A ex-vocalista do Gossip Beth Ditto prepara o primeiro álbum solo e dispara o incendiário single de apresentação, “Fire”.
O clima da música é mais épico e sério do que o clima punk rock de sua antiga banda e começamos a assistir sua autotransformação em diva da pista de dança (com um gostinho do sul dos Estados Unidos) – coisa séria. O disco de estreia chama-se Fake Sugar e esta é sua capa, seguida da ordem das músicas:
“Fire”
“In and Out”
“Fake Sugar”
“Savoire Faire”
“We Could Run”
“Oo La La”
“Go Baby Go”
“Oh My God”
“Love in Real Life”
“Do You Want Me To”
“Lover”
“Clouds”
A cantora canadense Feist lança mais uma música de seu novo disco, Pleasure (cuja faixa-título ela mostrou no mês passado). “A Century” foi composta e gravada ao lado do vocalista do Pulp, Jarvis Cocker:
A música segue o clima cru, meio PJ Harvey, meio Angel Olsen, que a primeira música mostrada por ela havia sugerido – e a parte que Jarvis compôs e canta na música é típica dele:
A century
How long is that?
Three billion one hundred and fifty five million
Nine hundred and seventy three thousand six hundred seconds
Eight hundred and seventy six million hours
Or thirty six thousand five hundred days
Almost as long as one of those endless dark nights of the soul
Those nights never end
When you believe you’ll never see the sun rise again
And a single second feels like a century
Parece que agora é sério: depois do alarme falso de “Shirim”, em 2015, a francesa Melody Prochet parece estar prestes a voltar à ativa, depois do ótimo disco de estreia de 2012. Seu próximo disco Bon Voyage, foi anunciado nesta segunda-feira (dia de seu aniversário) juntamente com a música que, aparentemente, abre o disco, a deliciosa “Cross My Heart”.
O clima psicodélico onírico se mantém, mas mais mundano e pedestre que sintético e lisérgico como antes, até que, no meio da música, um beat joga tudo para o meio da rua – e o groove encaixa-se perfeitamente, mesmo alheio à melodia do início, que segue sinuosa. E esses vocais… E esse finzinho interminável… Que beleza.
Quando estive em Salvador durante o festival Radioca no final do ano passado, vários amigos e conhecidos da cidade reforçavam a importância de assistir ao show de Giovani Cidreira. O ex-Velotroz já estava gravando seu primeiro disco solo e o comentário geral era de que ele era um dos novos nomes de Salvador para ficar de olho. Antes do show começar fui com a Roberta tomar um sorvete perto do Elevador Lacerda e quando cheguei no Trapiche Barnabé, onde acontecia o festival, o show tinha acabado de começar. Dei a volta por fora do lugar onde o festival acontecia para chegar perto da entrada de imprensa e pude ouvir uma canção interminável, épica, sem refrão, que ia crescendo e se tornando mais arrebatadora à medida em que eu apertava o passo para ouvi-la. Havia algo de Milton Nascimento, algo de Taiguara, uma carga dramática que unia Roberto Carlos e Raul Seixas a Belchior e Fagner, algo bem diferente do que escutamos na música pop brasileira atual.
Qual minha surpresa ao avistar um hipster com o cabelo pra cima como o do Shamir, vestindo um macacão e uma camisa com estampas do Mickey. Giovani Cidreira parece conter contradições aparentemente indissociáveis e complexas, mas resolve-as musicalmente, deixando a música fluir. O fato de seu primeiro disco, o passional e intenso Japanese Food, cuja capa você vê em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, ter sido beneficiado por um edital da Natura e ser lançado pelo selo paulistano indie Balaclava também conversa com essas idiossincrasias da cena independente brasileira no inicio do século. Conversei com ele por email sobre este início de carreira solo e suas impressões sobre a música no Brasil hoje.
Fala um pouco sobre a sua trajetória até aqui. Como você começou e encontrou este caminho musical?
