Geoff Barrow, do Portishead, leva o grupo canadense Arcade Fire a uma viagem dubzeira em seu remix para “Creature Comfort”, que virou “Comfort My Sleng Teng (Geoff Barrow Mix)”.
A clássica dupla dance Orbital, formada pelos irmãos Paul e Phil Hartnoll, pendurou as chuteiras em 2012, quando lançou seu último disco, Wonky, mas desde o início do ano vem ensaiando sua volta, fazendo apresentações ao vivo sob rumores que estariam trabalhando num novo álbum. A principal novidade é a faixa “Copenhagen”, a primeira inédita em cinco anos, lançada meses após o primeiro sinal de vida dado pela dupla, no início do ano, quando recriaram a faixa de 2008 “Kinect” ambientada para este ano. Ouça as duas abaixo:
Às vésperas de lançar seu primeiro disco solo, Susan Souza lança mais uma faixa do álbum produzido por Steve Shelley, baterista do Sonic Youth. “Cinnamon Sea”, lançada em primeira mão no Trabalho Sujo, talvez seja a música que mais lembra a banda original de seu produtor e encerra o disco. “‘Cinnamon Sea’ foi a última música que compus para fechar o álbum. Nessa parte final – ‘Cinnamon Sea’ é a penúltima faixa-, a fragilidade da Nabia que foi apresentada no primeiro single, ‘Sol’, ficou para trás”, explica a cantora e compositora, falando da personalidade que criou para conduzir a história do disco. “Nesse ponto da narrativa, a personagem não sente medo de se afirmar porque conhece suas sombras e sabe quais são os potenciais que podem surgir a partir do entendimento delas.”
Ela continua: “Compus ‘Cinnamon Sea’ quase na véspera de viajar para Hoboken, em fevereiro desse ano, durante noites de insônia por causa da ansiedade para terminar o disco. A letra foi parcialmente escrita aqui e finalizada já nos Estados Unidos. O Emil Amos, dos Holy Sons, OM, Grails, participa no baixo e também na segunda guitarra. Ele foi fundamental para construir uma sonoridade meio ‘oceânica’, que foi como sentimos que precisava ser o clima dessa faixa. A letra fala sobre se sentir sagrada, sábia e livre, não é sobre nenhuma religião específica, mas sim sobre estar em contato com um espaço sagrado particular. Quando a gente entende nosso propósito de vida e nossas fragilidades fica muito mais fácil acessar esse lugar sagrado de força interior para permitir que a felicidade não seja uma ideia inatingível, mas sim uma vivência sutil do cotidiano. Essa música é sobre isso e sobre se direcionar para o centro da roda da fortuna, ou seja, encontrar um ponto de equilíbrio para não se deixar levar pelos altos e baixos da vida.” Steve Shelley completa o time tocando bateria.
A banda baiana Maglore está prestes a lançar seu quarto disco, o ótimo Todas as Bandeiras, e antecipou o single da sossegadíssima “Você Me Deixa Legal” em primeira mão para o Trabalho Sujo. Guitarras praianas, uma vibe entre George Harrison e Conan Mockassin e uma letra que pede calma nestes tempos belicosos – tema, aliás, que atravessa todo o álbum, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira. O vocalista, guitarrista e principal compositor da banda, Teago Oliveira, fala sobre a faixa escolhida: “É uma canção antiga que fiz ao observar essa coisa frenética de hoje: a quantidade de informação pra assimilar e a forma talvez plástica com que a gente lida com isso, com esse ambiente de embate. Ao mesmo tempo acho que ela tem uma vibe “cool” e popular, essa coisa de apesar disso tudo, dá pra ficar legal”, ri.
Sem alarde, Kurt Vile e Courtney Barnett lançam o primeiro single de sua colaboração mútua junto com o clipe de “Over Everything” – que música boa! Lotta Sea Lice vê a luz do dia no dia 13 de outubro – a capa é essa aí em cima e a ordem das faixas (que inclui Kurt regravando “Outta the Woodwork” de Courtney e Courtney regravando “Peeping Tomboy” de Kurt) vem abaixo do clipe.
