Tricampeão!

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Opa, saiu o resultado da votação dos melhores do ano do Scream & Yell e adivinha quem foi escolhido como o melhor blog do ano pelo terceiro ano consecutivo? É, poizé…

Os anos 10

A era da inocência?

E aí, como foi a virada, tudo certo? Os amigos, os amores, a família… tudo direitinho? Comigo, tudo ótimo – descansado, pronto pra nova década. Fechei ontem uma série de posts que deixei programados desde que saí de folga (que deram uma geral tanto nas 300 melhores músicas da década quanto nos 100 melhores discos dos anos 00), antes do natal, e gostei tanto desse papo de lista da década que emendarei este ano com mais uma outra: os 300 maiores nomes de nossos anos 00. Começou com uma lista dos artistas mais importantes (entre bandas, músicos e intérpretes), mas quando eu cheguei â conclusão de que Britney Spears era o nome mais importante da música destes dez anos, vi que tinha algo faltando. Britney passava, fácil, mestres como Daft Punk, LCD Soundsystem e Radiohead em importância, onipresença e constante reinvenção da própria personalidade – imagine um David Bowie sem alma, que sabe que é um personagem inventado por alguém. Aí depois lembre-se que este mesmo personagem – vazio, – protagoniza mais hits do que outros grandes nomes no quesito musical (como Strokes ou Amy Winehouse, para ficar em dois exemplos populares), músicas que traduzem bem a época em que vivemos: da sensualidade como parâmetro de status, de uma dance music que finalmente vê o hip hop diluindo-se na música eletrônica, de uma cobertura de celebridades que é o maior reality show da história da TV.


Britney Spears: artista da década?

Mas o fato de Britney Spears reinar solitária como principal artista musical da década é sintomático de outra característica desta década – a de como os valores de importância sentimental da cultura pop mudaram drasticamente. Ao mesmo tempo em que a internet tornou-se mainstream, música e cinema foram perdendo a importância em captar o imaginário coletivo mundial devido primeiro ao fato dos meios de produção e de divulgação terem se multiplicado em potências nunca vistas (criando uma quantidade gigantesca de novos artistas) e depois pelo fato do lucro de suas indústrias ter desabado graças ao download ilegal e irrestrito de discos e filmes. Na paralela, a televisão ganhou audiência planetária e assumiu uma maturidade que já vinha ensaiando na década anterior – e seriados ganharam uma importância inédita no cenário pop da década, em muito caso mais importantes que filmes de autores consagrados. A explosão dos reality shows veio acompanhada pela abertura do interesse por nichos recém-chegados à escala planetária (moda, gastronomia, decoração, turismo e até ciência tiveram dezenas de novos popstars apresentados ao público na década passada). O elemento de autopublicação da internet também permitiu um aparecimento de um novo tipo de artista, que, em vez de ser “descoberto”, ele mesmo se apresenta para o público. Complete isso com o refinamento e a complexidade que tanto os quadrinhos quanto os games, ambos em plena maturidade (como a própria televisão), inventando seus anos 60, atingiram nos últimos dez anos e você tem uma escala de valores virada do avesso, se compararmos com décadas anteriores.




Games, TV e quadrinhos: plena maturidade

Tudo isso para reunir numa mesma enorme lista nomes contemporâneos que são importantes para quem eu imagino que seja meu leitor. Você já deve ter percebido que o assunto do Trabalho Sujo não é música, nem cinema, nem modas da internet, quadrinhos, games ou minha própria vida. São só coisas que eu acho legais – simples assim. Me sinto confortável no papel de ímã deste tipo de informação – coisas legais – e diariamente sou bombardeado por amigos, leitores e desconhecidos com links de notícias, vídeos, discos e sites para coisas que estes acham que eu poderia achar legal. Eu bem podia só ficar recebendo isso, desfrutando estas novidades solitário em um pequeno círculo social, mas gosto de compartilhar, de passar para a frente, de eu mesmo mandar para os meus amigos – tanto que alguns deles ficam sabendo das notícias antes mesmo de eu abrir o post. E não é só online não, embora eu tenha decidido não mais exercer a minha onipresença fora da internet.