Música sempre foi um troço forte na minha vida, na infância eu andava com um daqueles violões de brinquedo imitando Zezé Dicamargo, me ligava muito nas musicas de Luiz Gonzaga e Roberto Carlos, coisas que a gente ouvia em casa. Vim morar em Salvador com 9 anos e a essa altura nós já tínhamos uma radiola que pegava fita k7, lembro de meu pai chegar do trabalho a noite e colocar umas fitas de Raul Seixas pra a gente ouvir. Foi nessa época que comecei a fazer as letras. Logo depois ganhei um violão, a partir disso comecei a gravar em umas fitas com as primeiras musicas, acho que começou a valer daí. A música vai te levando, você vai conhecendo pessoas que gostam tanto quanto você.. Aí veio a primeira banda, Gramodisco, e depois fui chamado pra cantar na Velotroz. Gravamos três discos: Parque da Cidade, em 2007, Banda do Futuro Apresenta Espelho de Sharmene, em 2011, e o último, História do Tempo, em 2015. Também fizemos os shows mais verdadeiros de salvador, era um caos maravilhoso. Gravei o primeiro EP solo com a banda ainda na ativa, estava tocando o EP por aí quando Tadeu Mascarenhas, que dirige o disco novo, me convidou pra dar uma olhada num tal edital da Natura… É muita história.
Quais são suas influências musicais mais presentes? Quem você ouviu que mais lhe direcionou por esse caminho?
As coisas mais presentes em mim são as que eu aprendi em casa, com a minha família. Com música é a mesma coisa. Volta e meia eu vejo um traço de Roberto Carlos ou Renato Russo em alguma música, coisas que minha avó e minha mãe sempre ouviam. Quando eu fiz uns dezessete, um amigo me emprestou uma vitrola – inclusive ele nunca mais viu essa vitrola -, eu comecei a comprar LPs, uma cortina se abriu pra um mundo novo. Eu só fazia isso, meu dia se resumia a Caetano, Gil, Elis, Amelinha, Paulinho da Viola, Marcos Valle, Ivan Lins, Ney, Arrigo, e principalmente Clube da Esquina. Esses discos foram moldando meu jeito de escrever, acho que fica claro essas influências em algumas músicas.
Como você vê o crescimento da cena independente no Brasil? Quem são seus artistas favoritos hoje?
O campo de trabalho da música independente é a internet e o nível de informação e dispersão é absurdo, não dá pra acompanhar metade das coisas que acontecem, me surpreendo toda semana: Sara Não Tem Nome, Vladvostock, Caoexpiatorio de Paulo Diniz, Dark… O último disco de Negro Leo é simplesmente FODA! Adoro tudo que a Karina Buhr faz e adoro a Ava Rocha e Matheus Mota. Apesar das condições insalubres de trabalho, tem sempre alguém bom. A cena rap é uma maravilha a parte, os caras estão indo além. As pessoas que reclamam que na música atual não tem poesia não ouviram as rimas de Neto do Síntese, ou de Don L, Cintia Savoli, Dark do Contenção 33, Lívia Matos ou de Bacu.
E a cena em Salvador, há uma evolução? Não apenas de mercado, mas também estética?
Há uma mudança. A explosão do carnaval do BaianaSystem é uma das coisas que deixa claro que os tempos são outros pra cidade, o surgimento de artistas como Livia Nery e Jadsa Castro e bandas como Atooxa comprovam que são tempos de ouro. Quando comecei a tocar em Salvador eu tinha impressão de que todas as bandas independentes tinham que ser de rock, lembro que era um lance esquisito você levar um violão pra tocar no Nhô Caldos – bar lendário do Rio Vermelho – e era 2007!! Acredite! Eram bandas ruins demais pra mim, salvo raras exceções como a Ladrões de Bicicleta, banda do fera Ronei Jorge. A coisa mudou muito de dez anos pra cá, a minha geração tá interessada em ouvir e fazer não importa o segmento,nem a cor da sua camisa. Mas ainda não temos lugar pra tocar, é muito trabalhoso.
Fale um pouco sobre o novo disco, o que você queria dizer quando entrou no estúdio? Quem mais esteve junto contigo durante este percurso?
Entrei com um pensamento que parece muito besta no estúdio… Queria dizer pra as pessoas cuidarem mais umas das outras e prestarem atenção pra o fato de que amanha não tem ninguém vivo, acho que a mensagem é a mesma depois de meses todos ensaiando, gravando, mixando e lá vai… Meus amigos sempre estão comigo, e fiz muitos durante essa produção. Entre Salvador, Rio e SP foram muitas pessoas que contribuíram pra a finalização desse trabalho, ainda não acabou, eu sinto que estamos só começando.
