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Dodô ainda reluta para vir a São Paulo e rememora o comício de Lula na Cinelândia na semana passada enquanto lembro de debates que vi e participei que abordam a questão racial que está tão presente neste ano de eleição. Aproveitamos a deixa para falar sobre a falsa polarização que tanto martelam e sobre a disposição para voltar às ruas. De quebra, o vídeo do debate sobre funk que comentei.

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Ao apresentar seu Experimentos N°1, Dudu Tsuda e Lena Kilina deram início a uma parceria que promete frutos improváveis, como o casamento entre ruído e poesia, samples de tribos indígenas e placas de metal, piano percussivo e performance, como o que assistimos nesta terça-feira no Centro da Terra.

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Outras dimensões foram visitadas a partir do encontro proposto pelo Bernardo Pacheco, no capítulo Reforma #4 de seu experimento sonoro Formação, quando reuniu Juçara Marçal, Raiany Sinara e Yusef Saif, sob as luzes de Mau Schramm. Os cinco conduziram o público em um transe coletivo que confrontava as linguagens orgânicas e eletrônicas, premissa da temporada Choque Térmico, que estamos realizando todas as segundas de julho no Centro da Terra.

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Felipe Vassão se descobriu produtor musical ainda na adolescência e, como muitos nesta área, começou a desbravar sua profissão através da publicidade. Mas trabalhando com artistas tão diferentes quanto Rock Rocket e Emicida, ele aos poucos conseguiu sua liberdade artística, embora ainda com os pés na propaganda. Só que com a pandemia, ele começou a espalhar seu conhecimento musical em pequenas pílulas em suas contas no Instagram e no TikTok, disseminando técnicas e histórias sobre gravações clássicas em um novo formato, que lhe trouxe fama para além dos trabalhos que produz.

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Neste sábado, Letrux trouxe mais uma vez seu Aos Prantos para São Paulo, quando mostrou o segundo disco num show mais compacto e intenso no Sesc Pinheiros. Acompanhada de sua sempre precisa banda, ele desfilou hits de seus dois discos para uma plateia que só foi levantar das cadeiras do teatro quase no final do show e ainda tocou Fiona Apple e mandou um arranjo novo para uma música que nunca tinha sido gravada, “I’m Trying to Quit”. Fino e intenso, como a noite deste sábado – e como sempre.

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Vamos falar sobre comida? Mas não estou falando de receitas e modos de preparo e sim como a culinária e a gastronomia estão ao nosso redor e como é inevitável abraçá-las. Chamei a chef Katia Lyra, que entre várias cozinhas também é uma das cabeças por trás do Sopão das Manas, para falar sobre a centralidade das refeições em nossas vidas, em sua carreira e como isso conversa tanto com cultura quanto com política. Sirva-se!

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O segundo episódio da nova temporada de Westworld parece confirmar que a série reencontrou seu prumo mesmo sem trazer uma grande dinâmica para a história. Na verdade, reestabelece-se o ritmo lento e uma série de pistas indicando possíveis rumos para capítulos futuros que podem antecipar ou desviar a atenção do espectador em especulações que podem não dar em nada, ao mesmo tempo em que descortinam realidades que podem ou não serem artificiais e se passar em épocas bem diferentes das que parecem ser exibidas. Centro Westworld é a série de programas que criei em 2020 para comentar semanalmente a série da HBO.

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Funk em debate

Muito bom o papo que o Sesc Avenida Paulista puxou nesta quarta-feira, ao convidar Thiago Torres, o Chavoso da USP, o Dayrel Teixeira dos Funkeiros Cults e o Thiago de Souza, do Canal do Thiagson, para a mesa Funk na Cabeça – Desconstruções a Partir do Gênero. O evento, gratuito, reuniu tanta gente que no começo da noite, que só restou ao Sesc abrir as portas da discussão para todos em vez de simplesmente impedir a entrada das pessoas – e tudo correu muito tranquilamente. Como puxava o tema, os três discorreram sobre como o funk foi, nos três casos, uma forma de contato com a questão do racismo estrutural do país, do embranquecimento forçado que criou a categoria “pardo” na escala de preconceitos por aqui, da higienização do funk para ser cooptado pelo sistema, do papel da universidade na biografia dos três e como o próprio sistema educacional funciona para restringir o acesso à educação, além de referências contínuas à aula magna proferida pela professora Sueli Carneiro no programa de entrevistas de Mano Brown. Foi muito bom ver a grande maioria dos presentes levantando a mão quando @chavosodausp perguntou quem era da quebrada. Uma discussão valiosíssima que poderia ir muito além das duas horas propostas pela instituição e que deveria estar mais presente quando falamos sobre cultura brasileira.

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Se você puder assistir ao Taxidermia – o encontro eletrônico dos baianos Jadsaa com João Meirelles – num teatro, não deixe essa oportunidade escapar. Num contexto de temperatura e pressão controladas, o espetáculo proposto pelos dois (com luz da Maíra Morena, projeções do Gabriel Rolim e participação especialíssima de Pedro Bienemann) ganha várias camadas de entendimento que vão para além do simples encontro da voz com a eletrônica, derretendo cérebros e corações na primeira sessão da temporada Choque Térmico, que continua nas próximas segundas-feiras. sempre no Centro da Terra.

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A história da música é racista, classista, machista e colonialista. Esse é o pressuposto básico do qual parte o professor Thiagson para falar especificamente sobre o funk brasileiro do ponto de vista da musicologia acadêmica. Dentro da universidade ele foi aos poucos percebendo o quanto a música popular era colocada em segundo plano como uma forma de disfarçar uma série de preconceitos e privilégios a partir de conceitos como “beleza”, “grande arte” ou “música boa”. A partir de sua própria paixão adolescente – o funk que originalmente nasceu no Rio de Janeiro mas que se espalhou por todo o Brasil – ele começou a quebrar estas barreiras dentro da academia e aos poucos ganhou as redes sociais discutindo questões que devem ir para além dos muros da escola. E ele antecipa em primeira mão o primeiro livro de funk escrito por um músico!

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