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E aos poucos o disco novo de Melody Prochet, nossa querida musa psicodélica que lidera o Melody’s Echo Chamber, vai ficando mais claro – e mais estranho. Depois de mostrar algumas músicas do disco no ano passado antes de sofrer um acidente, ela retomou o projeto do zero e lançou “Cross My Heart” para mostrar que tinha voltado à ativa. O novo álbum, agora batizado de Bon Voyage, teve sua pré-venda anunciada para o dia 15 do próximo mês e agora ela lança mais uma nova faixa, a estranhíssima “Desert Horse”, que mistura sua voz adocicada com guitarras invertidas e uma dose de psicodelia bad vibe que remete tanto ao Unknown Mortal Orchestra quanto ao disco mais recente dos Boogarins.

Imagina como será o disco…

Foto: Fabio Heizenreder

Foto: Fabio Heizenreder

Patrimônio vivo da música brasileira e um dos maiores nomes de nossa psicodelia, Arnaldo Baptista é reverenciado esta semana em São Paulo, em uma série de apresentações suas na Caixa Cultural de São Paulo que começam nesta quinta-feira e vão até sábado, culminando com um show no domingo em homenagem à sua obra (mais informações aqui). As primeiras apresentações fazem parte da série Sarau O Benedito em que o próprio Arnaldo, sozinho ao piano, lembra de músicas de seu repertório e clássicos de sua formação, com músicas de Bob Dylan, Animals, Beatles e peças de música erudita que lhe vierem à cabeça. No domingo, o baixista da banda Cachorro Grande, Rodolfo Krieger, reúne vários nomes para celebrar a música de Arnaldo, como Lulina (que cantará “Tacape”), China (que cantará “Ciborg”), Helio Flanders (que cantará “I Fell in Love One Day”), o próprio Rodolfo (que cantará “Sunshine”) e Karina Buhr, que gravou com exclusividade para o Trabalho Sujo as duas músicas que tocará no show, “Sentado à Beira da Estrada” e “Trem”, no Studio 8, onde também entrevistei o próprio Arnaldo.

A conversa com Arnaldo foi curta, mas animada, e falamos sobre diferentes temas – dos cinquenta anos da Tropicália à sua rotina no interior de Minas Gerais, além dos shows desta semana e discos favoritos. Ele lembrou de Gilberto Gil, Rogério Duprat, dos próprios Mutantes, mas prefere pensar no aqui-agora e revelou a quanta andas seu novo álbum, Esphera.

Como você mexe no repertório do Sarau o Benedito?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-como-voce-mexe-no-repertorio-do-sarau-o-benedito

Você aceita pedidos do público?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-voce-aceita-pedidos-do-publico

Quais são seus discos favoritos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-quais-sao-seus-discos-favoritos

Você escuta seus próprios discos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-voce-escuta-seus-proprios-discos

Qual seu disco favorito dos Beatles?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-qual-seu-disco-favorito-dos-beatles

Como é sua rotina atualmente?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-como-e-sua-rotina-atualmente

Você continua compondo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-voce-continua-compondo

Como você vê a Tropicália, da qual você fez parte, 50 anos depois?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-como-voce-ve-a-tropicalia-da-qual-voce-fez-parte-50-anos-depois

Foi Duprat quem apresentou os Mutantes ao Gilberto Gil?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-foi-duprat-quem-apresentou-os-mutantes-ao-gilberto-gil

Você lembra deste primeiro encontro com o Gil?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-voce-lembra-deste-primeiro-encontro-com-o-gil

Você tem lembranças dos momentos importantes dos Mutantes?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-voce-tem-lembrancas-dos-momentos-importantes-dos-mutantes

Qual sua expectativa sobre esses próximos shows Sarau O Benedito?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-qual-sua-expectativa-sobre-esses-proximos-shows-sarau-o-benedito

Considerações finais…?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/arnaldo-baptista-2018-consideracoes-finais

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Depois de anunciar seu novo disco com dois singles, a cantora e compositora sueca Lykke Li mostra mais uma faceta do novo álbum, So Sad So Sexy, que parece ser mais introspectivo que os anteriores. A nova faixa – “Utopia”, que ela descreve como “utopia é tudo que minha mãe quis pra mim e tudo que eu quero para meu filho” – reforça ainda mais essa sensação e foi apresentada em um vídeo que reúne cenas da jovem Li com sua mãe e dela hoje com seu filho pequeno, em comemoração ao recém passado dia das mães.

