Morre um gigante da música de vanguarda brasileira. Walter Franco fez parte de uma linhagem da nossa música que expandiu os horizontes daquilo que foi cogitado pelo tropicalismo no final dos anos 60. Ao lado de artistas como Tom Zé, Jards Macalé, Itamar Assumpção e Jorge Mautner (que o tempo colocou na infame prateleira de “malditos”, coisa que felizmente está mudando), entortava a canção para formatos impensáveis à época, conseguindo atingir o grande público mesmo fazer experimentos que chocavam e confrontavam os padrões. Autor de clássicos como “Canalha!”, “Respire Fundo”, “Cabeça” e “Me Deixe Mudo”, ele compôs duas obras-primas que mantiveram seu nome entre os grandes, mesmo quando ele estava afastado dos holofotes: Ou Não (o disco da mosca, de 1973) e Revolver (1975). Este último – cujo título é o verbo e não a arma, não há acento – é um dos discos mais importantes da música brasileira do século passado e um dos meus discos favoritos. Walter havia sofrido um AVC no início do mês e estava internado desde então – preocupados, amigos e conhecidos esperavam que ele pudesse se recuperar, o que infelizmente não aconteceu.
Pude conhecê-lo no final de 2017, quando tive a oportunidade de agradecer sua importância ao conceber dois shows em sua homenagem no Centro Cultural São Paulo. Propus que ele tocasse seus dois principais álbuns ao vivo em duas apresentações distintas – a primeira dedicada a Ou Não, a segunda a Revolver. Ele preferiu não reler Ou Não pois é um disco essencialmente de estúdio – Walter chamou Rogério Duprat para arranjar o disco e o maestro preferiu picotá-lo e reeditá-lo, transformando-o em um dos primeiros discos cujo principal material foi concebido após a gravação. Assim, em vez de tocar Ou Não na íntegra, sugeriu que tocasse algumas músicas daquele disco – mais fáceis de tocar ao vivo – e outras de seu repertório que não estavam naqueles dois álbuns. Perfeito, assim contemplaríamos todo seu legado.
O fim de semana que chamei de Viva Walter Franco ainda teve a graça de ter uma das datas caindo em seu aniversário de 73 anos e, capricornianos de janeiro eu e ele, rimos da coincidência numérica: os shows festejavam 45 anos de carreira de um autor nascido em 1945 e o aniversário de 73 anos de um artista que lançou seu primeiro disco em 1973. Antes dos dois shows, o jornalista Thales de Menezes, que estava escrevendo a biografia do mestre, entrevistou Walter em frente ao público. Bonachão e tagalera, Walter terminou o segundo show em êxtase, quase sem conseguir falar direito – cercado pelo público no palco da mítica Adoniran Barbosa (na foto abaixo que até hoje está como imagem de capa de sua página no Facebook). Me chamou no canto, depois de cumprimentar os fãs um a um, enxugou os olhos, ajeitou os óculos e me disse baixinho: “Obrigado Matias, esse foi um dos dias mais felizes da minha vida. Que presente que você me deu.” Chorei junto.
Eu que agradeço seu Walter. Por tudo.
Abaixo, a íntegra dos dois shows.
Eis o último trailer do último filme da saga Guerra nas Estrelas… Tanta informação…
Kylo e Rey juntos? E esse tanto de nave? Palpatine voltou meio… ciborgue? E o Finn? Tem alguma coisa pairando sobre o Finn… Mas o pior é a sensação que o C3PO vai morrer…
Frank Ocean vinha dando pistas que lançaria algo novo por esses dias, subindo trechos de músicas novas no YouTube tocadas em sets ao vivo (com remix de Sango – para “Cayendo” – e Justice – para “Dear April“), e agora acaba de lançar um single surpresa, “DHL”, que sai exatamente do ponto em que ele parou no ótimo Blonde.
E muitos já começaram a teorizar que o MC e produtor estaria lançando um álbum aos poucos, a partir da capa do single, que traz um rodapé com algumas imagens que parecem ser silhuetas de Frank Ocean a partir de fotos que ele teria escolhido para representar cada faixa, sendo que a imagem assinalada, a quarta, é a silhueta da foto da capa deste novo single.
Ou seja: “DHL” seria a quarta faixa de um disco com treze canções que Frank já começou a lançar – um novo jeito de se lançar um disco.
Sem alarde, o cantor e compositor norte-americano Beck anuncia o lançamento de mais um álbum, Hyperspace, programado para o final do mês que vem com duas faixas, as mansas “Hyperlife” e “Eventful Days”, faixas que flertam com a eletrônica, mas mantém seu espírito central de canções.
Coproduzido com Pharrell Williams, o disco ainda terá participações de Sky Ferriera e do vocalista do Coldplay, Chris Martin. O disco já está em pré-venda e a capa e nome das músicas – que ainda inclui “Saw Lightning“, que ele lançou como um single no meio do semestre passado, seguem abaixo.
