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Mudamos mais uma vez o tema do programa em cima da hora porque neste sábado o Spike Lee vai realizar sua block party em homenagem ao Michael Jackson pela primeira vez online. Foi a deixa para que eu e Dodô discutíssemos sobre a importância deste que, mesmo após sua vertiginosa queda de popularidade, escândalos e morte, segue como nosso principal paradigma de rei do pop – e não só da música!

Dua Lipa Club Mix

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Quando a nostalgia é muita, o santo desconfia… E o anúncio que Dua Lipa lançaria uma versão de seu excelente Future Nostalgia inteirinho remixado com um time de convidados de peso criou uma expectativa de elevar ainda o patamar de um disco perfeito para a pista de dança. O primeiro single, com as participações de Madonna e Missy Elliott, não era nada revolucionário, mas às vezes era só pra botar banca… E quando o time completo de convidados revelou-se conter nomes como Joe Goddard (Hot Chip e LCD Soundsystem), Masters At Work, Dimitri From Paris, Gwen Stefani, Mark Ronson e Jacques Lu Cont, entre outros, parecia que o disco realmente poderia atingir as expectativas, mas foi só Club Future Nostalgia aparecer nesta sexta para perceber que, por mais que diferentes nomes tenham sido chamados, o disco soa como uma coisa só, sem tanta diversidade. E o que poderia ser coesão, no fim é uma camisa de força ao redor de praticamente um único BPM – bem diferente do disco original, diga-se de passagem -, soando como uma versão daqueles remixes de rádio FM nos anos 90 que colocavam qualquer música na mesma batida repetitiva, estéril e constante, sem requebrar nem dar respiro. Talvez tenha a ver com a produção do disco todo vir assinada por Blessed Madonna (o novo nome da antiga Black Madonna), que tirou a alma de um disco perfeito para fazer um comercial genérico de música eletrônica, um desserviço ao próprio conceito de remix. E aí nem Mark Ronson pedindo Neneh Cherry ou Dmitri From Paris citando Jamiroquai salvam a festa…

Uma pena: maculou o nome de um disco nota 10.

Grandaddy

Um dos discos mais bonitos da virada do milênio ganha merecido tratamento de luxe em seu aniversário de vinte anos, quando o grupo norte-americano Grandaddy não apenas traz o perfeito The Sophtware Slump em uma versão em quatro LPs, incluindo o disco original remasterizado, EPs que nunca saíram em vinil, demos e sobras de estúdio. Mas o grande atrativo da caixa é uma releitura que o líder da banda, Jason Lytle, gravou em casa agora em 2020 somente ao piano, batizando-o de The Sophtware Slump… On a Wooden Piano e reforçando o clima de solidão e desilusão que o disco carregava. O grupo antecipou uma das versões ao anunciar o box de aniversário, mostrando a bela “Jed’s Other Poem (Beautiful Ground)”.

The_Sophtware_Slump_....._on_a_wooden_piano

Gravado pela banda indie de Modesto, na Califórnia, no final dos anos 90, The Sophtware Slump cogitava um futuro em que toda eletrônica torna-se obsoleta após alguma espécie de apocalipse, transformando o fim do mundo em algo pastoril e lento (embora não menos desesperador), como uma espécie de anti-OK-Computer. Escrevi sobre o disco quando ele foi lançado, há vinte anos.

Grandaddy_box

A caixa já está em pré-venda, chega às lojas em novembro e traz tudo isso:

LP1: The Sophtware Slump
“He’s Simple, He’s Dumb, He’s the Pilot”
“Hewlett’s Daughter”
“Jed the Humanoid”
“The Crystal Lake”
“Chartsengrafs”
“Underneath the Weeping Willow”
“Broken Household Appliance National Forest”
“Jed’s Other Poem (Beautiful Ground)”
“E. Knievel Interlude (The Perils of Keeping It Real)”
“Miner at the Dial-a-View”
“So You’ll Aim Toward the Sky”

LP2: The Sophtware Slump ….. on a wooden piano
“He’s Simple, He’s Dumb, He’s the Pilot (Piano Version)”
“Hewlett’s Daughter (Piano Version)”
“Jed the Humanoid (Piano Version)”
“The Crystal Lake (Piano Version)”
“Chartsengrafs (Piano Version)”
“Underneath the Weeping Willow (Piano Version)”
“Broken Household Appliance National Forest (Piano Version)”
“Jed’s Other Poem (Beautiful Ground) (Piano Version)”
“E. Knievel Interlude (The Perils of Keeping It Real) (Piano Version)”
“Miner at the Dial-a-View (Piano Version)”
“So You’ll Aim Toward the Sky (Piano Version)”

LP3: Rarities 2000-2001
“He’s Simple, He’s Dumb, He’s the Pilot (Original Introduction)”
“L.F.O”
“Wonder Why in L.A.”
“I Don’t Want to Record Anymore
“Chartsengrafs (Demo Version)​”
“Xd-Data-II”
“Air Conditioners in the Woods”
“Our Dying Brains”
“Moe Bandy Mountaineers”
“Rode My Bike to My Stepsister’s Wedding”
“Beautiful Ground (Original Cassette Tape Demo)”
“Street Bunny”
“N. Blender”

LP4 Rarities 2000-2001:
“First Movement / Message Fade”
“Hewlett’s Daughter (Original Cassette Tape Demo)”
“What Can’t Be Erased (Drinking Beer In The Bank Of America With Two Chicks From Tempe Arizona)”
“Aisle Seat 37-D” ​
“She Deleter”
“Hand Crank Transmitter”
“Jeddy 3’s Poem”
“MGM Grand”
“Protected from the Rain” ​
“Wives of Farmers”
“Fare Thee Not Well Mutineer (2000)”

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Preparando o terreno para o lançamento da caixa do clássico Sign O’ the Times de Prince, que virá com mais que seis dezenas de faixas inéditas, eis que outra destas versões alternativa aparece antes da hora – e é uma versão para “Forever in My Life”, que perde o tom robótico e frio da versão original para ganhar mais groove e sinuosidade graças a um vocal mais quente e um violãozinho praiano.