Há previsão de show em São Paulo?
Chego em São Paulo em maio, mas não tem show até agora, nesse primeiro mês eu devo ficar ensaiando, vai rolar uma banda nova com dois nomes quentes daí de Sp, Rubens Adati ,do Vladvostock, e Ale Sater, do Terno Rei. Inclusive, SP, chama pra tocar que a gente vai!!
“DISCO, CD, ALBÚM… Como quiserem chamar, finalmente saiu a matéria do mais legitimo lírico. Apreciem sem moderação #VVAR”, diz a descrição do vídeo postado pelo canal #VamoVoltarARealidade, criado em janeiro deste ano e que também conta com as músicas divididas em vídeos distintos. São treze faixas conhecidas do público do MC Marechal (entre eles, todo o hip hop brasileiro) enfileiradas como uma coletânea de músicas que não haviam sido oficializadas em disco, traçando a trajetória dos últimos dez anos de um dos principais MCs do país, que nunca havia lançado seu primeiro disco – até agora.
Ou seria mais uma provocação? O disco foi “lançado” novamente no dia primeiro de abril, exatamente um ano após ele lançar a faixa de mesmo nome, que abre o novo disco. “Primeiro de Abril” – a música – consolidava o primeiro disco de Marechal como material mitológico, ele mesmo ironizando a espera e a própria produção logo nos primeiros versos. Se #VamoVoltarARealidade é de fato seu disco de estreia, ele usa o momento para lançar para o grande público um conjunto de faixas que resumem a ideologia que vem alimentando nos últimos anos, batizada com o nome desse disco “pra tirar menor do 12 pra dar uma lida”, como disse em sua participação na provocadora “Quem Tava Lá?“, do Costa Gols, uma das melhores músicas do ano passado justamente pela presença do velho Marechal. Quando conversei com ele no ano passado, ele garantiu que o disco saía em março. Errou por um dia, não mentiu.
Mas será que é o primeiro disco dele mesmo? Será que a coletânea é mais um jogo de cena? Mais um despiste, mais um drible, mais um jogo de espelhos deste jovem mestre das palavras. “DISCO, CD, ALBUM…”, nem sabemos ao certo se foi ele mesmo quem disse isso. Pós-verdade? Marechal ri disso tudo faz tempo.
Atualização 13h30: o próprio acaba de me responder via Instagram que ainda não é o disco dele… Segue a espera.
D2 volta a dar o ar de sua graça depois de quatro anos parado com o primeiro capítulo do álbum-visual que pretende lançar no fim do ano, mais precisamente no dia 5 de novembro, quando completa cinquenta anos de idade. Marcelo explicou o conceito do próximo álbum ao Matias Maxx na Vice, mandando a letra sobre o que podemos esperar:
O filme é uma ficção não linear que conta a história desse cara que nasce numa favela não pacificada do Rio de Janeiro, tem as tretas dele lá, tem que sair do morro fugido, um cara que cresceu gostando de arte, mas vindo de um lugar violento arte era quase que uma utopia na vida dele. Depois disso ele encontra uma modelo e artista plástica francesa que vem estudar Tarsila do Amaral e modernismo aqui no Rio e aí eles acabam se encontrando e a vida tá ótima, mas o passado o atormenta. Eu vejo uma molecada de revólver na mão tirando onda, e me veio à cabeça que isso daí qualquer otário faz, empunhar um revólver e se achar foda, agora quer ver amar, segurar bronca mesmo, de ter amor, carinho e compaixão pro próximo. Amar é para os fortes! E a história é meio sobre isso, tem sexo, drogas e rap.
O clipe de “Resistência Cultural” foi todo filmado com celular, além de produzido e dirigido pelo novo crew de Marcelo, chamado Mulato. A música ainda conta com participações de Siba e do Hélio Bentes, vocalista da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, e é uma clara tentativa de Marcelo se reconectar com seu passado recente, quando, logo após sair do Planet Hemp, começava a reconfigurar o hip hop brasileiro traçando pontes com outras musicalidades e usava a política como cultura – e vice-versa.
