Franz Ferdinand – “This Fire”
Foi bom.
Franz Ferdinand – “Tell Her Tonight”
Foi bem bom.
Franz Ferdinand – “Ulysses”
Foi bem foda.
Franz Ferdinand – “40′”
Melhor show de rock no Brasil do ano – e só não foi o melhor show porque o Radiohead (que já ultrapassou esse formato, “rock”) deu as caras por aqui. Só “Lucid Dreams” (que começou funk rock e depois descambou numa electera entre o antônimo do Justice e a resposta européia ao LCD Soundsystem – alguém viu se tem vídeo disso? Foram mais de 10 minutos, quase 20) valeu a noite, mesmo com todo aperto, sufoco e o fato de pelo menos um terço do público presente não estar ali pelo show – e sim pela social. Nesse sentido, o show dos caras no Motomix foi mais contangiante – o espaço era maior, dava pra dançar. Mas, na boa, maior privilégio ver os caras ainda no ano de lançamento de Tonight, que não saiu dos meus 10 melhores discos do ano desde que foi lançado, em janeiro. Ano que vem eles voltam.
Neil Young sobre Bob Dylan.
Serge Gainsbourg – “New York USA”
Antes de passarmos para a fase mais controversa da carreira de Gainsbourg, vale abrir um parêntese para mostrar que, mesmo antes de se transformar num svengali do pop adolescente francês, ele já buscava novos rumos para sua música, visitando o continente africano décadas antes que qualquer outro popstar americano ou europeu. Ouvindo discos africanos sem parar, chegou à conclusão que era uma das formas que o pop francês poderia se contrapor ao cantado em inglês graças à percussão de suas antigas colônias. Gravado com muita percussão e corais femininos, Gainsbourg Percussions, de 1964, é um dos principais trabalhos de Serge nos anos 60 e, mesmo que tenha tido pouco sucesso comercial na época, tem o mérito histórico de ser um dos pioneiros a traçar uma conexão entre a música africana não-americanizada e a música pop – e fazendo-a soar tão pop quanto ela poderia ser, sem lançar olhos de colonizador sobre ritmos e músicalidade fora de seus padrões europeus.
Serge Gainsbourg – “Quand mon 6,35 me fait les yeux doux”
Serge Gainsbourg – “Machins Choses”
Serge Gainsbourg – “Couleur Café”
Xx – “Crystalized”
Miike Snow – “Black and Blue”
Vitalic – Poison Lips
Roots – “How I Got Over”
Fool’s Gold – “Surprise Hotel”
O vídeo acima é parte do portfólio da agência de design espanhola Porno Graphics e é uma homenagem à estética do cinema pornô dos anos 70 – por isso, apertar o play pode ser perigoso dependendo de onde você vai assisti-lo.
Serge Gainsbourg conheceu Brigitte Bardot como o mundo todo: no cinema. A atriz estava em ascensão por sua simples e inacreditável beleza e, como parte de toda uma geração que ganhou notoriedade mundial graças à popularização da televisão no final dos anos 50/começo dos 60, estava em todo lugar – como Elvis, Marilyn Monroe, os Beatles, os Kennedy, Pelé e dezenas de outras celebridades globais deste período, Bardot cantava, dançava, sapateava, assobiava e chupava cana ao mesmo tempo. Foi inevitável que, mesmo com uma voz limitada, fosse parar no mundo dos discos e foi aí que Gainsbourg conseguiu se aproximar dela. Aos poucos estava compondo músicas exclusivas para ela, antes de iniciar um caso divulgado com alarde pela imprensa francesa da época – ambos casados e célebres, ela impecável, ele horrendo, tinham motivos de sobra para habitar páginas e páginas de fofocas. O affair rendeu não só bons singles como um dos melhores discos da primeira fase da carreira de Gainsbourg (Comic Strip, em que flerta com a cultura anglófona) e o início de uma polêmica monstruosa que daria a Serge seu maior e mais popular feito comercial.
