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Outra criação do espanhol, desta vez em vídeo.

A primeira chama-se Psychosith, a segunda Force by Forcewest.

Antes de cair no repertório de Lady Gaga, “Telephone” foi dispensada pela Britney Spears…

Apesar de eu preferir a voz da Britney (que voz? você se pergunta – essa mesma, respondo) à de Gaga, a versão da última é melhor porque o rapzinho ridículo que Britney faz no final é substuído pela aparição de Beyoncé, naquela hora em que a música dá uma quebradinha e fica mais lenta, meio gangsta.

E essa textura do VHS? E lembrar que até outro dia os vídeos caseiros eram assim… Essa versão pra “On Fire” é uma das muitas músicas que ele tocou em fevereiro de 1995 na filial de San Francisco da Rough Trade. Tem mais vídeos aqui. Óbvio que a dica é do Paluga.

Ele é mau.

Sir Mix-A-Lot, seu vendido.

E esse Eric Estrada, alguém explica? Vi na Bia.

HermetoKraut

Ainda sobre o Steve Shelley, ele é o baterista da atual encarnação de uma das metades do Neu!, o mítico e hermético quinto elemento, ao lado do Kraftwerk, do Faust, do Tangerine Dream e do Can, da fundação do pop alemão como o conhecemos hoje. Michael Rother é a metade que comanda o Hallogallo 2010 e convidou o baterista do Sonic Youth para assumir o motorik nas músicas do Neu!, que são a base do repertório do grupo. E a primeira aparição do Hallogallo 2010 do lado de cá do Atlântico acontece em agosto, na cidade-natal de Shelley, quando o grupo toca no Lincoln Center, em Nova York, dividindo o palco com ninguém menos que Hermeto Pascoal. Shelley comemorou a coincidência blipando a incrível “Música da Lagoa”, do velho mago.

Se você estiver por lá nessa época, não perca.

Eu sim. Eis o teaser do novo clipe dos Chemical Brothers.

Pobre Aguillera, não bastasse rastejar sob Britney Spears, agora resolveu descer um degrau ainda mais abaixo, sob Lady Gaga. O Phelipe comenta mais, cena a cena, sobre as “homenagens” feitas pela pobre cantora sem auto-estima.

Neu!?


Trecho do documentário Krautrock: The Rebirth of Germany, da BBC

Se você nunca ouviu falar no Neu!, talvez esta seja a melhor época para conhecer o grupo (além da época em que a banda estava na ativa, mas aí você tinha que estar na Alemanha no início dos anos 70). Afinal, ele reencarna com esta formação chamada Hallogallo para uma turnê nos EUA (será que algum produtor brasileiro se anima? Psicodelia minimal barulhenta!) como uma forma de divulgar a caixa definitiva com todos os trabalhos do grupo, incluindo um monte de coisas inéditas.

Michael Rother e Klaus Dinger entraram no Kraftwerk quando o grupo havia acabado de sair da sua fase rock progressivo e começava a se dedicar ao ritmo eletrônico e robótico. Resumido à dupla Ralf Hutter e Florian Schneider, o antigo Organisation adotava um nome essencialmente alemão (“usina de força”) e chamaram primeiro um baterista, Klaus, que depois chamou seu amigo Florian para consolidar o novo grupo. Juntos, gravaram dois discos – mais tardes conhecidos apenas como Kraftwerk 1 e 2, que contam com cones de trânsito, um vermelho e outro verde, em cada capa dos discos – antes das duas duplas se separarem. Ralf e Florian lançaram mais um disco (batizado apenas com o prenome dos dois, tipo dupla sertaneja) antes de chamarem outros dois músicos para oficializar sua carreira robótica, iniciada em Autobahn.

Thomas e Klaus seguiram para um caminho mais perigoso e radical. O Kraftwerk havia encontrado rumo no ritmo repetitivo e mecânico que seria o percurso de todos seus discos até hoje e passeia por paragens conhecidas (auto-estradas, ferrovias, o meio digital, a bicicleta, a tecnologia biônica, a energia nuclear) observando-as à distância, quase alien, melancólico, frio, paranóico e distante, mas apreciando a poesia dos ciclos de repetição criados pelos seres humanos. Já o Neu! preferia conduzir este mesmo ritmo – preciso e interminável – para os limites explorados pelo krautrock, O rock alemão dos anos 70 ganhou fama por experimentar fronteiras sônicas que expandiam o conceito da psicodelia para dentro dos conservatórios e para a selva, duas influências explícitas deste gênero. O Neu! ia para os limites de ambas e o barulho – elétrico, eletrônico, humano – era só a textura em que se sentia mais à vontade. A banda durou três discos e fechou as portas nos próprios anos 70, cada uma de suas metades seguindo rumos paralelos: Thomas seguiu carreira solo e Klaus juntou-se ao La Düsseldorf. Quando esta banda terminou em 83, os dois voltaram a se falar e voltaram a gravar juntos, produzindo um disco (Neu! 86) que só foi ver a luz do dia na forma de piratas nos anos 90.

Durante esta década, a influência da banda passou a ser assimilada principalmente entre bandas de rock alternativo nos Estados Unidos e indies ingleses e os discos da banda, que não eram relançados desde 1983, tornaram-se raridade, objetos de culto e, inevitavelmente, reedições piratas. As tentativas de relançar oficialmente o catálogo do Neu! sempre foi motivo de briga entre Klaus e Thomas, que só conseguiram chegar a um acordo sobre os relançamentos em 2001. A partir daí, os dois voltaram a tentar colaborar juntos, sem sucesso. Até que Klaus morreu em 2008, aos 61, de ataque do coração.

A nova caixa, que será lançada este mês, conta com os três discos originais (Neu!, Neu! 2 e Neu! 75), e dois discos que não foram oficialmente lançados (um maxi-single de 72 e Neu! 86), todos em vinil, um livro de 36 páginas e um estêncil para quem sempore quis grafitar o logotipo da banda por aí sair pintando Neu! pelas paredes da vizinhança. Maiores detalhes sobre a caixa no site do grupo.

Krautrock foi o nome que a imprensa inglesa – rótulo martelado com insistência por John Peel – deu às bandas alemãs que começaram a aparecer a partir do fim dos anos 60, mas em vez de republicar mais uma vez o texto que fiz sobre o gênero, vou apenas linká-lo enquanto também os redireciono para o torrent do documentário Kraftwerk and the Electronic Revolution me sugerido pelo João no post original.

Em tempo: “Kraut” pode ser visto como uma forma pejorativa de se referir aos alemães (“Sauerkraut” é o nome original do chucrute) como também é uma piadinha de duplo sentido com a onda viajandona daquela geração, pois, traduzido do alemão, “Kraut” quer dizer “mato” – e era como os contemporâneos do krautrock se referiam à maconha.