“Over Everything”
“Let It Go”
“Fear Is Like a Forest”
“Outta the Woodwork”
“Continental Breakfast”
“On Script”
“Blue Cheese”
“Peepin’ Tom”
“Untogether”
Saulo Duarte está começando a definir sua carreira solo. Não, ele não abandonou a Unidade, grupo com o qual se estabeleceu na última década, mas busca pouco a pouco encontrar uma voz própria, paralela à de seu trabalho no grupo. “Ao longo desses nove anos com a Unidade eu compus outras músicas que não entraram nos discos da banda por não pertencerem àquele universo musical”, ele me explica por email. Sua carreira solo começa esta semana quando ele revela a primeira faixa de sua nova fase, ao lançar “O Lance” em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Ela fala um pouco sobre o flerte, sobre isso de conhecer alguém, trocar poucas palavras e o indizível ficar no ar, as possibilidades variadas, a imaginação…”, ele continua. “É um devaneio dividido em algumas partes acompanhadas pela a parte instrumental: a parte 1 é conhecer a pessoa, parte 2 é o devaneio do ‘sonho/pesadelo’, a parte 3 é a constatação do que aconteceu e a parte 4 é o deleite de voltar pra casa com o lance que não precisa acontecer pra existir – lalalala”, brinca. A música carrega o que deve ser a marca dessa nova fase da carreira do compositor paraense: as parcerias com outros músicos e produtores. “Ela foi gravada no estúdio Navegantes pelo Ze Nigro e produzida pelo Curumin. Chamei esse nucleo do Curumin e os Aipins porque a gente já toca junto na banda do Russo Passapusso e na banda do próprio Curuma e já existe uma afinidade sonora, um gosto compartilhado. Foi fácil direcionar as idéias com eles porque já ia tudo pra mesma direção de forma natural, aí tem o Lucas Martins na guitarra, o Mauricio Badê na percussão, além do Curumin e do Ze Nigro tocando também. Ela foi mixada pelo Gustavo Lenza e masterizada pelo Felipe Tichauer”. O lançamento oficial é pela gravadora YB e chega às plataformas digitais nesta sexta-feira.
Sobre a sua banda oficial, ele acalmma os fãs. “A Unidade não acaba, todos da banda estão envolvidos em outros trabalhos atualmente e isso faz com que sigamos de uma forma diferente, mas a gente segue conversando sobre música e planeja lançar um próximo disco no futuro”, continua. “Agora estou envolvido no processo do meu disco e é minha prioridade. Essa diferenciação dos trabalhos acho que quem gosta do som naturalmente vai sacar, existem diversas semelhanças porque é o mesmo compositor, então diria que são diferenças sutis no texto, nos detalhes do som, mas é continuidade também.”
A previsão de lançamento do disco é para o ano que vem, mas ele planeja liberar outros singles antes do disco ficar pronto. “Quero ir fazendo essa transição de forma suave, é do meu desejo fazer um disco de música brasileira, com referências brasileiras, com o violão junto da banda novamente, fazendo riffs. Já tenho as músicas todas compostas, agora estou organizando para entender de que forma vai se dar essa narrativa.”
Uma boa alma fez o favor de colocar online a trilha que o Metá Metá fez para do espetáculo de dança do Grupo Corpo em homenagem a Exu, chamado Gira, que ainda tem Elza Soares no vocal de duas canções.
Ainda estou digerindo esse clipe novo da Taylor Swift… Ela pode fazer em 2017 o que Beyoncé fez em 2016. Depois eu falo mais…
E esse final!
Depois de muito enrolar, Beck anuncia finalmente o lançamento de seu novo álbum. Colors (que já está em pré-venda) será lançado no dia 13 de outubro, a capa é esta aí em cima e a ordem das faixas vem logo após o clipe que ele fez para mais uma música nova, a ensolarada “Dear Life”.
“Colors”
“Seventh Heaven”
“I’m So Free”
“Dear Life”
“No Distraction”
“Dreams (Color Mix)”
“Wow”
“Up All Night”
“Square One”
“Fix Me”
As Caravanas, recém-lançado disco de Chico Buarque, é o disco que esperávamos que Chico lançasse há anos, mas que ele preferia manter-se na inércia de seu último grande disco, Para Todos. Desde o início dos anos 90 Chico vem lançando álbuns mornos (o último realmente interessante é As Cidades, do século passado) numa inércia que vinha pela idade, pela preguiça (um direito sagrado, não custa frisar) e pela dedicação à sua produção literária, onde parecia estar dedicando-se mais.
Mas veio a polarização política do Brasil, Chico tornou-se alvo de uma ideologia retrógada que insiste em dar as cartas no Brasil, virou meme e viu-se empurrado mais uma vez para o holofote das discussões. E não apenas lança um disco com o esmero e amplitude sonora de seus grandes trabalhos como compõe esta que já é uma de suas grandes canções, a faixa que batiza o disco, que dá pra cravar, sem crise, que é a música mais importante do ano.
Resposta dura e sofisticada à depredação moral que vem se abatendo sobre o país, “As Caravanas” é irmã caçula de “Vai Passar”, mas o foco é dedicado à parte tensa desta outra canção (“Dormia / A nossa pátria mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída/ Em tenebrosas transações”) do que ao regozijo com a passagem do sanatório geral citado ao final. Parecia que tinha passado, não passou e amanhã ainda há de ser outro dia, mas Chico prefere falar do hoje, do agora – e mostrar como o passado segue firme, presente, ao nosso redor (com o arranjo dramático e a guitarra de Luiz Cláudio Ramos e o beatbox de Rafael Mike, do Dream Team do Passinho).
“É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turquesa à la Istambul
Enchendo os olhos
E um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arara
Do Caxangá, da ChatubaA caravana do Irajá
O comboio da Penha
Não há barreira que retenha
Esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos
Do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alah
É o bicho, é o buchicho, é a charangaDiz que malocam seus facões
E adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da MaréCom negros torsos nus deixam
Em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra GuinéSol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto marTem que bater, tem que matar
Engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arara”
Ave Chico.









