Falcão e Massacration foram a melhor coisa do VMB desse ano (não que eu tenha assistido mais do que os links que me passaram preu ver) – e além de evocar o Powerslave e a Vovó Mafalda numa mesma faixa, ainda tiveram a manha de assustar o Lúcio aos 4:09, que twittou:
cacete, q susto. Depois achei q era o thiago ney, haha
Neil Young sobre Bob Dylan.
Danilo avisou: e se os personagens de He Man fosse recriados para o século 21 com o senso de estética atual?
Bravo, Pedro!
O desdobramento da fase “Baby Pop”, inaugurada com France Gall, fez com que Serge Gainsbourg funcionasse como um cavalo de Tróia sofisticado para o pop descartável francês. À medida em que seus hits ganhavam o topo das paradas na França, artistas diferentes – e de fora de seu país – começavam a lhe pedir canções. E aos poucos ele começa a diluir a trivialidade de suas canções ingênuas de duplo sentido com os trocadilhos sonoros e jogos de cena de suas composições do período adulto. Um bom ensaio para uma aparição que viria a seguir…
Petula Clark – “O O Sheriff”
Dominique Walter – “Les petits boudins”
Dalida & Serge Gainsbourg : “Rues de mon Paris”
Minouche Barelli – “Boum-badaboum”
Serge Gainsbourg & Anna Karina – “Ne dis rien”
Marianne Faithfull – “Hier ou demain”
Françoise Hardy – “Comment Te Dire Adieu”
France Gall – “Poupée de cire poupée de son”
A principal guinada na carreira musical de Serge Gainsbourg aconteceu em 1965, depois que ele assumiu que o pop em inglês que vinha dominando as paradas de sucesso de seu país não era seu inimigo e sim seu bilhete para o sucesso nacional. Resolveu que iria entrar de cabeça naquele novo mercado na França e se viu concorrendo no programa Eurovision, o show de calouros europeu que, vez por outra, revela algum talento de fato (como dez anos mais tarde aconteceria com o Abba). Compôs “Poupée de Cire, Poupée de Son” para ser cantada pela adolescente (recém-completos dezoito aninhos) France Gall. A música não só ganhou o concurso como deu início tanto à transformação de Serge Gainsbourg num Phil Spector tarado por meninas mais novas como à parceria de France com Serge, que durou tempo o suficiente para estabelecer a carreira de ambos na França.
France Gall – “Nous ne sommes pas des anges”
France Gall – “Laisse Tomber Les Filles”
France Gall – “Baby Pop”
France Gall – “Teenie Weenie Boppie”
France Gall – “N’écoute pas les idoles”
Desde a faixa campeã, Serge já mostrava que sabia onde estava pisando e que não iria disfarçar – seu título pode ser traduzido tanto como “Boneca de Cera, Boneca de Estopa” quanto como “Boneca de Cera, Boneca de Som”, numa clara referência ao fato do talento da cantora ser manipulado pelo compositor da canção. A partir daí, Serge passa a compor alucinadamente não apenas para France Gall, mas para toda uma geração de jovens intérpretes (de preferência, mulheres; de preferências, bem jovens), criando praticamente seu próprio gênero, o “Baby Pop”. Assim, conseguiu se estabelecer como um popstar em seu país.
Serge Gainsbourg & France Gall- “Pauvre Lola”
Esperto, aos poucos vai se inserindo na paisagem, em duetos que aos poucos vão revelando uma personalidade sendo construída ao vivo. É quando ele, aos poucos, vai deixando de cantar para apenas tornar sua voz mais falada, assume-se como de uma geração mais velha que a de seus ouvintes e faz com que toda ironia discreta de suas letras torne-se explícita.
Serge Gainsbourg & France Gall- “Denis De Lait Denis De Loup” / “Les Sucettes” / “Marilu”
Serge Gainsbourg & France Gall- “Les Sucettes”
O auge da parceria dos dois acontece com a faixa “Les Sucettes” (“Os pirulitos”) cujo hoje óbvio duplo sentido da faixa (açucarado por versos que falam de gostar de sentir o doce escorrendo pela garganta) só foi percebido por France quando a faixa já estava vendendo rios de discos. Os dois romperam a relação por um tempo, mas logo voltaram a trabalhar juntos. Menos, porque à medida em que a década entrava em sua segunda metade, Gainsbourg foi sendo atraído para outros patamares…
France Gall – “Les Sucettes”
Está entrando no ar a TV Serge Gainsbourg – um apanhado de vídeos do YouTube com o cara que eu fiz enquanto afundava em sua obra. Na primeira parte, seguem seus primeiros hits. Pianista de formação clássica, Serge – que se chamava Lucien Ginsburg, originalmente – queria ser artista plástico. Mas como o pai, pianista da noite, começou a receber muitas propostas de trabalho, passou algumas para o filho que, aos poucos, foi entrando no mundo da composição e interpretação. Esses primeiros vídeos são de sua fase inicial, quando ainda compunha sob a influência da canção tradicional francesa, antes de ser atingido pelo raio da música pop, que mudou completamente sua carreira e a percepção de seu trabalho junto ao público. Na época dos vídeos abaixo, Serge era apenas mais um nome promissor da cena da margem esquerda do Rio Sena, um grupo de artistas e intelectuais que freqüentava clubes e cafés até altas horas e que, ocasionalmente, lançava discos e tocava na TV ou no rádio. Algumas músicas (mais no final) foram compostas depois de seu contato com o pop, mas ainda refletem a importância que este tipo de canção tinha em sua composição. Nada de choque, de afrontas ou escândalos – a obra de Serge ainda era comportada e, no máximo, cogitava expressões de duplo sentido. No primeiro vídeo, Juliette Greco, um dos principais nomes desta cena, canta a primeira música de Gainsbourg a ter repercussão fora desse métier.
Juliette Greco – “Les Amours Perdues”
Serge Gainsbourg – “Le poinçonneur des Lilas”
Serge Gainsbourg – “La Nuit d’Octobre”
Serge Gainsbourg – “Adieu Créature”
Serge Gainsbourg – “Du Jazz dans le Ravin”
Serge Gainsbourg – “La Chanson de Prévert”
Serge Gainsbourg – “Ce Mortel Ennui”
Serge Gainsbourg – “L’Alcool”
Serge Gainsbourg – “Elaeudanla Teïtéïa”
Serge Gainsbourg – “La Javanaise”

