Rosie & Me x Hot Chip
Roseanne postou um spoiler no Instagram, avisando que a versão em estúdio que o Rosie & Me fez para “Ready for the Floor” do Hot Chip está a caminho. Quem foi no show deles no Prata da Casa, ouviu:
Roseanne postou um spoiler no Instagram, avisando que a versão em estúdio que o Rosie & Me fez para “Ready for the Floor” do Hot Chip está a caminho. Quem foi no show deles no Prata da Casa, ouviu:
A Flávia me mandou esse vídeo que reflete bem o clima e a vibração no festival da Cultura Inglesa, que rolou domingo passado no Parque da Independência. Olha que incrível:
O outro abaixo eu fiz no comecinho de “Do You Want To”, quando tiraram os fotógrafos do fosso depois da tradicional permissão para filmar as primeiras músicas.
Quem conseguiu chegar no Parque cedo até pode ter pegado fila, mas entrou e teve um domingo sensacional. O caos do lado de fora (deu no NME) é reflexo da forma como a polícia de São Paulo tem tratado eventos em locais públicos (que o Camilo tão bem abordou em um post no Bate-Estaca) e se há algo a lamentar é isso. Mas de qualquer forma, queria saber a opinião de quem foi – não de quem ficou no Twitter ou no Facebook acompanhando apenas por hashtags e hipérboles. Queria juntar os comentários todos num só post, por isso comentem aqui (onde também tem o vídeo com as tais primeiras três músicas do show dos caras, uma delas do disco novo, que sai em breve).
Já já eu falo mais sobre ontem… Por enquanto, deixo uns vídeos:
Tem mais aqui. E você, foi? Não foi? Que achou?
Rapaz, o que será que vem por aí…
Vi aqui.
É, parece que o clipe de “Carlos Marighella”, com produção do DJ Cia, vem aí. Filmei a música no último show que vi dos caras.
…tão pouco tempo pra escrever. Vi Racionais, Céu, Quarto Negro e Silva nos últimos dias, além de estar presente nos dois dias do Sónar em São Paulo, mas me falta tempo pra escrever sobre os shows (embora os vídeos que fiz já estejam todos no ar, para quem quiser assistir – tou colando uns aí embaixo). Enquanto não escrevo, linko a resenha que o Camilo fez para o ótimo festival do fim de semana, além dos textos que o Bruno fez sobre os shows do Sónar que conseguiu levar para o Circo Voador via Queremos (Mogwai, Little Dragon, James Blake e Chromeo). O Lucas também comentou sobre o show do James Blake (que perdi :-/).
Essa semana não teve Prata da Casa (foi mal, esqueci de avisar), mas semana que vem o projeto do Sesc cuja curadoria está na minha mão por todo 2012 volta com o show do Quarto Negro. Mas não custa recapitular o que rolou nas últimas semanas. O Tibless veio de Minas com um soul meio R&B e uma banda azeitadíssima…
Tibless – “Saudade Do Cê”
…mas aí, em dado momento do show, ele liga o modo afro beat.
Tibless – “Water No Get Enemy”
Boa surpresa.
E na semana passada o palco do Prata recebeu a banda Rosie & Me, primeira vez que vejo o trabalho de Roseanne ao vivo. Muito à vontade, ela brincou com o público e foi da guitarra semiacústica ao violão ao banjo sem perder o rebolado de sua música, sempre entre o folk e o indie pop. A surpresa do show foi a versão que o grupo fez para “Ready for the Floor”, do Hot Chip, que será lançada oficialmente no mês que vem. Abaixo, além do vídeo para a o cover, outros registros que fiz do show da banda de Curitiba.
