Trabalho Sujo - Home

Os Marginals endiabrados e a música nova da Tulipa

Fui ontem no Sesc Pompéia ver o primeiro dia do Nublu Festival com duas expectativas: ver o show do Marginals e ouvir a música nova da Tulipa, que o Ronaldo já havia cantado a bola no blog dele. Estava com uma certa pulga atrás da orelha em relação à participação do Rodrigo Brandão no show dos Marginals – afinal, o próprio já tinha me falado na terça que estava tenso em relação ao show porque os Marginals não ensaiam. E, realmente, não acho que tenha funcionado direito – principalmente pela sensação de que Rodrigo parecia estar sobrando do transe endiabrado que o grupo submeteu o público que lotou a choperia.


Marginals + Rodrigo Brandão – “Sem Título”

Eles estavam infernais – no melhor sentido do termo – e o calor quase sólido que esquentava a casa ajudava no clima pesado da jam. Thiago França, devidamente caracterizado de beduíno, alternava-se entre a flauta transversal, o sax e a própria voz como instrumento, manipulando-os com pedais espalhados ao chão, como também fazia Marcelo Cabral, que até tirou o arco certa feita para deixar seu baixo acústico harmonizar. Tony Gordin, na bateria, dava o clima para as viagens dos dois, mas manteve-se mais contido que o normal, talvez para marcar mais o ritmo e facilitar para as rimas de Brandão.


Marginals- “Sem Título”

Já o Wax Poetic eu acho bem chato – parece um sub-Morcheeba sem carisma e nenhum hit conhecido. Só vale por terem dado espaço para Tulipa apresentar sua nova música, além da banda ter encarado (ponto pra eles) um dos hits dela – “Brocal Dourado” – com o arranjo original.


Wax Poetic + Tulipa Ruiz – “Brocal Dourado” / “Assim”

Ogi no Prata da Casa 2012

Bem foda o primeiro show da temporada 2012 do Prata da Casa. A casa cheia combinou com a lua cheia e Ogi aproveitou a oportunidade para apresentar o trabalho de dos compadres MCs que subiram ao palco com ele (Henrick Fuentes e sua “Chave de Cadeia” e James Ventura com sua “O Rap É Fato”), além de, claro, desfilar suas Crônicas da Cidade Cinza. Filmei uns trechos do show: o video logo abaixo resume o final da noite e os que vêm logo depois têm trechos do começo.

E lembra que semana que vem tem o Cícero, hein!


Ogi – “Noite Fria” / “Talarico” / “A Vaga” / “Profissão Perigo”

 

“People don’t dance no more…”

Rapture
Cine Joia @ São Paulo
25 de janeiro de 2012


“House of Jealous Lovers”

Que show foda foi esse do Rapture, no dia do aniversário de São Paulo. Nem o calor e o som (ainda) embolado do Cine Joia foram suficientes para apagar o excesso de adrenalina feliz que a banda nova-iorquina injetou num público naturalmente empolgado, mostrando que a evolução de clone do Cure rumo a uma abordagem mais séria da dance music erguessem a banda a um posto como uma espécie de reserva do LCD Soundsystem na seleção deste novo rock do século 21. Não é pouco.

Ainda mais quando se leva em consideração que um dos integrantes toca sax – e caminha pelo palco tocando o sax, como num clipe dos anos 80 (faltou o keytar, mas tudo bem). E quando os quatro colocaram para funcionar músicas que não foram feitas para a pista – “Sail Away”, “Children”, “Come Back to Me”, “Never Die Again” e a faixa-título do terceiro álbum da banda, In The Grace of Your Love -, o show voltava a ser uma apresentação de rock moderno, sem os clichês ou chavões que a tempos contaminam a versão tradicional do gênero. Até os ecos de Cure ressurgiam nos timbres de guitarra ou nas linhas de baixo, mas bem diluídos pelos beats que deram o tom da noite.

Mas houve momentos em que público e banda se envolviam num uníssono de vozes e energia, que tornaram o show memorável – como em “House of Jealous Lovers”, “Get Myself Into It”, “W.A.Y.U.H.” e “How Deep is Your Love”, esta última estrategicamente tocada no final de forma a deixar claro sua função na atual fase da banda. O resultado foi um público fatigado e sorridente, suado e sem acreditar direito no que havia acabado de acontecer no palco. E ao ver os rostos dos músicos, a impressão era que havia reciprocidade no sentimento. Imagina isso no Rio…

Abaixo, alguns vídeos que fiz do show:

 

Portishead na Argentina e Morrissey no Chile: 2012 tá foda

Os boatos estão correndo soltos: o show seria no dia 7 de maio, no Luna Park. E com a história de que o Morrissey tá vindo pro Chile na mesma época, não duvide que os dois desembarquem por aqui no Brasil… Eu vi o Portishead ano passado e talvez seja o único show que rivalize com o do Radiohead no quesito “show mais importante do mundo hoje em dia”.


