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Retomando as atividades do meu programa sobre jornalismo, entrevisto desta vez o querido Phelipe Cruz, que há anos transformou um blog pessoal em uma dos mais importantes veículos de cultura pop no Brasil. À frente do Papel Pop, do podcast Um Milkshake Chamado Wanda e da festa VHS, ele conseguiu reinventar parte do jornalismo de entretenimento no Brasil ao fugir de uma série de clichês que ainda acompanham este formato, influenciando novas gerações de leitores, ouvintes e fãs ao mesmo tempo em que mexia com as estruturas do próprio jornalismo convencional. Às vésperas de lançar um jornal diário em vídeo do Papel Pop, ele conta o que aprendeu com a imprensa tradicional, com a vida na internet e com os padrões corporativos para deixar sua marca tão consistente, sem trair princípios pessoais que o acompanham desde o início, há quase duas décadas.

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Jadsa encerrou seu Big Buraco no Centro da Terra com duas sumidades no palco: primeiro chamou Juçara Marçal, que trouxe sua kalimba, e depois Alessandra Leão, no toque de seu tambor. As surpresas ficaram por conta da vinda do compadre e conterrâneo João Milet Meirelles, metade do projeto Taxidermia que os dois têm juntos, que pilotou efeitos nas vozes e instrumentos do palco desde as primeiras músicas (que Jadsa fez sozinha com sua guitarra), e da surpresa da vinda de Fernando Catatau, que subiu para fazer as últimas músicas da noite. De brinde, Jadsa saiu do palco sem fazer o bis, como é de praxe, e deixou Juçara e Catatau tocando juntos pela terceira vez “Lembranças que Guardei”, que o compositor cearense escreveu para o disco mais recente da cantora paulista. Uma noite milagrosa.

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Chico César e Geraldo Azevedo bolaram a turnê Violivoz no início de 2020, planejando atravessar o Brasil apenas com seus instrumentos naquele fatídico ano em que todos nossos planos foram mudados na marra. Passados os anos mais críticos do início da década, os dois colocaram a parceria na estrada, que havia continuado mesmo à distância (quando, inclusive, compuseram canções “onlinemente”, como brincou o pernambucano), em outubro de 2021 e desde então vêm cruzando o país misturando canções de suas próprias carreiras solo em obras conjuntas, em que os violões e as vozes dos dois casam-se como se os dois sempre tivessem criado em dupla. Os dois encerraram sua minitemporada no Sesc Vila Mariana neste domingo e abriram o show já gastando seus maiores hits sem pensar duas vezes (Geraldo puxa sua “Táxi Lunar” e Chico vai de “Mama África”). Atravessaram as mais de duas horas de autocelebração, induzindo o público a uma celebração ritualística em forma de roda de violão – ou de serenata, como quando brincaram contando inúmeros causos durante a noite. Os dois estão numa ótima fase: Geraldo com quase oitenta anos e a mesma presença e voz de sempre, Chico chegando nos 60 com o eterno ar de pré-adolescente; os dois tocando violões afiadíssimos. Revisitaram inclusive o épico álbum Cantoria, que Geraldo gravou ao lado de Elomar, Vital Farias e Xangai em 1984, cunhando o pilar da música épica nordestina que funciona como um dos principais alicerces do espetáculo. Mas nada se compara ao ápice da apresentação, quando os dois instrumentistas bradam seus violões na hipnótica trança sertaneja que é esticada durante a introdução de “Bicho de Sete Cabeças”, colocando a música em um lugar central e imponente desta genealogia musical, num dos momentos instrumentais mais intensos dos palcos desta década. Esse show é uma joia – não o perca de vista.

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Céu e Vanessa da Mata abriram a quarta temporada dos Encontros Históricos realizados na Sala São Paulo, acompanhadas da orquestra Brasil Jazz Sinfônica, regida pelo maestro João Maurício Galindo. Além do prazer de ter suas próprias composições arranjadas para uma orquestra e interpretadas neste espaço maravilhoso que é a Sala São Paulo, as duas tiveram o privilégio de abrir a edição 2023 de um projeto que visa tornar o local e o formato mais aberto ao público, trazendo uma nova audiência e popularizando um espaço que é visto como elitizado pela programação constante de música erudita. As duas tocaram acompanhadas pela orquestra primeiro sozinhas, quando desfilaram parte de seu repertório solo, e cantaram juntas dois clássicos da música brasileira (“Carinhoso” de Pixinguinha e “Dindi” de Tom Jobim), além de dividir vocal em duas faixas próprias: “Malemolência”, de Céu, e “Ai, Ai, Ai”, de Vanessa, que encerrou a noite. O Encontros Históricos promete outros grandes momentos no decorrer do ano reunindo Tom Zé e Lívia Nestrovski, Alaíde Costa e Fernanda Takai, Chico César & Mariana Aydar, Gaby Amarantos & Xênia França, Tulipa Ruiz & Liniker, entre outros.

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Quinta passada o Cine Joia recebeu o tão aguardado show do Brian Jonestown Massacre, que lotou o lugar com sua psicodelia garageira em câmera lenta que hipnotizou os fãs – e mesmo que o som estivesse mais baixo que muitos esperavam, dava pra discernir cada um dos vários instrumentos que estavam no palco.

