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Uma nova fase de ouro do cinema de horror fez surgir uma percepção que só recentemente a produção destes filmes sempre usa o sobrenatural, o medo e a tensão como forma de fazer referências sócio-políticas à realidade que habitamos – e a isso deram o rótulo de “pós-horror”. Mas eu e André Graciotti discordamos deste rótulo e nesta edição do Cine Ensaio falamos sobre como o horror sempre fez isso desde o início do cinema e tentamos decifrar o que realmente há de novo nesta nova safra de filmes, puxando, como gancho, o ótimo O Que Ficou Para Trás, que estreou no Netflix no final do ano.

Na nova edição do meu programa dedicado a entender as transformações do jornalismo e da música no século 21, convido a querida amiga Pérola Mathias (que, como digo logo no começo do papo, não tem nenhum parentesco) para conversar sobre seu trabalho com música, que começou na academia mas aos poucos se espalhou para outros veículos, fazendo-a parir o blog Poro Aberto, que nestes últimos meses está em estado de suspensão. Mas isso não quer dizer que ela esteja parada – e é justamente sobre o que ela tem feito, além de rever sua trajetória profissional e universitária, o tema da conversa em mais uma edição do Artejornalismo.

É impressionante a escalada pop que Billie Eilish vem fazendo, a ponto do primeiro trailer do documentário que estreia em fevereiro no ano que vem na Apple TV+, Billie Eilish: The World’s A Little Blurry, parece ficção de tão redondinho. E não perca o finzinho do trailer…

A jovem banda paulistana Crime Caqui planejava lançar seu primeiro disco de estreia em 2020, mas foi inevitavelmente abalroada pelos imprevistos desse ano, que forçou as quatro instrumentistas a tocar seus trabalhos em outro ritmo. “Obviamente, tínhamos alguns planos e ideias pra essa música que acabaram mudando drasticamente quando estourou a pandemia”, explica a vocalista e baixista Yolanda Oliveira. A guitarrista Larissa Lobo completa: “Por conta do distanciamento físico, esse ano não conseguimos iniciar a gravação do nosso primeiro disco, mas tivemos esse tempo para definir melhor o projeto.” Nesse meio-tempo, lançaram algumas músicas, alguns clipes e agora encerram seu 2020 com a gravação de sua música mais épica, a intensa “Naufragar”, que ganha um improvável clipe caseiro e artesanal, que estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Sentimos a necessidade de registrar o nosso estado de espírito através de gravações feitas por nós mesmas de cenas do nosso cotidiano no decorrer dos dias”, prossegue Yolanda, “decidimos que o clipe seguiria nessa linha, achamos que poderia surgir uma conexão interessante já que a canção não tem nada a ver com esse assunto. As imagens foram gravadas no decorrer desse ano – desde junho até uns dias atrás, quando fizemos as últimas captações pra compor a montagem – enquanto isso a música ia sendo finalizada. Se tornou uma espécie de diário sensorial que relata a nossa percepção do ano de 2020. Também, assim como o ano está se encerrando, esse single é o último da leva e encerra um ciclo para nós.”

A guitarrista May Manão continua. “Idealizamos o clipe já pensando na situação atual de pandemia pois era e ainda é nossa realidade durante a pós-produção da música. Filmamos a nós mesmas trazendo uma interpretação individual da música e relacionando com nossas vivências no confinamento e a nova percepção dos espaços das nossas casas.”

“Esse ano aconteceu num ritmo diferente né, nossos planos e encontros foram interrompidos e o que era pra ter sido começado, foi adiado”, conclui Larissa. “Mas foi importante também porque conseguimos fazer e criar outras coisas e além de amadurecer algumas ideias. Em outubro a gente se reuniu brevemente e gravamos um material novo, com músicas inéditas, que deve ser apresentado no início do ano. Vai ser bem chique! Também tivemos esse tempo para definir melhor o projeto e é praticamente certo que faremos algo no esquema de financiamento coletivo. Então aguardem a nossa chamada!”

