National no Brasil
São Paulo já estava confirmado, e o Rio agora está querendo, pra quem se interessar. O vídeo acima eu fiz no show deles que eu fui em Lisboa, em 2008, na mesma viagem em que comecei a filmar shows…
São Paulo já estava confirmado, e o Rio agora está querendo, pra quem se interessar. O vídeo acima eu fiz no show deles que eu fui em Lisboa, em 2008, na mesma viagem em que comecei a filmar shows…
A Inker tá confirmando o Superchunk na Virada Cultural, do dia 14 para o dia 15 de maio desse ano. Vi eles em outubro, no aniversário de 21 anos da Matador em Las Vegas e eles foram a única banda que passou o próprio som, em vez de chamar roadies – como todas as outras, seja Sonic Youth, Yo La Tengo, Belle & Sebastian ou Jon Spencer Blues Explosion. E também não custa lembrar que o Superchunk é a banda dona da gravadora Merge, uma das principais gravadoras indies do mundo, que acaba de faturar o Grammy de Melhor Disco do Ano – porque, nos EUA, o Arcade Fire é da Merge. Ou seja: os caras podiam estar cuidando da grana e em vez disso tão vindo pro Brasil. Tru.
E se você, como eu, estava lá no final dos anos 90 e presenciou sua mega turnê pelo Brasil, um conselho: o show é um incrível flashback para aquela época, uma vez que a banda parece não envelhecer – o baterista Jon Wurster, parece que rejuvenesce, é bizarro. Aliás, Wurster também é humorista (e dos bons, também o vi em Vegas, apresentando uma das noites), não seria nada mal tentar uma apresentação dele em algum lugar, hein… São Paulo já está grandinha pra assistir a programas em inglês.
Clássica a turnê do Superchunk do fim dos anos 90, que passou pelo Rio, BH, São Paulo, Londrina, Piracicaba, São Bernardo, Recife e Brasília acho que Porto Alegre, pertencia a uma fase em que bandas gringas só vinham para o Brasil em grandes festivais – quando vinham. Na época, a Motor Music de Belo Horizonte agitava shows de bandas indies e alternativas norte-americanas e conseguia fazer giros pelo país que valesse a pena para os envolvidos. Como as bandas eram pequenas, sempre topavam. E o Superchunk foi a banda que inaugurou essa série de shows.
Naquele tempo o Trabalho Sujo era uma coluna de papel num jornal em Campinas e uma das brincadeiras que sempre fazia era mudar o logotipo da coluna. Como o Superchunk estava dando esse primeiro rolê pelo país, propus uma cobertura em várias cidades, com textos escritos por amigos meus e cujo logo do Sujo fosse “segurado” pela banda.
A foto é do Serjão. Que época, viu…
Showzaço, pra variar.
“I Can Change”
“All My Friends”
“Losing My Edge”
“Home”
Teria curtido mais se não tivessem me afanado meu celular. Poizé, em plena Pachá (e, não, não era um “anexo da Pachá”, era a própria Pachá disfarçada pra não queimar seu filme com aquele bando de hipsters ou pros hipsters transitarem tranquilos sem ter vergonha de estar na Pachá). E quando o segurança tá mais preocupado em ver se o seu cigarro tá aceso do que dar alguma satisfação sobre um furto dentro das dependências (a maioria só pode dar de ombros e soltar um risinho do tipo “fazer o que, né?”), só resta uma alternativa: nunca mais pisar num buraco desses.
Quinta-feira, quem vai? Acima, um dos vídeos que fez da apresentação da banda no Studio SP em 2009.
Achei bem morno esse show do Vampire Weekend desta terça. Teve neguinho indo ao delírio, a banda é boa, mas… falta alguma coisa. Os melhores momentos do show foram as músicas mais tranqüilas, os momentos micareta são muito quadrados, sem suíngue, quase uma quadrilha de festa junina de tão certinho. Eu acho que em uns dois anos eles engatam de vez. E quantas pessoas tinham na Via Funchal? Duas mil, três mil? Tava vaziaço…
Mas deixa eu botar um Chromeo pras coisas voltarem ao lugar.
