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Pra quem perdeu o Gang of Four e o Miles Kane de graça no domingo no Parque


Miles Kane – “Better Left Invisible” / “Kingcrawler”


Miles Kane – “Hey Bulldog”


Miles Kane – “Inhaler”

Nem vou elogiar demais pra não parecer cabotino (afinal, a curadoria foi minha): mas o domingo no Parque da Independência, que reuniu os shows do 15º Festival da Cultura Inglesa, foi incrível. Dia lindaço, friozinho com sol, shows impecáveis, público apaixonado, show de graça, de dia, terminando às 20h. Só faltava o metrô ser do lado pra ser perfeito (um dia chegamos lá). Fiz videozinhos dos shows do Gang of Four e do Miles Kane pra quem deu mole e não pode ir…


Gang of Four – “You’ll Never Pay For The Farm”


Gang of Four – “Not Great Men”


Gang of Four – “I Parade Myself”


Gang of Four – “Paralysed” / “A Fruit Fly in the Beehive”


Gang of Four – “What We All Want”


Gang of Four – “Return the Gift”


Gang of Four – “To Hell With Poverty”


Gang of Four – “I Love a Man in An Uniform”


Gang of Four – “Natural’s Not In It”


Gang of Four – “He’d Send In The Army”


Gang of Four – “Damaged Goods”

E em “He’d Send In The Army”, em que Jon King destrói um microondas no palco, o Diego me filmou filmando.

Quando eu e o Jon (King, vocalista da banda) começamos, nos perguntávamos: ‘O que motiva as pessoas? O que as faz fazerem o que fazem?’. É claro que você pode resumir isso em apenas ‘economia’, mas não é só isso. As pessoas ainda estão fazendo as mesmas coisas que faziam no século passado, o marido ainda trazia o dinheiro para casa enquanto a mulher cuidava da comida e dos filhos. O mundo havia mudado, mas essas relações ainda não. Pelo contrário, elas haviam se tornado prisões: família, emprego, propriedade. As pessoas se prenderam nisso de uma forma que acham que isso é a vida delas.

Temos uma música chamada ‘Natural’s Not In It’ que fala exatamente sobre isso. Tudo aquilo que chamamos de “natural”, na verdade, é artificial, é criado pelo homem. Seja a sociedade, o conceito de justiça, de bom senso… Tudo isso é invenção humana, nada disso é natural. As idéias não são naturais. Qualquer uma delas, todas elas – são inventadas.

E não queríamos ser os portavozes da nova esquerda. Para isso, tiramos todas as referências de política de nossas letras e títulos – você vê os nomes das músicas e não diz que o conteúdo delas é política –, tudo que pudesse lembrar a política dos jornais tava fora. Não queríamos dizer ‘você está certo’, ‘você está errado’, ‘você é de esquerda’, ‘você é de direita’. Não queríamos nos separar das outras pessoas. Queríamos, sim, lembrar pra elas que, esquerda ou direita, estamos nesse barco juntos.

Mas a forma que você colocou é bem razoável. É isso: o Gang of Four não era uma banda de protesto, mas uma banda de crítica. Uma crítica à sociedade, à forma que vivemos, à música, ao rock, ao punk rock, às outras bandas, a nós mesmos. Era mais ou menos como o Situacionismo dos anos 60, não queríamos nos levar a sério, mas não queríamos só isso.

Trecho da entrevista que fiz com Andy Gill em 2006, que transformei em depoimento pra Bizz.

Como foi o show do Teenage Fanclub em São Paulo


Teenage Fanclub – “Start Again” / “Sometimes I Don’t Need To Believe In Anything”

Foi demais.


Teenage Fanclub – “Don’t Look Back”

Pra começar, elogios ao Whisky Festival que, mesmo com seu nome genérico que causava a estranha sensação de estarmos numa redoma de ficção (sabe aquelas novelas em que aparecem, sei lá, umas Lojas Magazine ou Banco Monetário?), fez bonito ao fazer pequeno – e mirar num público bem específico.


