Carlos Drummond de Andrade recitado por John Rambo.
Aproveitando a onda boa de sua inusitada volta, o coletivo de DJs australiano Avalanches prepara o lançamento em vinil de sua obra-prima de 2001 Since I Left You, a impressionante colagem de samples que colocou o grupo no mapa do pop mundial direto ao lado de clássicos da sampladelia como Paul’s Boutique e Into the Dragon. O vinil está previsto para ser lançado em janeiro de 2017 e a gravadora Astralwerks está cogitando uma versão limitada e colorida do disco, cuja cor pode ser escolhida em seu site até o final de novembro. E como assim você nunca ouviu esse disco…?
O rapper paulistano volta aos seus anos de formação na Brasilândia no belo e nostálgico clipe de “Virou Canção”.
Essa caixa The Early Years 1965 – 1972, que o Pink Floyd lança no próximo dia 11, com 27 discos, é o sonho utópico de qualquer fã da banda. Ela vem dividida em sete volumes (batizados de Cambridge St/ation, Germin/ation, Dramatis/ation, Devi/ation, Reverber/ation, Obfusc/ation e Continu/ation) e abrange o período entre a fundação do grupo por Syd Barrett até pouco antes da aclamação crítica e popular com o disco Dark Side of the Moon. São 11 CDs, 9 DVDs, sete compactos em vinil e reproduções de pôsteres, flyers e material promocional da banda que expandem ainda mais as fronteiras deste período de formação da banda. Olha isso:
Entre as pérolas estão músicas desconhecidas da pré-história do Pink Floyd (“Lucy Leave”, “Double O Bo”, “Remember Me”, “Walk with Me Sydney” e “Butterfly”), apresentações ao vivo da banda pela Europa e todos os registros feitos na BBC, faixas inéditas das trilhas sonoras de More e Zabriskie Point, uma versão em vídeo de “Interstellar Overdrive” ao vivo com Frank Zappa (além de seis outras versões para esta música), as íntegras dos filmes More e La Valée (cuja trilha é o excelente Obscured By Clouds, de 1972), doze versões para “Atom Heart Mother” e algumas pérolas em vídeo que o grupo está colocando em seu canal no YouTube, como este clipe para “Green is the Colour”, que mistura o áudio de uma gravação na BBC em 1969 com o vídeo de uma aparição da banda no programa francês Pop Deux, cobrindo o show da banda no Festival de St. Tropez em agosto de 1970:
O clipe da excelente “Childhood’s End”, do meu favorito Obscured by Clouds:
Ou esta versão acústica para “Grantchester Meadows” do disco Ummagumma, gravada para a BBC:
É muita coisa!
Eis o vídeo O Espelho, inspirado em um capítulo sem título do meu livro PC Siqueira Está Morto, que eu e o PC adaptamos para o formato 360° lá no YouTube Space de Los Angeles, com uma mãozinha do jovem Gus Lanzetta. O capítulo no livro é mais extenso e desenvolve-se de outra forma – enxugamos boa parte do texto e da lógica para adaptar-se ao formato proposto pelo YouTube, que aproveitou o dia das bruxas para fazer esta série de curtas em 360° chamada #Room301. O vídeo fica mais legal se for visto pelo celular.
E quando você menos espera, eis que os veteranos indie do Grandaddy estão de volta à ativa, com disco novo prontinho (já em pré-venda) e com clipe anunciando o novo trabalho, o primeiro em dez anos! Last Place será lançado no início do ano que vem e eles mostram o clipe de “Way We Won’t” como aperitivo.
E com certeza vem turnê aí…
Depois de passar pela América do Sul, o Wilco seguiu a turnê de seu disco Schmilco pela Europa, quando, no primeiro show que fizeram em Bruxelas, nesta quinta, o líder Jeff Tweedy comentou que estava com saudades do público latino cantarolando os riffs de suas músicas, olha que massa:
É só vir outras vezes, hehehe. Abaixo, a íntegra deste mesmo show:
“Normal American Kids”
“If I Ever Was a Child”
“Cry All Day”
“I Am Trying to Break Your Heart”
“Kamera”
“The Joke Explained”
“Misunderstood”
“Someone to Lose”
“Pot Kettle Black”
“Via Chicago”
“Bull Black Nova”
“Reservations”
“Impossible Germany”
“We Aren’t the World (Safety Girl)”
“Random Name Generator”
“Jesus, Etc.”