Portishead – “Wandering Star”

Além desses dois, tem mais vídeos que eu fiz aqui.


Portishead – “Over”

O Morrissey eu já vi ao vivo nos anos 90, não me apetece, não vou com a cara da carreira solo dele. Se ainda fosse o tal revival dos Smiths…

Criolo + Emicida e a história do rap nacional

O primeiro grande momento de 2012
Sesc Pompéia @ São Paulo
5 de janeiro de 2012

Showzaço do Criolo com o Emicida no Sesc Pompéia nesse fim de semana, com a banda do Criolo – regida pelo Ganjaman – servindo de base para o encontro dos dois principais nomes do rap nacional atualmente. Velhos de guerra, os dois dominaram os dois últimos anos desbravando novas fronteiras para o velho gênero – que, por mais que já tenha seu quarto de século de vida, ainda está preso ao estigma da periferia e no estereótipo paulistano do gênero. Embora tanto Criolo quanto Emicida não neguem suas origens (não é este o ponto), eles impulsionam o diálogo da cultura hip hop para frente, para o alto e além, puxando novos ouvintes para a cena e fazendo questão de ter assento no conselho de segurança da música brasileira, exigência que já deveria ter sido feita há pelo menos dez anos.

Daí a importância do encontro que não foi propriamente um encontro, mas uma seqüência alternada de músicas de cada um dos dois, com o outro por vezes dando o ar de sua graça, quando não ficava, em geral, na posição de backing vocal. Meu excesso de expectativa talvez esperasse Emicida rimando sobre “Não Existe Amor em SP” ou Criolo cantando o refrão de “A Cada Vento”, mas a primeira parte do show foi basicamente um revezamento dos talentos de ambos, passando por seus principais hits. Confesso minha empatia maior por Emicida – seu flow é equivalente à sua presença de palco e ele não parece ser muito diferente dentro e fora de cena. Já Criolo parece assumir um personagem, que dança esquisito e faz poses e caretas. Há quem diga que aí reside parte de seu carisma (a outra vem inegavelmente quando ele canta e conversa com o público), mas, comigo, não bateu.


Emicida + Criolo – “Fogo na Bomba” / “Tik Tak” / “Sr. Tempo Bom” / “Os Mano e As Mina” / “Capítulo 4 Versículo 3” / “UBC” / “Pule ou Empurre” / “Sou Negrão” / “Rap é Compromisso”

Num show surpreendetemente longo, o groove foi comendo lentamente, com todos os músicos trabalhando para não se superporem ao vocalista. Mas as coisas desequilibraram mesmo a partir da segunda parte do show, quando os dois passaram ao centro do palco continuamente, chamando outros vocalistas convidados (os dobras de Criolo e Emicida, Dandã e Rael da Rima, respectivamente, além de Juçara Marçal) para o meio da roda e, finalmente, emendar uma seqüência inacreditável de clássicos do rap brasileiro, recapitulando a história do gênero dos Doctors MC’s ao Sabotage, passando pelos Racionais, RPW, Thaíde & DJ Hum, SNJ, Xis e Rappin Hood, no primeiro grande momento musical de 2012. Showzaço.

Tem mais vídeos que eu fiz do show aí embaixo:

 

O fim do Sonic Youth

Eis que o show do SWU foi mesmo o último da banda. Pelo menos de sua biografia oficial. Lee Ranaldo, na Rolling Stone:

You just came back from a tour of South America with Sonic Youth and as you said, Kim and Thurston just recently broke up. How did that affect that tour? Was it something that had been going on for a while, or was this a sudden thing for you?
Well, it’s not as sudden for me as it’s been in terms of the press and what not. Actually, the tour went really well. It really didn’t affect it all that much. It was a pretty good tour overall. I mean, there was a little bit of tiptoeing around and some different situations with the traveling– you know, they’re not sharing a room anymore or anything like that. I would say in general the shows went really well. It kind of remains to be seen at this point what happens to the future. I think they are certainly the last shows for a while and I guess I’d just leave it at that.

Are you optimistic about the future of the band?
I’m feeling optimistic about the future no matter what happens at this point. I mean, every band runs its course. We’ve been together way longer than any of us ever imagined would happen and it’s been for the most part an incredibly pleasurable ride. There’s still a lot of stuff we’re going to continue to do. There’s tons and tons of archival projects and things like that that are still going on, so there are so many ways in which we are tied to each other for the future both musically and in other ways. I’m just happy right now to let the future take its course and I guess I’m kind of thankful that I’ve got this other project that kind of came about on its own. It wasn’t kind of like, well, “Oh the band is ending for a while and I’ve got to figure out what to do.” It kind of naturally happened in the course of things so that was a nice way for that to come about. I played my first show the day after Kim and Thurston announced [their separation.] That was completely weird.

Quem assistiu ao último show dos caras?