Que vibe boa…

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O Yo La Tengo abriu a quarta-feira anunciando o lançamento de mais um EP, o segundo lançado nesta quarentena (depois do ótimo ambient instrumental We Have Amnesia Sometimes). Sleepless Night é um projeto em parceria com o artista japonês Yoshitomo Nara, que escolheu com o grupo versões de músicas para tocar em sua exposição de retrospectiva no Los Angeles Country Museum of Art. São músicas de Bob Dylan, Flying Machine, Delmore Brothers, Ronnie Lane e dos Byrds reunidas no disco com a faixa inédita “Bleeding”. O grupo escolheu “Wasn’t Born To Follow”, composta por Carole King e Gerry Goffin e eternizada pelos Byrds, para mostrar no anúncio do disco, cuja capa é desenhada pelo próprio Nara.

O disco será lançado em outubro e já está em pré-venda. Abaixo, sua capa e a ordem das músicas:

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“Blues Stay Away” (dos Delmore Brothers)
“Wasn’t Born to Follow” (dos Byrds)
“Roll On Babe” (de Ronnie Lane)
“It Takes a Lot to Laugh” (de Bob Dylan)
“Bleeding”
“Smile a Little Smile for Me” (do Flying Machine)

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Dona de um dos melhores discos do ano passado, o deslumbrante Titanic Rising, a deusa Natalie Mering, também conhecida por Weyes Blood, começa a mostrar colaborações com outros artistas para marcar presença neste bizarro 2020, e acaba de revelar um dueto que fez com o comediante Tim Heidecker, da dupla norte-americana Tim & Eric, que está prestes a lançar um disco de humor negro, Fear of Death, que será lançado no fim de setembro. A colaboração dos dois, o belo dueto “Nothing”, resume, em seu título, o que acontece após a morte, tema do álbum:

Outra parceria, bem menos feliz, foi revelada com o novo disco do Killers, Imploding The Mirage, lançado na semana passada, quando ela divide os vocais da feia “My God” (que soa como um jingle de olimpíada de tão sem noção), se tornando quase imperceptível ao lado do vocalista Brandon Flowers. Desperdício de talento.

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Os Stones segue sua saga de avisar para todos que a caixa do Goat’s Head Soup, o disco da banda de 1973, está para sair e entre as novidades, há “Scarlet”, faixa perdida que o grupo inglês havia gravado com Jimmy Page e que já ganhou clipe com um ator da moda, remix do War on Drugs e agora ganha outro retrabalho a cargo grupo Killers, que chamou o francês Jacques Lu Cont para dar um tapa na faixa.

Não ficou bom nem ruim… Ficou passável.

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Autora do melhor disco brasileiro de 2019, a carioca Ana Frango Elétrico está só começando – e com dois discos festejados, um livro no forno e uma reputação em construção, tanto no Brasil quanto no exterior, ela começa a repensar os próximos passos da carreira, depois de um período de reclusão criativa no início da quarentena. Aproveitei a deixa para conversar com ela sobre processo criativo, sobre assumir as produções de seus trabalhos e sobre como foram estes primeiros anos de sua carreira, como foco maior no sensacional Little Electric Chicken Heart, que agora está virando vinil. E ela aproveita para falar de novidades que vêm por aí – e mais rápido do que a gente possa pensar.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do **Clube Trabalho Sujo**. Além da Ana, já conversei com Bruno Torturra, Dani Arrais, Negro Leo, Janara Lopes, Tatá Aeroplano, João Paulo Cuenca, Eduf, Pena Schidmt, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Larissa Conforto, Ian Black, Fernando Catatau, Mancha, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui no Trabalho Sujo – ou no meu canal no YouTube, assina lá.

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O espetacular show American Utopia, que David Byrne trouxe para a Broadway no final do ano passado depois de ter circulado pelo mundo (passando inclusive pelo Brasil), vai se transformar num filme assinado por Spike Lee – e pelo trailer que acaba de ser revelado, o resultado pode ser épico, com a câmera de Lee movendo-se tão animadamente quanto os 11 músicos, cantores e dançarinos que dividem o palco com o eterno talking head.

O filme estreará em setembro no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, e depois chega para o público em geral através da HBO, no dia 17 de outubro.

tameimpala2020

O grupo australiano Tame Impala finalmente mostra ao vivo seu quarto disco, The Slow Rush, que iria começar a ter seus primeiros shows ao vivo um pouco antes de começarmos essa quarentena. E o grupo de Kevin Parker se apresentou no formato trio, batizando-se de Tame Impala Soundsystem, e trazendo versões mais pista para três faixas de sua safra mais recente de canções – duas de seu disco mais oitentista, “Breathe Deeper” e “Is It True”, e uma que foi lançada no começo dos trabalhos do novo disco, “Patience”. O show aconteceu dentro da programação remota do Tiny Desk Concert da emissora pública norte-americana NPR.