Maurício Tagliari teve um 2019 movimento: sua gravadora/estúdio YB completou 20 anos de idade ao mesmo tempo em que se viu em busca de um novo imóvel para se instalar. Felizmente conseguiu trocar de endereço antes da pandemia, mas, como todos, foi atropelado por ela e teve de repensar seu trabalho à frente desta que é uma das principais marcas que representam a música brasileira hoje. Mas a conversa desta edição do meu programa semanal de entrevistas Bom Saber vai para muito além de trabalho e conversamos sobre criação e inspiração – e como estas qualidades estão sendo atingidas pelo peso destes dias de 2020. E ele já está com dois discos na manga, prontos pra serem lançados em 2021!

Qual é a diferença entre saudade e nostalgia? Por que nos apegamos ao passado e às memórias como se elas pudessem nos salvar emocionalmente? Por que guardamos tantas coisas? Por que buscamos tantas referências antigas? Eu e Pablo Miyazawa dissecamos essa necessidade de olhar para trás e constatamos que ela mais faz mal do que bem, em mais uma edição do Altos Massa – a primeira gravada em altas temperaturas.

Três das principais forças musicais da Inglaterra contemporânea, o vocalista do Radiohead Thom Yorke e os produtores Four Tet e Burial, se reurinam mais uma vez quase dez anos depois que fizeram a primeira colaboração, a faixa “Ego/Mirror“, em 2011. A atmosfera ao mesmo tempo claustrofóbica e etérea da primeira colaboração se repete nas duas faixas lançadas, “Her Revolution” e “His Rope”, à exceção do beat, que praticamente some nas novas colaborações, que foram lançadas como um single no início do mês, sem selo nem promoção, e agora chegam às plataformas digitais.

Com a desculpa de retomarmos projetos do passado que só ficaram no campo das ideias, resumimos dois deles num novo programa no meu canal no YouTube: em Aparelho – Jornalismo-Fumaça me junto ao paraense Vladimir Cunha e ao catarinense Emerson Gasperin para entender o que está acontecendo no Brasil a partir dos pontos de vistas de nossas respectivas cidades. Cultura urbana que se espalha pela internet e que ganha contornos diferentes a partir de cada uma dessas localidades. Aparelho é o começo de uma conversa sobre o que está acontecendo com o comportamento do brasileiro e o que podemos fazer em relação a isso – além de rir e chorar.

Quem tem saudade de conversar sobre música? Eu não tenho porque é um assunto recorrente na minha vida. E não falar sobre mercado, métricas, mais vendidos e outras formalidades. Estou falando em conversar sobre discos, sobre músicas, sobre shows e o impacto disso em nossas vidas. E para estrear este novo programa em meu canal, convidei meus dois irmãos Danilo Cabral e Luiz Pattoli, que agitam as Noites Trabalho Sujo comigo há quase uma década, para falarmos sobre o que gostamos de ouvir, nosso passado musical comum e suas lembranças sonoras de diferentes épocas da vida.

Taylor Swift, Taylor Swift… Ela se recuperou bonito do tombo que tomou a ver todas as datas da turnê de seu Lover do ano passado sendo canceladas por causa da pandemia, lançando um disco introspectivo e folk – com um pé no indie – que se tornou o disco mais vendido nos EUA de 2020. E pouco mais de um semestre após o lançamento do disco-surpresa Folklore, ela agora surge com outro – e se o anterior foi avisado com um dia de antecedência, este novo, Evermore, foi anunciado poucas horas antes de seu lançamento, nessa sexta. Produzido pelo mesmo Aaron Dessner, da banda The National, que a ajudou a compor o primeiro volume (desta vez com a participação menor do produtor de estimação de Taylor, Jack Antonoff), este novo disco aprofunda-se ainda mais da sonoridade indie, repetindo mais um vez um dueto com Bon Iver, chamando as irmãs Haim e o próprio grupo de Dessner para participar do disco. Há algumas notas de anos 80 (reflexos tardios de seu icônico 1989) em certas faixas, como “Gold Rush” e “Long Story Short”, que certamente crescerão bem nos shows do futuro, mas sem perder o vínculo mais introspectivo, como em “Marjorie” (composta para sua avó) e o dueto com o National, “Coney Island”. Se duvidar é até melhor que o disco anterior…