
O Tiny Desk Brasil não tá pra brincadeira mesmo, hein? Mantém o sarrafo lá no alto trazendo o muso pra cantar um repertório de ouro: uma da Rita, “Yolanda”, uma dos Mutantes, aquela do Hyldon e “Sangue Latino”. Quem será o próximo?
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No texto que escrevi pro UOL sobre a morte do Lô Borges, terminava comentando sobre como ele foi importante para toda uma geração de artistas brasileiros que surgiu neste século. É evidente a influência pop de Lô entre os jazzistas do Clube da Esquina, mesmo quando ele grava seu primeiro disco solo, com composições bem mais rebuscadas que as que forjou no disco clássico que compôs com Milton. É esse elemento simples e direto que permitiu que o disco alçasse vôos maiores do que qualquer outro disco do Milton e que fez a influência de Lô ser sentida pelas novas gerações, tão influenciadas pela MPB quanto pelo rock clássico. E isso não é de hoje, como dá pra ver por esse show que os Boogarins e O Terno fizeram juntos há uma década, no dia 27 de junho de 2015, no Auditório Ibirapuera, quando entrelaçaram repertórios próprios para encerrar com uma versão absurda para “Saídas e Bandeiras n° 2”, que veio no bis. A influência mineira seguiu firme nas duas bandas, como quando O Terno fez questão de frisar no disco que lançou no ano seguinte, Melhor do Que Parece, compondo uma canção batizada com o nome do estado do Clube, ou quando os Boogarins resolveram fazer um tributo àquela cena mineira num show inteirinho dedicado ao Clube da Esquina – não apenas ao disco, mas à atmosfera psicodélica daquela época e lugar, esparramada por vários outros discos. Escrevi sobre esse encontro quando fui convidado a participar do livro De Tudo Se Faz Canção – 50 anos do Clube da Esquina, organizado pela Chris Fuscaldo, em sua editora Garota FM. Abaixo, o vídeo que fiz desse momento e um trecho da minha colaboração no livro: Continue

Felizmente vi vários shows do Lô Borges nessa vida, além de poder entrevistá-lo e conversar com ele algumas vezes. Desses shows que vi, consegui filmar cinco deles, a maioria de quando ele pode mostrar seu primeiro disco solo – o disco do tênis – pela primeira vez ao vivo. Vi quatro shows dessa leva, dois em 2017 e dois em 2019, sendo que um deles pude assistir em Belo Horizonte. O último deles eu vi no ano passado, quando ele se reuniu a Beto Guedes e Flávio Venturini em um show triplo no Espaço Unimed – com cada um dos mineiros fazendo seu show solo de mais de uma hora e só se encontrando no final do show de Lô, para um único momento dos três no palco ao mesmo tempo. Em todos esses que vi, Lô estava feliz, lúcido, animado e jogando sempre para o público, satisfeito de poder fazer o que mais gostava e viver disso – música. Uma perda lastimável, ainda mais sabendo que ele estava longe de pensar em aposentadoria. Obrigado, Lô.
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Agora já são seis músicas que a dupla Magdalena Bay lança em sequência. Com as recém-lançadas “Unoriginal” e “Black-Eyed Susan Climb” a dupla norte-americana autora de um dos melhores discos do ano passado completa meia dúzia de canções que começou com “Second Sleep” e “Star Eyes”, lançadas há um mês, e seguiu-se com “Human Happens” e “Paint Me a Picture”. E mesmo que as canções tenham pontos em comum, ainda é indefinido o rumo para onde eles estão indo. “Unoriginal” é a mais simples de toda a leva de novas músicas e caminha como um pop rock sem muita inspiração, ao contrário de todas as outras. Já “Black-Eyed Susan Climb” segue o padrão de “Second Sleep” e “Paint Me a Picture”, ajudando a criar uma atmosfera de estranheza pop que parece conduzir estas novas músicas a um novo projeto. Tecnicamente, as seis músicas poderiam ser já um EP ou o começo de um novo álbum, mais do que faixas-extras de uma edição deluxe de Imaginal Disk. Mas eles não chegam a comentar nada… Só aumentam a curiosidade e enriquecem a própria mitologia…
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O grupo Florence + The Machine acabou de lançar um novo disco (Everybody Screams) e para divulgá-lo gravou uma sessão acústica de músicas do novo álbum na rádio Siriusxm – mas não só. E para fugir do roteiro apontando para o clima de dia das bruxas, eles voltaram para sua “Which Witch?” que já tem dez anos de idade e a emendaram com duas “Abracadabra” – a primeira, claro, uma versão para o primeiro single do disco que Lady Gaga lançou esse ano, mas também acenando para o clássico hino soft rock da Stevie Miller Band. Ficou jóia.
