Trabalho Sujo - Home

Video

corrida-eletrica

Há 70 anos, uma dupla de músicos eletrificava uma espécie de violão montado num corpo maciço para inaugurar uma novidade no carnaval baiano: um cortejo itinerante guiado por um carro, em que os músicos, em vez de andar no chão com o público, apresentavam-se alguns centímetros acima do chão. A eletricidade que aumentava o volume do novo instrumento, que emulava as frases musicais ditas por naipes de sopro nos blocos mais tradicionais da época (de influência pernambucana), serviu como desculpa para batizar o novo formato de apresentação – era o trio elétrico fundado por Dodô e Osmar, que a princípio desfilou como “dupla elétrica” escrito na porta do velho Ford 1929 e que mudou o nome para trio com a entrada do músico Temístocles Aragão no ano seguinte. O experimento fez tanto sucesso que no ano seguinte conseguiu patrocínio, elevando ainda mais aquele palco itinerante que moldaria o carnaval de Salvador numa caçamba de caminhão.

O novíssimo instrumento – chamado no início de “pau elétrico” – foi a primeira guitarra elétrica da história do Brasil e desde 1950 vem se modernizando até ser reconhecido pelo nome que se tornaria oficial: a guitarra baiana. Junto com os tambores dos blocos afro, o pequeno instrumento é a cara da música de rua baiana e passou por diferentes fases, até ser reinventado há uma década pelo grupo BaianaSystem, que teve seu nome inclusive tirado do instrumento (fundindo-o com outra inspiração do grupo, os soundsystems jamaicanos).

Foto: Cartaxo

Foto: Cartaxo

Por isso a aproximação do Baiana com Armandinho, filho de Osmar Macedo, herdeiro do trio elétrico criado pelo pai e ele mesmo um divisor de águas da história do instrumento, a partir dos anos 70, não é propriamente uma surpresa – era inevitável. Depois de dois singles produzidos por Daniel Ganjaman depois do lançamento do excelente O Futuro Não Demora (os outros foram “Cabeça de Papel” e “Miçanga“), o grupo vem agora com “Corrida Elétrica”, faixa instrumental produzida por eles mesmos, que coloca dois guitar heroes baianos, Armandinho e Beto Barreto, num páreo de solos que não deixa ninguém parado – e que remete à Autobahn do Kraftwerk para além do design da capa.

Pisa fundo, Baiana!

luedji-luna-zudizilla

A cantora baiana Luedji Luna e o rapper gaúcho Zudizilla transformam o namoro em música e lançam o primeiro single juntos. “Proveito” é mais um passo da cantora, que promete seu segundo disco para este ano, rumo ao hip hop, depois do EP de remixes que lançou ano passado com o DJ Nyack. É um futuro bem interessante para sua carreira…

frankjorge-2020

Um dos pais do rock gaúcho como o conhecemos hoje, o mestre Frank Jorge está prestes a gravar um novo disco produzido por ninguém menos que Kassin: “Quero revisitar brega brasileiro 1970 com referências do rock mundial da mesma época, CBGB’s… Se conseguiremos fazer? Boa questão”, ele me antecipa. Enquanto o disco toma forma antes das gravações começarem, ele compartilha uma sessão que fez ao vivo no início do ano, contando com seus dois filhos como músicos de sua banda: Érico, de 20 anos, na guitarra e Glória, 15, na bateria. Foi a segunda vez que tocaram juntos – a primeira foi em dezembro do ano passado (na foto acima). Na sessão abaixo, gravada em janeiro deste ano, além de Frank, Érico e Glória, está o baixista Regis Sam.

Pai coruja, Frank reforça que os dois tocam juntos na banda Flanelas Desbotadas (que, olha só, tem futuro) e “a Glória toca na Orquestra de Bateria e Percussão Batucas, organizada pela Biba Meira, há quatro anos”, comenta orgulhoso da filha tocando no projeto da primeira baterista do Defalla.

grimes-2020

“Delete Forever” é a quinta música do que Grimes do álbum Miss Anthropocene, que ela finalmente releva ao público no fim da semana que vem – mas essa mistura de balada ruim do Oasis e visual de anime de 20 anos atrás parece confirmar uma suspeita que seu disco será mais decepcionante que o disco novo da La Roux.