Ebm B C# Ebm (x2)
Ebm B
Let me tell you that I saw your boyfriend walking down the street
C# Ebm
He was standing all shaky, hands all sweaty, and he could hardly speak
B
I might as well take a minute or two to put you on to some game
C# Ebm
You got a boy like him, a man like me, and that’s just not the same
Ebm
Never mind an SMS
B
What you need is a sweet caress
C#
Everybody wanna talk too much
Ebm
But what you need is a special touch
Ebm
Ooh girl wouldn’t that feel right
B
A little dinner with a candle light
C#
And really when it comes down to it
Ebm
Pick a man that’s down to fight
Ebm B
I’ll give you bonafied lovin O-o-o-oh
C# Ebm
The type that makes me feel old
Ebm B
I’ll give you bonafied lovin O-o-o-oh
C# Ebm
The type that makes me feel old
Ebm B C# Ebm (x4)
Ebm B
Let me tell you that I saw your boyfriend walking down the road
C# Ebm
He was standing all shook, couldn’t even look and I was extra cold
B
I might as well take a minute or two to talk about the perks
C#
Cuz he can’t compete with a man like me
Ebm
And that’s just how it works, look
Ebm
This comes as no surprise
B
What you need is an older guy
C#
With a little bit of life experience
Ebm
The right clothes and the right appearance
Ebm
Ooh girl wouldn’t that feel nice
B
Hot dinner with a candle light
C#
And really when it gets down to it
Ebm
Pick a man that’s down to fight
Ebm B
I’ll give you bonafied lovin O-o-o-oh
C# Ebm
The type that makes me feel old
Ebm B
I’ll give you bonafied lovin O-o-o-oh
C# Ebm
The type that makes me feel old
Ebm B C# Ebm (x4)
Ebm B
I’ll give you bonafied lovin
C# Ebm
The type that makes me feel old
Ebm B
I’ll give you bonafied lovin
C# Ebm
The type that makes me feel old
Ebm B C# Ebm (x4)
Ornette Coleman
27 e 28 de novembro de 2010
Sesc Pinheiros @ São Paulo
Nunca fui do jazz. Nasci entre os anos 60 e os 80, época em que o gênero degringolou para algo próximo do rótulo MPB no Brasil – aquela cerca feita para separar os adultos dos adolescentes – e, naturalmente, desandou para a chatice virtuose. Ao mesmo tempo, comecei a gostar de música numa época em que o rock havia se estabelecido comercialmente e a música pop havia atingido seu estado mais puro e perfeito, Abba, Madonna e Michael Jackson concretizando a profecia de Phil Spector. Fiquei completamente alheio ao jazz (ou “jás” como falavam os emepebistas) em meus anos de formação e só comecei a ouvi-lo com mais atenção graças ao formato digital: primeiro que permitiu o reempacotamento de discos difíceis de serem encontrados em deslumbrantes caixas de CD e depois graças à facilidade de contato com música antes inatingível, via conexões P2P online.
Foi através da rede que comecei a vasculhar os acervos das gravações de Miles Davis, John Coltrane e Charlie Parker, que já me haviam sido apresentados em box sets cheios de informações extras – faixas não utilizadas nos discos originais, fotos raras, textos e mais textos sobre os artistas em questão. E o que era apenas citado ou referido nos encartes – uma capa de disco, um artista citado quase casualmente – podia ser vasculhado online, nos anos em que o Napster ainda era legal (nos dois sentidos).
(Aliás, cabe um pequeno parêntese: quem hoje tem qualquer música de qualquer época do mundo à sua disposição com algumas poucas palavras-chave no Google não imagina como era difícil conhecer música antigamente. Era preciso estabelecer uma rede de contatos no exterior [sem email e com ligações internacionais caras pra cacete], ler míseras publicações sobre o tema [quantas eram as mais importante? Vinte?] que mal chegavam no Brasil ou viajar para o exterior para visitar lojas de discos, que, em outras eras, eram verdadeiros templos de consumo. Lembro do meu deslumbre em minha primeira viagem ao exterior ao encontrar, por exemplo, todos os discos do Velvet Underground relançados em CD, uma banda que, para mim, não passava de uma dezena de fotos, outra dezena de textos e uma fita cassete gravada pelo meu professor de história do segundo ano, o Serginho. Vocês não fazem idéia o que era ter de esperar mais de seis meses para ter alguma noção sobre como realmente soava uma banda cujo hype na Inglaterra ou em Nova York havia acabado de começar.)
