Letrux mostra sua versão ao piano em uma apresentação ao vivo que aconteceu neste fim de semana, dentro da programação da Virada Cultural de São Paulo, em uma versão sediada em Rio Grande da Serra, na região do ABC paulistano. Sozinha tocando o instrumento ou acompanhada do companheiro Thiago Vivas ou do compadre Arthur Bragante, Letícia Novaes tocou versões para Radiohead, Paralamas do Sucesso, PJ Harvey, Charlotte Gainsbourg e Caetano Veloso enquanto as entrelaça com poemas de Ana Cristina César, Hilda Hilst e Silvia Plath numa apresentação que aconteceu neste fim de semana e começa no minuto 5:54:00 do vídeo abaixo:
“Caravana” (Geraldo Azevedo)
“Puro Teatro” (La Lupe)
“Timing” (Kevin Johansen)
“Fake Plastic Trees” (Radiohead)
“Interlúdio”
“The Dancer” (PJ Harvey)
“Uns Dias” (Paralamas do Sucesso)
“Everything I Cannot See” (Charlotte Gainsbourg)
“Alguém Cantando” (Caetano Veloso)
“Take My Breath Away” (Berlin)
“Lama” (Núbia Lafayette)
O primeiro novo programa desta nova era no Trabalho Sujo é a transformação da minha velha coluna Tudo Tanto (que começou na falecida revista Caros Amigos e teve uma sobrevida no site Reverb), que agora é uma seção de entrevistas em vídeo. E como o mote da coluna é falar sobre música brasileira contemporânea, chamei o grande Romulo Frões para comentar sobre esta sua geração musical, uma vez que ele está se tornando um ótimo observador e crítico da contemporaneidade, como pode se visto no curso sobre música brasileira no século 21 que ele deu para o canal do YouTube do Instituto Moreira Salles. Por isso o papo é menos sobre sua carreira (embora ele conte algumas novidades, como cursos sobre fazer letras e um disco de funk!?) e mais sobre o contexto atual, contemplando as invenções do século 20, o mercado e a mídia e todo um cânone de nossa música.
Não sei o que me deixa mais maravilhado neste encontro da Iza com o Gilberto Gil tocando “Upa Neguinho” do Edu Lobo: se é a fantástica voz de Iza, que é seu principal talento, infelizmente tão pouco explorado, ou o exímio violão ancestral de Gil, talvez o maior nome do violão no país (no mundo?) atualmente – e não estou falando em virtuosismo em nenhum dos dois casos.
Uma música só é pouco: eu queria era um disco só disso.E o Dwarf descolou o link da live toda. Demais!
“Andar com Fé”
“Não Chore Mais”
“A Novidade”
“Upa, Neguinho”
“A Paz”
“Se Eu Quiser Falar com Deus”
“Drão”
“Esotérico”
“Tempo Rei”
“Esperando na Janela”
“Three Little Birds”
“Vamos Fugir”
“Aquele Abraço”
“Palco”
“Shameika” é uma das músicas mais fortes do ótimo Fetch the Bolt Cutters que Fiona Apple lançou de surpresa no primeiro semestre deste ano – enquanto martela o piano desenfreadamente, ela relembra dos dias de escola, quando era vítima de brincadeiras pesadas de outros alunos, revidando também de forma agressiva, enquanto contava os segundos riscando-os um a um no caderno na sala de aula. Até que uma colega de classe, que nem era amiga direito de Fiona, chegou para ela e disse que ela tinha potencial. “Shameika me disse que eu tinha potencial”, repete o extático refrão que carrega o nome da música e de sua conhecida na escola. “Foi como se eu tivesse tentando mandar isso para ela de forma telepática”, Fiona contou ao site Pitchfork, “Como se eu tivesse querendo fazer que a música chegasse de alguma forma a seu cérebro, que ela tivesse um retorno… Um voto de confiança. Ou apenas um obrigada.”
