Em franca batalha contra Donald Trump, o mestre canadense Neil Young já processou o presidente norte-americano por usar suas músicas em propaganda de campanha e recentemente desplugou as redes sociais de seu site como uma forma de protesto contra o papel destas redes na destruição das democracias no mundo (mesmo que isso lhe custe 20 mil dólares). E agora ele volta a um passado recente e recria “Looking for a Leader”, que fez reclamando contra George W. Bush em 2006, mirando agora no agente laranja que infectou a Casa Branca. “Convido o presidente a tocar esta música em seu próximo discurso”, desafio Young. “Uma canção sobre os sentimentos que muitos de nós sentimos sobre os EUA hoje, que faz parte de The Times, EP que sairá em breve pela Reprise Records – meu lar desde 1968.”
Não são as únicas novidades do velho Neil. Depois de desenterrar o ótimo Overgrown, que arquivou em 1975 para ressuscitá-lo 45 anos depois, ele segue vasculhando seus arquivos e preparando discos novos com material histórico inédito. A principal notícia é o anúncio do segundo volume de sua caixa Neil Young Archives, que cobre o período entre 1973 e 1982 e que não tínhamos mais notícias desde 2014, cinco anos depois do Volume 1. Há especulações que ela contenha outros discos inteiros engavetados à época por Young, como Chrome Dreams, de 1976, e Oceanside-Countryside, de 1977. Mas não há mais nenhuma informação oficial sobre esta caixa, a não ser que será lançada no dia 6 de novembro.
No mesmo dia, Young lança também o primeiro dos dois discos ao vivo ao lado de sua banda Crazy Horse que desenterra neste ano. Return to Greendale volta ao disco de 2003 do grupo, Greendale, reunindo versões ao vivo do disco em diferentes shows da mesma turnê. Exatamente um mês depois, ele mostra Way Down in the Rust Bucket, show gravado com o grupo na casa Catalyst Club, na Califórnia, em novembro de 1990.
Não bastasse tudo isso, ele também anuncia que está trabalhando em material novo, um filme chamado The Timeless Orpheum. “É um filme de show com várias reviravoltas, contando a minha história e a sua, nossa história juntos”, escreveu em seu site.
Um dos marcos iniciais do cinema, o cinema de terror sempre esteve renegado à segunda divisão da sétima arte, mesmo com clássicos imbatíveis, sucessos de crítica e de público. Eu e André Graciotti, no Cine Ensaio desta semana, debruçamo-nos sobre a história desta tradição para honrar seus principais marcos e criticar os desvios criados para não se celebrar este estilo como o que ele realmente é: um dos principais gêneros da história do cinema.
Um assunto que eu e Dodô acalentamos desde o início do programa é uma viagem no tempo para a época da ditadura militar, quando éramos crianças e adolescentes. Portanto, nesta edição do DM, mergulhamos no passado para falar da esquerda de ontem e de hoje, o impacto da ditadura na cultura e no Brasil como um todo, o que também é gancho pro Dodô contar causos envolvendo João Gilberto, sua estreia no teatro ainda criança e a história de uma mala que veio da Bolívia.
Poolside, o projeto solar do californiano Jeffrey Paradise aumenta a temperatura que estabeleceu no disco que lançou no começo do ano, Low Season, ao lançar o single “Getting There From Here”, regulando com o verão no hemisfério norte, mas sem animar-se muito por motivos de quarentena. Ma dá pra aquecer o coração daquele jeito, pra começar pelo vocal do Todd Edwards…
E ele lançou no fim do mês passado uma versão irresistível (e melhorada) para a funky “Shakedown Street” do Grateful Dead.
O importante é manter-se vivo.
Revisitando o tempo de seu disco Kiss Land no programa Memento Mori, da Apple Music, o canadense Abel Tesfaye, que todos conhecemos como The Weeknd, aproveitou a oportunidade para revisitar faixas demo ou não-lançadas da época do álbum, entre elas sua primeira colaboração com Lana Del Rey, bem antes de ela participar de “Stargirl Interlude” em seu disco de 2016 Starboy e de ele participar da faixa título do disco dela no ano seguinte, Lust for Life. Há sete anos, os dois dividiram vocais da faixa “Money Power Glory” do segundo disco oficial de Lana, Ultraviolence, que ele remixou incluindo sua voz. O dueto finalmente aparece agora.
Ainda bem que American Head, disco novo dos Flaming Lips, sai no início de setembro, porque o grupo está lançando tantos singles antes que corria o risco de gastar todo o disco antes do lançamento, caso levassem mais alguns meses para lançá-lo – este belo “Will You Return / When You Come Down” é o quinto single antes do lançamento do disco, que acontece no dia 11 do mês que vem.
Eis mais uma íntegra de show que o produtor inglês Nigel Godrich publica no canal de seu programa In the Basement, com shows gravados no estúdio londrino Malda Vale. Desta vez são os mestres indie Sonic Youth, em sua última grande fase, no final da primeira década do século, misturando o repertório do disco Rather Ripped com a turnê de aniversário de sua obra-prima Daydream Nation, com o baixista do Pavement Mark Ibold liberando Kim Gordon para tocar a terceira guitarra.
“The Sprawl”
“Incinerate”
“Hey Joni”
“Jams Run Free”
“Pink Steam”
Perfeito demais.
A inglesa Dua Lipa começa a revelar o novo par de seu discaço Future Nostalgia, ao submetê-lo na íntegra aos encantos do remix. E entre nomes anunciados como Gwen Stefani e Mark Ronson, ela começa a revelar Club Nostalgia mostrando o remix que a ex-Black Madonna (que agora assina como Blessed Madonna) fez para “Levitating”, com as participações de Missy Elliot e da própria Madonna.
Ficou foda, mas mexeu pouco na música original, né… Club Future Nostalgia: The Remix Album chega inteirinho na última sexta do mês, mas ainda não há capa nem quem vai remixar que outra faixa… Por enquanto.
Elvis Costello fecha a trinca de singles gravados em Helsinque, na Finlândia, no início do ano, ao apresentar o single que puxa seu novo álbum. “We Are All Cowards Now” segue o trabalho aberto com “Hetty O’Hara Confidential” e “No Flag” e conclui o material que gravou durante sua estada no país escandinavo. O resto de Hey Clockface, que acaba de anunciar a pré-venda com este novo single, foi gravado em Paris e Londres e tem previsão de lançamento para o final de outubro.
A artista norte-americana Lydia Cambron recriou a última cena do clássico 2001 – Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick alinhada à quarentena que estamos atravessando neste ano.
Ficou massa.