O disco será lançado no dia 8 de junho.

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O clipe que Rincon Sapiência fez para a ótima “Crime Bárbaro”, a faixa que rasga a abertura de seu excelente Galanga Livre com um sample de Tom Zé, resume alguns séculos de história do Brasil:

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Mais uma faixa do próximo disco do Chromeo na área e embora “Bad Decisions” não saia do funk oitentista típico da dupla canadense, ela desce um pouco o tom e o BPM, soando como “um tipo de funk bop lento anos 80 dos Talking Heads e meio tipo as coisas do Funkadelic”, como explicou Dave1 ao radialista Zane Lowe em seu programa na rádio Beats.

Sonzeira. Head Over Heels, o próximo disco da dupla, sai em junho.

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O Brasil ainda tem um enorme débito com o resto da América Latina, para quem historicamente sempre deu as costas, mas a música parece estar disposta a reverter esse processo. Enquanto os hermanos da América espanhola bem conhecem os grandes nomes da nossa música – os históricos e os atuais -, aos poucos nomes manjados no resto do continente dão as caras por aqui graças a iniciativas heroicas de produtores, músicos e outros agentes deste novo mercado independente brasileiro. É o caso dos Meridian Brothers, um dos grandes nomes da música colombiana, que passeia pelo Brasil durante a semana, com passagens pelo Rio de Janeiro (onde tocam nesta quarta, na Audio Rebel), Goiânia (sexta no festival Bananada) e Brasília (domingo na Cervejaria Criolina). No meio do percurso, passam por São Paulo nesta quinta, quando tocam no lançamento da festa WahWah, que também é o nome de guerra da dupla de DJs Maurício Fleury (tecladista e guitarrista do Bixiga 70) e Giu Nunes, dedicada à expansão do conceito de psicodelia para além do padrão sessentista, “forma antropofágica e sincrônica, buscando a transcendência dos sentidos no som de sintetizadores, ecos de fita, instrumentos ancestrais e distorções de guitarra”, como explicam (mais informações aqui). Os dois conversaram com o guitarrista, produtor e compositor Eblis Álvarez dos Meridian Brothers, e mandam o papo direto aqui para o Trabalho Sujo e o show ainda contará com a participação da Ava Rocha.

O Meridian Brothers é um projeto que já tem seus vinte anos e passaram de um projeto solo e laboratório de sonoridades para uma banda. Quando começaram estes experimentos com a música latina?
Meridian Brothers é um grupo que começou como uma espécie de laboratório, um lugar de experimentação de diferentes ideias que eram alternativas para o momento nos anos 90 e que, aos poucos, foi virando uma banda com exatamente a mesma intenção: tocar ao vivo certas ideias que não tinham nada a ver com os formatos tradicionais do rock ou a música de canção. Depois, paulatinamente, fomos incluindo a música latina na ideia como resultado de uma investigação que havíamos começado a fazer em Bogotá, com muitos músicos indo a festivais, comprando discos de música tradicional. Eu fazia parte desse movimento e tive também essa mesma ideia dos músicos dessa época de começar a incluir música latina em formatos de rock experimental.

Quais são as suas maiores influências na música?
As influências são muitas. No entanto, para apontar, digamos que o que mais influencia os Meridian Brothers, mais que os artistas, são os formatos. Existem certos tipos de formato como a música eletrônica, o rock, certos gêneros que vão se transformando de disco para disco e de época em época que nos influenciaram, de formatos de música latina a formatos de rock experimental, experimentos com eletrônica, além da relação entre esses formatos e certos artistas importantes, mas que foram muitos. De qualquer forma, quanto a essa pergunta, sobre o que nos influencia, pode-se ver que também há um pensamento originário da música acadêmica ocidental, a música clássica, porque dentro de tantos anos de transformação sempre se volta às músicas populares e seu papel nos contextos sociais e no contexto fonográfico.

