
Felizmente vi vários shows do Lô Borges nessa vida, além de poder entrevistá-lo e conversar com ele algumas vezes. Desses shows que vi, consegui filmar cinco deles, a maioria de quando ele pode mostrar seu primeiro disco solo – o disco do tênis – pela primeira vez ao vivo. Vi quatro shows dessa leva, dois em 2017 e dois em 2019, sendo que um deles pude assistir em Belo Horizonte. O último deles eu vi no ano passado, quando ele se reuniu a Beto Guedes e Flávio Venturini em um show triplo no Espaço Unimed – com cada um dos mineiros fazendo seu show solo de mais de uma hora e só se encontrando no final do show de Lô, para um único momento dos três no palco ao mesmo tempo. Em todos esses que vi, Lô estava feliz, lúcido, animado e jogando sempre para o público, satisfeito de poder fazer o que mais gostava e viver disso – música. Uma perda lastimável, ainda mais sabendo que ele estava longe de pensar em aposentadoria. Obrigado, Lô.
Assista aos shows abaixo: Continue

Agora já são seis músicas que a dupla Magdalena Bay lança em sequência. Com as recém-lançadas “Unoriginal” e “Black-Eyed Susan Climb” a dupla norte-americana autora de um dos melhores discos do ano passado completa meia dúzia de canções que começou com “Second Sleep” e “Star Eyes”, lançadas há um mês, e seguiu-se com “Human Happens” e “Paint Me a Picture”. E mesmo que as canções tenham pontos em comum, ainda é indefinido o rumo para onde eles estão indo. “Unoriginal” é a mais simples de toda a leva de novas músicas e caminha como um pop rock sem muita inspiração, ao contrário de todas as outras. Já “Black-Eyed Susan Climb” segue o padrão de “Second Sleep” e “Paint Me a Picture”, ajudando a criar uma atmosfera de estranheza pop que parece conduzir estas novas músicas a um novo projeto. Tecnicamente, as seis músicas poderiam ser já um EP ou o começo de um novo álbum, mais do que faixas-extras de uma edição deluxe de Imaginal Disk. Mas eles não chegam a comentar nada… Só aumentam a curiosidade e enriquecem a própria mitologia…
Ouça abaixo: Continue

O grupo Florence + The Machine acabou de lançar um novo disco (Everybody Screams) e para divulgá-lo gravou uma sessão acústica de músicas do novo álbum na rádio Siriusxm – mas não só. E para fugir do roteiro apontando para o clima de dia das bruxas, eles voltaram para sua “Which Witch?” que já tem dez anos de idade e a emendaram com duas “Abracadabra” – a primeira, claro, uma versão para o primeiro single do disco que Lady Gaga lançou esse ano, mas também acenando para o clássico hino soft rock da Stevie Miller Band. Ficou jóia.
Assista abaixo: Continue

E por falar em Tiny Desk, a versão original do programa está passando por uma ótima fase, especialmente quando artistas voltados para a pista de dança propõem novas leituras para seus trabalhos uma vez na famigerada mesinha. Primeiro foi PinkPantheress se desafiando ao cantar pela primeira vez sem autotune (mandando benzaço), depois veio o próprio Tame Impala relendo canções de seu recém-lançado Deadbeat com vários violões. Agora é a vez da francesa Oklou, dona de um dos melhores discos do ano (o soberbo Choke Enough), e mãe de um bebê de cinco meses, que voou de Paris para Nova York para fazer uma versão acústica de seu disco eletrônico, pulando de um instrumento para o outro (primeiro marimba, depois violão, piano e flauta) sempre acompanhada de um coral que conheceu no dia da gravação e que ajuda a trazer o que os timbres sintéticos originais de suas canções para um outro universo musical. Ela ainda aproveitou para soltar uma música inédita, “What’s Good”, que estará na versão deluxe do disco, que ela anunciou há um mês (e ainda terá sua colaboração com FKA Twigs, “Viscus”, e as músicas “The Fishsong Unplugged” e “Dance 2”). Ouça tudo abaixo:

O Tiny Desk Brasil dessa semana é com a Céu e aos poucos o prumo da versão brasileira do programa (depois de João Gomes, Metá Metá com Negro Leo, finalizando com Péricles) parece que vai se definindo – ou será que eles ainda podem dar mais um cavalo de pau em nossas expectativas?
Assista abaixo: Continue

Além de Lana Del Rey (que saudou o anfitrião com uma versão arrebatadora para “The Needle and the Damage Done”), quem também participou do concerto beneficente organizado por Neil Young – que agora chama-se Harvest Moon – foi o bom e velho Beck, que fez um set ensolarado com seus estandartes folk (“The Golden Age”, “Tropicalia”, “Dead Melodies”, “Lost Cause” e sua já clássica versão para “Everybody’s Got to Learn Sometimes”), ainda passeou por versões acústica para seus hits dance (“Where It’s At” e “Loser”) e encerrou sua apresentação reverenciando Daniel Johnston, com sua versão de uma das músicas mais bonitas do mundo, “True Love Will Find You in the End”.
Assista abaixo: Continue