Rosie & Me – “Ready for the Floor”
Eu realmente não esperava que o show solo do Thurston Moore fosse tão foda. Fui tanto por motivos afetivos (sou fã do Sonic Youth) como por ter gostado de seu disco solo mais recente, Demolished Thoughts, do ano passado. Já havia sido alertado pelo Mini que ele não estava tocando o single “Benediction” nos shows, uma das músicas mais bonitas do disco novo, e confesso ter lamentado por antecipação a ausência da música. Mas foi só Thurston subir ao palco para mostrar que não iria incursionar apenas pela veia acústica do disco em turnê, apesar de empunhar o violão – elétrico – por quase todo o show. Thurston passou por todo o imaginário de sua banda nativa, indo desde a reverência ao Velvet Underground (impossível dissociar o violino da baixista Samara Lubelski da viola elétrica de John Cale, nos momentos em que a banda ia para as vias de fato) à iconoclastia indie ao transformar “(I Know) It’s Only Rock’n’Roll (But I Like It)” dos Stones em música menor, sem o desprezo fake do original. Brincou com o público, fez piadas infames, se comportou como o pós-adolescente eterno que sempre vai ser, com seus quase dois metros de altura, e mostrou a que veio logo no início do show, quando transformou a segunda parte de “Orchard Street” em uma nuvem de microfonia espessa e sem melodia, apenas o zumbido permanente que prevaleceu por toda a noite, mesmo quando tocava apenas ao violão. Uma noite memorável, como você pode ver nos vídeos abaixo.
Thurston Moore – “Orchard Street”
Ah sim: vale mencionar que a acústica do Cine Jóia melhorou. Um pouco.
Quando vi que Foo Fighters e Arctic Monkeys seriam os principais nomes do Lollapalooza brasileiro, me bateu um sossego – poderia perder tranquilamente o festival. Ao assistir ao show dos Foo Fighters no primeiro dia do festival, ao vivo pela TV, o mesmo sossego transformou-se em desconforto – não só vinha a consciência de que os Foo Fighters haviam deixado de ser uma banda promissora para se tornar a maior banda emo do mundo (não que haa algum problema nisso), como Dave Grohl esqueceu-se de cantar, transformando-se em uma sirene de garganta que berra por todas as músicas e toca-as sempre em velocidade acelerada, como se estivesse com pressa de terminar o show. Ao vê-lo destruindo a própria “Big Me” ao tocá-la quase no dobro de sua velocidade original, mudei para outro canal em que pude assistir a um longo show do Cure da metade da década passada. Ao mesmo tempo lia mensagens e atualizações de status que reclamavam do perrengue antes, durante e depois do show. Os motivos eram os de sempre: filas, preços, qualidade do serviço, som baixo, telão pequeno, multidão, demora pra conseguir sair do lugar, etc. Defeitos e destratos que infelizmente se tornaram inerentes a qualquer grande evento no Brasil.
Mas no dia seguinte tinha os Arctic Monkeys, que não são propriamente uma banda favorita ou querida, mas pelos quais tenho um tremendo respeito. Mais especificamente em relação a Alex Turner, o dono do grupo, que é um cara que veremos pelos próximos 20, 30 anos mantendo a mesma qualidade e eficácia na produção de canções memoráveis. Dá até para arriscar que os Monkeys são melhores que os Strokes, a maior banda desta geração, pois o conjunto da obra dos ingleses é mais consistente que a discografia dos nova-iorquinos. Os últimos desempatam no quesito coletânea de hits – e muito pelo fato dos Strokes serem pioneiros de uma época em que o rock tinha ficado em segundo plano, fazendo que boa de suas canções venha com forte carga afetiva. Mas basta lembrar do show dos Strokes no último Planeta Terra – por melhor que ele tenha sido, não dá para dissociar aquela apresentação de uma reunião de banda antiga, um revival, uma versão (bem) melhorada da volta do Guns’N’Roses em 2001. Aos doze anos de idade, os Strokes já estão em sua fase Las Vegas. Bem diferente do que aconteceu com os Arctic Monkeys. Tive de conferir.
