
Mais uma quarta-feira, mais um dia de documentário sobre música brasileira no Centro da Terra, graças à parceria que firmamos com o festival In Edit. Desta vez, o filme escolhido não apenas revela um personagem central para a história da música brasileira como funciona tal como reparação histórica devido sua biografia ter sido apagada pela ditadura militar meio século atrás. Dirigido por Eduardo Consonni e Rodrigo Marques, Toada para José Siqueira conta a história do paraibano que ajudou a moldar o que conhecemos por música brasileira ao aproximar a fundação das instituições ligadas à música erudita no país à cultura popular. Autor da série Brasilianas e de óperas A Compadecida e Gimba, ele regeu orquestras por todo o mundo e fundou a Orquestra Sinfônica do Recife (a mais antiga do país), a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra de Câmara do Brasil, a Sociedade Artística Internacional, o Clube do Disco e a Ordem dos Músicos do Brasil. Visionário e político, tem sua biografia revista neste documentário maravilhoso, que será exibido, como sempre, a partir das 20h (os ingressos podem ser comprados neste link).
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“Aqui é o Centro da Terra, a gente pode saltar”, comemorou Alessandra Leão após um das muitas piruetas musicais no escuro que se propôs ao lado de Rafa Barreto com sua banda Punhal de Prata (“não é duo, é banda!”, esbravejou a pernambucana), que retomou as atividades nesta terça-feira. Criado para celebrar os primeiros discos de Alceu Valença, o Punhal ampliou seu repertório ao incluir canções de outros autores contemporâneos daquela safra de discos, incluindo canções de Zé Ramalho, Cátia de França e Ave Sangria, e nesta primeira apresentação convidou Bella, Thiago Nassif e Fernando Catatau para explorar estas novas fronteiras musicais – foi a primeira vez inclusive que Alessandra e Fernando dividiram o palco! Primeiro tocando com cada um dos convidados para encerrar a apresentação com “A Dança das Borboletas” de Zé Ramalho, com todos no palco, Alessandra e Bella entrelaçando efeitos enquanto Nassif, Catatau e Barreto empinavam suas guitarras no céu. E semana que vem tem mais…
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Que delícia a terceira apresentação de Big Buraco, a temporada que Jadsa está fazendo durante este mês no Centro da Terra, quando reuniu as duas cantoras que fazem backing vocals em seu show – Marina Melo e Marcelle – a uma de suas principais inspirações musicais – a conterrânea Josyara. Dividindo a apresentação para mostrar o trabalho de cada uma de suas convidadas, ela começou sozinha cantando as duas “big” composições que inventou para conduzir este salto no vazio, depois apresentou músicas de Marina e Marcelle para finalmente receber Josy em um dos momentos mais bonitos desta safra de shows. As duas também tiveram seu próprio momento sozinhas no palco, quando visitaram “Run, Baby”, a música do primeiro disco de Jadsa que sua conterrânea faz parte. Muitos sentimentos inflamados por este buraco que não acaba.
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Dois fundadores de clássicas escolas da guitarra elétrica nacional se encontraram neste domingo na última apresentação do evento Guitarra à Brasileira quando Armandinho Macedo recebeu Manoel Cordeiro em uma pororoca de solos e riffs que contagiaram o público que compareceu ao Sesc Avenida Paulista. Acompanhado de Yacoce Simões (teclado), Cesário Leony (baixo) e Citnes Dias (bateria), o fundador do A Cor do Som e herdeiro direto da tradição do trio elétrico começou a noite lembrando de parcerias com Fausto Nilo e Moraes Moreira e contando a história do instrumento que criou e ajudou a popularizar, a guitarra baiana, até que recebeu um dos mestres da guitarrada paraense para um dueto explosivo. A tradição baiana de Armandinho, embebida nos ijexás, no samba-reggae, no frevo pernambucano e no hard rock, iniciou um duelo instrumental com a escola caribenha carregada de soul norte-americano e temperos latinos, que poderia durar horas que o povo estaria dançando até agora. Um encontro raro e maravilhoso, que não deveria ficar só nessa apresentação.