Animal Collective, Susan Boyle e Coldplay: melhor sem

Daí que esta lista – e todo o Trabalho Sujo, portanto – estar relacionado ao meu filtro pessoal do que eu considero legal ou não. Os anos 00 também foram bons para artistas como Coldplay, Susan Boyle e Animal Collective? Inegável. Mas não esperem que esse tipo de nome surja no meu dia-a-dia. Se não bateu, não tem porque eu passar para frente (e o mesmo vale em relação a falar mal destas coisas – quem gosta desse tipo de polêmica, no fim das contas tá mais querendo chamar atenção para si mesmo do que realmente discutir estes assuntos; por isso eu prefiro nem registra-los). Mas isso quer dizer que eu não queira conversar com quem gosta de coisas que eu não gosto? Nah, não tenho mais 16 anos há muito tempo e não defino minhas companhias pelo jeito que elas se vestem ou pelo tipo de músicas que elas ouvem – mas sim pelo fato de elas respeitarem o que eu gosto e não me julgarem por isso. É meio óbvio isso, mas às vezes precisa ser dito. Afinal, o que não falta é gente pagando de adulto e sofisticado com o discernimento de bebês.

Pra confundir, a lista que começa ainda hoje, mas pro final do dia, tem sim uma ordem de importância (completamente subjetiva, mas enfim), só que eu vou apresentá-la de forma um pouco diferente, randômica. E seu último deadline é o fim deste ano que acabou de começar. Me comprometo a 300 comentários feitos sobre estes 300 nomes durante todo 2010, na maioria de seus dias úteis, quase sempre que estiver de frente ao computador. Se alguém quiser depois colocá-la na ordem, fique à vontade. O mesmo vale para quem quiser juntar a lista dos melhores discos da década num mesmo torrent e ou a lista das melhores músicas dos anos 00 num mesmo zip. Pra mim, é muito trabalho, mas se alguém se dispor, linko aqui. E se alguma editora quiser juntar essas listas num livro, entre em contato por email, tou aberto a negociações (he).

Falando em aleatória, muda também o comportamento do meu Twitter. Ele oficialmente passa a twittar apenas os posts do Sujo, do resto dOEsquema e do Link como, ao mesmo tempo, entro no tal diálogo contínuo como havia prometido. Neste início de semana vem mais links do Link, que não parou durante as festas, e logo, logo pintam os posts do Sujo. Esta mudança significa também o fim da listagem dos últimos tweets aí na coluna do meio do site – ficando só com o link para o Twitter. A partir disso também começo também uma nova seção durante o miolo do dia, um post contínuo que junta notícias desde o fim da manhã até as já clássicas 4:20 (no caso, 16:20). Mas ele não vem de cara, é uma seção que criarei com o passar dos dias e que, presumo, estará prontinha ao final do mês. Isso quer dizer uma leve redução na velocidade de postagem, mas que caminha junto com um exercício de escrever mais para cá, coisa que deixei meio de lado desde que assumi a edição do Link, em maio (não sei se você percebeu, mas a quantidade de vídeos e JPGs deixou o site com cara de Tumblr, em 2009).

E essa lista dos melhores da década já é o início deste exercício – e de outro, que diz respeito à necessidade de se falar de algo na hora em que ele aparece. Cansamos de ver exemplos de obras que vão se mudando com o tempo, graças à interferência alheia direta na obra ou em sua divulgação. Quantos artistas e obras nos passaram batido pelo simples fato de não termos tempo? Ou de não estarmos com paciência para aquele assunto naquela hora, ou por ele se desdobrar ao mesmo tempo em que algo bem mais interessante parecia acontecer? De novo, volto ao tema deste novo “agora”, uma nova recontextuação deste período de tempo que tem muito a ver com o que eu estava falando há pouco sobre o “tema” do Trabalho Sujo. Nos últimos dez anos, como qualquer outra pessoa, pude desfrutar de momentos ótimos que só consegui compartilhar com pessoas mais próximas. Com essa lista, em vez de simplesmente linkar um vídeo ou uma imagem com um link (embora estes formatos aparecerão), vou falar um pouco sobre estas obras e personalidades que eu gostaria que você desse um tanto de sua atenção para tornar sua vida mais divertida.