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E por falar em Tiny Desk, a versão original do programa está passando por uma ótima fase, especialmente quando artistas voltados para a pista de dança propõem novas leituras para seus trabalhos uma vez na famigerada mesinha. Primeiro foi PinkPantheress se desafiando ao cantar pela primeira vez sem autotune (mandando benzaço), depois veio o próprio Tame Impala relendo canções de seu recém-lançado Deadbeat com vários violões. Agora é a vez da francesa Oklou, dona de um dos melhores discos do ano (o soberbo Choke Enough), e mãe de um bebê de cinco meses, que voou de Paris para Nova York para fazer uma versão acústica de seu disco eletrônico, pulando de um instrumento para o outro (primeiro marimba, depois violão, piano e flauta) sempre acompanhada de um coral que conheceu no dia da gravação e que ajuda a trazer o que os timbres sintéticos originais de suas canções para um outro universo musical. Ela ainda aproveitou para soltar uma música inédita, “What’s Good”, que estará na versão deluxe do disco, que ela anunciou há um mês (e ainda terá sua colaboração com FKA Twigs, “Viscus”, e as músicas “The Fishsong Unplugged” e “Dance 2”). Ouça tudo abaixo:

O Tiny Desk Brasil dessa semana é com a Céu e aos poucos o prumo da versão brasileira do programa (depois de João Gomes, Metá Metá com Negro Leo, finalizando com Péricles) parece que vai se definindo – ou será que eles ainda podem dar mais um cavalo de pau em nossas expectativas?
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Além de Lana Del Rey (que saudou o anfitrião com uma versão arrebatadora para “The Needle and the Damage Done”), quem também participou do concerto beneficente organizado por Neil Young – que agora chama-se Harvest Moon – foi o bom e velho Beck, que fez um set ensolarado com seus estandartes folk (“The Golden Age”, “Tropicalia”, “Dead Melodies”, “Lost Cause” e sua já clássica versão para “Everybody’s Got to Learn Sometimes”), ainda passeou por versões acústica para seus hits dance (“Where It’s At” e “Loser”) e encerrou sua apresentação reverenciando Daniel Johnston, com sua versão de uma das músicas mais bonitas do mundo, “True Love Will Find You in the End”.
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O Tame Impala começou a turnê de lançamento de seu Deadbeat em Nova York nesta segunda-feira quando reforçou que, mesmo abraçando a dance music no novo álbum, mantém os pés firmes na psicodelia. Ao revelar um palco circular multicolorido e superiluminado em que o público cercava sua banda, Kevin Parker reforçou seu compromisso lisérgico em uma viagem em que as músicas de diferentes fases da banda soassem como parte de um mesmo tecido musical. E entre músicas nunca apresentadas ao vivo (como sua colaboração com o Justice do ano passado, “Neverender”, que abriu o bis), não chegou a empolgar o público com as músicas mais novas – com exceção de “Dracula”, que foi inclusive cantada pelos fãs.. Cacei vídeos em que dois heróis filmaram a íntegra desse primeiro show, para nossa alegria.
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Depois de pegar todos de surpresa com o anúncio de seu próximo disco Lux, Rosalía finalmente mostra alguma música do disco que lançará no mês que vem – e chega enfiando o pé na porta com “Berghain”, lançado nesta segunda-feira. O primeiro single do disco leva esse nome em homenagem ao clássico clube de Berlim, é cantada em alemão, espanhol e inglês, conta com a participação de Björk e Yves Tumor, cada um cantando uma frase específica em determinado trecho da música: ela canta que “a única forma de nos salvar é através da intervençao divina” e ele canta que “vou te foder até você me amar”, isso cercado de cordas dramáticas deixadas ainda mais tensas em cenas deslumbrantes de um clipe que mistura instrumentos de orquestra com cenas do cotidiano. Tem um discaço vindo aí…
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