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Às vésperas de lançar o sucessor de seu Trança, Ava Rocha apresentou-se pela segunda vez acompanhada apenas de piano nesta quarta-feira na Casa de Francisca. Ao seu lado, mais uma vez, o mestre Chicão Montorfano, que ia da sutil delicadeza quase impressionista ao improviso extremo fazendo um par perfeito para os devaneios em forma de canção interpretados pela cantora carioca. Ava subiu ao palco toda de couro preto e entre suas próprias canções (“Você Não Vai Passar”, “Dorival”, “Assumpção”, “Mar ao Fundo”, “Hermética”, “Boca do Céu”, “Doce é o Amor” e as ainda inéditas em disco “Um Sonho” e “Felicidade Ébria”) soltou seu lado intérprete visitando clássicos brasileiros e internacionais: passeou por “Besame Mucho”, Capinam e Jards Macalé (“Movimento dos Barcos”), Tim Maia (“Lamento”), Edu Lobo (“Pra Dizer Adeus”), Bola de Nieve (“Déjame Recordar”), Cat Power (“Where’s My Love”) e Caetano Veloso (“Força Estranha”), sempre conduzindo o público com sua voz e seu corpo, entregue à sua tradicional intensidade cênica. Entre o sublime, o mundano e o êxtase, Ava cuspia pétalas e erguia o próprio chapéu do chão com o pé, equilibrando-se entre cadeiras e brincava com água e vinho, sem deixar que tais gestos tirassem o fôlego e o sentimento das canções, numa apresentação de lavar a alma.

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Mais uma quarta-feira, mais um dia de documentário sobre música brasileira no Centro da Terra, graças à parceria que firmamos com o festival In Edit. Desta vez, o filme escolhido não apenas revela um personagem central para a história da música brasileira como funciona tal como reparação histórica devido sua biografia ter sido apagada pela ditadura militar meio século atrás. Dirigido por Eduardo Consonni e Rodrigo Marques, Toada para José Siqueira conta a história do paraibano que ajudou a moldar o que conhecemos por música brasileira ao aproximar a fundação das instituições ligadas à música erudita no país à cultura popular. Autor da série Brasilianas e de óperas A Compadecida e Gimba, ele regeu orquestras por todo o mundo e fundou a Orquestra Sinfônica do Recife (a mais antiga do país), a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra de Câmara do Brasil, a Sociedade Artística Internacional, o Clube do Disco e a Ordem dos Músicos do Brasil. Visionário e político, tem sua biografia revista neste documentário maravilhoso, que será exibido, como sempre, a partir das 20h (os ingressos podem ser comprados neste link).

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“Aqui é o Centro da Terra, a gente pode saltar”, comemorou Alessandra Leão após um das muitas piruetas musicais no escuro que se propôs ao lado de Rafa Barreto com sua banda Punhal de Prata (“não é duo, é banda!”, esbravejou a pernambucana), que retomou as atividades nesta terça-feira. Criado para celebrar os primeiros discos de Alceu Valença, o Punhal ampliou seu repertório ao incluir canções de outros autores contemporâneos daquela safra de discos, incluindo canções de Zé Ramalho, Cátia de França e Ave Sangria, e nesta primeira apresentação convidou Bella, Thiago Nassif e Fernando Catatau para explorar estas novas fronteiras musicais – foi a primeira vez inclusive que Alessandra e Fernando dividiram o palco! Primeiro tocando com cada um dos convidados para encerrar a apresentação com “A Dança das Borboletas” de Zé Ramalho, com todos no palco, Alessandra e Bella entrelaçando efeitos enquanto Nassif, Catatau e Barreto empinavam suas guitarras no céu. E semana que vem tem mais…

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Que delícia a terceira apresentação de Big Buraco, a temporada que Jadsa está fazendo durante este mês no Centro da Terra, quando reuniu as duas cantoras que fazem backing vocals em seu show – Marina Melo e Marcelle – a uma de suas principais inspirações musicais – a conterrânea Josyara. Dividindo a apresentação para mostrar o trabalho de cada uma de suas convidadas, ela começou sozinha cantando as duas “big” composições que inventou para conduzir este salto no vazio, depois apresentou músicas de Marina e Marcelle para finalmente receber Josy em um dos momentos mais bonitos desta safra de shows. As duas também tiveram seu próprio momento sozinhas no palco, quando visitaram “Run, Baby”, a música do primeiro disco de Jadsa que sua conterrânea faz parte. Muitos sentimentos inflamados por este buraco que não acaba.

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Dois fundadores de clássicas escolas da guitarra elétrica nacional se encontraram neste domingo na última apresentação do evento Guitarra à Brasileira quando Armandinho Macedo recebeu Manoel Cordeiro em uma pororoca de solos e riffs que contagiaram o público que compareceu ao Sesc Avenida Paulista. Acompanhado de Yacoce Simões (teclado), Cesário Leony (baixo) e Citnes Dias (bateria), o fundador do A Cor do Som e herdeiro direto da tradição do trio elétrico começou a noite lembrando de parcerias com Fausto Nilo e Moraes Moreira e contando a história do instrumento que criou e ajudou a popularizar, a guitarra baiana, até que recebeu um dos mestres da guitarrada paraense para um dueto explosivo. A tradição baiana de Armandinho, embebida nos ijexás, no samba-reggae, no frevo pernambucano e no hard rock, iniciou um duelo instrumental com a escola caribenha carregada de soul norte-americano e temperos latinos, que poderia durar horas que o povo estaria dançando até agora. Um encontro raro e maravilhoso, que não deveria ficar só nessa apresentação.

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