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Na minha quarta coluna na revista Caros Amigos falei sobre o show que Emicida fez há dois meses para lançar a edição em vinil de seu disco mais recente – e como ele está lentamente trilhando seu caminho rumo ao topo. No final ainda reuni uma playlist com os vídeos que fiz no mesmo show:

Emicida em seu lugar
Mais um degrau na escalada do rapper rumo ao topo do pop brasileiro

É nítida a evolução de Emicida como um dos principais nomes da música brasileira hoje. A cada novo passo, Leandro Roque de Oliveira expande seus horizontes e contempla como panorama toda a história cultural brasileira da perspectiva do hip hop paulistano. Já ultrapassou fronteiras municipais e internacionais usando a combinação entre internet, onipresença e disposição para trabalhar, sempre mostrando que pode ir além.

Mais um degrau foi superado no lançamento da versão em vinil de seu primeiro álbum propriamente dito, O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui. Mais uma vez o disco seria apresentado a seu séquito fiel no Sesc Pinheiros, em São Paulo, onde foi lançado um ano antes, em setembro de 2013. Naqueles shows era uma ocasião de festa, o disco coroava uma carreira iniciada nas rinhas de improviso de rimas que cresceu distribuindo MP3 gratuitamente e vendendo CDs e mixtapes a cinco reais no metrô, de mão em mão.

O show de lançamento d’O Glorioso Retorno tinha o adjetivo do título do disco espalhado pelo palco e contou com participações ao vivo de quase todos os nomes que apareceram no álbum. Só esse elenco já dava uma idéia da amplitude do futuro do rapper: Pitty vinha do rock, Juçara Marçal representava a música africana, Tulipa Ruiz representava a nova MPB e o Quinteto em Branco e Preto vinha celebrar o samba, além da própria mãe de Emicida, dona Jacira, que cantou o triste documentário ao final de “Crisântemo”.

Um ano e um mês depois, no mesmo Teatro Paulo Autran da mesma unidade do Sesc, Emicida volta para visitar o novo disco, mas não é o mesmo show. Ao contrário da apresentação de lançamento quase não há participações especiais (limitadas à presença do velho sidekick Rael da Rima, agora em carreira solo, e do rapper Lakers, do grupo Código Fatal). O show dessa vez não apenas gira em torno da banda de Emicida como ele a coloca como protagonista da noite. Assim, o rapper assume ser alvo das brincadeiras do percussionista Carlos Café em “Zoião”, tira onda com o violonista e guitarrista Doni Jr., defende a guitarrista Anna Tréa quando ouve um “fiu fiu” vindo do público e sempre mantém a mesma rotina de arengas com seu velho compadre DJ Nyack.

As músicas do disco do ano passado receberam nova roupagem e a ausência das participações especiais não tiraram sua força: Anna Tréa representa o papel de Pitty na pesada “Hoje Cedo”, solando como uma guitarrista de Prince; Doni Jr. faz as vezes do Quinteto em Branco e Preto temperando algumas músicas com cavaquinho ou violão acústico. Todos têm presença de palco o suficiente para não serem apenas coadjuvantes sonoros do rapper, fazendo coreografias, trocando de instrumentos, segurando vocais de apoio, sempre deixando Emicida bem no holofote. “Eu tô igual o Michael Jackson”, disse ao ver sua própria sombra projetada no palco por um facho de luz, antes de improvisar um moonwalk fuleiro, tentando deslizar para trás como o Rei do Pop.

O próprio Emicida não ficou apenas no vocal. Por vezes trocou de instrumento de apoio. Começou o show puxando um improviso tocando apenas um agogô enquanto rimava. Saiu de trás do público, vindo da platéia, em direção ao palco. Depois trocou de instrumento de percussão: por vezes puxava uma caixinha de fósforo, já íntimo o suficiente para chamar atenção do público para um “solo” no pequeno instrumento, por outras pilotou pela primeira vez no palco uma MPC, a bateria eletrônica típica da música deste século. Seja no agogô, na caixinha de fósforo ou na MPC havia uma mensagem cifrada nesta troca de instrumentos: Emicida está aos poucos deixando de ser só um rapper. Não duvide se num próximo show ele possa puxar um cavaquinho, ir para o contrabaixo acústico ou para a bateria. Ele ainda está ensaiando seus primeiros passos como músico – ao vivo, na frente do público.

Uma outra parte do show foi dedicada aos primeiros sucessos de Emicida, muitos que não eram tocados ao vivo há anos, como “E.M.I.C.I.D.A.”, “Rinha” e “Cacariacô”, além da primeira vez que “Papel, Caneta e Coração” foi apresentada em um palco. E não importavam se eram as novas ou as velhas, os quase mil espectadores no teatro sabiam cantar todas as letras de Leandro – por mais extensas e cheias de referências e metáforas que fossem.

Mas além de falar de seu presente e passado, Emicida olhou para os lados ciente de que seu papel depende do contexto – e não apenas de si mesmo. Além de cantar a música que dividiu com o funkeiro paulista MC Guimê em seu último disco (“País do Futebol”), Emicida ainda saudou os papas do R&B paulistano (Sampa Crew, com “Eterno Amor”), a dupla mais conhecida do funk carioca (Claudinho e Buchecha, com o clássico “Nosso Sonho”), seus ancestrais no hip hop brasileiro (no já tradicional medley com músicas de Xis, De Menos Crime, Doctor MC’s, Sabotage e Racionais MCs) e os contemporâneos do Código Fatal (com “Minha Vida”). Mais do que isso, reverenciou o passado da música brasileira cantando “Marinheiro Só”, “Trem das Onze”, imitando Roberto Carlos em uma canção romântica e celebrando Jair Rodrigues em outra. Ele não separa música pop de música popular, não há diferença entre o toca no rádio, o que vem da TV, o que se vende em lojas de discos ou o que chega pela internet. Música brasileira é uma coisa só – e Emicida parece saber.