O Tame Impala começou a turnê de lançamento de seu Deadbeat em Nova York nesta segunda-feira quando reforçou que, mesmo abraçando a dance music no novo álbum, mantém os pés firmes na psicodelia. Ao revelar um palco circular multicolorido e superiluminado em que o público cercava sua banda, Kevin Parker reforçou seu compromisso lisérgico em uma viagem em que as músicas de diferentes fases da banda soassem como parte de um mesmo tecido musical. E entre músicas nunca apresentadas ao vivo (como sua colaboração com o Justice do ano passado, “Neverender”, que abriu o bis), não chegou a empolgar o público com as músicas mais novas – com exceção de “Dracula”, que foi inclusive cantada pelos fãs.. Cacei vídeos em que dois heróis filmaram a íntegra desse primeiro show, para nossa alegria.
Assista abaixo: Continue

Depois de pegar todos de surpresa com o anúncio de seu próximo disco Lux, Rosalía finalmente mostra alguma música do disco que lançará no mês que vem – e chega enfiando o pé na porta com “Berghain”, lançado nesta segunda-feira. O primeiro single do disco leva esse nome em homenagem ao clássico clube de Berlim, é cantada em alemão, espanhol e inglês, conta com a participação de Björk e Yves Tumor, cada um cantando uma frase específica em determinado trecho da música: ela canta que “a única forma de nos salvar é através da intervençao divina” e ele canta que “vou te foder até você me amar”, isso cercado de cordas dramáticas deixadas ainda mais tensas em cenas deslumbrantes de um clipe que mistura instrumentos de orquestra com cenas do cotidiano. Tem um discaço vindo aí…
Assista abaixo: Continue

O evento de comemoração dos 20 anos da gravadora francesa Because Beaubourg já prometia ao reunir durante dois dias e duas noites eventos relacionados ao elenco do selo nos oito andares do Pompidou Centre, em Paris, neste fim de semana. E entre nomes como 2ManyDJs, Shygirl, Irfane com Breakbot, Mayou Picchu, Christine & The Queens, Laima e Iggor Cavalera, Pascal Comelade, Mariam (que fazia dupla com seu marido recém-falecido Amandou), Sébastian Tellier, ainda anunciava um set em back to back entre o francês Pedro Winter e o inglês de ascendência turca Erol Alkan. O primeiro também é conhecido como Busy P, foi empresário do Daft Punk no início da carreira e fundou a gravadora Ed Banger, que lançou nomes como Justice, Cassius, SebastiAn, Mr. Oizo, DJ Mehdi, entre outros. O segundo é um DJ lendário da virada do século, cujos remixes (que iam dos Chemical Brothers ao Franz Ferdinand, passando pelo Interpol, MGMT, Hot Chip, Yeah Yeah Yeahs, Scissor Sisters, Tame Impala, Metronomy e Depeche Mode) transformavam qualquer hit em ouro puro, surfando na onda dos mashups quando fundiu “Can’t Get You Out of My Head” com “Blue Monday” numa época em que ninguém ousava fazer isso. Já era um encontro de peso, quando, de repente, sem anúncio, primeiro surge o novato Fred Again, ele mesmo um dos melhores DJs do mundo hoje, para se juntar à dupla, para depois receberem ninguém menos que Thomas Bangalter, metade do Daft Punk, que não discotecava desde 2016 (como consegue?) e, como o próprio Fred Again publicou depois em sua conta no Instagram, “me disse que foi naquele prédio que ele se apaixonou por música eletrônica em 1992 e que não discotecava sem máscara há 24 anos”, escreveu o jovem, impressionado. “Eu não soube o que dizer depois que ouvi isso e até agora ainda não sei.” Felizmente podemos ouvir o set de duas horas, que já está online, com direito a Kraftwerk, Gil Scott-Heron, Donna Summer, Ca7riel & Paco Amoroso, Plastikman, Justice com Simian, Skrillex, Missy Elliot, e a faixa-título do novo filme de Paul Thomas Anderson. Saca só aí embaixo, com setlist completo e tudo. Continue

Lana Del Rey foi uma das participantes do concerto beneficente anual estadunidense Harvest Moon, organizado por Neil Young para arrecadar fundos para instituições de apoio a crianças com dificuldades ou doenças raras, e aproveitou a oportunidade para cantar uma versão de chorar para a eterna “The Needle and the Damage Done”, do mestre canadense. Além dela, também tocaram, neste sábado num camping no Lago Hughes, na Califórnia, artistas como Beck, Tyler Ramsey, Muireann Bradley, Masanga Marimba e a nova banda do próprio Young, Chrome Hearts. E agora eu não consigo pensar em algo que possa me acalmar tanto a alma quanto um disco da Lana cantando o repertório do velho Neil. Olha esses vocalises no fim da música…
Assista abaixo: Continue