Shameika Stepney, uma rapper que já se apresentou como Dollface e Chyna Doll, ficou sabendo da canção por uma professora das duas na época, Linda Kunhardt, que dizia: “Shameika, espero que esta carte lhe encontre bem durante a quarentena. Eu tive que te escrever porque eu não sei se você se lembra desta garota Fiona McAfee. Você disse para ela não dar atenção para os brigões e que ela tinha potencial. Eu só queria lhe agradecer. E queria que você soubesse que suas palavras proféticas se transformaram numa linda canção com seu nome.”
As duas se encontraram algum tempo depois e se deram bem a ponto de Fiona participar de uma nova música que a rapper lançou com seu próprio nome, “Shameika Said”.
E, por sua vez, Fiona chamou Shameika para participar de uma nova versão de “Shameika” transformada em vídeo:
Que massa.
Projeto dos sonhos de Anelis Assumpção, o Museu Itamar Assumpção finalmente saiu do papel. O projeto virtual, primeiro museu dedicado a um artista negro no Brasil, celebra a importância de seu pai e o coloca na devida perspectiva afrobrasileira, para além dos circuitos intelectuais, que o classificam como “excêntrico”, “vanguarda” ou “difícil”. Não por acaso o museu, conhecido pelo genial acrônimo MU.ITA, foi inaugurado nesta sexta-feira, dia da consciência negra, reunindo inúmeros registros sobre a vida e obra do mestre Beleléu em versão virtual e também é o primeiro museu brasileiro com tradução para iorubá. O lançamento foi marcado por um show apaixonado que Anelis assumindo fez no Teatro Sérgio Cardoso – com todos os protocolos de segurança e sem púbico, claro – cantando as canções de seu pai acompanhada por sua banda, com direção magistral de Ava Rocha. Sente o drama:
“Nosso Pai”, com Denise Assunção
“Mulher Segundo Meu Pai”
“Receita Rápida”
“Meus tempos de criança”
“Filho de Santa Maria”
“Batuque”
“Nega Música”
“Persigo São Paulo”
“Ir pra Berlim
“Que tal o impossível?”
“Milágrimas”
“Beleléu Via Embratel”
“Devia ser proibido”
Que maravilha
Os Arctic Monkeys antecipam o disco ao vivo que lançarão em dezembro mostrando a versão que fizeram para o hit “505” na apresentação que fizeram no dia 7 de junho de 2018 no Royal Albert Hall, em Londres.
“All rise…”
Depois de assumir a presidência dos EUA em um clipe, Ariana Grande agora recria-se a si mesma como uma cientista de filme de ficção científica dos anos 50 em outro vídeo de seu ótimo Positions, na música mais sexy do disco, “34+35”.
Lana Del Rey visita a “Summertime” dos irmãos Gershwin, sem explicar se a faixa eternizada por Billie Holiday estará em seu novo disco de natal que ela anunciou há algumas semanas.
Com a quarentena, a emissora pública norte-americana NPR passou a buscar clássicos em seu arquivo, como esse show do nosso trio favorito Yo La Tengo em 2013, tocando três músicas no estúdio do Tiny Desk Concert.
“Is That Enough”
“Tears Are In Your Eyes”
“Ohm”
Mas que a bateria da Georgia faz falta, ah faz…
Uma das pioneiras dos blogs no Brasil, Flávia Durante também acompanha a cena independente brasileira há décadas, trabalhando nos bastidores com diferentes artistas e aos poucos consolidando as bases para sua atual empreitada: o bazar Pop Plus, um dos primeiros a abordar a questão da moda plus-size e ampliar esta discussão para outras áreas. Conheço-a desde o século passado e foi um prazer ouvi-la contando sua trajetória e saber como ela vem repensando seu próprio negócio à luz desta quarentena que atravessamos.
O podcast que Flávia cita é o Profundamente Superficial.