Mas ainda não bateu. As referências estão corretas, o flow é bom como sempre, a estética é bonita, a mensagem foi passada. Mas há algo entre a melodia do refrão e a forma como o auto-tune é usado que não transforma esta canção no que ela poderia ser, um hit pesado, que marcasse realmente a volta de D2 à praça. Mas é só o começo, vamos ver o que vem por aí…
Mais um clipe de uma nova música da MC brasiliense Flora Matos, “Preta da Quebrada” acerta em vários alvos ao mesmo tempo em que consolida uma tradição brasileira de canto falado sobre ritmo que é bem anterior ao rap, de rodas de samba, de emboladas, de disputas de repente e do terreiro. A música pode ser baixada no site da One RPM.
O próximo disco dela ainda não tem data de lançamento, mas vem num crescendo… Vocês lembram de “Quando Você Vem“, que ela lançou no começo do ano, produzida por ela mesma?
Há muito tempo, numa videolocadora muito distante… Publiquei lá no meu blog no UOL um comercial de Rogue One se ele existisse nos tempos do VHS.
Há muito tempo, neste mesmo planeta desta mesma galáxia e bem antes da internet e das smart TVs, as pessoas só podiam ver filmes depois que eles saíam de cartaz no cinema indo a um certo tipo de estabelecimento comercial chamado videolocadora, em que compravam ou alugavam por um certo período de tempo caixas de plástico com fitas magnéticas que eram lidas por aparelhos enormes chamados videocassetes. Essas caixas, chamadas de fitas VHS, eram anunciadas em comerciais que passavam nos intervalos de programas de TV – e o francês Damien Kazan publicou em seu canal no YouTube uma homenagem a esta forma de consumo de mídia ancestral adaptando o trailer de Rogue One para os formatos daqueles anúncios. Ficou demais:
Kendrick Lamar surge mais uma vez com outro single sem aviso – e desta vez com um clipaço, saca só:
É o segundo sinal de vida que ele dá este ano: primeiro foi a inédita “The Heart Part IV”, que mostrou na semana passada, deixando a dica que pudesse estar vindo com algo novo em breve, ao falar sobre alguma novidade para abril. O clipe de “Humble” – mais hit e mais espetaculoso que a primeira faixa – reforça a volta do rapper, mas sem alarde, martelando a mensagem da humildade enquanto esbraveja contra o Photoshop, a padronização e a vida de mentira enquanto intercala imagens de cunho religioso, estereótipos de clipes de rap e tirações de onda características. É interessante notas que num dado momento do clipe, enquanto a cabeça de Kendrick literalmente pega fogo, figurantes ao seu redor aparecem com cordas ao redor da cabeça, criando uma imagem bem parecida com a do clipe “Invisível” do BaianaSystem.
E se você for prestar atenção, eles estão falando de coisas parecidas…
Lana Del Rey revelou um trailer em que ela explica o conceito por trás de seu novo álbum, Lust for Life:
“Então a cada manhã, me dou a luxo de me perguntar, ‘o que devo cozinhar para as crianças hoje? Algo com algum tempero? Algo com alguma amargura que é definitivamente doce? Ou devo tirar o dia para descansar e desligar o fogo e aproveitar o momento para mandar meu amor para eles através do éter?'”, ela conta no trailer. “Porque, às vezes, apenas ser puro de coração e ter boas intenções e deixá-las conhecidas pode ser a contribuição mais digna que um artista pode fazer”
O trailer vem logo após o primeiro single do disco, a balada “Love”, em que ela se refere especificamente aos seus fãs, e depois de ter conjurado seu público a rogar uma praga contra Donald Trump. Ela também menciona nas entrevistas recentes que fez seus primeiros álbuns para ela mesma e que este próximo ela vai dedicar-se aos fãs. No meu entender, é simples: ela criou uma persona ancorada em algumas referências firmes (os anos 20, Hollywood clássica, hipsterismo, decadência inabalável, David Lynch e Guns’n’Roses, entre outras tantas) e agora começa a espalhá-las para seu público, criando um universo em que os fãs possam habitar a maneira que fizeram outros ícones da cultura pop recente (Harry Potter, os filmes da Marvel, a volta de Guerra nas Estrelas, Game of Thrones, Senhor dos Anéis). Um universo que mistura a Hollyweird que ela menciona no trailer com uma bruxaria do século 21, fazendo ela mesma tornar-se papisa de uma religião em formação. Um conceito interessante, mas que só funciona mesmo se a música se sustentar. A ver.













