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tiaomacale-littlerichard

Estava conversando esses dias com o Gabriel Thomaz, dos Autoramas, sobre música e entre papos sobre o rock de Brasília, refrigerantes e Brazilian Boogie, falamos sobre a morte de Little Richard. E além de ele me dar a dica sobre o disco Wild And Frantic, de 1966, que o próprio Little Richard dizia que tinha Jimi Hendrix na guitarra, ele ainda comentou que havia postado no Facebook a homenagem que o o coadjuvante figuraça dos Trapalhões Tião Macalé fez em um dos quadros mais clássicos sobre a malandragem do Mussum, quando ele puxa “Jenny Jenny” do falecido arquiteto do rock depois do Mussa puxar “Lá No Morro”, do Fundo de Quintal.

Mais uma de 1

Luke-Jenner

“‘If There is a God’ é parte desta meditação sobre vida e morte, amor e ideias, sobre quem somos como pessas e seres”, o líder do Rapture, Luke Jenner, explica na descrição do clipe da segunda faixa que mostra de seu primeiro disco solo, batizado apenas de 1. “É um pouco Beach Boys e um pouco Krautrock e um tantinho banal. Quem diabos sabe o que vai acontecer depois nessa vida?” Como o primeiro single do disco, a melancólica “You Are Not Alone“, esta nova faixa aponta para um disco mais intimista e com ares nostálgicos.

1, que já está em pré-venda, será lançado no final de julho.

Neil-Young

Neil Young começa a mostrar um disco que teria sido lançado há 45 anos não fosse o fim de um casamento. Ao terminar seu relacionamento com a atriz Carrie Snodgress, na virada de 1974 para 1975, ele resolveu engavetar Homegrown, que traz a transição entre seu clássico Harvest e o belo Comes a Time. O disco, finalizado em 1975, contava com as participações de músicos como Levon Helm e Robbie Robertson, além da participação da cantora Emmylou Harris e uma faixa falada. Algumas de suas canções, como “Love Is A Rose”, “White Line”, “Little Wing”, “Star Of Bethlehem” e a a faixa-título, apareceram em discos posteriores, mas as outras sete, com a bucólica “Try”, que ele escolheu para mostrar o disco, são inéditas.

Neil desculpou-se por ter demorado tanto tempo para lançar este álbum, no blog que mantém em seu site:

“Peço desculpas. Este álbum Homegrown deveria estar com vocês alguns anos depois de Harvest. É o lado triste de um caso de amor. O estrago causado. A dor no coração. Eu simplesmente não conseguia ouvi-lo. Queria seguir em frente. Então o guardei para mim, escondido no cofre, na prateleira, no fundo da minha mente … Mas deveria tê-lo compartilhado. É realmente bonito. Foi por isso que eu o fiz em primeiro lugar. A vida dói às vezes, você sabe o que eu quero dizer.

Gravado analogicamente em 1974 e no início de 1975, o Homegrown foi mixado na época com as fitas master analógicas estéreo originais. Essas mixagens originais foram restauradas com amor e carinho por John Hanlon e masterizadas por Chris Bellman na Bernie Grundman Mastering, tornando o Homegrown um álbum completamente original.

Levon Helm está tocando bateria em algumas faixas, Karl T. Himmel em outras, Emmylou Harris canta em uma, Robbie Robertson toca em uma. Homegrown contém uma narração, várias músicas solo acústicas que nunca foram publicadas ou ouvidas até este lançamento e algumas ótimas músicas tocadas com uma banda de meus amigos, incluindo Ben Keith – tocando violão de aço e slide – Tim Drummond – baixo – e Stan Szelest – piano. De qualquer forma, está chegando em 2020, o primeiro lançamento de nosso arquivo nesta nova década. Venha conosco em 2020, pois trazemos a você o passado.”

O disco está programado para ser lançado no dia 19 de junho e já está em pré-venda. Eis sua capa e o nome das suas músicas.

Neil-Young-Homegrown

“Separate Ways”
“Try”
“Mexico”
“Love Is A Rose”
“Homegrown”
“Florida”
“Kansas”
“We Don’t Smoke It No More”
“White Line”
“Vacancy”
“Little Wing”
“Star of Bethlehem”

elgaflanger

É uma mistura simples, mas pega de um jeito: uma guitarrinha clara e molenga, beats artesanais, uma voz doce sussurrando uma canção soul em inglês que parece ingênua, mas só na superfície, seguida de um refrão tão bobo quanto grudento. “W.T.K.U.B.L.”, primeiro single da cantora e compositora catarinense Elga Flanger, é uma pérola pop irresistível, misturando R&B e lo-fi na mesma medida, soando tão caloroso quanto um abraço – o que, em tempos de distanciamento social, ganha uma profundidade específica. “W.T.K.U.B.L.” é uma ode àqueles clássicos dos anos 90 bem chicletes, só que misturando elementos e técnicas mais contemporâneas da música eletrônica”, ela me explica por email, contando que escreveu uma letra falando sobre experiências que viveu com casos de ghosting – quando uma pessoa cessa todas as formas de comunicação com a outra.

Conheço Elga de outros carnavais, quando ela ainda trabalhava como engenheira de som e fez essa função no programa Vintedoze (não conhece? Saca só aqui) que tive durante 2012 com o Ronaldo Evangelista, mas, embora já tivesse um passado hardcore (teve uma banda com duas amigas chamada Roxanne nos tempos do MySpace), só começou a mexer em seu próprio trabalho autoral há pouco tempo. “O projeto surgiu da minha necessidade de explorar a música além jobs”, ela continua. “Eu estava me limitando a produzir músicas apenas para fins publicitários desde 2013. Em 2015 eu até cheguei a gravar algum material, mas acabei me perdendo no processo e demorei tanto pra terminar as faixas que as músicas pararam de fazer sentido pra mim. A vontade de fazer um som que me representasse ficou reverberando na cabeça durante um tempo até eu fazer uma ruptura real na minha carreira, apostando em novos caminhos.”