Ao final da noite, logo que as luzes se acenderam, João Donato numa gravação de 1975 cantava “Emoriô”.

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Céu está lançando seu primeiro disco ao vivo (também em DVD) que fecha o ciclo de sua primeira década na ativa, reunindo músicas dos três primeiros álbuns e algumas versões de músicas de outros autores – ela me chamou pra escrever o release do disco, outro dia eu posto aqui. E entre as faixas que ela registra pela primeira vez está essa irresistível versão para “Mil e Uma Noites de Amor”, de Pepeu Gomes. Aumenta o som…

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“Happy”, John Oliver, “Fancy”, o desafio do balde de gelo, “Let it Go” – o YouTube fez sua retrospectiva 2014 e misturou seus grandes hits num enorme vídeo (no final tem uma bula com links para todas as referências citadas).

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O Bedstock é uma idéia besta e eficaz – e tem tudo pra crescer ainda. É um festival em que os músicos tocam na cama – basta mandar um vídeo tocando uma música sua deitado na cama pra ajudar o festival a arrecadar fundos pra ajudar crianças com câncer e outras doenças graves. Michael Angelakos (do Passion Pit, adequadamente cantando o hit “Sleepy Head”), a dupla Chromeo, o Mark Foster (do Foster the People) e o já fizeram suas contribuições, veja abaixo:

Mais informações sobre o festival lá no site deles.

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Primeiro foi o teaser da faixa nova, depois o anúncio do disco novo e agora é a vez do Modest Mouse nos mostrar como ficou a versão final de “Lampshades on Fire”. Aumenta o som!

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Senão…

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O guitarrista do Radiohead, Jonny Greenwood, segue sua missão de tornar a música erudita mais acessível, rompendo as barreiras entre o clássico e o popular (como eram as coisas antes da música gravada). Desta vez ele topou gravar um episódio do programa Boiler Room – dedicado a sets de DJs e produtores transmitidos ao vivo via internet – com solistas da London Contemporary Orchestra, interpretando composições próprias e outras obras de Messiaen, Steve Reich, Edmund Finnis e Ysaÿe durante a apresentação no Albert Hall de Manchester, na Inglaterra. Ao contrário da maioria das apresentações erudita, o público foi convidado a trocar de lugares durante a apresentação, bater palmas, conversar e até mesmo usar seus celulares (especificamente em “Self Portrait with Seven Fingers” do próprio Jonny) – justamente para romper a aura de sofisticação que hoje repousa sobre a música clássica. “Quando ela se tornou clássica, já não era mais popular. Ao mesmo tempo, as atitudes em relação a ela mudaram: você não pode tossir, você tem de estar sempre no mesmo assento. Isso é bem diferente de como eram as apresentações do passado. Nelas, as pessoas gritavam e a música de câmera era apresentada em bares, com as pessoas bebendo e batendo palmas mesmo antes do final”, conta o cofundador da LCO, Robert Ames. É uma apresentação de tirar o fôlego – mas não do jeito que estamos acostumados…

Jonny Greenwood – “Prospectors Arrive” (da trilha de Sangue Negro)
Jonny Greenwood – “There Will Be Blood” (da trilha de Sangue Negro)
Messiaen – “Vocalise-Étude”
Michael Gordon – “Industry”
Jonny Greenwood – “Self-Portrait with Seven Fingers”
Steve Reich – “Electric Counterpoint”
Jonny Greenwood – “Application 45 Version 1” (da trilha de O Mestre)
Jonny Greenwood – “Miniature”
Edmund Finnis – “Brother”
Jonny Greenwood – “”Sweetness of Freddie” (da trilha de O Mestre)
Ysaÿe – “Sonata No.2: I. Obsession ”
Jonny Greenwood – “Loop”

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Falei outro dia do primeiro disco ao vivo do Dr. Dog e eis que surge mais uma pérola deles em vídeo, desta vez tocando um dos hits do Architecture In Helsinki, “Heart It Races”.

Ficou demais.

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E por falar no Jonny Greenwood, ele novamente assina a trilha sonora de um filme de Paul Thomas Anderson, o que, desta vez, também o transforma no trilheiro da primeira adaptação de uma obra de Thomas Pynchon para o cinema. E entre as faixas da trilha, que, além de composições próprias, ainda tem músicas de Les Baxter, Neil Young, Can, Minnie Ripperton, entre outros, Jonny resgatou uma música que havia composto com o Radiohead pouco depois da gravação do último disco do grupo, King of Limbs, de 2011, mas que foi descartada pela banda em seguida. Greenwood não quis desperdiçá-la e chamou meio Supergrass (Gaz Coombes e Danny Goffey) e a Joanna Newsom pra recriá-la para a nova trilha. Ei-la:

E já que estamos falando do filme, vocês já viram o outro trailer, né?

A impressão é que vamos assistir ao Big Lebowski do Paul Thomas Anderson, seja lá o que isso queira dizer.

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Fredrik Wilkingsson, um sueco fanático por Bob Dylan, passou por uma experiência de ouro graças a um reality show. O programa Experiment Ensam (Experimento Só) leva participantes para passar sozinho por situações que normalmente são vividas em multidões e Fredrik foi escolhido para assistir sozinho a um show de Bob Dylan. Além de ser uma experiência emocional intensa, ela ainda cutucou bem os princípios cogitados pelo programa, que fala sobre solidão, sociedade e aceitação social. No show, que pode ser assistido abaixo, Dylan tocou versões para “Heartbeat” de Buddy Holly ,”Blueberry Hill” de Fats Domino e “It’s Too Late (She’s Gone)” de Chuck Wills.