“Locator”
“Box Full of Letters”
“Theologians”
“I’m Always in Love”
“Heavy Metal Drummer”
“I’m The Man Who Loves You”
“Hummingbird”
“The Late Greats”
“Spiders (Kidsmoke)”
Escrevi na minha coluna de agosto da revista Caros Amigos sobre o exuberante disco póstumo de Serena Assumpção, o excepcional Ascensão, que devia ser ouvido por muito mais gente:
Serena em ascensão
Um disco profundo que mantém vivo o nome de sua criadora
A primeira música é dedicada a Leonilson e reúne o dramaturgo Zé Celso às cantoras Karina Buhr e Luê. A segunda saúda o Profeta Gentileza e tem vocais de Tulipa Ruiz e Tatá Aeroplano. A terceira traz o casal Curumin e Anelis Assumpção celebrando João da Baiana e Noriel Vilela. A quarta, para Luz Del Fuego, traz Moreno Veloso, Domenico Lancelotti e Bem Gil. Depois, o trio Metá Metá aparece ao lado do baixista Alfredo “DJ Tudo” Bello e da percussionista Simone Sou em uma música feita para Iyá Sandra Apega e Dorival Caymmi. Pelo resto do disco cruzamos com Filipe Catto, Tetê Espíndola, Lettieres Leite, Céu, Mau, Klaus Sena, Luz Marina, Mariana Aydar, Paula Pretta, Bruno Barbosa, Xênia França, Marcelo Pretto e Juliana Kehl, entre outros músicos e intérpretes, homenageando, a cada canção, nomes como Nina Simone, Pai Joaquim de Angola, Elis Regina, Clementina de Jesus, Mahatma Ghandi, Geraldo Filme, Clara Nunes, Madame Satã, Paco de Lucia, Mahalia Jackson, Pai João, Egbomi Cidalia, Heitor Villa-Lobos e Mãe Menininha do Gantois.
Descrito assim, por sua ficha técnica e pelas dedicatórias à cada música no encarte, o disco Ascensão, de Serena Assumpção, parece uma celebração da diversidade cultural brasileira, mais um registro musical que celebra um cânone plural em movimento, que ergueu a identidade de um País que passa longe da coroa portuguesa, da bossa nova, da Rede Globo, de Brasília. E também um encontro da nata dos representantes atuais deste cânone musical, traçando conexões e pontes entre músicos e intérpretes que sempre estiveram próximos, mas num grande disco de celebração à própria importância como geração.
Essas leituras, no entanto, mudam completamente de fi gura quando sabemos que a primeira música se chama Exu, a segunda Ogum, a terceira Pavão, a quarta Oxumaré, depois Xangô, Iansã, Oxum, Iemanjá, Iroko, Nanã, Obaluaiê, Oxalá e Do Tata Nzambi – e que suas letras falam especifi camente de cada um desses orixás. Sabendo disso, a escolha dos intérpretes e os homenageados de cada faixa dão uma dimensão extra a cada letra, a cada batida, a cada acorde, a cada nota. Ascensão não é um simples disco de celebração da cultura brasileira – é algo muito mais profundo, intenso e ancestral do que o próprio Brasil. Fora a voz onipresente de Serena, uma liga que soa milenar ao conectar cada canção com o imponente todo.
“Serena recebeu essa ‘missão’ em um jogo de búzios no terreiro que frequentava, que ela então seria a responsável por gravar um disco com músicas desse terreiro, Ilê De Obá De Dessemi De Odé”, me explica o músico e produtor Rodolfo Dias Paes, o Dipa,que acompanhou o nascimento de Ascensão desde o início, ajudando Serena a concretizar a obra. “E essas músicas são as que são cantadas no próprio Ilê.”
“Serena já havia escolhido praticamente todo repertório que formaria o disco quando me chamou”, continua o produtor do disco. “Entrei no processo logo no início, em 2009. Antes ela havia gravado duas músicas no estúdio do Alfredo Bello, o DJ Tudo. Mas por conta de agenda e proximidade, me convidou para continuar esse projeto, ainda sem nenhum tipo de custeio externo, fazendo às próprias custas. Havia me encantado e disse que mergulharia com ela nisso.”
“Lembro que nos encontrávamos nos estúdio duas ou três vezes antes de gravar apenas para ouvir as melodias, que ela gravava no celular, e aí pensar quem poderia gravar, qual seria a melhor instrumentação para aquela canção”, continua o produtor. “Sobre os convidados, ela tinha bem claro quem gostaria que participasse – e pensando em quem cantaria, nós pensávamos qual seria a melhor instrumentação, tudo isso para poder ‘dar certo’, fazer fl uir o dia que teríamos para gravar todos juntos no estúdio determinada música. E assim foi. Quase todas as músicas nasceram no encontro de no máximo dois dias no estúdio. Escolhíamos os músicos e intérpretes e a música nascia no processo coletivo mesmo! Todos no estúdio e criando juntos. Começamos assim em 2009, e assim continuamos até a conclusão do disco em 2015.”
