Saiu o trailer do remake de Fúria de Titãs, o clássico filme da Sessão da Tarde que tentava tornar a mitologia grega tão interessante quanto Guerra nas Estrelas. Mas com Liam Neeson e Ralph Fiennes no elenco, temo mais por um Transformers misturado com o Alexandre O Grande do Oliver Stone. Mas é só pro ano que vem.
Fala sério, igualzinho!
E a claque? Esses caras são gênios.
Senhoras e senhores, o axé music de protesto. Ou será que o pagode pode ser o novo rap?
Eu estava chegando na Via Funchal, vi o sinal ficando amarelo antes de tudo apagar. Em pleno apagão, o show do Super Furry Animals, que depois eu falo mais dele.
Vi lá no Bruno, que também compilou piadinhas sobre o apagão no Twitter.
Minha querida Dani não pára e vem criando mais sessões para o Don’t Touch My Moleskine do que dá para acompanhar. Uma das mais legais é a recente Cafofo Sessions, que entrevistas bem à vontade que ela começou fazendo com a Lulina e continuou com o Catatau. Abaixo, as primeiras partes das respectivas sessions – mas depois você pode continuar vendo o Catas aqui e a Lulins aqui.
Das dezenas de histórias que ilustram a teoria da Cauda Longa e que formam a história do rock independente brasileiro, a do Midsummer Madness é uma das mais clássicas – ainda mais por misturar-se com bandas como Second Come, Cigarrettes, PELVs, Casino e Fellini. O Last Splash contou um pouco dessa história em três vídeos. O primeiro tá aí em cima, os outros dois você vê no site dos caras.
No fim do mês passado um dos criadores de Lost, o roteirista e produtor-executivo Damon Lindelof, foi lançar sua edição completa do Ultimate Hulk vs. Wolverie na Golden Apple em Los Angeles e aproveitou para responder a algumas perguntas dos leitores (veja o vídeo acima). Mas o blogueiro The ODI, do Dark Ufo (uma das principais fontes de spoilers sobre a série do vôo 815), conseguiu enquadrar Lindelof num canto e, depois de ser reconhecido pelo próprio Damon, deu uma curta entrevista, onde falou sobre a importância dos sites de spoilers para a série (“de repente, alguém para de assistir na temporada 5 e viu um spoiler da 6 que lhe interessa, ele pode voltar a assistir”) e assumiu que ele mesmo freqüenta esse tipo de site. Mas as perguntas anteriores eram só um aperitivo para a pergunta principal que ele queria fazer, a partir do ponto que, aparentemente, a história de Lost também é a história de um (ou vários) loop de tempo. Diz ODI:
“Eu sabia que ele não iria me contar nada ali, então eu perguntei que, a partir do fato de que eles já sabem como o programa vai terminar, será que nós já VIMOS a cena final?
Seus olhos se abriram com um sorriso, ele ergueu as mãos, virou a cabeça e disse:
‘De jeeeito nenhum eu sequer cogito a possibilidade de responder a essa pergunta…’
Nós dois rimos e eu perguntei se tinha sido uma boa pergunta, ele respondeu:
‘Uma pergunta excelente!’
E assim ele disse obrigado e me cumprimentou. Como eu vi que tinha mais gente esperando para falar ou tirar uma foto com ele, fiz ele gravar essa mensagem para os fãs de spoilers:
E aí, o que você acha? Eu achei que foi uma reação interessante a algo que ele podia ter respondido apenas ‘não'”
É verdade, hein? E você reparou que no vídeo aí de cima ele tá usando uma camiseta com o logotipo da Umbrella Academy do Gabriel Bá e do Gerard Way? E pode ficar tranquilo que eu escrevo sobre o final da quinta temporada ao mesmo tempo em que estivermos pra começar a sexta.
Era o Sonic Youth sendo o Sonic Youth
Duas coisas me fizeram escolher assistir ao Planeta Terra em vez de ir ao Maquinária – a primeira, crucial, foi a localização de ambos. Enquanto o festival do portal de internet acontecia num inusitado Playcenter, o outro ocorria na mesma Chácara do Jóquei que viu o fiasco de organização que foi o show do Radiohead em São Paulo. Só a lembrança da zona que foi este lugar no início do ano já me faz ter bode de qualquer evento que se disponha a montar sua tenda por lá. O segundo motivo foi a confirmação do show do Sonic Youth. Embora muita gente estivesse esperando bandas mais novas ou inéditas no Brasil, fiz parte de turma que sorriu quando anunciaram que Thurston, Kim, Lee e Steve voltariam a tocar por aqui. Sou fã dos quatro, fazer o quê – suportei até a última apresentação de Merce Cunningham em vida só pelo fato de saber que o Sonic Youth era a banda que faria o som da apresentação de dança. Faith No More, Jane’s Addiction, Primal Scream, Iggy Pop… As duas primeiras bandas ficaram presas num passado que não faço questão de revisitar, quando, no início dos anos 90, o heavy metal se descobriu tão esquizofrênico quanto os desenhos animados de Chuck Jones (o Jane’s Addiction tem uma pegada menos palhaça que a banda de Mike Patton, mas esse L.A. blues soa melhor quando o Farrell monta o Porno for Pyros – e todo mundo sabe que o melhor momento do Dave Navarro em disco é no One Hot Minute, do Red Hot). O Primal Scream já tinha passado por aqui em 2004 (foi isso? Ou foi 2005? Preguiça de olhar no Google) e eu já tive o meu momento com o Iggy Pop.