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Entre o método de curadoria de discos de Emerson Gasperin e a rotina de sono de Vladimir Cunha, aproveitamos mais uma edição mensal do Aparelho para fazer um balanço sobre os primeiros dias de 2023, misturando impressões culturais sobre China e Cuba com um seriado sobre a história do Poderoso Chefão, o Steven Seagal como lastro de confiança, seriados de acumuladores, fuscas voadores, o melhor cabelo do heavy metal, oito milhões de discos de vinil e terminamos com o questionamento sobre o efeito teia no vocalista do Judas Priest…
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Mais um passo importante dado por Tim Bernardes nesta escalada que é sua carreira solo ao lotar o Espaço Unimed – o antigo Espaço das Américas – e domar o público tão grande com uma destreza que poucos artistas conseguem atualmente, especificamente puxando para o silêncio, o ponto oposto mais extremo da regra do mercado de música contemporâneo. Conduzindo a apresentação com a mesma delicadeza – e virulência – que toca seus instrumentos (seja a guitarra, o violão ou o piano), Tim regeu as expectativas da plateia como um diretor de cinema, transformando tensão e expectativa em sentimento por quase duas horas de apresentação, que seguiu o padrão de seus shows recentes, à exceção de uma leve mudança na paleta de cores graças a um telão de led (além do verde temático, houve mais branco, azul e até um bem-vindo laranja). Tenho cá minhas reservas por ele ter mantido o mesmo padrão de disco e show entre sua excelente estreia Recomeçar e o Mil Coisas Invisíveis do ano passado, mas justapostos no show deste último, os dois álbuns transformam o show numa longa sessão de terapia em conjunto com o público e foi bonito ver o compositor segurar sussurros e suspiros (sem contar o serviço de bar, suspenso durante o show, só isso já valeu metade da noite) de um público completamente entregue. Ao atingir esse novo patamar mantendo essa formação única, sozinho no palco, resta saber quais os próximos passos que Tim irá dar – mas ele mesmo deu a dica durante este show: trabalhar com mais músicos no palco e voltar a tocar rock com O Terno. A dúvida é saber em qual escala ele irá operar. Até aqui, tudo ótimo.
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Um dos principais grupos de rock progressivo do Brasil está prestes a ver sua discografia aumentar consideravelmente, quando a gravadora londrina Fat Out anunciou o lançamento do quarto disco do Som Imaginário, gravado ao vivo em 1975, mas arquivado desde então. Formado para acompanhar Milton Nascimento em sua turnê de 1970, o grupo era liderado pelo tecladista Wagner Tiso e acompanhou, tanto em estúdio quanto ao vivo, nomes como Gal Costa, Marcos Valle, MPB4, Taiguara, Odair José e Simone, entre outros, além de contar com sumidades da música instrumental brasileira em suas diferentes formações, como Naná Vasconcelos, Zé Rodrix, os guitarristas Toninho Horta, Fredera e Vitor Biglione, o violonista Tavito, o baterista Robertinho Silva e o baixista Luiz Alves. O grupo lançou três discos ainda no começo dos anos 70, culminando com o clássico Matança do Porco, que completa meio século este ano, mas quando propôs lançar o quarto, gravado ao vivo em Brasília, teve seu lançamento engavetado. Banda da Capital vê a luz do dia quase 50 anos depois de sua gravação, no dia 4 de outubro de 1976, em Brasília (no colégio que eu mesmo estudaria alguns anos depois!), e traz Tiso acompanhado pelos cobras Nivaldo Ornelas (sax, flauta e violão), Jamil Joanes (baixo e vocais) e Paulinho Braga (bateria e percussão). O disco traz oito faixas, entre elas “Cafezais Sem Fim”, disponibilizada nesta sexta-feira, gravadas naquela apresentação, além de duas outras, “Armina” e a então inédita “Manuel, o Audaz” (de Toninho Horta), gravadas pelo grupo um ano antes, no dia 6 de outubro de 1975, em um show no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Banda da Cidade será lançado dia 2 de junho e já está em pré-venda no site da Far Out.