E logo mais me vi andando pela areia da pista de corrida do Jóquei paulistano rumo ao palco em que os ingleses iriam se apresentar. Cheguei tarde e perdi o MGMT, portanto bastava achar um lugar bom para ver o Foster the People e esperar um pouco mais para assistir aos Monkeys.
Tão esquecível quanto divertido, o Foster the People fez um show muito superior ao que poderia se imaginar de uma banda de sua estatura, vencedor da categoria “revelação” do indie rock do ano passado, com os dois pés na pista de dança. Em 2012, esses adjetivos tornam qualquer artista em menos do que uma nota de rodapé, mas o fato é que guardaram seus três (quatro?) hits para o final do show e, goste ou não, “Pumped Up Kicks” funciona muito bem no palco, ainda mais com uma gracinha que sublinha o aspecto dance music da canção, ao turbiná-la de repente, com muita ênfase no grave.
Foster the People – “Pumped Up Kicks”
Já o Arctic Monkeys não teve a menor dificuldade para dominar o final do evento. Como os Foo Fighters, eles também são heróis de uma geração muito nova, com menos de 20 anos, que sabem cantar todas suas músicas – e cantam aos berros. O que muda é a dimensão. Os Monkeys não são uma banda de primeiro escalão, uma banda de estádio, power rock, que domina sozinha uma multidão de dezenas de milhares. Mas caminham para isso (se isso ainda continuar existindo) – e a passos firmes. Seu fiel da balança é inevitavelmente seu principal nome, o guitarrista e vocalista Alex Turner, que aos poucos encarna uma mistura de Elvis Presley com Dorian Grey puxando o espírito norte-americano do rock’n’roll – aquele que se mistura com a caipirice do rockabilly de Jerry Lee Lewis e à melancolia dos falsetes de Roy Orbinson – para o sotaque do norte da Inglaterra. Eles talvez sejam a banda de rock mais importante do mundo hoje (com o Franz Ferdinand como seu grande rival nessa categoria) – rock enquanto gênero musical, não sinônimo de música pop. Estou falando de country com blues, baixo, guitarra e bateria, um gênero que começa com Elvis nos anos 50 e começa a perder sua importância depois que Kurt Cobain se matou e o Radiohead o tornou obsoleto de vez.
Nesse território os Monkeys não deixam a bola cair em momento algum (no máximo na chata “Brick by Brick”, mas tudo bem, é a música cantada pelo baterista) e Turner protagoniza um espetáculo de sonoridade essencialmente crua, onde a dinâmica entre as guitarras é conduzida a partir de seu instrumento, que rege o resto do grupo. Seu canto falado e mascado caminha com malemolência sobre riffs ponteagudos e refrões populistas. Ele joga para a galera – e a galera adora. Mas nunca é piegas, nunca é emotivo ou faz gracinhas bobalhonas. Sua rigidez como band leader é parente de sua própria música e não faz concessões. Melhor pra todo mundo.
Findo o show, vale frisar que a organização do festival até conseguiu dar melhor vazão ao público, à exceção, claro, da já costumeira ausência de táxis à saída do evento. Mais à frente, outro problema típico paulistano – embora o festival tivesse sido realizado a menos de um quilômetro de uma estação de metrô (quase um milagre quando se pensa na vida cultural de valets e estacionamentos a R$ 50 da vida cultural de São Paulo), o público se acotovelava para entrar na marra, exigindo que policiais tivessem que fechar o portão de entrada para que a massa não se espremesse de vez rumo aos vagões. A confusão teve direito a xingamentos coletivos, portão aberto na marra e cacetetes exibidos como intimação – e isso tudo levando em conta que o público era formado por indies pós-adolescentes com uma imensa quantidade de meninas. Não era um show de hardcore ou um jogo de futebol. Mesmo assim, uma confusão desnecessária – que inevitavelmente trouxe o bordao “quero ver na Copa” repetido entre resmungos, quase como um mantra. Final desnecessário para uma boa noite.
Abaixo, os vídeos que fiz dos dois shows: