao lado de Jason, o coral.


Spiritualized – “Feel So Sad”

Uma formação simples que, auxiliada pelo sofrimento gospel das canções do Spiritualized elevou algumas almas na quinta-feira passada, no Audio Club. Cheguei depois do comecinho do show (perdi “True Love Will Find You In The End” de Daniel Johnston), pois saí correndo do curso que estava dando no Espaço Cult (depois falo mais dele aqui), mas consegui pegar mais de uma hora da apresentação que, embora tenha sido assistida em tom solene pela maioria do público, teve seu brilho arranhado por idiotas gritando “toca Raul” em pleno 2014 ou gritando time isso, time aquilo.


Spiritualized – “Stop Your Crying”

Fora esses, a apresentação foi exemplar, Jason moveu os corações dos presentes com suas músicas tristes e hinos a amores passados – não à toa vi mais de um marmanjo debulhar-se em lágrimas durante o show.


Spiritualized – “Ladies and Gentlemen We are Floating in Space”

Músicas simples, mantras circulares envoltos por cordas e um coral gospel que por vezes preenchiam delicadamente os vazios budistas de algumas canções, noutras dava o tom épico ou emotivo que a melodia original apenas insinuava.


Spiritualized – “Broken Heart”

Mas a apresentação Acoustic Mainlines, por mais comovente que pôde ser, é metade do que é o Spiritualized. Várias canções pediam o início de arrebatamento tradicionalmente puxado por viradas de baterias retumbantes ou riffs de guitarra espaciais – e por mais que nossos egos fossem dissipados pelos singelos versos gospel sussurrados por um Jason que quase não se comunicou com o público, fora alguns vagos “obrigado”.


Spiritualized – “Too Late”

Visitando músicas de seus discos mais recentes, a apresentação teve, entre seus grandes momentos, a versão abrasileirada de “I Think I’m in Love”, quando o coral revelou-se brasileiro, respondendo ao refrão com versos em português. Alguns torceram o nariz e acharam brega, mas achei um bonito gesto de saudação ao público brasileiro que não destoou do clima reverente da canção original.


Spiritualized – “I Think I’m In Love”

Um show comovente, mas que funcionou mais como aperitivo para um show completo do Spiritualized, que, um dia, quem sabe, dá as caras por completo por aqui.


Spiritualized – “Goodnight Goodnight”

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Essa é velha, mas só conheci agora. O trio californiano Pillow Talk deu um trato em “Ain’t Nothing Like the Real Thing”, da clássica dupla Marvin Gaye e Tammi Terrell, que dá gosto, ouve só:

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Tem mais uma trilha sonora do Air na área. Depois de musicar os filmes As Virgens Suicidas no ano 2000 e, 12 anos depois, compor a trilha para o épico mudo francês Le Voyage Dans La Lune, Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel embarcam não num filme, mas num museu. Music for Museum é um EP lançado apenas em vinil (transparente!) que foi inspirado pelo Palácio das Belas Artes de Lille, o maior museu francês fora de Paris. São nove faixas bem ambient (ouça abaio) inspiradas em artistas contemporâneos expostos no museu, como Linda Bujoli, Mathias Kiss, Xavier Veilhan e Yi Zhou. Feche os olhos e boa viagem:


Air – “Land Me”


Air – “Reverse Bubble”


Air – “The Dream Of Yi”

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Um dos produtores musicais mais desconcertantes na ativa, o angeleno Flying Lotus está às vésperas do lançamento de seu próximo disco, You’re Dead! O disco explora uma necrofilia psicodélica (dá uma sacada no teaser em vídeo a seguir) ao mesmo tempo que reúne o produtor com nomes pesados como Herbie Hancock, Kendrick Lamar, Snoop Dogg e Thundercat.

Em um ponto equidistante entre o jazz cabeçudo, um groove africano encorpado, o beat mais pesado do hip hop e a eletrônica radical, Flying Lotus tocou um pedaço da faixa que gravou com Herbie Hancock ao radialista inglês Giles Petterson e também bateu um papo com ele sobre como foi reunir esse pessoal em disco (em inglês, abaixo – a música pode ser ouvida no site do programa, aos 1:10).

E não custa lembrar que Flying Lotus é uma das estrelas do festival SUB (Shut Up it’s Bass), que acontece em São Paulo nos dias 2 e 3 de outubro. Além dele também tocam Soul One, Dubstrong, CESRV, Kingdom, Party Flavor, Tropikillaz, Trusty, Kode9, Jessy Lanza e Kelela.