Não, eu não vi todos os filmes, nem todas as séries, nem ouvi todos os discos – mais um gole da obviedade que precisa ser dita. Nem eu, nem ninguém que faz suas próprias listas pessoais. Se ouviu tudo, pode ficar tranqüilo, ouviu mal. Daqui a cinco anos, talvez minha lista das 300 melhores músicas dos anos 00 seja bem diferente dessa de hoje. Mas ninguém é uma estátua parada no tempo e se até as obras podem mudar (do bigode na Mona Lisa do Duchamp ao Grey Album, passando por “We Are Your Friends” e o ringtone do sapo), vamos deixar de bobagem e assumir que também mudamos. Apesar de termos nomes próprios que tratamos como substantivos possessivos, talvez devêssemos aceitar nossa natureza de verbo e assumir as próprias conjugações. Você era uma pessoa bem diferente há dez anos – talvez sinta vergonha, talvez orgulho -, mas aceite isso: mudamos o tempo todo. Não seja tão rígido com suas convicções, solte um pouco a respiração, ninguém está te vigiando por cima do seu ombro. E daí que o melhor disco de todos os tempos da sua vida já mudou umas cinco ou seis vezes? Não foi assim com seus amigos, amores e a família?

Fora que ninguém consegue acompanhar tudo. E esse tudo ainda exclui tudo aquilo que foi produzido antes de hoje, que pode e deve ser revisitado constantemente. Por isso, passo a dedicar mais a escrita ao Trabalho Sujo, posts curtos de não-ficção de coisas velhas e novas que estou lendo/vendo/ouvindo para equilibrar essa velha conhecida sanha de escrever textos gigantescos como este que você atravessa. Dá para pensar numa rotina de publicação que inclui dois destes posts curtos, a tal nova seção do meio da tarde, os dois tradicionais 4:20 diários e ocasionais vídeos e JPGs, sempre de segunda a sexta, fechado durante os findes. Mas, como sempre, eu não garanto nada.

Junto a isso, ainda abro a possibilidade de posts fotográficos e desenhados (e a transformação do Flickr do Trabalho Sujo em um Flickr de fato – as fotos talvez até renderão um post diário). O desenho é uma atividade que deixei em segundo plano em minha vida, mas que foi responsável pelo pagamento de minhas contas por mais de três anos durante os anos 90 e que, agora, espero voltar a praticar. Já venho desenhando bastante em casa (2009 foi um ano de rascunhos neste sentido inclusive) e começo a desovar esse tipo de produção no Sujo pela primeira vez online (já que o próprio Sujo impresso contou com desenhos meus). O coelho que ilustra este post é um deles. E isso sem contar um janeiro que tem a CES, a Campus Party e uma ótima novidade no Link nas próximas semanas – Link este que finalmente chegou a uma equipe concisa e fodaça, pronta para encarar 2010 com gosto -, e a possibilidade de duas Gente Bonita fora de São Paulo (fora a do meu aniversário, que vai ser aqui e eu tou vendo onde pode ser…).

Quando resenhei o Kid A no ano 2000 falei que estávamos às vésperas da década da verdade, em que todas as máscaras iriam cair, todas as verdades iriam ser ditas. Uma brusca reação à década anterior, da ironia. E, de fato, os anos 00 foram anos do desmoronamento da privacidade contra a transparência compulsória. O momento que melhor sintetiza isso talvez seja protagonizado por David Letterman, que abriu seu programa no final de 2009 para assumir que vinha sendo vítima de extorsão por ter trepado com funcionárias de seu programa. Em vez de se submeter ao escrutínio público, deu um cavalo de pau nas expectativas e veio ele mesmo contar o que houve. Mas isso esteve em todos os cantos da década passada, na Guerra do Iraque, na questão do aquecimento global, nas eleições de Lula e de Obama, nos reality shows, nos discos e filmes que vazaram antes de serem lançados. Goste ou não, verdades foram ditas, na sua cara.

É hora de, depois de uma década traumática e de auto-análise constante (pela primeira vez na história a humanidade se percebeu como uma só), abraçarmos o admirável mundo novo – e uma nova inocência. Essa é a minha aposta para os anos 10: as novas tecnologias que mudarão ainda mais nosso dia-a-dia, mas em vez de nos agarrarmos ao que vai sucumbir no novo processo, iremos abraçar o novo com mais curiosidade e menos preconceito. Isso parece se referir a hábitos digitais, mas no fim das contas está relacionado com diferentes facetas da rotina de cada um de nós. É claro que isso não significa abandonar o ceticismo, mas este virá com menos cinismo e com mais disposição.