E entre os inúmeros downloads que levavam horas para ser realizados (um disco durava o dobro de sua duração, em conexões boas, para ser baixado), um nome surgiu desumanamente sólido em minha frente: Ornette Coleman. Sempre deixava Miles ou Coltrane tocando no fundo de alguma situação que estava acontecendo, mas quando ouvi Something Else!!!! fui abalado fisicamente. Não era só Ornette – todos os músicos (Don Cherry no trompete, Walter Norris no piano, Don Payne no baixo e Billy Higgins na bateria) seguiam rumos particulares no meio da canção, para se reencontrar em uma determinada frase ou refrão, todos juntos, na mesma pegada. Um som tão forte e intenso quanto meus artistas favoritos por sua força e intensidade, mas ao mesmo tempo era elegante, moderno, apurado. E pesado. Não no sentido rock do adjetivo, mas no beatnik… Heavy stuff, man…
Depois que descobri que esse era o primeiro disco de Ornette como líder de uma banda, que ele trabalhava como ascensorista de uma loja de departamentos em Los Angeles e que escolheu músicos que conheceu nas redondezas, quase todos pós-adolescentes, como ele. Antes de saber de qualquer informação sobre o cara, não tive dúvidas: drenei tudo que tivesse a tag Ornette Coleman no meio e, por uns bons seis meses, passava horas e horas ouvindo-o demolir harmonia, melodia e ritmo com uma marreta cubista, liderando bandos de arruaceiros musicais que tocavam o terror em cima de melodias simples e compactas. E era uma audição freestyle: botava-o no shuffle e deixava-o correr pela madrugada, com ou sem fones de ouvido, sem distinguir, época, faixa, disco. Ornette Coleman era um colosso mitológico, cada fonograma de sua obra uma célula de um gigante fantástico, um lutador de boxe em escala bíblica.
Mas não fui com tanta sede ao pote nas duas apresentações de Coleman em São Paulo, no fim de semana. Por um simples motivo – sua idade. Em 2010, o velho Ornette crava seus 80 anos e era esperar demais que se entregasse a dezenas de minutos de demolição sonora no auge de sua vida. O clima nos dois dias era de reverência e ele não vinha apenas da platéia, entregue à grandiosidade da lenda, mas, principalmente, vinha do palco. A própria formação da banda já o colocava num novo patamar: Ornette, dois baixistas e um baterista. Tony Falanga pilotava o baixo acústico, que ganhava solenidade quando, com um arco, o transformava em um cello. Albert MacDowell, no baixo elétrico, também partia para o inesperado, fazendo seu instrumento soar como uma guitarra. Atrás, o filho de Ornette, Denardo, desenfreado, mexia-se sem parar na bateria apenas para soar minimamente em transe, num ritmo quase abstrato de tão quebrado.
À frente, Ornette, velhinho, caminhando devagar, quase sem conversar com o público e cochichando alguma programação no repertório, recostava-se numa banqueta e soprava seu sax – que, como esperado, pouca vezes atingia a intensidade dos velhos discos, levando toda apresentação para uma versão mais calma e mais compacta. Cada solo, por menor que fosse, era uma pequena viagem, um delírio zen, uma meditação palpável. Mas não estou falando em música calma e compacta, e sim destas qualidades associadas à música de Ornette Coleman, sempre imprevisível – a ponto de sacar um trompete ou um violino e continuar, em outro instrumento completamente diferente do seu, o discurso que vinha conduzindo no sax.
Cheguei atrasado no primeiro show e assisti tudo do alto do balcão, na última fila, e, apesar de ver os artistas à distância, manteve o mesmo impacto sonoro do que o show do domingo, que assisti a duas fileiras do palco. Neste, no entanto, aconteceu algo tão inusitado, que elevou a apresentação de culto religioso à pura magia. Ao fim de “Lonely Woman”, no tempo da bateria, cai a energia do teatro do Sesc Pinheiros – e acendem-se, imediatamente, as famigeradas luzes de emergência, atrás do público. Curto silêncio seguido de uma onda de murmúrios e cochichos, perguntando-se sobre a continuidade da noite, a infraestrutura da casa, um possível blecaute na cidade. Logo até as luzes de emergência se apagam e, no fundo, começamos a ouvir o tilintar do chimbau do baterista, seguido por uma linha de baixo que apresentava o sax de Ornette. Sem microfones, sem energia elétrica. A platéia entrou em êxtase por dez segundos e em seguida calou-se. “Dancing in Your Head” dançou em nossas cabeças sem que pudéssemos ver seus músicos, apenas a música solta no ar. E, no meio da música, voltam os microfones, um holofote encontra o baixista para depois achar Ornette e as luzes do palco voltarem a funcionar. Um desses momentos indescritíveis, em que a música torna-se intraduzível e a experiência ao vivo, única. Sem dizer uma palavra e com o acaso a seu favor, ele soprou sua força vital sem precisar de nada além de seu instrumento.
