
Na primeira das duas apresentações que está fazendo em São Paulo, no Sesc Avenida Paulista, a guitarrista norte-americana Ava Mendonza desconstruiu seu instrumento despedaçando riffs e solos em cima de bases tensas e fritas conduzidas pela cozinha do grupo de jazz Full Blast (uma espécie de Morphine do mal), formada pelo baixista Marino Pliakas e pelo baterista Michael Wertmueller. Os dois criam uma atmosfera densa e quase táctil: Wertmueller deixa sua bateria soar quase como IDM eletrônica, enquanto Pliakas conduz suas duras linhas de baixo em algum lugar entre o hardcore e o industrial. Esta combinação transforma-se numa rede de segurança em que a guitarrista pode atirar-se sem medo, soltando ainda mais seu instrumento e fritando todo o público com ela. Neste sábado tem mais, vale conferir.
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Mais uma edição do programa que faço com André Graciotti sobre cinema que é dedicada à televisão. Afinal, o encerramento de Succession, série que acompanhava a família Roy, dona de um conglomerado de mídia nos EUA, e toda a trama sobre quem sucederia seu fundador, manteve o mesmo altíssimo nível que expõe desde as primeiras temporadas, se firmando como uma das grandes séries de todos os tempos. Conversamos sobre esta aula de narrativa audiovisual e todas as questões e críticas que a série aborda em suas quatro temporadas.
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Thiago e Cabral mandaram avisar que os discos dos Marginals finalmente chegaram às plataformas digitais. Pra quem chegou há pouco tempo, o Marginals era um trio de free jazz formado pelos dois – Thiago França no sax e Marcelo Cabral no contrabaixo acústico – com o Tony Gordin na batera e funcionou como laboratório de fritação pros três, que sempre partiam do zero em sessões de improviso pesadas, isso há uma década. Desenterrei esse vídeo que fiz de um show que produzi com eles em uma das edições da saudosa festa Sussa – Tardes Trabalho Sujo no saudoso Neu, há quase dez anos anos – e foi a última apresentação do trio.
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Pra maioria das pessoas, nomes como Olivia Tremor Control, Neutral Milk Hotel, Apples In Stereo, Of Montreal, Elf Power e Music Tapes parecem paródias de nomes de bandas inventadas como fizeram Robert Anton Wilson e Robert Shea no final de seu épica trilogia Illuminatus! Mas para poucos, são senhas para um universo de psicodelia e experimentação, magia e ciência sônica aliada ao uso de psicodélicos recreativos, clássicos do rock e espírito de comunidade que ia de encontro à lógica de marketing total que dominou o mercado da música a partir dos anos 80. Reunidos sob o nome de Elephant 6 esta cena musical que começou na cidade norte-americana de Anthens, na Georgia, e não era nem uma gravadora, um movimento musical ou um coletivo artístico, mas um híbrido destas coisas que começou a surgir ao redor das três primeiras bandas criadas por Bill Doss, Will Cullen Hart, Jeff Mangum e Robert Schneider: Olivia Tremor Control, Neutral Milk Hotel e Apples In Stereo. Este é o foco do documentário Elephant 6 Recording Co., que finalmente viu a luz do dia no ano passado, depois de anos em produção e chega às salas de cinema brasileiras graças ao festival In Edit, cuja 15ª edição acontece neste mês. Assista ao trailer abaixo: Continue

Se tem um canal no YouTube pra se ficar de olho é o esqueletolavrador, dedicado a desenterrar clássicos de todas as fases do maior artista brasileiro, João Gilberto, como essa versão para “Estate” (canção napolitana de Bruno Martino, que eternizou no clássico Amoroso, de 1977) registrada ao vivo no festival Umbria Jazz, na cidade italiana de Perugia.
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No meu programa de entrevistas sobre música brasileira Tudo Tanto converso com o músico e poeta Sylvio Fraga, um dos idealizadores doa gravadora Rocinante, que a partir do interior do Rio de Janeiro está mexendo com o cenário musical brasileiro, seja com os novos artistas que vem lançando (Erika Ribeiro, Bernardo Ramos, Ilessi, Marcelo Galter, Thiago Amud e Rafael Macedo), com os veteranos que já têm no catálogo (Jards Macalé, Letieres Leites, Nelson Angelo, João Donato, além de novidades que vêm por aí!) ou com o fato de também ser uma das únicas fábricas de discos de vinil no Brasil, que faz com que eles comecem a lançar LPs nacionais e internacionais que atualmente estão fora de catálogo. Conversei com o Sylvio sobre a jornada da gravadora e como foi colocá-la em prática durante o período pandêmico.
