Há cem anos, a portuguesa mais famosa do mundo estreava no planeta. Carmen Miranda é, fácil, o primeiro ícone pop com aval brasileiro, mesmo não tendo nascido em nosso país. Antes dela, nosso país só era conhecido no resto do mundo graças a “Tico-Tico no Fubá” e “Aquarela do Brasil”. Carmen abriu, no facão, um picada que em alguns anos se tornaria a bela trilha de onde a bossa nova se revelaria ao mundo e que, pouco a pouco, foi se tornando uma ampla rodovia, com espaço para brasileiros de toda espécie, do Guinga ao Bonde do Rolê. Sem o primeiro passo de Carmen, talvez ainda estivéssemos presos aqui dentro e o mundo ainda nos confundisse com qualquer paiseco de terceiro mundo. No vídeo acima, que eu peguei na Daniela Thompson (quanto tempo, Daniela!), ela se apresenta pela primeira vez com seu traje de baiana, esse acessório esquizofrênico e exuberante, que inspiraria tanto os paragolés de Hélio Oiticica quanto os modelitos pós-new wave de Luísa Lovefoxxx.
“Crying Lightning”, que eles mostraram no Big Day Out, mês passado na Austrália, tem um quê de Last Shadow Puppets, mas não foi ainda que Alex Turner achou o equilíbrio entre seu método de composição nas duas bandas – ele erra mais que acerta nos Monkeys e quase sempre manda bem nos Puppets. Essa música nova é um bom meio termo, mas precisa maturar – não sei se o método de composição ou a própria música em si. Dica do Tiago, valeu!
Um mashup sutil e genial: Lost com a trilha de De Volta para o Futuro. Um outro, parente, e que não deixa ser embedado, faz o caminho inverso. Aqui, ó.
No ano passado, o Márcio e a Carol me convidaram pra conhecer a Discoteca Oneyda Alvarenga, que funciona ali no Centro Cultural Vergueiro. Além da visita, eles aproveitaram para bater um papo comigo sobre discos velhos para o programa Crônicas de Toca-Discos – e como eu não tenho essa onda de conhecedor de vinil ou arqueólogo de edições anteriores (me importo mais com o conteúdo do que com o suporte), preferi buscar por uns discos que pudessem servir de base para comentários sobre o que está acontecendo hoje na música enquanto indústria e como funcionavam engrenagens antigas desse negócio no Brasil, além de ceder inevitavelmente a momentos de nostalgia. No som, Beatles, Chico Buarque, Originais do Samba, Ritchie, Fevers, Velvet Underground, Plunkt Plact Zum, Baiano e os Novos Caetanos e Mutantes.
Rola também uma versão em áudio do papo.
Começou a ver a série agora e não está entendendo picas? Fizeram esse videozinho pra você – cuidado que ele já fala dos acontecimentos do episódio de quarta passada:
Ih, pelo jeito o tempo vai fechar pro Gaeta…
“Don’t Watch Me Dancing” em Curitiba
O show do Little Joy ontem foi praticamente idêntico ao de quinta passada, salvo alguns detalhes: o Clash estava bem mais cheio que na semana anterior, o público estava muito mais à vontade (certamente há uma grande parte que foi às três noites deles aqui em São Paulo) e a banda estava nitidamente cansada, devido à maratona de shows que estão fazendo no Brasil. Isso não chegou a comprometer musicalmente o show, mas certamente tirou parte do clima de introversão da outra apresentação – a banda quase não conversou com o público, as gracinhas – com a platéia ou entre si – foram mínimas e o apelo informal, a atmosfera de sarau na sala de estar que impregnou o Clash na outra quinta, ficou em segundo plano.
É um quadro de um programa de humor português genial – o Bruno conversou com os caras, vê lá.