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E só ela. Demais.

Alguém corra pra trazê-la pro Brasil, porque já já o cachê dela vai ficar caro mesmo…

Hoje no SBT

“Hoje” é um conceito tão vago, quando o mundo digital se superpõe ao da televisão… Vi essa no Não Salvo:

Tanto que essa reportagem já deu origem a um tumblr, o #HojeNoSBT.


Os anos 80 eram uma viagem…

…e renderam umas cenas ótimas, veja abaixo:

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E o Pedro Alexandre Sanches disseca a escolha da música-tema, “Ex Mai Love” cantada por Gaby Amarantos, da nova novela das sete:

No horário das 19h, estreou nesta semana “Cheia de Charme”, cuja vilã principal, vivida por Cláudia Abreu, é Chayene, uma estrela nordestina de forró pop, na linha das cantoras dos grupos Aviões do Forró e Calcinha Preta.

Nesta, o tema de abertura é “Ex Mai Love”, cantado pela diva tecnobrega paraense Gaby Amarantos. A trilha tem samba romântico de Alcione, pós-axé de Ivete Sangalo, brega antigo de Márcio Greyck (em nova versão) e indie MPB paulistana na voz de Tulipa Ruiz. Ricardo Tozzi interpreta o cantor sertanejo Fabian, obviamente decalcado em Luan Santana. As três protagonistas, de ineditismo surpreendente, são empregadas domésticas em guerra com a tirania das patroas.

Não há um quico de novidade no fato de as trilhas das novelas em cartaz na Globo serem superpopulares, ultracomerciais. Mas, como sabe todo mundo que, nas últimas semanas, observou o pesado investimento atual da emissora na chamada nova classe média, algo muito novo parece estar acontecendo no ambiente musical das telenovelas (ou telelágrimas, como rezava um antigo clichê) globais.

“O que mais me surpreendeu foi a escolha de ‘Ex Mai Love’ pra ser a abertura da novela. A Globo apostar tanto numa artista nova e num compositor novo (o também paraense Veloso Dias) me deixou cheia de orgulho”, afirma Gaby Amarantos. “É bem nítida essa feliz tentativa de atingir essa classe C que ascendeu, e já estava mais que na hora do povão ser retratado. Sou a rainha da nova classe média com muito orgulho, são eles que realmente fazem a economia do país girar, e me sinto feliz em representar e ser representada.”

Há décadas, a circulação de música entre a indústria fonográfica e a maior rede de TV do país é controlada com mão de ferro pelo misterioso Mariozinho Rocha, ex-músico egresso de um núcleo de canção de protesto dos anos 1960, o Grupo Manifesto. Ele, que jamais aparece ou concede entrevistas, assina a coordenação das trilhas de “Avenida Brasil” e “Cheias de Charme”. Mas isso não quer dizer que sejam iguais ao (nem sequer parecidas com o) reinado de intermináveis repetecos de standards de velhas bossas novas de Copacabana e antigas MPBs de Ipanema recicladas também há décadas pela usina musical-comercial de Mariozinho.

Mas, nos créditos finais de “Cheias de Charme”, aparece (com a função de “consultor musical”) o nome do antropólogo Hermano Vianna, também ideólogo do programa dominical “Esquenta”, de Regina Casé. Com ele, chega ao olimpo das novelas o ideário de valorização dos movimentos musicais realmente populares de fora do eixo Rio-São Paulo – a compreensão de um Brasil por inteiro, liberto o máxino possível das tiranias das patroas paulistocariocas.

“Participei de conversas sobre a definição do estilo musical de personagens, dei algumas sugestões para a trilha”, explica Hermano, em breve conversa por e-mail. “Mas é um trabalho coletivo. Todo mundo participa: diretores, autores, diretor musical, Mariozinho Rocha, atores e atrizes, produtores, pessoal da cenografia, do figurino etc. Nunca tinha trabalhado numa novela, não sabia que o processo era tao coletivo. No final, ninguém sabe mais nem quem primeiro sugeriu quem.”

Não está dito em lugar algum, mas a guinada que se ouve hoje no plim-plim significa mais uma pá de terra por sobre as ruínas da velha indústia fonográfica – apenas a gravadora da própria Globo, a Som Livre, mantém importäncia nessa nova configuração, embora menos como criadora de sucessos que como mera distribuidora de trabalhos já consolidados de nomes como Teló, Gaby e João Lucas & Marcelo. O atual momento explica por que sumiu do mapa, já faz tempo, o apelido tipo greco-romano Vênus Platinada, com o qual a Globo amava se autoclassificar.

Continua no Farofa-Fá-Fá.

Não ri não que é sério! Os três vão representar a história da banda num especial da MTV.

E você sabe que o Wagner já andou por essa praia, né….

4:20

Alguém contava com algo próximo ao que rolou nesse episódio passado? Um dos melhores da série – clique no vídeo abaixo por sua conta e risco…

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Aproveitei o gancho do holograma do Tupac Shakur e da volta do Arrested Development para falar do impacto da tecnologia na produção cultural humana na minha coluna no Link desta segunda.