E o disco novo dele, que sai pela Warp em outubro, tem a seguinte relação de faixas:

“Theme”
“Tesla” (com Herbie Hancock)
“Cold Dead”
“Fkn Dead”
“Never Catch Me” (com Kendrick Lamar)
“Dead Man’s Tetris” (com Snoop Dogg e Captain Murphy)
“Turkey Dog Coma”
“Stirring”
“Coronus, the Terminator”
“Siren Song” (com Angel Deradoorian)
“Turtles”
“Ready Err Not
“Eyes Above
“Moment of Hesitation” (com Herbie Hancock)
“Descent Into Madness” (com Thundercat)
“The Boys Who Died in Their Sleep” (com Captain Murphy)
“Obligatory Cadence”
“Your Potential / The Beyond” (com Niki Randa)
“The Protest”

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Em 2006, um ano antes de morrer, o escritor Kurt Vonnegut recebeu envelopes contendo convites de cinco alunos da Xavier High School de Nova York que eram dever de casa: os estudantes deveriam escrever para seu autor favorito e convencê-lo a fazer uma apresentação na escola apenas com uma carta. Kurt não pode ir devido à idade, mas deixou seu recado na carta que enviou de volta à escola (que vi no Letters of Note e traduzi abaixo):

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“Cara Escola Xavier de Segundo Grau, senhorita Lockwood e senhoras Perin, McFeely, Batten, Maurer e Congiusta:

Obrigado por suas cartas amigáveis. Vocês realmente sabem como animar um velho sujeito (84) em seus anos de crepúsculo. Eu não faço mais aparições públicas porque hoje pareço uma iguana.

O que devo dizer a vocês, aliás, não levaria muito tempo. A saber: pratique qualquer tipo de arte, música, canto, dança, teatro, desenho, escultura, poesia, ficção, ensaios, reportagens, não importa se forem boas ou ruins, não para ganhar dinheiro ou fama, mas pela experiência transformadora, para saber o que há dentro de você e fazer sua alma crescer.

Sério! Estou falando para começarem agora, façam arte e façam pelo resto de suas vidas. Faça um desenho bonito ou engraçado da senhorita Lockwood e entregue a ela. Dance em casa depois da escola e cante no chuveiro e siga por aí. Faça uma cara no purê de batatas. Finja que é o Conde Drácula.

Eis uma tarefa para hoje à noite e espero que a senhorita Lockwood os reprove se não a fizerem: escreva um poema de seis linhas, sobre qualquer coisa, mas rimado. Nenhum tênis é justo sem rede. Torne-o tão bom quanto você possivelmente pode. Mas não conte a ninguém o que está fazendo. Não mostre nem o recite para ninguém, nem para sua namorada, para seus pais, para ninguém, nem para a senhorita Lockwood. Ok?

Rasgue-o em pedacinhos minúsculos e os separe em lixeiras que estejam amplamente separadas umas das outras. Você encontrará que você já foi gloriosamente recompensado por seu poema. Você experimentou a transformação, aprendeu muito sobre o que há dentro de você e fez sua alma crescer.

Deus abençoe a todos!

Kurt Vonnegut”

No Open Culture eu vi um vídeo com a carta narrada, e abaixo segue o texto original em inglês):

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Essas imagens capturadas em 1971 na Tower Records de Los Angeles nos lembram dos tempos em que o vinil era a principal moeda da indústria fonográfica e visitávamos tempos gigantescos cheios de estantes de bolachas pretas com capas enormes e de difícil manuseio. Uma atividade que hoje é restrita a colecionadores e DJs era comum entre o público da virada dos anos 70 para os 80, antes da indústria dar o primeiro tiro no próprio pé ao criar o CD. O vídeo tava no Internet Archive mas foi pinçado pela Wax Poetics.

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Lembram daquela “Go”, a música que a Grimes fez com os Blood Diamonds para que Rihanna gravasse? Virou clipe, inspirado no Inferno da Divina Comédia de Dante.

Essa Grimes, viu…

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O comentarista inglês John Oliver se firma como um dos melhores nomes no colunismo eletrônico dos EUA. Não tinha visto o comentário dele sobre a questão da neutralidade de rede (abaixo, em inglês), mas é uma das coisas mais lúcidas e hilárias que eu assisti em muito tempo:

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Syro, o primeiro disco de Aphex Twin em 13 anos, chega às lojas de disco no Japão no dia 22 de setembro. É a data mais precisa em relação ao lançamento do novo disco de Richard D. James e, ao mesmo tempo em que isso foi anunciado, adesivos com o clássico logotipo apareceram espalhados por Tóquio, como mostra o blog Ikimasho.

Mas o acaso deu um estranho caminho das pedras para o fã Jason Donervan, que fez um vídeo reunido os diferentes logotipos que foram aplicados com estêncil pelas calçadas de Nova York com uma música chamada “Manchester Track” que muitos cogitam ser a primeira faixa do disco, batizada de “minipops 67 (source field mix)”.

E ao subir o vídeo no YouTube ele recebeu a seguinte notificação, a partir do sistema de reconhecimento de músicas feito pelo site:

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Em outras palavras, o YouTube reconheceu que a faixa usada como trilha já teve seus direitos autorais requisitados pela gravadora Warp (a casa de Aphex Twin) e é uma canção sem título, numerada como 1. Jason seguiu seu instinto e subiu mais uma música:

Nova notificação:

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Desta vez é a faixa 2. Mais outro vídeo:

Outra notificação.

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É a faixa 10. E aos poucos vamos desvendando o mistério do disco novo de Aphex Twin. Mas ainda tem mais, vamos acompanhar…

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Nesta quinta-feira, o grupo Single Parents revisita o disco Rather Ripped, do Sonic Youth, nem show na Serralheira (mais informações aqui). Como aperitivo, um vídeo com apresentação da banda tocando a clássica “Incinerate”.