Um momento de introspecção envolto em uma bebida quente. Eu e Polly Sjobon paramos para um chá e para refletir sobre o impacto destas infusões em nossas vidas, tanto do ponto de vista pessoal quanto cultural. E viajamos por hábitos e crenças que associam esta pausa a uma nova forma de encarar a vida e o ritmo por trás de nossas rotinas, em um Polimatias que estica a cadeira para que você se junte à nossa conversa vespertina.
Já que a pandemia mudou todas agendas, o New Order resolveu abrir 2021 lançando mais um disco ao vivo: o registro do único show que o grupo de Manchester deu em 2018, quando tocou no clássico palco do Alexandra Palace (o mesmo em que Nick Cave gravou sozinho seu Idiot Prayer). O grupo aproveitou o aniversário de dois anos do show, que aconteceu no dia 9 de novembro, para anunciar o novo disco, que virá em “múltiplos formatos” e não tem título definido ainda, mas deve ser lançado em abril do ano que vem. Para antecipar o lançamento, eles soltaram a versão do show para “Sub-culture”:
E o repertório do show original foi esse (incluindo esse bis Joy Division):
“Singularity”
“Regret”
“Love Vigilantes”
“Ultraviolence”
“Disorder” (Joy Division cover)
“Crystal”
“Academic”
“Your Silent Face”
“Tutti Frutti”
“Sub-Culture”
“Bizarre Love Triangle”
“Vanishing Point”
“Waiting for the Sirens” Call”
“Plastic”
“The Perfect Kiss”
“True Faith”
“Blue Monday”
“Temptation”
Bis:
“Atmosphere”
“Decades”
“Love Will Tear Us Apart”
A eleição de Joe Biden ainda não estava definida quando eu e Dodô gravamos a edição desta semana do DM, em que falamos sobre como a derrota de Trump impacta culturalmente no planeta mais do que sua complexa derrota política – e isso diz respeito não apenas às próximas eleições no país (tanto a desse ano quanto a próxima, daqui a dois anos) como no futuro próximo que, de repente, parece mais promissor do que dez anos atrás.
Com o single “Em Meu Lugar”, Chico Bernardes começa a buscar outras paisagens sonoras para além do bosque folk de seu primeiro disco homônimo. E para isso, conta com a mão sofisticada de Arthur Decloedt, o baixista do Música de Selvagem, que produz e arranja a nova canção, dando-lhe uma suntuosidade orquestral que em vez de aplacar, reforça sua singeleza, numa gravação que ainda conta com Maria Beraldo e Amílcar Rodrigues (que toca com o pai de Chico, Maurício Pereira) entre os músicos convidados. Coisa fina.
Se o Chico mesmo for por esse caminho no próximo disco, ninguém o segura.
Mank vem aí – o primeiro filme de David Fincher em seis anos, em que ele filma um roteiro escrito por seu pai sobre o roteirista que ajudou Orson Welles a revolucionar o cinema em Cidadão Kane. E o personagem-título do bon-vivant Herman J. Mankiewicz é vivido por ninguém menos que Gary Oldman. Uma confluência de talentos que inspirou a edição desta semana do Cine Ensaio, em que eu e André Graciotti conversamos sobre a importância do filme original, a grandeza de seus diretor e ator e a expectativa para este que pode ser um dos grandes filmes deste magro 2020 cinematográfico.
Enquanto assistia aos EUA pegar fogo sobre quem poderá ser seu futuro presidente, Lana Del Rey ligou o ao vivo em seu Instagram para fazer um anúncio sobre sua carreira, como se ela fosse mais importante que tudo isso: adiou seu próximo álbum Chemtrails Over the Country Club, disco que lançaria esse ano e do qual já havia mostrado “Let Me Love You Like a Woman” como primeiro single, para o ano que vem devido à dificuldade em prensar os discos em vinil como gostaria antes do início de março, postergando-o para primeiro semestre de 2021. Em compensação, ela anunciou um álbum de natal ainda para 2020, com versões para standards norte-americanos e músicas que ela sempre quis gravar. Não entrou em detalhes sobre o repertório, citando apenas “algumas canções de Patsy Cline”:
Ela, que postou uma foto sandando o novo presidente norte-americano e sua vice Kamala Harris em seu Instagram logo após a confirmação dos votos, em seguida mostrou uma versão para “On Eagles’ Wings”, hino cristão citado no discurso de Biden, como se precisasse provar que não havia votado em Trump…
E não dá pra acreditar que ela tenha votado, uma vez que saiu comemorando a vitória do candidato democrata num supermercado com ninguém menos que Joan Baez!
Robert Fripp, o líder do King Crimson, entregou-se aos devaneios de sua esposa, a cantora Toyah Willcox, e juntos os dois vêm passando a quarentena experimentando possibilidades no YouTube – mas neste Halloween chegaram ao ponto mais crítico até agora, quando misturaram uma versão apenas em que Fripp toca em sua Les Paul com o rosto e o braço coberto de tatuagens temporárias a clássica “Paranoid” do Black Sabbath enquanto Toyah, do outro lado de uma grade (seria uma cadeia ou um cofre?) canta a canção numa performance memorável.
Atualização: E olha essa versão para “Whole Lotta Love” (que no final vira “Kashmir”) e um chicote que eles fizeram no domingo…
Os dois vídeos são chamados de “Sunday Lockdown Lunch” – o almoço de domingo do enclausuramento e, pelo jeito, isso vai longe, hein… Tomara!
A versão virtual do festival espanhol Bilbao BBk Live aconteceu em junho desse ano, mas esse set do DJ catalão John Talabot é eterno…
Um abuso, dizaê. Que mestre.
Seguindo a série de diagnósticos sob encomenda que fiz pra Urubu (o primeiro deles foi sobre música brasileira), desta vez dou meus pitacos sobre o estado da imprensa no país.
O mestre Itamar Assumpção ressurge na póstuma “Beleléu Via Embratel”, faixa produzida por sua filha Anelis, que traz participações de nomes como Liniker, Vange Milliet e Tata Fernandes nos vocais de apoio, com Paulo Le Petit no baixo e Luiz Chagas na guitarra (ambos integrantes de sua clássica Isca de Polícia), Marquinho Costa na bateria e Edy Trombone no instrumento de sua alcunha. A faixa, originalmente composta para o festival MPB-Shell de 1981, nunca teve registro oficial e essa ressurreição também anuncia o tão aguardado MU.ITA, o Museu Virtual Itamar Assumpção que Anelis vem desenvolvendo e que deve ser apresentado finalmente no próximo dia 20.
Que maravilha!