E, antes de começar os trabalhos de verdade por aqui, lembro que dedico janeiro aos melhores discos e músicas de 2009. Para não me alongar como em 2008, repito o formato da retrospectiva da década: vídeos para as melhores músicas, capas de disco para os melhores álbuns. E também vou começar – ainda hoje – a perguntar o que já podemos esperar de legal para 2010. Alguns posts vão com especulações minhas (umas são óbvias, como o post a seguir), em outros vou convidar palpiteiros de fora. Mas eu queria ouvir também o que você, que lê o Sujo, tá esperando desse ano.

Acho que, por enquanto, é só. Feliz ano novo e se prepara: essa década vai ser ainda melhor que a anterior.

Até a próxima década!

Então é isso, caro leitor, vou desligando as máquinas por aqui porque já deu a hora… O Twitter vai até um pouco antes da meia-noite e só volta na segunda 4 de janeiro, mas o Sujo não vai ficar às moscas: meu presente de fim de década para você é a minha nada singela lista das 300 melhores músicas deste início de século, em ordem decrescente. Começa exatamente à meia-noite e um minuto desta terça e vai pingando, feito tortura chinesa, até um pouco antes de eu voltar com carga total. As únicas interrupções neste fluxo devem vir em forma de mensagem de natal ou de ano novo, um assunto de última hora ou um Vida Fodona feito no ócio (isso se eu chegar perto do computador). E, claro, as duplas dos discos da década, que também acompanham os hits dos últimos dez anos em contagem regressiva.

Enquanto isso, segue uma avalanche de vídeos do YouTube que, infelizmente, não são todos exatamente os que eu queria (tem música que eu não achei o clipe original lá, só versões ao vivo; outras só aparecem na versão pura, quando o que eu escolhi foi o remix; outras tem um vídeo sem vídeo, só com uma imagem estática; alguns outros são trechos de programa de TV; outros ainda não podem ser embedados, por isso você precisa clicar para assistir ao vídeo no YouTube) – por isso, leve em consideração a lista nos títulos dos posts.

Bom, então é isso. Fique bem, juízo, boas festas pra você e pra quem for da sua família e até a década que vem. Porque você tá ligado que 2010 vai ser “o” ano, né não?

Hasta!

“…and we’re back!”

Vamos lá? As mudanças de que eu falei antes de tirar a semana de folga vão levar um pouquinho mais de tempo do que eu havia previsto, mas já começam a ser sentidas a partir desta segunda-feira. A primeira delas tá no Twitter: vou tentar retuitar os posts do Sujo em tempo real. Claro que vai rolar um delayzinho básico e a dúzia de leitores que fica dando F5 o tempo todo no site será recompensada com minutos de exclusividade antes do link solitário pintar no meu Twitter. E sempre que um post daqui for parar na rede de lá, leva a hashtag #trabalhosujo, assim quem acompanha o Twitter pela página do Sujo não corre o risco de clicar num link que remete para o mesmo lugar em que ele está. Além disso, tente reparar que corrigirei o atraso de publicação que vinha acontecendo diariamente. E aquela história que eu falei que estrearia hoje tá por alguns ajustes técnicos e deve atrasar por mais uma semana (e pode vir junto com uma grande novidade para OEsquema). Veremos.

Enquanto isso, me dê os parabéns: o Trabalho Sujo completou 14 anos nesta semana que eu estava de recesso. Quem quiser dar os parabéns ao vivo, é só dar um pulo lá na Gente Bonita nesta semana, quando inauguramos a quinta-feira do Alley com uma retrospectiva da primeira década do século – é isso aí: “Crazy”, “Hey Ya”, “Toxic”, “Take Me Out”, “House of Jealous Lovers” e hits desse calibre.

E por falar em retrospectiva dos anos 00, começo a contar os discos e as músicas da década ainda essa semana…

“O que está acontecendo?”

E a cobra mordeu o próprio rabo – hora de tirar mais uma semana de folga

Não lembro direito quando foi, deve ter uns três, quatro meses, no máximo, quando comecei a twittar coisas velhas do Trabalho Sujo que ainda faziam sentido depois do post original (o hábito que causou o surgimento do chamado #trabalhosujoday). E assim comecei diluindo coisas de janeiro e fevereiro entre agosto e setembro, vendo que, uma hora ou outra eu ia começar a twittar posts de meses mais próximos ao que eu estava, deixando rolar mesmo sabendo que, uma hora ou outra, a fonte ia secar.