“Ano passado fiz minha primeira trilha sonora original pra cinema no curta-metragem Ressurreição, do diretor Otto Guerra, e também participei de apresentações pontuais como tecladista, guitarrista, DJ e projetista de alguns artistas independentes, como Patrícia Coelho, Kia Sajo, Laura Wrona, La Leuca e Frabin”, lista, citando-os todos como inspiração para o novo projeto, que é uma banda de uma mulher só – o sobrenome artístico, claro, vem do pedal que dá o som característico da canção.

Quarentenada em Floripa, ela já tem o material do primeiro EP pronto para o segundo semestre. “Já tenho um próximo single a caminho e um clipe pra finalizar no próximo mês”, explica. “Apesar de ter feito toda a parte musical sozinha, com exceção da masterização do Arthur Joly, na parte visual, tive a felicidade de encontrar excelentes colaboradoras”, como a Nena, do grupo La Leuca, que fez a capa do single.

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Não tinha visto Star Wars Origins, curta inglês dirigido pelo fã Phil Hawkins e lançado no fim do ano passado, antes do catastrófico nono episódio de Guerra nas Estrelas. Filmado no Marrocos com efeitos especiais do estúdio Flipbook, o filme se passa na Segunda Guerra Mundial e mostra como um pequeno incidente pode ter inspirado duas das maiores sagas da história do cinema.

Não grile se seu olho começar a lacrimejar…

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O produtor canadense Dan Snaith, o dono do Caribou, segue deschavando o disco que lançou no começo do ano, o ótimo Suddenly, dando faixas na mão de alguns conhecidos para que eles possam dar seus tratos ao disco. E depois de passar “Never Come Back” na mão do produtor norte-americano Morgan Geist, agora ele passa a mesma faixa para o chapa Kieran Hebden. E o remix que Four Tet faz para a faixa, a mantém no mesmo plano musical, mas a leva para uma estratosfera sônica, enquanto a transforma num sobrevoo noturno… Bem foda.

bomsaber-001

Quem está acompanhando o CliMatias já sabe que eu comecei um programa de entrevistas semanal no fim de semana passado – que a princípio fica online primeiro para quem contribui com o meu trabalho (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com). Mas na terça-feira abro o programa pra todo mundo, portanto, olha aí a primeira edição, em que eu continuo o papo com o Bruno Torturra, desta vez puxando mais pras suas principais áreas de atuação: jornalismo e psicodelia. E é claro que isso se mistura com vários outros assuntos… Saca só:

E quem você quer que eu entreviste nos próximos programas? Diz aí…

Dreampop da ilha

laleuca-ccsp

Que alegria descobrir que as meninas do quarteto catarinense La Leuca transformaram o show que fizeram no ano passado no Centro Cultural São Paulo, quando eu era curador de música de lá, em um disco ao vivo, lançado em plena quarentena. Em Ao Vivo @ CCSP elas exibem sua doce e frágil psicodelia indie ao mesmo tempo em que nos hipnotizam com riffs e solos de guitarra.

Abaixo, o vídeo que fiz desta mesma apresentação:

john-peel

Um dos personagens mais importantes dos bastidores da história do rock, o jornalista, DJ e radialista inglês John Peel estava sempre buscando novidades na música pop a partir de seu programa na emissora Radio 1, da BBC. Desde o final dos anos 60, ele foi um dos primeiros a dar atenção a fenômenos musicais como o rock psicodélico, o rock progressivo, o punk, o pós-punk, o dub e o indie rock, entre outros e desde o início dos anos 70, apresentava estes novos artistas em gravações ao vivo nos estúdios da rádio que, aos poucos, ficaram conhecidas como Peel Sessions, chegando a se tornar inclusive discos oficiais de vários grupos clássicos, lançados como EPs pelo selo Strange Fruit, do próprio Peel.

Foram mais de quatro mil sessões em 37 anos, com mais de dois mil artistas diferentes, incluindo nomes como Bob Marley, Syd Barrett, Kinks, Thin Lizzy, Nick Drake, Roxy Music, T-Rex, Buzzcocks, Can, David Bowie, Roxy Music, Joy Division, Gang of Four, Specials, Slits, Wire, New Order, Elvis Costello, Cocteau Twins, XTC, Cure, Smiths, The Fall, Big Black, Echo & The Bunnymen, Nirvana, Jesus & Mary Chain, Sonic Youth, Fairport Convention, Happy Mondays, Pulp, Elastica, Mogwai, Galaxie 500, Breeders, Four Tet, Mercury Rev, Pavement, Ween, PJ Harvey e muito mais.

Como boa parte destas sessões estava no YouTube, o blogueiro inglês Dave Strickson deu-se ao trabalho de reunir o link para quase mil delas em seu site. É música que não acaba mais – um senhor trabalho, que o próprio Strickson promete seguir alimentando… Eis algumas pérolas:

Tudo lá no site do Strickson.

cutcopy2020

Lançando o primeiro single em dois anos, a bela e tranquila “Love Is All We Share”, o grupo australiano Cut Copy tira o pé da pista de dança e se joga numa introspecção quase ambient que acaba conversando – e bem – com esses dias de reclusão forçada.