A energia acaba aos 4 minutos do vídeo
Ao final do segundo espetáculo, Ornette ainda se deu ao trabalho de cumprimentar o público do palco, fazendo surgir uma pequena multidão erguendo canetas e papéis para o velho boxeador autografar. E ele continuou ali, assinando papéizinhos e perguntando como se soletrava tal nome em português, por quase vinte minutos após o show.
Inacreditável.
(E se alguém quiser me ajudar dizendo quais os nomes das músicas que eu filme aí em cima, eu já agradeço de antemão)
Hallogallo 2010
Sesc Vila Mariana @ São Paulo
Terça-feira, 26 de novembro de 2010
“Hallogallo”
Durou quase uma hora e meia, mas pareceu menos de um segundo ou uma eternidade. Ao encarnar o robótico motorik no palco do Sesc Vila Mariana na terça-feira passada, o alemão Michael Rother parecia que iria levar o público para os anos 70 do krautrock, o influente rock psicodélico alemão de bandas como Can e Faust. Um dos protagonistas daquela cena, Rother era metade do Neu!, a dupla alemã que completava o Kraftwerk original no início daquela década, mas que, após romper com o núcleo-duro dos pais da eletrônica moderna (Ralf Hutter e Florian Schneider), resolveu seguir uma carreira própria. Formada apenas por Michael na guitarra e efeitos e Klaus Dinger na bateria, o Neu! não foi apenas uma das principais bandas deste período alemão como sintetizava sua essência rítmica em peças intermináveis que insistiam no mesmo ritmo, metronomômico, que seria associado eternamente ao gênero. E o pulso preciso e quadrado do krautrock, personificado essencialmente no Neu!, mas presente em todas as bandas deste período, talvez seja a principal contribuição musical daquela cena – o ritmo industrial e monótono como base para criações sonoras abstratas. É como se alguém tivesse tirado uma chapa do pulmão musical do século 20 e expusesse aqueles estranhos, mas calmos, padrões repetitivos como um mesmo fluxo sonoro – que pode ser alinhado ao próprio ritmo da vida…
“Karussell”
O problema é que o Neu! não durou muito tempo e gravou apenas três discos, no meio dos anos 70. Rother e Dinger tentaram uma volta nos anos 80, mas novas brigas fizeram o disco da segunda vinda ser arquivado e posteriormente pirateado. Desde então Rother insiste em voltar ou relançar o catálogo da banda, mas Dinger era categórico em não querer saber de nada do Neu!. O máximo que concedeu foi a autorização para o relançamento dos discos da banda, mas nada fora do que havia sido lançado originalmente, como Rother insistia.
“Neutronics 98”
Mas Dinger morreu há dois anos e Rother finalmente pode revirar a tumba do Neu!. A expedição arqueológica não apenas garantiu o relançamento de todo o catálogo do grupo em uma caixa cheia de extras, como garantiu a reencarnação ao vivo das músicas gravadas com o grupo. Para isso chamou o engenheiro de som Aaron Mullan, com quem trabalhou em uma apresentação de outra reencarnação vivida por Rother, o trio Harmonia, do qual fez parte após terminar o Neu!. Mullan também trabalhava com o Sonic Youth e imediatamente fez a conexão entre Rother e Steve Shelley, um baterista à altura do legado de Dinger, e assim os três deram vida ao projeto Hallogallo 2010, dedicado à obra de Rother no Neu!.