Por isso, o festival dos festivais que ocorreu no fim de semana, para mim, se resumia a assistir ao show do Sonic Youth. Cheguei no Terra um pouco antes do Primal Scream entrar no palco, mas nem precisava ir tão cedo (embora o evento já estivesse cheio de gente desde as 5 da tarde, segundo relatos, devido aos brinquedos do parque), porque o show foi bem ruim. Não por culpa da banda, visivelmente aborrecida com uma série de problemas – a ausência de luz no palco nas primeiras músicas, a ausência do som de uma das guitarras, “XTRMNTR” teve de ser recomeçada duas vezes. Quem estava mais perto do palco viu o vocalista Bobby Gillespie de cara fechada, nada satisfeito com o show, que até teve seus bons momentos – como uma versão krautrock para “Shoot Speed Kill Light” e a seqüência final do show que começou com “Moving on Up”.
Mas foi no Sonic Youth que as coisas engrenaram. No show que o grupo fez no Claro que é Rock (2006?) muitos reclamaram da ausência de hits e do som baixo. Sobre os hits, não reclamo – gosto da banda mesmo quando ela toca só músicas do disco novo. O som parece que estava baixo, mas eu não percebi porque me enfiei no meio do público e cheguei pertinho do palco. Para não correr o risco de pegar um show baixo, repeti a tática – e, depois do show, descobri que nem era preciso, pois o som tinha sido o melhor no palco principal do evento.
E veio a chuva. Constante sem ser pesada, ela atravessou todo o show do Sonic Youth como uma espécie de textura para a noite. E mesmo com a banda se recusando a voltar a seus hits dos anos 90, o público não largou do pé do palco e se deixou levar pelo transe da eletricidade que, por vezes, vinha de três guitarras – o baixista do Pavement, Mark Ibold, revezava-se entre o baixo e a guitarra no papel de quinto integrante da banda, talvez mais feliz do que todo o público por estar tocando ao lado de seus ídolos (o sorriso vinha ao rosto do cara durante várias músicas).
As únicas exceções que fizeram ao passado levaram o público ao meio dos anos 80, com três faixas do Daydream Nation (“The Sprawl”, “‘Cross the Breeze” e “Hey Joni”), uma do Sister (“Stereo Sanctity”) e “Death Valley 69”. E aí estava o principal trunfo do show deste ano – sem apelar para as músicas mais conhecidas, eles envolveram o público com riffs, dedilhados, palhetadas, acordes tortos e microfonia, tirando-o das referências fáceis de um show de rock, como solo, refrão e letra fácil de ser lembrada, e levando-o para seu próprio universo onde som, ruído, música e canção são indistintos entre si, partes de um mesmo processo. Neste contexto, pouco importou o fato das músicas do novo disco, The Eternal, serem conhecidas ou não. Era o Sonic Youth sendo o Sonic Youth – e não apenas um show de rock.
Perdi quase todos os outros shows (lamento mesmo não ter visto o Metronomy, a melhor atração nova da noite, na minha opinião), mas ainda consegui ver o Iggy Pop se esgoelando como um zumbi que teima em não morrer (e isso é um elogio, como foi bom ouvir “Search & Destroy” ao vivo) e dar uma passada no Ting Tings a ponto de vê-los tocar “Great DJ”. E perceber que o Playcenter, por mais inusitado que podia parecer, não só funcionou e bem para um festival desse porte como contagiou parte do público com a alegria infantil de voltar a um parque de diversões. Tomara que o do ano que vem continue lá – além de o fato de chegar em casa em menos de meia hora depois de sair do show contar pontos extra para o evento.
PS – E pra quem queria saber o setlist do SY, ei-lo:
“No Way”
“Sacred Trickster”
“Calming The Snake”
“Hey Joni”
“Leaky Lifeboat”
“Anti-Orgasm”
“Antenna”
“Stereo Sanctity”
“The Sprawl”
“Cross the Breeze”
“Poison Arrow”
“What We Know”
“Jam Runs Free”
“Pink Steam”
“Death Valley ’69”