Uma delas, nem longe disso. Você que me acompanha via Twitter já deve ter percebido a alternância – um post velho do Trabalho Sujo, um post de ontem do Link. Se por um lado os posts antigos do Sujo iam chegar ao fim, os posts do Link nem sequer começaram. Cabei de fechar a equipe com quem trabalho depois de uma série de mudanças, que começaram quando assumi a editoria do caderno, em maio. Estamos fechando nas próximas semanas o primeiro ciclo online, quando mudamos nosso site de novo para sair da fase de transição que começou quando virei editor do caderno. Junte a véspera desta mudança com os posts velhos do Sujo acabando e ambas se encontraram na mesma sexta-feira em que o próprio Twitter anunciou sua mudança de lema – em vez de perguntar “O que você está fazendo agora?” pergunta “O que está acontecendo” (como eu já havia profetizado em julho, quando o site do ano suspendeu minha conta). E como eu gosto de facilitar as coincidências, ainda reúno tudo isso ao fato de que, no próximo dia 28, o Trabalho Sujo completa quatorze anos de vida.

Que beleza, não? Véspera de aniversário do site, véspera de mudança no site do jornal, fim dos posts velhos para twittar no mesmo dia em que o Twitter muda sua pergunta. Era o que eu precisava para pedir uma semaninha de folga para me preparar para o ano que vem.

Dezembro já é praticamente 2010 e eu não vou esperar o mês inteiro para anunciar as novidades. De cara, eu e o Bruno já começamos a recepcionar o verão com a ajuda de bons bambas da nossa música, no terceiro disco com a chancela dOEsquema. Na mesma primeira semana do mês que vem temos nova localização para a Gente Bonita na última festa do ano, em que eu e o Kalatalo viramos a noite inteira discotecando. O décimo quarto aniversário do Sujo também marca o início das atualizações das edições impressas, quando este site era uma coluna de papel no Diário do Povo em Campinas. O plano é subir os quatro anos de impresso até o décimo quinto aniversário, mas sabe como são esses planos…

Além da mudança no Link, também mudo, quando voltar, o viés do Twitter. Já que não tenho mais posts velhos pra ressuscitar (ou tenho? É claro que tenho) vou sair da vida de links que exercitava até hoje e começar a entrar no papo furado do dia-a-dia do site. Claro que vou continuar linkando um monte de coisas – inclusive o Link e posts, velhos e novos, do Sujo – mas já vi que tem discos, filmes e acontecimentos que não valem mais que 140 caracteres de empolgação. E assim, meu Twitter começa a virar uma versão micro do Trabalho Sujo.

E a versão macro – esta aqui que você está lendo – também irá mudar. Provavelmente durante essa minha semana de recesso (que também aproveito para encerrar minhas listas de melhores da década e começar a colocar as listas de melhores de 2009 no jeito, além de terminar a tradução de um livro – depois eu falo mais disso), você irá ver algumas mudanças aqui e ali, nesses banners aí da direita, nos links debaixo da minha foto, nas categorias, no uso do Flickr… Enfim, mais uma revisão sazonal acontece aqui no site e você perceberá algumas mudanças drásticas – e outras nem tanto quando eu voltar a postar direito na próxima segunda-feira, dia 30.

Essa segunda eu ainda posto alguma coisa, de leve: um Vida Fodona (Soundsystem, ora pois), o Link da semana, uma ou outra novidadezinha. Se pintar algo em cima da hora, quem sabe eu tuíte. E até a sexta eu também dou notícia pois estou em duas programações diferentaças – ma non troppo – durante o fim de semana.

Certo? Já já, volto ao ritmo normal. Por enquanto, relaxem…

Geocities (1994-2009)

O Yahoo desligou os aparelhos que mantinham o Geocities vivo. O site foi um dos primeiros a liberar espaço gratuitamente para quem quisesse construir seu espaço online e fez parte da puberdade de toda uma geração que hoje domina diferentes aspectos da rede. Nascido no meio dos anos 90, o site pode ser entendido como uma das primeiras tentativas de organizar o conteúdo gerado pelo usuário (dá pra chamar de proto-web 2.0?) e um dos primeiros habitantes da tal “nuvem” de dados do cloud computing (antes do webmail viver seus primeiros dias de glória, com o lançamento do Hotmail em 1996 – que só foi comprado pela Microsoft anos depois).