Como a tecnologia molda nossa concepção de cultura
Show com holograma ainda é uma novidade

Em 1991, a cantora norte-americana Natalie Cole relançou a música “Unforgettable”, consagrada por seu pai, o crooner Nat King Cole, na década de 1960. Em sua versão, uma novidade: graças à tecnologia da época, foi possível colocá-la num dueto com seu próprio pai, falecido em 1965. A canção foi um sucesso e abriu caminho para outras colaborações da mesma natureza. Primeiro com os dois discos Duets, lançados em 1993 e 1994, em que Frank Sinatra cantava ao lado de nomes conhecidos da música pop – Stevie Wonder, Neil Diamond, Julio Iglesias, Bono Vox e o filho do cantor Frank Sinatra Jr. – sem que ele estivesse presente no estúdio (Sinatra, que morreria em 1998, já estava mal de saúde na época do lançamento desses discos). O projeto Anthology, dos Beatles, foi além e ressuscitou a voz de John Lennon, em 1996, para finalmente reunir o maior grupo da história da música pop.

Corta para 2012, mais especificamente para a semana passada, no domingo 15, quando, no festival de Coachella, que é realizado anualmente na cidade de Indio, na Califórnia, nos Estados Unidos, o rapper Snoop Dogg resolveu chamar um velho conhecido para o palco – o também rapper Tupac Shakur. O detalhe é que Tupac foi assassinado em 1996, mas isso não impediu que a tecnologia 3D o colocasse no palco ao lado de seu velho amigo, numa aparição digital que assombrou o público tanto pelo apuro tecnológico quanto pela morbidez da “ressurreição” holográfica.

Dois dias depois, o criador da série Arrested Development, Mitchell Hurwitz, apresentou as novidades da nova temporada. Cancelado em 2006, o seriado norte-americano tinha um público cativo e fiel, mas não grande o suficiente para permitir que ele continuasse na grade de programação da sua emissora, a Fox. Não adiantou os fãs se mobilizarem online para permitir que a série continuasse. Ela foi mesmo para as cucuias e, volta e meia, havia rumores sobre a possibilidade de o elenco e seus roteiristas se reunirem em um filme.

Mas no final do ano passado, seus fãs puderam comemorar. A locadora online Netflix, disposta a investir em produções próprias, convenceu os envolvidos na série a retomá-la, para que ela fosse veiculada em formato digital. E, na semana passada, Hurwitz contou algumas novidades da nova temporada, que começa a ser gravada agora no meio do ano e deve estrear em 2013, com um pequeno detalhe: todos os episódios estrearão no mesmo dia!

Mas o que “Unforgettable”, os duetos de Sinatra e a Anthology dos Beatles têm a ver com um holograma num show de rap ou uma série que estreará todos os episódios de uma vez só?

É simples. Quando o dueto de Natalie e Nat King Cole apareceu nas rádios e TVs da época, aquilo foi tratado com espanto e euforia, pois era algo nunca visto. Em menos de meia década, já havia sido assimilado por nomes estabelecidos no mercado de música.

Da mesma forma, uma série que apresenta seus episódios em uma só tacada pode se tornar um padrão em poucos anos – talvez em menos tempo que demorou para o dueto póstumo virar uma realidade. (Cabe até um parêntese: se uma série tem todos seus episódios exibidos de uma vez só, ela deixa de ser uma série para se tornar um longo filme?) E logo depois que Tupac Shakur apareceu digitalmente num show de Snoop Dogg, os fãs já brincaram com o cartaz do festival Coachella cogitando uma “hologram edition”, com shows de bandas e artistas que há muito não estão entre nós (uma piada ainda mais mórbida colocava até mesmo Jesus Cristo entre as atrações do evento). Não duvide se cogitarem algo parecido (talvez sem Jesus, por motivos óbvios) em eventos de um futuro próximo.

A tecnologia, bem ou mal, molda a cultura. Foi por conta do limite de tempo de gravação no início do século 20 (entre três e quatro minutos) que foi inventada a canção, um formato que não existia naquela época. O próprio livro, nem sequer paramos para pensar nisso, é uma invenção tecnológica que ainda não foi superada. Tais inovações determinam a forma como lidamos com a nossa própria cultura.

O seriado Arrested Development volta mesmo no ano que vem e sua quarta temporada deve começar a ser produzida ainda no meio deste ano. A novidade é que, segundo disse seu criador, Michael Hurwitz, durante um evento na semana passada, a série estreará todos os episódios de uma vez só, no mesmo dia, mudando completamente a nossa forma de relacionamento com os seriados como conhecemos até hoje. Faz sentido se você pensar que quem está produzindo a volta da série não uma emissora de TV, e sim o Netflix. Veja abaixo trechos da apresentação do elenco reunido mais uma vez, em um evento em Las Vegas:

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Gosto mais dessas músicas do que de “Contravento”, que já havia postado aqui.