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haim2019

Segundo single lançado com clipe dirigido por Paul Thomas Anderson neste ano, “Now I’m In It”, música nova das Haim, é mais taciturna e pensativa que “Summer Girl” e volta à atmosfera sintética oitentista tão cara ao trio de irmãs, que parecia ter ficado para atrás no single anterior. Ainda sem previsão de lançamento de disco, a nova canção faz parte de um período de transição da banda, em que seguem sendo produzidas pela dupla Rostam Batmanglij e Ariel Rechtshaid, mas que, como a canção anterior, tem o dedo da própria Danielle Haim assinando a produção musical.

Neil-Young

“Você pode dizer que eu sou um branco velho – eu sou um branco velho”, canta Neil Young logo no início da longeva “She Showed Me Love”, uma das peças centrais de seu recém-lançado Colorado, mais um disco que o velho guitarrista lança ao lado de sua eterna banda de apoio Crazy Horse. O tema do disco é a preocupação do cantor e compositor canadense com o meio ambiente, progressista como sempre, embora ele mantenha-se conservador naquilo que saiba fazer melhor: longos épicos elétricos conduzidos por guitarras sujas e resmungos com sua voz característica. Mesmo com momentos delicados – como a bela “Green is Blue”, o doce trem ao final de “Eternity”, o sussurro de “I Do” e o afago em George Harrison ao copiar “Behind That Locked Door” em sua “Rainbow of Colors” -, são os emaranhados de microfonia em longas travessias que marcam mais este disco do velho Neil, seguindo a linha dos trabalhos anteriores com o Crazy Horse, como Americana e Psychedelic Pill, de 2012. A principal mudança neste Colorado é a saída de Frank “Poncho” Sampedro, que largou a estrada para curtir a vida no Havaí, e a entrada do filho pródigo Nils Lofgren, que largou o Crazy Horse ainda no início dos anos 70 e é mais conhecido por sua carreira na E Street Band de de Bruce Springsteen. Não muda nada, mas pra que mudar?

colorado

“Think of Me”
“She Showed Me Love”
“Olden Days”
“Help Me Lose My Mind”
“Green Is Blue”
“Shut It Down”
“Milky Way”
“Eternity”
“Rainbow of Colors”
“I Do”

tameimpala-slowrush

Kevin Parker ligou as máquinas de seu Tane Impala e anunciou que seu quarto álbum, batizado The Slow Rush, chega em 2020 – mostrando tanto esta ótima capa (acima) como um vídeo com cenas das gravações para dar um gostinho do que vem por aí…

courtney

Courtney Barnett reaparece fazendo uma versão para “Keep On” de seus conterrâneos de gravadora Loose Tooth. A versão, mais molenga e sossegada que a original, faz parte da coletânea Milk on Milk, organizada pela gravadora australiana Milk!, em que artistas do selo tocam músicas uns dos outros.

paul-ringo

Os dois Beatles remanescentes Ringo Starr e Paul McCartney se reencontraram no estúdio ao regravar uma das últimas músicas compostas por John Lennon. “Grow Old with Me” foi lançada no primeiro disco póstumo de John, Milk and Honey, e quase foi o single de apresentação do terceiro volume da coletânea Anthology, nos anos 90, mas o grupo não chegou a uma definição a tempo do lançamento e por isto esta volume foi o único lançado sem um single gravado nos anos 90 – o primeiro volume trouxe “Free as a Bird” e o segundo “Real Love”. Quase dezoito anos após a morte de George Harrison, a dupla retoma a canção no novo disco de Ringo, What’s My Name, lançado nesta sexta-feira.

A faixa traz Ringo nos vocais, Paul no baixo e vocal de apoio, Joe Walsh, dos Eagles, na guitarra, e o lyric vídeo acima traz a caligrafia original de John Lennon.

cohen

“I got my shit together meeting Christ and reading Marx”, canta o bardo canadense Leonard Cohen na faixa de abertura de seu primeiro disco póstumo, “Happens to the Heart”. Como de praxe no repertório do mestre, a faixa equilibra-se entre a sobriedade e a sombra, dando o tom de Thanks for the Dance, disco conduzido por seu filho, Adam Cohen, a partir de sobras de estúdio do último disco gravado pelo pai, You Want it Darker, lançado meses após sua morte, em 2016.

O disco já havia sido anunciado com a faixa “The Goal” (abaixo) e Adam convidou alguns pupilos do pai para reunir-se em sua homenagem e com isso ele conseguiu Feist, Beck, Damien Rice, Bryce Dessner (do National), entre outros, colaborassem com o disco – que já está em pré-venda e deverá ser lançado no dia 22 do mês que vem.