“Delux”
Há uma certa nobreza de Rother em não colocar seu nome no título da banda ao mesmo tempo em não querer dizer que o novo trio é uma reencarnação do Neu!. O grupo é batizado com o nome de uma das faixas mais emblemáticas do repertório associado à mitologia do original alemão, que batizou dois discos com o ano de seus lançamentos após o próprio nome. Mas ao mesmo tempo há um recorte específico sobre a obra do Neu! (nem todas as músicas são da banda, algumas são de seus discos com o Harmonia, umas de seus discos solo), pois foram escolhidos temas em que o baixo e a bateria seguram o ritmo de forma incessante, submetendo o público (repleto de artistas de música experimental da cidade) a um transe abstrato mas vivo, de fazer bater o pé ou balançar a cabeça. E isso era apenas um dos elementos do Neu! – a outra metade eram experimentações com velocidades de rotação e texturas sonoras, muitas delas com vocais. Esta segunda parte do Neu! ficou completamente de fora do show de terça passada.
Assim, o show em São Paulo primou pela presença dos convidados, uma cozinha segura e pesada, o baixo de Mullan sendo lentamente transformado em ritmo enquanto a bateria de Shelley alternava entre os pratos tocados com baquetas de ponta de feltro e o ritmo motorizado que logo mais conduzia as faixas. Quase todas elas começavam com Rother nos efeitos sonoros, manipulando texturas e microfonias até chegar a um ciclo específico de som, que dava margem para Shelley e Mullan determinarem o compasso dos próximos dez minutos. Dez minutos que pareciam ser meia hora ou um som eterno, que bate no pulsar da vida do planeta e que, por alguns instantes na semana passada, foram sintonizados eletricamente por dois nova-iorquinos e um alemão.
“Negativland”
Of Montreal – “Bunny Ain’t No Kind Of Rider” / “Gronlandic Edit”
É, o festival foi tudo isso mesmo. Não consegui ver o Hot Chip (que foi elogiadaço por vários que viram), mas peguei meu quarto show do Pavement esse ano, o melhor do festival disparado. Que guitarra é essa do Stephen Malkmus, dizaê. Depois do Pavement, a melhor apresentação foi o dedo na tomada do pop provocado pelo Girl Talk, que chamou vários conhecidos paulistanos para a algazarra no palco e salvou os que não suportaram a sessão de tortura chinesa que foi o show dos Smashing Pumpkins, uma das coisas mais constrangedoras que já vi num palco. O Phoenix também fez bonito e apesar de um meio de show paradão à toa (quando eles tocaram “Love Like a Sunset”) fez valer com o final apoteótico, quando o senhor Sofia Coppola repetiu seu velho truque de ser carregado pelas mãos do público ao final de “1901”. Não vi nem o Passion Pit e nem o Yeasayer inteiros, mas pelo que vi, são bandas em construção, crescendo ao vivo, ensaiando em público. Ambas têm hits e boa presença de palco, mas falta tutano, falta música. Mika é o showbusiness em pessoa, é inacreditável que ele não seja um nome tão grande a ponto de fechar um estádio apenas para si mesmo e ter de entrar num festival de rock alternativo. Por isso mesmo sua apresentação tem um quê de Glee, de High School Musical, de Cirque de Soleil do rock. “Não que tenha algo de errado com isso”, mas não é para o meu paladar. E o Of Montreal, grupo que vi logo que cheguei no festival, é o mais perto que o indie rock pode chegar do P-Funk, show de psicodelia de banda gringa mais foda no Brasil desde… o Mercury Rev em 2005, em Curitiba. E a estrutura e dimensões do festival, mais uma vez, corresponderam às expectativas. Mas primeiro vou subindo os vídeos e, se der tempo, comento mais tarde. Afinal, hoje tem o Paul.
Yeasayer – “O.N.E.”
Mika – “Love Today”
Passion Pit – “I’ve Got Your Number”
Phoenix – “Lisztomania”
Phoenix – “Long Distance Call”
Phoenix – “Rome”
Phoenix – “If I Ever Feel Better” / “1901”
E o momento que o vocalista do Phoenix nadou pela multidão
Pavement – “Gold Soundz” / “Grounded”
Pavement – “Date w/ IKEA” / “Unfair”
Pavement – “In the Mouth of a Desert”
Pavement – “Stop Breathing”
Pavement – “Box Elder” / “Range Life”
Girl Talk – “Down for the Count”
Girl Talk – “Makes me Wanna”
Dois dos momentos mais tocantes nos shows do Paul na Argentina: as duas homenagens feitas ao John e ao George.
Muito mestre.