Tomara que não, mas ao que tudo indica…

whitecross

Pedra fundamental na discografia do Sonic Youth, “White Kross”, do clássico Sister, de 1987, ganha uma senhora releitura grindcore a cargo de um dos principais nomes do gênero, o grupo inglês Napalm Death, que ao lançar sua primeira música inédita em quatro anos no single Logic Ravaged By Brute Force colocou a música do grupo nova-iorquino no lado B.

Vocês lembram da original, claro…

adrock

Esbarrei sem querer num vídeo com cenas que sobraram de uma entrevista de 2010 que o beastie boy Adrock deu pra marca de softwares de produção musical Reason. Como o vídeo original, feito pela própria marca, tinha foco no programa que eles vendem, muita coisa boa ficou de fora – e nessas cenas, ele conta como fez o beat pro primeiro hit de LL Cool J (e como o descobriu), o fato de ter sido a primeira banda a ter o termo “sample” associado à música (numa batalha legal), sobre fazer fitas de beats usando os velhos toca-fitas duplos (“coisa de homem das cavernas, batendo pedra pra fazer fogo”, ele ri), como conheceram Mario Caldato e outras histórias.

Muito bom. Que banda eram os Beastie Boys.

letrux-mariaflexa

Letícia aos poucos começa a revelar seu próximo álbum e adiantou para o jornal O Globo o título e a arte da capa: Letrux Aos Prantos é o nome do sucessor do ótimo Em Noite de Climão, que ela apresentou anunciando que “o choro é livre e que bom, pelo menos isso ainda nos é permitido. Sorte de quem chora, como eu”. A pintura que faz parte da capa – e não é a capa em si – foi feita por Maria Flexa a partir de uma foto feita por Victor Jobim: “Coloquei uma composição de Bach que me faz chorar desde criança e ele me fotografou”, explica a cantora carioca, que ainda antecipou participações de Lovefoxxx e Liniker no novo disco, que será lançado no dia 13 de março.

Como pede o clima intenso das faixas (“Tem de tudo, até samba. Um samba meio Twin Peaks, meio David Lynch, mas é um samba”, disse ao jornal), o disco não terá single de apresentação e chega todo de uma vez só.

Atualização (12 de fevereiro): Letícia finalmente revelou a capa de seu novo disco (ointura da Maria Flexa, foto Ana Alexandrino e arte gráfica de Pedro Colombo) e escreveu sobre o conceito por trás dela:

letrux-aos-prantos

Desde criança, choro com o concerto para 2 violinos em Ré menor do Bach. Meu pai tinha alguma coletânea de música clássica (mais tarde Thiago Vivas me ensinou que deveria ser coletânea barroca, risos). Eu amava dar play, ouvir tudo deitada na cama, e tinha a hora exata do pranto. Eu sentia o trajeto da lágrima inteiro dentro de mim e tinha o auge momento de botar pra fora. Passei anos sem ouvir, depois lembrei de tal obra magnânima e que alegria ela sempre existir. Quando fui no ateliê da Maria Flexa, pintora que fez o quadro, levei minha caixinha de som e convoquei Bach pra chorar na frente dela e do namorado, Victor Jobim, que me fotografou (analogicamente), chorando. Nunca tinha visto Maria nem Victor na vida. Mas chorei na frente deles. Choro um bocado. Sempre fui llorona. E sempre me foi permitido ser. “Menina não chora”. Isso não rolava. Isso nos era permitido. E eu aproveitei. Choro de tristeza, de raiva, de horror, de gozo, de saudade, de alegria. Choro com vídeos de superação, luto, bichinhos nascendo, bebês aprendendo algo. Choro de gargalhar (the lícia esse choro). Convoquei Ana Alexandrino minha fotógrafa de sempre, caprina, pra me registrar segurando esse quadro da Maria. O Climão teve aquele meu carão na capa. Aos prantos tenho outro rosto, em forma de pintura. Sou antiga, não posso evitar cronos pra mim. Já havia trabalhado com Pedro Colombo fazendo o clipe de Puro Disfarce. Pedro conseguiu reunir elementos dessa fotografia, desse quadro, desse álbum, dessas músicas, da minha água, e elaborar essa belíssima capa do próximo disco. Vestido Ateliê Guto Carvalhoneto, styling Luiz Wachelke.
E lá vou eu ouvir o concerto para 2 violinos em Ré menor. Recomendo.

