
A inesperada volta de Bobby Womack trouxe a ainda mais inusitada parceria com Lana Del Rey, em “Dayglo Reflection”. E o blue beat que transforma a canção num híbrido de soul elemental com balada dubstep funciona como cenário tanto para a introspecção gospel do vocal emotivo do velho Bobby como para o tom gélido e fatal do timbre da jovem Lana. O resultado, que soa indigesto à primeira vista, torna-se um envolvente lamento que transcende idade, gênero, raça.
(E com o Damon Albarn acompanhando então… A música entra a partir dos quatro minutos no vídeo abaixo.)

Em seu terceiro disco, Arrocha, Curumin finalmente chegou ao equilíbrio perfeito entre Jorge Ben e Stevie Wonder, santo graal que persegue desde o primeiro disco. “Selvage” é só um dos muitos exemplos bem sucedidos nesse último disco, mas destaca-se por sua concisão lírica e rítmica. Vale assiti-la ao vivo na versão do programa Ensaio, abaixo, logo depois da versão para “Ela”, do Gil.

Mallu, por sua vez, vem saindo de sua casca indie e começa a explorar as possibilidades da canção até para além da influência de Marcelo Camelo, inevitável muso e influência de seu terceiro disco, Pitanga. “Me Sinto Ótima”, ainda sem disco e lançada num programa da MTV brasileira, mostra que ela vem ouvindo muita MPB dos anos 70 – Jards, Erasmo, Clube da Esquina, Rita Lee – e é prova de que a menina ainda tem muito o que mostrar.

2012 foi um ano de entressafra para os Arctic Monkeys, que, mesmo sem disco novo, lançou dois singles bem sucedidos (a ponteaguda “R U Mine?” e o cover que fizeram para “Come Together”, do Beatles, por ocasião dos Jogos Olímpicos em Londres). Mas ao regravar “Katy on a Mission“, o single que colocou a irrelevante Katy B no mapa pop britânico, num especial para a BBC que o grupo de Alex Turner reforçou seu papel de principal banda de rock da Inglaterra no século 21, trazendo o hit insosso da pista de dança rumo ao palco de pub tão afeito ao grupo. Eles ainda vão longe…

Céu saiu do fumacê de seu segundo disco rumo a uma trip no deserto acompanhada de uma trupe de ases instrumentais, mas “Falta de Ar” talvez seja o momento mais jamaicano desse road album chamado Caravana Sereia Bloom.

Com terças e sextas comprometidas com saídas de casa semanais, 2012 acabou, por outro lado, sendo um ano bem indoor, em que além de organizar as coisas em casa, consegui dar cabo em várias pendências televisivas que não consegui acompanhar em tempo real. Matei séries inteiras que acabaram faz tempo (My Name is Earl, Arrested Development, Freaks & Geeks, o longo débito com The Wire) e consegui acompanhar hits atuais para acompanhar em tempo real (Sherlock, Parks & Recreation, Homeland, Modern Family, Mad Men, Louie, Ancient Aliens, Breaking Bad, Dexter, Newsroom) – que passaram a acompanhar a única série atual que sigo desde o início, Fringe. Com esse intensivão, comecei a encarar as séries como encaro sagas em quadrinhos – e em vez de acompanhá-las semanalmente, prefiro digeri-las às temporadas (no caso dos quadrinhos, aos volumes dos TPBs). Já havia feito isso em anos passados, assistindo Sopranos, A Sete Palmos e Battlestar Galactica às tijoladas enquanto criava um ranking interior, mas 2012 me ensinou que esteve talvez seja o melhor jeito de consumir estes seriados, que devem estar entre as principais obras de arte pop da atualidade (mesmo que eu não tenha nem conseguido começar a acompanhar coisas como Games of Thrones ou Walking Dead). O que também dá uma sensação ímpar ao final de qualquer série – o ar de dever cumprido e o astral de ser uma pessoa melhor, como Earl ao final de cada episódio em que riscava um item de sua lista.



É ou não é?
Esse Sílvio Santos…