Eu mesmo migrei o Trabalho Sujo de vez para a internet quando o tirei do papel em 1999; ano que também fundei, com o Abonico, um e-zine temporário – chamado, er, 1999 (que tinha uma atualização por dia – do primeiro de janeiro ao 31 de dezembro). Ambos estavam estacionados no Geocities (a íntegra do 1999 e o Sujo entre 2000 e 2004, antes de entrar no Gardenal), fósseis flutuantes de um recente passado digital – como milhares de outros repositórios de informação que estavam naquela freguesia – e agora só existem num HD solto aqui em casa, no Wayback Machine e na memória de quem viveu aqueles anos.

A imagem que ilustra esse post é a reformulação de layout que o genial XKCD fez em homenagem ao fim do Geocities, com ícones emblemáticos do site – como seus banners coloridos, seus ícones batidos, os wallpapers que piscavam, as tabelas de programação à vista, erros de HTML e outros detalhes que, vistos de 2009, parecem ter mais de trinta anos de idade

Mais uma semana sem Trabalho Sujo

“PORRA, DE NOVO?”, você tem todo o direito de perguntar, “esse cara não trabalha, não?”. Não apenas trabalho como estou tirando a semana justamente por conta do trabalho. Viajo (DE NOVO?) na quarta e, pode ser que tenham algumas atualizações, mas, como você sabe, eu não garanto. Segunda (quer dizer, terça, porque segunda é feriado) eu recomeço tudo no mesmo pique. Até lá.

#trabalhosujoday

O dia em que virei uma hashtag

Estava no táxi e o telefone tocou. Era a Helô. “Matias…”, a hesitação em sua voz disparou minha paranóia, “…você tá sabendo…”, caiu o anúncio da capa, algum repórter passou mal, alguém foi contratado/demitido, “…do trabalhosujoday no Twitter?”, o Google comprou o Twitter, Steve Jobs morreu, mudou a escala do plantã… cuma? Como é que é?

Que porra é essa?

“Er… Criaram uma hashtag no Twitter chamada #trabalhosujoday…”, “mas já tá nos trending topics?” usei a megalomania para ganhar tempo, enquanto meu cérebro zapeava por rostos (representados por seus avatares do Twitter, pois) de amigos ou conhecidos que poderiam ter aprontado essa: Arnaldo, Mutlei, Bruno, Carbone, Cardoso, Fred, Flávia, Danilo, Cissa, Vlad, Mason, Kátia, Dahmer, Pablo, Maron, Serjão, Ronaldo, Terron, Rafa, Luciano, cada um deles com um motivo diferente para tirar onda com a minha cara ao inaugurar uma hashtag em minha homenagem. Pensei nos três ou quatro detratores (acreditem, eles existem – toda Corrida Maluca tem seu Dick Vigarista), mas eles não tem coragem de assumir uma dessas em público. Disse que veria que diabo era aquilo quando chegasse no jornal, para não estragar a surpresa, mas vim com a mesma velocidade que pensei nos nomes e nas possibilidades acima, fiquei juntando peças pra tentar descobrir qual seria a motivação da hashtag – links sobre Brasília? Sobre Beatles? Dia do mashup? Pra notícias sobre cultura digital? Notícias do Link? Links dOEsquema?

As duas últimas opções quase me fizeram chegar na resposta certa. Ao ver o tom dos tweets do #trabalhosujoday logo entendi a brincadeira – e primeiro falo de seu contexto antes de explicá-la.

Como já falei, opto por usar o Twitter como uma forma de disparar links. Os últimos posts da minha conta ficam exibidos na home do Sujo e eu sempre acho que fica estranho, pro leitor que cai na página principal, acompanhar um diálogo pela metade, com pessoas que eles não conhecem. Por isso, resolvi não participar ativamente do diálogo que é o Twitter. Acompanho quase que diariamente tudo que acontece na rede (até por conta do trabalho no Link), mas se alguém me pergunta algo, via Twitter, prefiro responder em mensagem privada (via DM, no linguajar tweet). Na verdade, transformei o meu Twitter numa versão para o antigo Leitura Aleatória, que eu publicava no site. A princípio, vocês chiaram, mas depois se acostumaram.