Brigitte Bardot – “L’Appareil a Sous”
Serge Gainsbourg – “Initials B.B.”
Serge Gainsbourg – “Comic Strip”
Serge Gainsbourg – “Bloody Jack”
Brigitte Bardot – “Bubble Gum”
Serge Gainsbourg – “Docteur Jekyll et Monsieur Hyde”
Serge Gainsbourg – “Qui est ‘in’ qui est ‘out'”
Serge Gainsbourg – “Bloody Jack”
Brigitte Bardot & Serge Gainsbourg – “Bonnie & Clyde”
Brigitte Bardot – “Everybody Loves my Baby”
Brigitte Bardot, Sacha Distel & Serge Gainsbourg – “La bise aux hippies”
Brigitte Bardot – “Harley Davidson”
“I have come here to chew bubblegum and kick ass…”
They Live, John Carpenter, filmaço!
Enquanto Fred Zero Quatro lamenta a queda das gravadoras, o Mombojó faz aquilo que o Los Hermanos devia ter feito em Ventura – só que na marra. Sem gravadora, a banda preferiu se embrenhar no mato sem cachorro por conta própria e lançar o terceiro disco na unha. O vídeo acima mostra trechos das gravações do novo álbum, Amigo do Tempo (com cenas impagáveis, como o baterista Vicente, naturalmente chapado, falando que “o sistema independente é muito difícil” enquanto Chiquinho encarna o “Robot Rock” no teclado), e China, praticamente um dos integrantes da banda, embora não-oficialmente, acompanhou todo o processo e escreveu sobre ele no blog da dos caras:
“Quando as sessões de ensaio terminaram, eles tinham dezessete músicas e estavam prontos para registrá-las. Mas gravar onde? Com que dinheiro? Estar numa gravadora não valeria muito à pena, pois nem elas saberiam que caminho percorrer nesse confuso momento em que se encontra a indústria fonográfica.
Daí veio a grande sacada: “Porque não seguir o lema do movimento punk e fazer o disco nós mesmos?”. A idéia ganhou força rapidamente dentro da banda e logo estávamos todos (o Mombojó, eu, Homero Basílio e Jr.Black) na fazenda Rodízio, a 40 km de distância do Recife para dar início aos trabalhos. Levamos microfones, pré-amplificadores, compressores, guitarras e tudo o que tínhamos a mão para tentar registrar o som dos caras da melhor forma possível, mas percebemos que não seria uma tarefa fácil. A fazenda não tinha estrutura de estúdio, era apenas uma tranqüila e silenciosa casa de campo, e acredito que naquele lugar nem um violão tinha passado antes, que dirá uma bateria. Deu muito trabalho ambientar a sala onde seriam gravados os instrumentos. Forramos as paredes com lonas, para evitar que o som rebatesse demais, e colchões foram colocados estrategicamente nos cantos da sala, pois, dizem os especialistas, que numa sala de gravação não podem existir quinas. Foi uma montagem totalmente autodidata.
Muitos cabos depois e alguns choques elétricos, estava tudo pronto para começar a melhor parte. Foram duas semanas de intenso trabalho e muita diversão. Os takes eram gravados entre uma partida de futebol e um banho de piscina. Tudo caminhava em perfeita harmonia. O Mombojó sabia exatamente o que queria passar em cada canção, e para que isso acontecesse, aquele estado de espírito era fundamental. Depois que o grosso do material foi captado na fazenda Rodízio, os caras se trancaram na casa dos irmãos Marcelo e Vicente para editar o que fosse necessário e incluir os teclados de Chiquinho nas músicas. Hoje em dia não é preciso estar num grande estúdio para fazer esse tipo de coisa, e nada melhor do que o conforto do lar para realizar o trabalho”
Grafitti? Intervenção urbana? Animação stop-motion? Tudo ao mesmo tempo.