Há uma presença psicodélica muito forte na sonoridade de vocês e também a utilização de recursos eletrônicos. Como isso se mistura aos elementos latinos? Existe diferença entre o que fazem no estúdio e no palco?
Sim, temos muitos componentes eletrônicos que, imediatamente, podem bem remeter ou ir até a psicodelia. No entanto, são mais experimentos de programação, esquemas técnicos ou de ‘settings’ e portanto é um pouco casual que se chegue à psicodelia. Quanto à diferença entre o estúdio e ao vivo, sempre tive a ideia do estúdio como um espécie de espaço ideal com todas as possibilidades dentro dele e a ideia é fazer ao vivo o máximo possível parecido com o que se fez no estúdio.
Este esforço para fazer com o que ao vivo soe como em estúdio nos levou a muitas possibilidades e desenvolvimentos técnicos que não seriam possíveis se não houvesse esse rigor para fazer as coisas ao vivo parecidas com o que tivemos no estúdio, então desenvolvemos várias técnicas como as transformações da voz, novas coisas dramáticas, tocar com sequências que se combinam com a percussão… Todo esse tipo de coisa surgiu a partir de querer imitar tudo o que se faz em estúdio e quando você está em estúdio, não pensa em como vai ser ao vivo, a solução vem depois.

Vocês têm influência da Tropicália? O que conhecem e gostam da música brasileira atual?
Perfeitamente, somos muito influenciados pela Tropicália, pessoalmente penso que a Tropicália é uma das respostas mais perfeitas à combinação de rock global e músicas tradicionais e por isso realmente nos interessa muito esse movimento e o que ouvimos, ou o que eu, como compositor, ouvi foi todo o básico como Gilberto Gil, de Caetano Veloso, Novos Baianos, Gal Costa etc. E sobre o que eu gosto mais das coisas novas: eu sou muito fã da Ava Rocha, que vai participar do show com a gente, ultimamente tenho ouvido muito a cantora Soledad, que me parece ser de São Paulo (ela é do Ceará)… O Terno também me parece um grande grupo, gosto muito dos Boogarins, gosto muito da Tulipa também e por aí vai…

É fácil encontrar temas religiosos e ligados ao sofrimento em suas composições, existe uma relação entre esses temas e questões sócio-políticas? É possível traçar um paralelo entre Brasil e Colômbia nesse sentido?
Em nossa música criamos cenas fictícias e personagens às vezes esquisitos, às vezes bizarros, e sim, há um inconsciente político, um inconsciente também um pouco de sofrimento em parte porque as situações latinoamericanas atuais são bem difíceis em nosso país e então ficamos tocados pelas coisas que acontecem na Colômbia e isso termina se ligando a diferentes temas das canções. Quanto ao paralelo entre Brasil e Colômbia, digamos que em toda a América Latina estamos sofrendo uma entrada forte da exploração de recursos por parte de grandes grupos econômicos estrangeiros com a permissão de políticos de tendências de direita e o que fazem é privatizar várias entidades que antes eram do Estado, o que permite a entrada de monopólio, há crescimento da desigualdade social. Esse é o paralelo que encontro entre Brasil e Colômbia e que está acontecendo muito também no resto da América Latina.

O que podemos esperar desta primeira apresentação em São Paulo?
O que o público de São Paulo pode esperar é uma varredura por muitas das composições dos últimos quatro discos dos Meridian Brothers e que são bastante variados, com focos diferentes: o disco Desesperanza, de 2012, é um disco dedicado à salsa, Los Suicidas, de 2015, é um disco de órgão instrumental, Salvadora Robot, de 2014, é um disco com um escopo mais amplo, influenciado por músicas do caribe colombiano e, por último, ¿Donde Estás Maria?, de 2017, que é um disco muito inspirado nos formatos da Tropicália brasileira e de MPB, vamos tocar umas três canções deste último trabalho. Então, o que se pode esperar é um resumo de todas essas coisas que fizemos nos últimos anos, mostrar a nossa música no Brasil é uma honra para nós do Meridian Brothers.

thisisamerica

O sensacional Donald Glover – também conhecido por seu nome de palco Childish Gambino – começa a desvendar seu próximo álbum e mostra que não está pra brincadeira ao lançar o clipe de “This is America”, uma impressionante e arrebatadora provocação sobre violência, racismo, mídia e o controle de armas no Estados Unidos.