Por isso, em vez de ficar twittando tudo que eu vejo em tempo real, prefiro deixar tweets programados pra serem postados durante o dia. Ou eu fazia isso (tiro uma horinha pra programar os posts do dia inteiro) ou a regularidade dos tweets ia cair, por isso optei por agendá-los. Na prática também é uma hora pra eu ver o que está acontecendo agora, quais tweets e links que eu favoritei no dia anterior, ler o RSS (cada vez mais abandonado), visitar os sites de amigos.

Mas, na paralela, também venho atualizando as páginas do Sujo pré-OEsquema (antes o Sujo ficava hospedado no quase extinto Gardenal), atualizando tags, vendo se algum vídeo saiu do ar, ajeitando o tamanho de imagens pro novo template, separando as categorias. E nessa visita ao passado, deparo várias vezes com posts que não perderam a validade, que mesmo velhos, ainda valem a visita. Assim, estou retwittando posts velhos do Sujo há pelo menos duas semanas – teve muita gente que achou que o meu Twitter tinha dado pau, mas, não, é assim mesmo.

É aí que entra o tal #trabalhosujoday, que começou com estes três tweets do Chico Barney:

Maldito! Tive que mandar uma mensagem cumprimentando pela genialidade infame (que lhe é inerente, caso não o siga, faça isso), mas quando fui falar com ele, a palavra já estava solta no mundo:

Tati e Ana, repórteres da minha equipe no Link, twittaram não poder fazer piada com a hashtag (podiam, vocês sabem que eu sou um chefe bonzinho), Fred – que também tá aqui no Link – nem pestanejou e lembrou do velho 1999, enquanto o Marcio K foi achar um post do Lucio de 2001 em que ele anuncia o lançamento da Play (que eu editava na Conrad) e o show do Radiohead pro Brasil (em 2002!). Mas a hashtag foi passando entre muitos amigos, conhecidos e leitores, que aproveitavam a deixa para ressuscitar notícias do passado e anunciá-las como fatos recentes. E antes mesmo de eu falar com o Chico Barney (cê sabe que eu sempre demoro quando tou no táxi), ele foi se desculpando:

Como se precisasse. Depois, conversando com ele, ele disse que achou que eu havia ficado puto, como se um tipo de coisa dessas pudesse me deixar puto (aliás, é ruim me deixarem com raiva…), mas eu achei que nem precisava dessa explicação. Mas vou seguir postando link velho, pelo menos até chegar aos posts de setembro, mês que comecei isso (já tou postando os de março…) – embora eu ache que, antes disso, atinjo uma meta pessoal que estabeleci sobre isso.

Mas essa história toda veio mais uma vez martelar questionamentos sobre o que é novo e o que é velho em tempos de internet, sobre a perenidade e a a perecibilidade dos fatos, sobre o papel da notícia e do jornalismo (embora eu só assuma que o meu Twitter seja jornalismo se você aceitar o meu conceito sobre o tema – de que tudo que um jornalista faz, em relação à comunicação e informação, seja jornalismo). O Twitter, como sempre, é só a ponta do iceberg.

E pode ficar tranqüilo que ano que vem eu lembro: dia 24 de setembro de 2009 foi o #trabalhosujoday.

Um guia para a semana sem Trabalho Sujo

Como disse, vou tirar a semana que vem para pegar uma praia e curtir uma família e só volto à ativa dia 14. Mas não garanto uma desconexão completa. Deixei uns posts aí em aberto justamente para completá-los aos poucos, sem pressa, e ao mesmo tempo devo voltar segunda para atualizar a capa do Link (se eu fosse você, comprava o Estadão pelo menos segunda…). Não garanto Vida Fodona, Leitura Aleatória (esse eu garanti, tou atualizando com posts antigos, não sei se deu pra sacar), Cinco Vídeos, nada. Quem sabe eu pinte no apavoro para comentar algo de bobeira, mas só tem um jeito de saber: é esperar.

Hein? Franz? “Take Me Out”.

“Garota, eu vou pra Califórnia…”

Suspendo as atividades por um curto período em El Lay. Volto a dar as caras semana que vem, tipo terça ou quarta. Hasta!


X – “Los Angeles”


Frank Black – “Los Angeles”


Weezer – “Beverly Hills”