Teenage Fanclub – “Baby Lee”

O evento, barato para os padrões de shows internacionais em São Paulo, aconteceu na mesma The Week que assistiu a uma abarrotada apresentação do Franz Ferdinand em 2009. Mas além do Franz ser um nome muito maior do que o Teenage, o evento anterior (houve outro show de rock ali desde então?) também foi a festa de uma marca de bebida, que, ingressos liberados pra geral, fez a boate da Lapa parecer uma panela de pressão, de tanta gente espremida.


Teenage Fanclub – “About You”

Ou seja: podiam socar mais gente, mas preferiram uma lotação que, embora esgotada, passou longe do insuportável. E o fato da banda ser pequena ajudou essa configuração – e a determinar o público da noite. Pequena sim: o Teenage Fanclub em 2011 pode até ser considerada uma banda de média escala se levado em consideração seu passado fonográfico, mas em comparação com outras bandas de hoje em dia, seu alcance é bem restrito e isso fez que a noite de quarta da semana passada fosse focada num segmento bem específico, tanto em termos de gênero musical escolhido (indie rock) e faixa etária (30-40). Não parecia coincidência aquela quarta ter sido a mesma que viu o Milo Garage renascer na Pompéia, longe da pequena Minas Gerais que fez sua fama.


Teenage Fanclub – “Star Sign”

O festival ainda tinha um trunfo particular para meu gosto etílico: a única bebida à venda era o destilado que batizava a noite, para desespero dos cervejeiros. Mas numa noite em que o público-alvo não era “xovem”, beber uísque não foi propriamente um drama para os incautos. Não era o meu caso. E o evento ainda acertou na mosca ao distribuir água mineral, em vez de vendê-la pela metade do preço de uma dose de uísque, como acontece normalmente em São Paulo.


Teenage Fanclub – “I Don’t Want Control of You”

Assim, o público estava longe de uma massa de trendsetters e wannabes fazendo pose uns para os outros e se reconhecia como integrantes de uma tribo cuja identidade coletiva se perdeu no tempo – os indies dos anos 90, que tomavam partido entre Blur ou Oasis, Goo ou Dirty, Nirvana ou Primal Scream e que hoje se espremem entre o indie corporativo (pós-Strokes) e o hipster. E o Lucio, que estava discotecando antes do show começar, preferiu optar por hits de hoje em dia em vez de apelar para o passado (como fez à medida em que o show se aproximava), causando tédio e não expectativa no público que esperava o Teenage.


Teenage Fanclub – “Mellow Doubt”

Dito tudo isso, resta o show, que, mesmo encantando de forma hipnotizante o público presente, não teve o mesmo pique dos shows que fizeram no Brasil em 2004. É a idade batendo no grupo que batizou-se adolescente. Isso reduziu a marcha das músicas que mais empolgaram, mas caiu bem nas faixas mais recentes, em especial as da segunda década de atividade do grupo. Mas se o ritmo já não solta faíscas, isso é compensado com o carisma da banda, incomparável. E bastou passear por uns poucos hits para saber o território em que estava pisando, puxando coros em uníssono, provocando sorrisos largos e corpos sendo carregados em câmera lenta.


Teenage Fanclub – “Sparky’s Dream”

Durante pouco mais de uma hora, tínhamos voltado aos anos 90 – quando tudo parecia tão menos complicado, mais sincero e feliz.


Teenage Fanclub – “The Concept”

English soulboy


Jamie Lidell – “Another Day”

Bem bom o show do Jamie Lidell na quinta passada, na Clash, apesar do público mirrado. Fiz uns videozinhos, olha aí:


Jamie Lidell – “I Wanna Be Your Telephone”


Jamie Lidell – “You Got Me Up”


Jamie Lidell – “Multiply”

Marcelo Camelo e o Toque Dela ao vivo

Sesc Pompéia @ São Paulo
28 de abril de 2011


Marcelo Camelo – “Tudo Passa”

Depois do debate de ontem (que foi bem legal, depois comento aqui), corri para o Sesc Pompéia pegar o primeiro show de Marcelo Camelo desde… (ele mesmo demorou pra lembrar antes de falar “setembro de”) 2009.