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Casa lotada para assistir à primeira apresentação solo de Manuela Pereira, que misturou dramas da adolescência com o fato de ter participado de um reality show com canções que pintavam à medida em que as cenas surgiam. Epifanias Noturnas – O Show é, na prática, uma peça musical em que a atriz destila seus medos e inseguranças usando canções como veículo, com uma trilha sonora hábil para entretê-la no palco – ao mesmo tempo em que ela conecta-se com o público através da música. Tomara que entre logo em cartaz.
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Encerrando sua temporada Decantar e Decompor no Centro da Terra, Lulina já anunciou que irá reunir as músicas improvisadas pelo tecladista Chiquinho Moreira quando fez os agradecimentos nas quatro segundas-feiras que formaram esta obra em movimento, transformando-as em um EP que marcará este maio de 2023, que viu seu retorno aos palcos depois do período pandêmico com uma banda dos sonhos – além de Chiquinho, o grupo contava com Hurso Ambrifi, Katu Haí, Lucca Simões e Bianca Predieri (esta infelizmente não pode comparecer para encerrar a safra de shows nesta última apresentação). Nesta quarta segunda, Lu convidou Felipe S, vocalista do grupo Mombojó e conterrâneo de bairro da cantora no Recife, com quem dividiu o vocal por duas canções, além de fazer dois duetos com Hurso, baixista e diretor musical desta nova fase, que chegou ao fim com doses de cachaça que a cantora levou para esquentar a despedida.
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A minha Virada Cultural de 2023 ficou reduzida a um único show, um dos três que a Céu fez no Sesc Consolação, finalmente levando aos palcos seu disco acústico, lançado no segundo ano da pandemia “com a intenção de trabalhar, de ver um horizonte, de voltar a cantar e fazer música”, como ela explicou ao público da segunda sessão de suas apresentações. Gravado em um único dia ao lado de seu velho compadre Lucas Martins (que a acompanha desde a adolescência – e que para este projeto deixou o baixo de lado para abraçar o violão acústico), o disco preparou a chegada de seu disco de intérprete Um Gosto de Sol, lançado no final daquele 2021, indo para o caminho oposto: só músicas autorais da cantora paulistana em arranjos enxutos e precisos, com o violão de Lucas partindo de lugares menos óbvios para o formato voz e violão do que o samba ou a bossa nova. Retomado no palco, o disco funciona como uma versão minimalistas para o novo show da cantora, Fênix do Amor, em que prefere dedicar-se ao seu próprio repertório do que a um disco mais específico, com o agravante de deixar Céu ainda mais à vontade para contar histórias e causos e brincar com a longa amizade com o amigo músico. No meio do caminho, lembrou que fez “Coreto” para Gal Costa cantar, mas tomou-a de volta quando percebeu que o refrão (que canta “Alpha by night” em homenagem à versão clássica rádio de sala de espera paulistana) a conectava com o universo do karaokê, que é adepta, rindo sem graça quando lembrou que cantou uma música sua num destes estabelecimentos e ganhou a pior pontuação. Lembrou também de Rita Lee, quando tocou “Menino Bonito” logo após tocar sua “Malemolência”, cujo refrão repete o título da clássica da rainha do rock brasileiro com o grupo Tutti Frutti. Um domingo maravilha.
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Mais um banho de axé que é esse show que o Russo Passapusso formou ao lado da sua dupla de ídolos Antonio Carlos e Jocafi aconteceu nessa sexta-feira, na Casa Natura Musical, que ainda contou com a presença de Karina Buhr em duas canções. Não bastasse o encontro mágico deste trio, que, mais uma vez, usa o recurso cênico da mesa de boteco para recuperar as energias dos veteranos da música baiana, a banda formada para acompanhar esse encontro é inacreditável: Curumin, Zé Nigro, Lucas Martins, Saulo Duarte, Maurício Badé, Edy Trombone, Estefane Santos e o maestro Ubiratan Marques, além da participação do ator Luiz Carlos Bahia. No final da noite, o vocalista baiano emendou duas faixas de seu primeiro disco solo (a faixa-título “Paraíso da Miragem” e “Paraquedas”) e transformou tudo em vibração curativa junto ao público que era exatamente o que ele estava precisando, num final emocionante. É o melhor show brasileiro atualmente, se passar por perto, não deixe passar – que a alma sai nova em folha.
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