E ainda linkou o tal concerto: “quem quiser chorar, 4:22 era a hora em que eu não sabia se estava viva”.

samba_obscuro

Esbarrei nessa mixtape Samba Obscuro que o Kiko Dinucci fez em 2011 em seu blog de cinema e que foi ressuscitada no canal do YouTube do Garimpo Sound System. “Mas isso não é um blog de cinema? Sim, mas esse mixtape tem um Q de filme, seja nos climas, na montagem ou no poder narrativo dos sambas escolhidos”, explica o então futuro Metá Metá, listando Paulinho da Viola, Adauto Santos, Nelson Cavaquinho, Itamar Assumpção, João Bosco, Alaíde Costa e Milton Nascimento, Jards Macalé, entre outros e alguns diálogos de filmes nacionais. “Boa viagem aos porões da alma humana através da música popular brasileira”, anuncia o compositor.

Paulinho da Viola – “Roendo as Unhas”
Jards Macalé- “E Daí?”
Adauto Santos – “Cravo Branco”
Nelson Cavaquinho – “Pode Sorrir”
Itamar Assumpção e banda Isca de Policia – “Você Está Sumindo”
João Bosco – “Bodas de Prata”
Alaíde Costa e Milton Nascimento – “Me Deixa Em Paz”
Jards Macalé – “Rua Real Grandeza”
Paulo Vanzolini – “Alberto”
Paulinho da Viola – “Comprimido”

The-Radio-Dept-2020

A dupla sueca The Radio Dept. começa a mostrar trabalho em 2020 ao lançar a bucólica “The Absense of the Byrds”, primeira música inédita desde o lançamento do ótimo Running Out of Love, de 2016. Segundo a dupla, é o primeiro de alguns singles que irão lançar durante o ano, sem anunciar se eles irão virar um álbum ou não.

edobrien

Depois de apresentar dois singles no ano passado, o guitarrista do Radiohead Ed O’Brien finalmente oficializa seu disco solo ao lançar mais uma canção, “Shangri-la”:

O disco se chamará Earth e será lançado em abril (e já está em pré-venda). O guitarrista inglês, que inspirou-se no tempo que morou no Brasil para compor o álbum, preferiu anunciá-lo apresentando um novo nome, chamando-se apenas de EOB. Ele contou com alguns convidados ilustres para o disco, como o baixisata do Radiohead Colin Greenwood, Laura Marling, Adrian Utley do Portishead, Glenn Kotche do Wilco e David Okumu do grupo The Invisible. No vídeo abaixo, ele fala mais sobre o processo que inspirou o álbum.

Além de “Shangri-la”, a música “Brasil”, que apresentou no fim do ano passado – com seu clipe de ficção científica – também está no disco, cuja capa e ordem das músicas pode ser vista abaixo. Ele tirou a primeira música que mostrou em público, a ambient “Santa Teresa”, da seleção final das músicas.

Tudo muito bonito, mas tudo meio sem gosto, sem alma, não acharam?

eob-earth

“Shangri-La”
“Brasil”
“Deep Days”
“Long Time Coming”
“Mass”
“Banksters”
“Sail On”
“Olympik”
“Cloak of the Night”