“Hyperlife”
“Uneventful Days”
“Saw Lightning”
“Die Waiting”
“Chemical”
“See Through”
“Hyperspace”
“Stratosphere”
“Dark Places”
“Star”
“Everlasting Nothing”
Olha que maravilha: os Flaming Lips vão lançar uma versão orquestrada – com coral! – para seu clássico de 1999, The Soft Bulletin (também conhecido como seu melhor disco). O disco, batizado de The Soft Bulletin: Music and Songs by The Flaming Lips featuring the Colorado Symphony with conductor André de Ridder, será lançado no final de novembro, já está em pré-venda e o grupo antecipou a faixa de abertura, “Race for the Prize”, só pra dar um gostinho…
Bicho…
“Tiny Desk é tipo um dos meus cantos favoritos da internet”, disse Taylor Swift ao começar seu set de quatro canções no palco indie Tiny Desk Concert, que a rede de rádio pública norte-americana NPR traz artistas de pequeno e médio porte para mostrar suas canções de forma mais livre e despojada.
Ela aproveitou para mostrar músicas de seu disco mais recente, o ótimo Lover, como elas foram compostas – ou ao violão ou ao piano – e também acendeu uma discussão sobre a presença de uma gigantesca popstar em um programa público dedicado a artistas que prezam mais pela arte que pelo comércio. O mainstream está mais uma vez invadindo o underground ou é uma oportunidade de um público maior conhecer um espaço raro?
A melhor banda punk de Los Angeles, o grupo X, anuncia o lançamento do primeiro single inédito desde 1985, “Delta 88 Nightmare”. O grupo resolveu regravar canções de sua era de ouro, entre 1977 e 1985, quando a banda ainda contava com sua formação clássica: o casal Exene Cervenka, a vocalista, e John Doe, o baixista, o guitarrista Billy Zoom e o baterista D.J. Bonebrake. A primeira faixa vai virar um compacto em vinil com “Cyrano De Berger’s Back” como lado B que já está em pré-venda e foi lançada com direito a clipe dirigido por Henry Mortensen, filho de Exene com seu segundo marido, o ator Viggo Mortensen.
Pra quem não conhece a banda, um ótimo ponto de partida é o documentário, X: The Unheard Music, lançado em 1986, um ano após a saída de Billy Zoom do grupo.
Que banda!
O outro fiel escudeiro de Siba finalmente chega ao disco. Fazendo o contraponto temporal à essência tradicional de Mestre Nico, o guitarrista Lello Bezerra explora seu instrumento para horizontes muito mais amplos que os que experimenta ao lado do mestre guitarrista. Em seu primeiro disco solo, Desde Até Então, o pernambucano desconstrói a noção de tempo usando apenas seu instrumento e variações de ritmo. Um disco minimalista e experimental, mas ao mesmo tempo cheio e familiar, buscando melodias perdidas no inconsciente coletivo enquanto as espatifa em milhares de pedaços sônicos que reconstrói digitalmente ou usando apenas a eletricidade – há uma conversa nítida entre seu trabalho e de instrumentistas contemporâneos como o próprio Siba, Kiko Dinucci e Fernando Catatau, mas Lello prefere ir para além da canção e estilhaçar a melodia, de olho no futuro. Coisa séria.
“Bairro Kennedy”
“Desde até então”
“Estrangeiro de todo lugar”
“Mãe e Madrasta”
“Maria Marcionilia”
“Urf dos estados emocionais atuais”
“Vida em Virgulas”
Perdeu o show que o Wilco transmitiu ao vivo domingo passado direto do Brooklyn Steel, em Nova York? Não tem problema, ele segue online. E que show…
Sai fumaça no solo de “Impossible Germany”, repara na virada do 1:22 pro 1:23 – tá louco!
“Bright Leaves”
“Before Us”
“Company in My Back”
“War on War”
“One and a Half Stars”
“Handshake Drugs”
“You and I”
“Hummingbird”
“Someone to Lose”
“White Wooden Cross”
“Via Chicago”
“Laminated Cat”
“Random Name Generator”
“On and On and On”
“We Were Lucky”
“Love Is Everywhere (Beware)”
“Impossible Germany”
“Box Full of Letters”
“Everyone Hides”
“I’m Always in Love”
“Heavy Metal Drummer”
“I’m the Man Who Loves You”
“Hold Me Anyway”
“Misunderstood”
Bis
“An Empty Corner”
“Red-Eyed and Blue”
“I Got You (At the End of the Century)”
“Outtasite (Outta Mind)”
“I’m a Wheel”
Eis a continuação do papo que tive com o compadre Thiago França no segundo episódio de seu podcast Sabe Som?, e, portanto, o terceiro episódio. Ainda nos mantivemos no tema “polêmico” da vez – o conceito de música boa – para dar brechas sobre discussões que envolvem sensibilidade, nostalgia, mercado e contexto – e, mais uma vez, tivemos as participações dos broders GG Albuquerque e Lucas Prata, o Caju.