Enquanto o país pega fogo, Gambino dança tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo (evocando passos do estereótipo racista Jim Crow), mostrando que a mídia disfarça o caos norte-americano com entretenimento alienante inspirado na cultura negra. “Isso é a América”, repete insistentemente no vídeo, “sim, eu vou falar disso”. Não é difícil prever que seu próximo álbum – que ainda não tem nome – definitivamente o colocará em outro patamar.

Foto: Paola Alfamor

Foto: Paola Alfamor

O músico e intérprete João Leão, que já tocou com Saulo Duarte, Céu, Bárbara Eugenia e Juliano Gauche, lança seu primeiro disco solo, Bílis Negra, nesta quinta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo em apresentação gratuita (mais informações aqui). O disco, como explicita seu título, é uma obra melancólica e delicada em que João passeia por canções de amigos, como Lirinha, Tika e o próprio Saulo, autor da faixa que ele escolheu para começar a divulgar o disco, “Canção do Silêncio”, cujo clipe ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.

Foto: Rui Mendes

Foto: Rui Mendes

Prestes a lançar seu sétimo álbum nas vésperas de uma Copa do Mundo, Maurício Pereira não esconde sua paixão pelo futebol e dedica uma faixa inteira de seu Outono no Sudeste, que será lançado ainda este mês, ao belo jogo. “Eu adoro futebol”, me escreve o Pereirão. “Mas o futebol como ele é hoje, veloz, racional, às vezes me enche um pouco o saco. Não sou nostálgico, mas sinto falta de um pouco de fuleiragem, sonho, molecagem.”

“Então um dia – um pouco antes do famoso 7 a 1 – catei um groove do Tonho Penhasco e viajei em cima dele. Pensei no Tião, parceiro clássico do Rivelino no meio campo do Corinthians. Bola no chão, olhar no infinito, cadência, respiro. No arranjo, um toque precioso do Gustavo: a bateria do Biel (Basile) e o baixo do Henrique (Alves) é que iam conduzir o groove, deixando espaço vazio pra a conversa do piano do Pedro (Montagnana) com o violão do Tonho. Nos coros, novamente os Pereirinhas (os filhos de Maurício: Tim, Chico e Manuela) – e de quebra ainda matei a vontade de fazer uma locução de futebol nos moldes do mestre Fiori Gigliotti.”

Ele mostra a futebolística “Quatro Dois Quatro” em primeira mão no Trabalho Sujo – e a ação nas quatro linhas é só mais uma canção que usa o futebol como metáfora para a vida em versos como “buscar o espaço, se apresentar”, “levantar a cabeça e imaginar”, “sentir que tudo tem seu tempo”, “coração é o nosso escudo e um par de asas, o único peso que devemos carregar”, “beber com o inimigo”, “atirar todo o dinheiro pela janela e depois sair correndo atrás dele feito louco”, “perder o medo de perder”, “bola pra frente, sem nostalgia nenhuma”, entre outras pérolas líricas.

O disco foi produzido por Gustavo Ruiz – sugerido por seu filho Tim – e ainda conta com parcerias de Maurício com Skowa, Edson Natale, Lu Horta (a já lançada “Mulheres de Bengalas“) e Arthur de Faria. Eis a capa (da artista plástica Biba Rigo) e a ordem das músicas do novo disco:

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“A Mais (Rubião Blues)”
“Tudo Tinha Ruído”
“Cartas Pra Ti”
“Florida”
“Os Amigos ou O Coração é Um Órgão”
“Mulheres de Bengalas”
“Outono no Sudeste”
“Não Me Incommodity”
“Piquenique no Horto”
“Quatro Dois Quatro”
“Maldita Rodoviária”
“Uma Pedra”

Mogwai no cinema

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Depois de fazer trilhas sonoras para documentários (como a trilha para Atomic: Living In Dread and Promise, lançada como álbum há dois anos), a banda escocesa de pós-rock Mogwai finalmente chega ao cinema ao ser chamada para participar da trilha sonora para o filme norte-americano Kin, um policial com Zoë Kravitz, Dennis Quaid e James Franco no elenco, que chega aos cinemas em agosto. A faixa “Donuts” segue o que se espera do trabalho da banda: um épico instrumental barulhento e melódico, zen e violento, simultaneamente desesperador e esperançoso.