A Paste tungou um post do Dangerous Minds em que eles separam as partes de “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones. Talvez por nunca terem terminado e sempre estarem por aí, os Stones nunca foram devidamente apreciados como uma banda do próprio quilate, sendo menos dissecados que os Beatles, o Led Zeppelin, o Pink Floyd ou o Velvet Underground. Não importa. Eles são uma das bandas mais importantes de todos os tempos e é nessas horas, isolando as guitarras de Keith Richards e os vocais de Mick Jagger, que percebemos que a genialidade do grupo é muito maior do que apenas um surto instintivo no estúdio. Coisa fina.
Vocais, Mick Jagger + Merry Clayton
Guitarra solo, por Keith Richards
Guitarra base, por Keith Richards, + piano, por
Bom dia.
…caça com super-heróis fuleiros. Não é, Carlos Imperial?
Mumu lembra que hoje faz uma década que Neil Young deu o único ar de sua graça elétrica em solo brasileiro, num texto altamente pessoal:
Lembro de chegar na Cidade do Rock quando tocavam os Engenheiros. Pensei: “quero ver o Neil Young da grade, vou já pra briga”. Felizmente a Liana tava comigo e disse “nah, vamos depois, vai ser tranquilo”. Quase sempre ela tá certa, então concordei. Ela tava certa. Era o menor público de todo o festival, umas 150 mil pessoas no total. Tocou o Dave Matthews e, quando terminou a Sheryl Crow, era hora da aproximação. A Liana quase sempre tá certa, mas eu não podia esperar que fosse tanto. À medida que todo mundo ia embora depois da Sheryl, comecei a ficar puto e gritar “porra, vocês estão malucos, é o Neil Young que vai tocar agora”.
E ele ainda teve a manha de ressuscitar um texto que o Tomate já havia reativado em 2008, além de achar a resenha para o show que eu mandei no dia seguinte ao show (cá o republico em um minuto), pois meus últimos dias como editor do Caderno C do Correio Popular de Campinas foram dedicados a uma semana dedicadas ao terceiro Rock in Rio, há dez anos. Depois disso, tirei férias e comecei a trabalhar em São Paulo. Nunca nem tinha parado para relacionar uma coisa com a outra, mas…
Aquele Rock in Rio foi loucaço (esse próximo não me convence, mas estou ficando velho), mas os minutos na frente do Crazy Horse se alongam até hoje perenes, sóbrios, sem idade. Ecoa até hoje na cabeça, entre os fisgões que os anzóis de seus solos de guitarra engancham na memória sonora, o mantra do velho Young sobre a vida (“It’s all one song!”) que me persegue diariamente como uma versão sangüínea da noção de Robert Anton Wilson de que não somos substantivos e sim verbos – e nos flexionamos com o tempo. O transe a que Young submeteu seu público fez levitar. Não é à toa que carrego o ingresso desse show (um cartão magnético de cor marrom anos-70) em meu patuá.

E aí vasculho meus arquivos e descubro que a capa da edição reunia os dois últimos dias do festival, o dia do péssimo show do Red Hot (cujo maior destaque, se não me engano, foi o Deftones, pra você ter uma idéia) e o penúltimo, quando Sheryl Crow abriu pro Neil Young. Enquanto a página dois foi inteira dedicada ao mestre (sob o título que eu mesmo dei, quando enviei o texto do Rio – “O tempo não existe”), a capa sugere outra onda, com o título que brinca com o jingle do festival e parece me apontar um rumo: “A vida começa agora”. Como se os anos em Campinas tivessem sido os de ensaio.
Mas acho que é inevitável voltar ao passado e revê-lo como rascunho, não?
Isso me lembra que estou há quase dez anos em São Paulo. Caceta.
Zooey Deschanel combina com qualquer clichê…
É sério!
Espera a hora em que o sujeito que tá filmando dá uma gargalhada – vale a pena.
Minha mulher tem razão: essa música só é boa por causa do Robert Smith – saca a versão original como é sem graça. O que nos leva à questão – por que não trazer o Cure para o Brasil?