“Serena sempre soube bem os caminhos que ela queria para esse trabalho, se ela não soubesse a maneira técnica pra falar algo que ela queria expressar na música, ela sempre dava referências e do sentimento que a música poderia ter”, explica Pipo Pegoraro, o outro produtor do disco, que entrou no meio do processo “ajudando a reorganizar e produzir os materiais que já haviam sido gravados”. “No estúdio, no meio dos takes de gravação, diversas vezes ela chegava perto do microfone e falava uma palavra ou um som para a pessoa pensar naquele momento – e certamente mudava algo ali!”
“Teve um dia em que antes de irmos pro estúdio, ela reuniu as pessoas que iriam gravar e ofereceu um almoço baseado nas comidas que são ofertadas para aquele Orixá, que mais tarde seria musicado por nós”, continua Pipo. “Esse tipo de relação com o trabalho estava sempre presente.”
“Serena tinha um grande conhecimento nesse quesito”, completa Dipa. “Ela tinha propriedade quando falava dos Orixás, suas referências, contos, origens, cores, sabores, matérias… Com certeza ela escolheu a dedo cada intérprete para cada Orixá. E conversou bem com cada um que iria participar. Serena gostava muito disso, ela convidava para passar na casa dela, fazia um bolo delicioso ou um almoço, chás, sucos e fi cávamos conversando sobre o assunto. Assim foi também com todos os intérpretes. Todos que cantaram chegaram lá com bagagem da Sereninha. E mesmo durante as gravações, no estúdio, ela trazia mais referência, mais subtextos para os intérpretes.”
“Serena sempre teve bastante consciência do que ela estava querendo”, continua Pipo. “Ela queria falar das crenças e da importância disso na vida dela, expressar a beleza de nossa autêntica cultura e religiosidade, e fazer algo por isso, juntando a energia de cada um que se envolvia no projeto e acreditava. Juntar todas essas pessoas para ela foi algo meio que natural, sabe?”, conta Dipa. O disco foi lançado ofi cialmente nos dias 7 e 8 de julho, com shows no Sesc Pompeia que reuniram Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Filipe Catto, Céu, Anelis Assumpção, Tatá Aeroplano, Luz Marina, Juliana Kehl, Luê, Mauricio Bade, Xênia França, Paula Pretta, Leo Cavalcanti, Marcelo Pretto, Ana Lomelino e Laura Lavieri, acompanhados pela banda Tono.
“Serena já havia deixado tudo pronto e aprovado, não mudamos uma vírgula, das músicas à lombada do CD”, lembra Dipa. “Já falávamos bastante sobre como poderia ser o show. Ela já havia escrito duas propostas de projeto para o Sesc para esse lançamento, já havia deixado marcado com a Banda Tono para ser a banda de base que a acompanharia, o Ryck Staff faria a direção geral do show, a Julia (Rocha, autora do projeto gráfi co do disco) as projeções; a Isadora Gallas o fi gurino e por aí foi. Tudo já anotado, assessoria de imprensa e tudo mais que pensar.”
“Com a partida da Serena pensamos que faria todo sentido convidar os intérpretes que participaram do disco. Nem todos puderam fazer o show por conta de agenda. Outros somaram no dia, pois eram artistas, amigos muito próximos a Serena e sentimos que nesse formato, eles mesmos não estando no disco faziam parte. E assim foi”, lembra o parceiro. A partida da fi lha de Itamar Assumpção, que saiu de cena devido ao câncer no dia 16 de março deste ano, foi anunciada pela irmã Anelis no dia seguinte: “Serena foi voar / Nadar nas profundas águas / Num canto de sereia / Serena voou encantos / Foi navegar seus ultramares / Serena agora está livre / Livre e mais Serena / pra sempre / Serena.” Ascensão, no entanto, torna-a viva – e intensa – para todos que não a conheciam.
O disco é um dos mais envolventes da história da música brasileira, não apenas deste século. E Dipa não acha que seu ciclo terminou com os shows no Sesc: “Ainda não sabemos como fazer, mas foi tão especial que merece ainda ser pensado”, explica o produtor, adiantando também que “existe uma faixa que gravamos e não saiu no disco físico, com participação do Caetano Veloso. Vamos lançar essa faixa em breve para download gratuito e continuar espalhando essas sementes.”
Essa versão que o mestre KL Jay fez com a banda Coisa Fina para o clássico de Tim Maia é do ano passado, mas só ouvi agora – sensacional.
Sério, bicho… Ou pelo menos é o que cogita essa teoria do Cracked (em inglês):