Marcelo Camelo – “Vermelho”

Foi um bom show, com Marcelo bem à vontade para, inclusive, cantar suas músicas dos Los Hermanos com tanta naturalidade e tranquilidade quanto as do disco novo. Não é propriamente um show envolvente – há uma distância de olhar na preguiça de sua performance que sorri para o público em vez de se jogar na emoção, nada que comprometa a apresentação, no entanto. Essa separação entre o artista e seu público diminui claramente nos momentos em que Marcelo surge sozinho no palco, sem o Hurtmold, e pede para o público cantar sozinho enquanto ele apenas toca.


Marcelo Camelo – “A Outra”

Nada relacionado ao Hurtmold, que deixa seu transe jazzístico em segundo plano para se portar perfeitamente como banda de apoio, funcionando como se pudessem traduzir Jack Johnson para o paulistanês ou como se o instrumental de Lulu Santos fosse orgânico como os Novos Baianos. Em momento algum nenhum músico se destaca, todos trabalhando para deixar Camelo bem à vontade – tanto musicalmente quanto no holofote.


Marcelo Camelo – “Vida Doce”

Do meu lado, enquanto filmava, Mallu assistia ao show no canto do palco. Mas seu olhar não era de idolatria, mas de orgulho. Estou esperando tanto esse terceiro disco dela…


Marcelo Camelo e Vanessa da Mata – “Samba a Dois”

O grande momento do show veio ao final, quando Camelo intimou Vanessa da Mata para o palco, quando os dois cantaram a música que abre o Bloco do Eu Sozinho Ventura. Foi um dueto informal, íntimo e familiar, mas me bateu uma estranha sensação de que talvez possamos rever essa cena (com essa mesma música, talvez) nos próximos 10, 20 anos…


Marcelo Camelo – “Acostumar”

E adorei o comportamento do público. Pensei que iria assistir à mais um espetáculo de idolatria típico dos shows dos Hermanos, mas, bem próximo do ídolo (regalias do palco da choperia do Sesc), os fãs de Camelo não se exaltavam… demais. Claro que todo mundo cantou todas as músicas juntos, que o silêncio reinava quando Camelo tocava pianinho e as palmas e os gritos explodiam quando ele as autorizava, mas nada de meninas chorando, um ou outro grito de “lindo!” soltado mais com ironia do que por fanatismo, mas havia uma sensação de familiaridade e reencontro que desce alguns degraus da esfera mega que os Hermanos habitava – um nível de intimidade que Amarante conseguiu logo que começou os ensaios do Little Joy e que, só agora, Marcelo consegue habitar. Talvez também seja culpa da maturidade dos fas que, dez anos depois de “Anna Júlia”, já estão mais comedidos e menos adolescentes…

Mulatu inzoneiro

E por falar em shows que assisti, filmei e não tive tempo de comentar aqui, seguem dois registros da apresentação do Mulatu Astatke em São Paulo. No vídeo de cima (“Yekermo Sew”) até consegui manter um mínimo enquadramento, já o de baixo (da clássica ) vale mais pelo registro do áudio – que conta com a participação do rapper Talib Kweli – do que pelo do vídeo (praticamente inexistente). E que showzão foi esse, viu…

O título do post eu surrupiei do Ramiro.

Falando na Lurdez…


“Meu Mundo Numa Quadra” / “Ziriguidum”


“Corrente de Água Doce” / “Mais Tarde”

Esqueci de postar aqui os vídeos que fiz do show que ela fez em fevereiro deste ano, ali na choperia do Sesc Pompéia. É impressionante ver como Lurdez conseguiu crescer – e bem – ao assumir uma inesperada carreira solo. Seu disco do ano passado é um dos grandes lançamentos do Brasil e no show que filmei deu para perceber que ela está cada vez mais à vontade com a personalidade livre, explorando tanto seu lado marrento quanto uma bem-vinda doçura e delicadeza feminina que, mesmo quando agressiva, não tinha tanto espaço no Mamelo Soundsystem. Enquanto isso, Brandão brinca de jazz com o Maurício Takara, o que me deixa bastante curioso em relação a um próximo disco do Mamelo. Serious shit.