A capa e o nome das faixas de Thanks for the Dance vêm a seguir:

Leonard-Cohen-Thank-You-For-the-Dance

“Happens to the Heart”
“Moving On”
“The Night of Santiago”
“Thanks for the Dance”
“It’s Torn”
“The Goal”
“Puppets”
“The Hills”
“Listen to the Hummingbird”

nick-cave

Estreei esta semana como colaborador do programa Metrópolis da Cultura, comentando sobre o disco mais recente do Nick Cave & The Bad Seeds, o ótimo Ghosteen, na TV aberta – e aproveitei para comentar sobre o documentário brasileiro Back in Town, que compara a vinda de Nick ao Brasil no final dos anos 80, quando ele morou em São Paulo, com sua volta à cidade para o show catártico no ano passado.

Em breve pintam mais comentários no programa.

WalterFranco

Morre um gigante da música de vanguarda brasileira. Walter Franco fez parte de uma linhagem da nossa música que expandiu os horizontes daquilo que foi cogitado pelo tropicalismo no final dos anos 60. Ao lado de artistas como Tom Zé, Jards Macalé, Itamar Assumpção e Jorge Mautner (que o tempo colocou na infame prateleira de “malditos”, coisa que felizmente está mudando), entortava a canção para formatos impensáveis à época, conseguindo atingir o grande público mesmo fazer experimentos que chocavam e confrontavam os padrões. Autor de clássicos como “Canalha!”, “Respire Fundo”, “Cabeça” e “Me Deixe Mudo”, ele compôs duas obras-primas que mantiveram seu nome entre os grandes, mesmo quando ele estava afastado dos holofotes: Ou Não (o disco da mosca, de 1973) e Revolver (1975). Este último – cujo título é o verbo e não a arma, não há acento – é um dos discos mais importantes da música brasileira do século passado e um dos meus discos favoritos. Walter havia sofrido um AVC no início do mês e estava internado desde então – preocupados, amigos e conhecidos esperavam que ele pudesse se recuperar, o que infelizmente não aconteceu.

Walter Franco e eu

Walter Franco e eu

Pude conhecê-lo no final de 2017, quando tive a oportunidade de agradecer sua importância ao conceber dois shows em sua homenagem no Centro Cultural São Paulo. Propus que ele tocasse seus dois principais álbuns ao vivo em duas apresentações distintas – a primeira dedicada a Ou Não, a segunda a Revolver. Ele preferiu não reler Ou Não pois é um disco essencialmente de estúdio – Walter chamou Rogério Duprat para arranjar o disco e o maestro preferiu picotá-lo e reeditá-lo, transformando-o em um dos primeiros discos cujo principal material foi concebido após a gravação. Assim, em vez de tocar Ou Não na íntegra, sugeriu que tocasse algumas músicas daquele disco – mais fáceis de tocar ao vivo – e outras de seu repertório que não estavam naqueles dois álbuns. Perfeito, assim contemplaríamos todo seu legado.

O fim de semana que chamei de Viva Walter Franco ainda teve a graça de ter uma das datas caindo em seu aniversário de 73 anos e, capricornianos de janeiro eu e ele, rimos da coincidência numérica: os shows festejavam 45 anos de carreira de um autor nascido em 1945 e o aniversário de 73 anos de um artista que lançou seu primeiro disco em 1973. Antes dos dois shows, o jornalista Thales de Menezes, que estava escrevendo a biografia do mestre, entrevistou Walter em frente ao público. Bonachão e tagalera, Walter terminou o segundo show em êxtase, quase sem conseguir falar direito – cercado pelo público no palco da mítica Adoniran Barbosa (na foto abaixo que até hoje está como imagem de capa de sua página no Facebook). Me chamou no canto, depois de cumprimentar os fãs um a um, enxugou os olhos, ajeitou os óculos e me disse baixinho: “Obrigado Matias, esse foi um dos dias mais felizes da minha vida. Que presente que você me deu.” Chorei junto.

walter-franco-ccsp

Eu que agradeço seu Walter. Por tudo.

Abaixo, a íntegra dos dois shows.

c3po

Eis o último trailer do último filme da saga Guerra nas Estrelas… Tanta informação…

Kylo e Rey juntos? E esse tanto de nave? Palpatine voltou meio… ciborgue? E o Finn? Tem alguma coisa pairando sobre o Finn… Mas o pior é a sensação que o C3PO vai morrer…

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Frank Ocean vinha dando pistas que lançaria algo novo por esses dias, subindo trechos de músicas novas no YouTube tocadas em sets ao vivo (com remix de Sango – para “Cayendo” – e Justice – para “Dear April“), e agora acaba de lançar um single surpresa, “DHL”, que sai exatamente do ponto em que ele parou no ótimo Blonde.

E muitos já começaram a teorizar que o MC e produtor estaria lançando um álbum aos poucos, a partir da capa do single, que traz um rodapé com algumas imagens que parecem ser silhuetas de Frank Ocean a partir de fotos que ele teria escolhido para representar cada faixa, sendo que a imagem assinalada, a quarta, é a silhueta da foto da capa deste novo single.

dhl

Ou seja: “DHL” seria a quarta faixa de um disco com treze canções que Frank já começou a lançar – um novo jeito de se lançar um disco.