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“Essa é a base do fazer musical: dar forma ao tempo”, assim, Irmin Schmidt, único músico fundador do grupo alemão Can ainda vivo, define sua labuta no documentário Can and Me, de Michael P. Aust e Tessa Knapp, primeiro filme confirmado na edição de 2023 do festival de documentários sobre música In Edit. O filme traz várias cenas raras e inéditas do transgressor grupo em ação, incluindo cenas de shows e apresentações ao vivo em programas de TV (além de um inusitado encontro entre seus dois vocalistas, o norte-americano Malcolm Mooney e o japonês Damo Suzuki, que assumiram os vocais de diferentes fases da banda após sua fundação), mas ultrapassa o período em que Schmidt esteve com a banda. O vemos fazendo trilhas sonoras para seriados de TV, filmes de Wim Wenders, óperas com ênfase em música eletrônica e colaborações com DJs e produtores contemporâneos, além de comentar sua filosofia musical. Também traz cenas da infância e da adolescência do músico e maestro, incluindo sua relação conflituosa com o pai, que era militar nazista na Alemanha de Hitler, e quando conheceu a nata da música de vanguarda de seu tempo (incluindo Karlheinz Stockhausen, La Monte Young e até John Cale antes deste vir fundar o Velvet Underground), antes de criar o Can, um dos grupos mais importantes da cultura alemã da segunda metade do século passado. Can and Me é uma boa amostra do que o In Edit, que acontece entre 16 e 25 de junho, vai trazer na edição deste ano. Ainda hoje, anunciam mais lançamentos de sua programação, que será revelada integralmente na primeira semana de maio.
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Mais um programa sobre saúde mental – e dessa vez chamei a Amanda Ramalho, que já toca há anos o Esquizofrenoias, para falar sobre o tema de um filhote de seu podcast, criado um ano após ela ter sido diagnosticada como pertencente ao espectro autista. Em seu novo programa, Amanda no Espectro, que estreia no dia 24 deste mês, ela fala sobre a sua experiência com essa descoberta e chama uma série de convidados para falar sobre o que é o autismo e como o que conhecíamos sobre o tema era apenas uma visão estereotipada e caricatural de algo que muitas pessoas têm e sequer sabem, como aconteceu com ela mesma.
Acompanhe o Esquizofrenoias aqui.
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(Foto: Louie Martins/divulgação)
A brasiliense Mari Tavares vem aos poucos preparando o campo para seu primeiro trabalho solo e lança nesta sexta-feira seu segundo single autoral, o samba à moda antiga “Tapa de Pelica”, que ela revela em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, onde já havia lançado a primeira faixa, “Laca Espanada” e ela pesa as semelhanças e discrepâncias entre estas duas faixas, como se ambas se complementassem para demonstrar melhor seu trabalho. “Essas duas faixas dialogam entre si, funcionando como um compacto, embora tenham sido produzidas e lançadas separadamente”, me explica a cantora e compositora por email. “‘Laca Espanada’ traz um tom mais confessional, mais autorreferencial, ‘Tapa de Pelica’ já tem um personagem, uma narrativa em terceira pessoa construída a partir de uma grande metáfora, mas ambas as canções bebem da mesma fonte, a representação de uma busca por um equilíbrio interior”. De sua lavra, Mari só gravou a voz dessa canção, deixando a produção e toda a instrumentação (desde a percussão à guitarra, violão e synths) a cargo de seu companheiro e parceiro, Rodrigo Campos. Além dos dois, a faixa conta com um coro com vários suspeitos de sempre, entre eles Romulo Froes, Anaïs Sylla, Fernanda Broggi, Victória dos Santos, entre outros. ” O resultado desse trabalho vem influenciando muito a maneira que tenho pensando composição e estética, norteando o caminho que sigo daqui pra frente”, conclui, ressaltando que já está trabalhando em seu primeiro álbum.
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