No mesmo show que o da Lulina, assisti à apresentação dos soteropolitanos do Baiana System, uma banda prontinha, cozida na medida, mas cuja sonoridade já foi assimilada há uns cinco anos – pertencem ao mesmo universo de groove que os Seletores de Freqüência, o Instituto e a Nação Zumbi, trazendo um elemento crucial para sua personalidade musica: a guitarra baiana. Mas é questão de tempo para que descubrram um diferencial que afete todo a sonoridade do grupo, que não seja personalizado em um instrumento só. Mas isso também é questão de tempo e o grau de maturidade do grupo no palco prova que, em pouco tempo, sua assinatura musical poderá independer de um determinado timbre.


“Oxe Como Era Doce”


“Systema Fobica (Ubaranamaralina)”

De volta ao velho Galaxie 500

Outro show incrível foi o de sexta passada que, com a mesma banda que visitou os screentests de Andy Warhol capitaneada pelo casal Dean & Britta, homenageou a banda original de Dean, o Galaxie 500. Foi um show autenticamente emotivo, solene e intenso – como era o velho G500. E a proximidade entre público e palco oferecida na Choperia do Sesc Pompéia fez que músicos e fãs pudessem estar sintonizados na mesma freqüência. Filmei algumas músicas – e meu vídeo favorito é o de “Night Nurse”, por motivos pessoais.


“Temperature’s Rising”


“Decomposing Trees”


“Strange”


“Tugboat”


“Listen the Snow is Falling”


“4th of July”


“Moon Palace”


“Night Nurse”


“Ceremony”

Dean Wareham e Britta Philips tocando para Andy Warhol

O show de ontem foi lindo.


“Richard Rheem” / “Ann Buchanan” / “Teenage Lightning and Lonely Highways”


“It Don’t Rain on Beverly Hills”


“Herringbone Tweed” / “I Found it Not So”


“I’ll Keep it With Mine”


“Eyes in My Smoke”


“I’m Not a Young Man Anymore”


“Knives From Bavaria”


“Tiger Lily”

E hoje, quem vai?

Os vídeos de ontem

Falei que ia fazer uns vídeos ontem, olha eles aí. Consegui filmar todas as músicas, menos minha participação (por motivos óbvios, ainda não aprendi a mediar um debate e me autofilmar ao mesmo tempo), mas já já elas aparecem por aí. Os vídeos vão aparecendo exatamente na ordem da noite…


…que começou com o Emicida rimando sem acompanhamento, só na moral…


…continuou com o Takara, o nosso Baden Powell, quebrando tudo sozinho…


…depois PB e Maurício Fleury caíram prum delírio kraut…


…e foram acompanhados pelo Guizado e foram pruma base instrumental que começou electro e caiu pro jazz…


…para depois tocarem “Maya”, do primeiro disco do Gui…


…depois Blubell subiu no palco e cantou sua “Good Hearted Woman”…


…e no final Bruno Morais desenterrou “Morte da Sandália de Couro”, do Bebeto, para encerrar a noite. Não filmei a participação do Zegon, porque seu equipamento só chegou ao final, quando rolou uma jam session com todo mundo e a bateria da minha câmera foi para o saco junto com a minha vontade de fazer uma social. Foi demais, quem foi sabe.

Marginals + Thomas Rohrer

Baixei quarta passada no +Soma e esses tais Marginals estavam tocando: jazzeira pesada com o Thiago França, que também toca sax e flauta na banda de Lurdez (até filmei o show dela, preciso postar aqui), o Marcelo Cabral no contrabaixo acústico e o Tony Gordin (irmão do Lanny) na bateria. O show tinha um público pequeno (quarta-feira, chuva ameaçando, free jazz), mas isso não impediu os caras se soltarem perdidos rumo a fronteiras sônicas desconhecidas, em improvisos de temas que não têm título. O show faz parte de uma temporada que sempre traz um convidado para a banda e o dessa semana foi o músico Thomas Rohrer, que, com sua rabeca, ajudou o trio a desbravar o desconhecido. O som dos vídeos tá baixinho (o segundo em especial começa quase mudo, só com o baixo), mas vale ver.