Um papo com o Cypress Hill

O decano grupo de rap latino Cypress Hill vem ao Brasil mais uma vez para tocar na edição deste ano Lollapalooza e aproveitar para passar em Porto Alegre e Curitiba, além de fazer um show extra em São Paulo. Conversei com um de seus MCs, o filho de cubanos Sen Dog, sobre o disco que acabaram de lançar com a Orquestra Sinfônica de Londres e sobre o disco em espanhol que estão prestes a lançar em mais uma colaboração que faço para o Toca UOL.
Cypress Hill volta ao Brasil na fronteira entre o erudito e a música latina
“Não começamos os ensaios ainda, mas não importa o que fizermos, vai ser muito divertido.” Assim o rapper Sen Dog, 60 anos completos em novembro, fala sobre a sétima vinda de seu grupo Cypress Hill para o Brasil, como atração do Lollapalooza 2026.
O grupo toca no segundo dia do festival, no sábado, dia 21 de março, no Autódromo de Interlagos, mas também apresenta-se em show paralelo ao festival em São Paulo no dia seguinte, 22, na casa de shows Audio SP. Os dois shows em São Paulo acontecem após apresentações em Porto Alegre (no Opinião, dia 17) e em Curitiba (no Live Curitiba, dia 19).
Um dos grupos mais consistentes da história do rap, eles são mais conhecidos pela fase áurea dos anos 90, quando hits como ‘Insane in the Brain’ e discos como ‘Black Sunday’ (1996) e ‘III: Temples of the Boom’ (1995) colocaram o grupo californiano no mapa da música pop. Um dos principais nomes latinos do rap, eles mantêm-se juntos por mais de três décadas e apesar de terem a maconha como uma de suas principais bandeiras, também exploram outros territórios líricos e musicais.
Atualmente, o grupo está parado exatamente numa encruzilhada entre dois destes rumos: um disco gravado com uma orquestra sinfônica e outro composto todo em espanhol. O primeiro é uma viagem que até agora Sen Dog sente que não se recuperou.
“Isso começou ainda nos anos 90? nos Simpsons!”, lembra o vocalista, falando do episódio Homerpalooza, exibido em 1996, em que a família amarela fazia piada com a criação do festival Lollapalooza no fim do século passado. E entre piadas com os grupos Sonic Youth e Smashing Pumpkins, estava o Cypress Hill constrangido por ter esquecido de ter agendado uma gravação com a Orquestra Sinfônica de Londres quando estavam chapados no hotel.
“Anos depois, conversando com o pessoal da Orquestra Sinfônica de Londres sobre isso, eles acharam interessante a ideia e topamos fazer”, continua Sen, “e o som naquele dia foi incrível, uma experiência muito boa.” Ele descarta a possibilidade de fazer algo do tipo nos shows por aqui, mas está aberto à possibilidade de recriar o disco no Brasil com uma orquestra nacional.
“Fizemos alguns shows além do show em Londres (que foi lançado em disco no ano passado com o título de ‘Black Sunday Live at Royal Albert Hall’)”, explica o rapper, lembrando onde mais tocaram com orquestras, sempre nos EUA. “Em San Diego, em Denver e em Nashville e outros lugares. É definitivamente uma experiência surpreendente ouvir essa música num novo formato, diferente de um show normal.”
O próximo passo da banda é um disco composto em espanhol, diferente da compilação ‘Los Grandes Éxitos en Español’, que lançaram em 1999, fazendo versões em espanhol para seus hits. Ainda sem título, o disco de inéditas já está gravado e Sen ainda não sabe se cantarão algo nos shows no Brasil porque não haviam começado os ensaios até a entrevista, mas têm essa intenção.
Ele fala sobre a importância que a cultura latina teve na cultura musical dos EUA. “Desi Arnaz, Célia Cruz, Tito Puentes, Carlos Santana, a lista é imensa!”, explica o rapper, “sempre houve gente muito importante da América Latina ajudando a fazer o som dos EUA. As pessoas sempre aceitaram isso.”
Ele aproveita para comentar o recente sucesso do porto-riquenho Bad Bunny e a importância da influência latina na cultura dos EUA neste momento. “Seu show no Super Bowl deste ano foi um marco histórico, porque foi a primeira vez que alguém cantou apenas em espanhol num evento desta proporção e acho que o resto do mundo está entendendo o que está acontecendo ao ver isso.”
E fala sobre a influência que esse evento tem para novos artistas: “Muitos jovens estão sendo influenciados por isso e vão fazer música em sua língua nativa, sempre crescendo e melhorando, querendo ser artista e artista latino.”
Sen admite que conhece pouca música brasileira porque seu interesse musical acaba ficando fechado entre hip hop e música pesada. “Mas justamente por isso conheço o Planet Hemp e [os irmãos] Iggor e Max Cavalera que eram do Sepultura.”
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