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25 anos de Bandwagonesque

bandwagonesque

Escrevi sobre o clássico power pop do Teenage Fanclub, que está completando um quarto de século lá no meu blog no UOL.

Já faz tempo que 1991 vem sendo celebrado como um ano mágico para a música pop, ao enfileirar discos que não apenas estabeleceram novas carreiras como mudaram o cenário musical da última década do século passado. Uma sequência de obras que tornam aquele ano tão emblemático quanto outros clássicos, como 1967, 1969, 1972 ou 1977. Eu mesmo já escrevi aqui sobre os 25 anos de BloodSugarSexMagik, Screamadelica, Nevermind e Loveless – sem contar outros discos cruciais como o Blue Lines do Massive Attack, o Adventures Beyond the Ultraworld do Orb, Out of Time do R.E.M., The Low End Theory do A Tribe Called Quest e a tríade de transição dos três maiores grupos do rock brasileiro dos anos 80 (V do Legião Urbana, Os Grãos do Paralamas do Sucesso e Tudo Ao Mesmo Tempo Agora dos Titãs), além dos sucessos comerciais do Metallica (o disco preto), Guns N’Roses (os dois volumes de Use Your Illusion) e Pearl Jam (Ten) e dos discos de estreia dos Smashing Pumpkins (Gish) e Blur (Leisure). O conjunto destes álbuns mostra um cenário pop fragmentado, multifacetado e completamente díspare comparado ao de anos anteriores, mas um disco lançado naquele mesmo ano lembrava que a base de tudo aquilo, a fundação daquele universo que agora expandia-se para o thrash, o indie, o grunge, a ambient house, o trip hop, o rock alternativo, era a canção. Este disco chama-se Bandwagonesque e é o terceiro disco da banda escocesa Teenage Fanclub, que há exatos 25 anos ganhava o mundo ao ser lançado pela gravadora norte-americana Geffen.

É muito comum acharmos que invenções que nos precederam sempre estiveram ali. Como para a minha geração parece estranho pensar em um mundo sem televisão e para uma geração mais nova parece estranho imaginar como seria o mundo sem internet, muitos sequer cogitam a possibilidade de um mundo sem canções. Pois aconteceu – e não faz muito tempo. Apesar da música ser uma das primeiras expressões culturais do ser humano – ainda na idade da pedra -, a canção – esta estrutura musical que compreende introdução, estrofe, refrão, estrofe, refrão, eventual solo instrumental, estrofe, refrão e conclusão – é uma invenção da virada do século dezenove para o vinte, como a fotografia, o disco, o cinema, o carro e o avião.

Sempre entoamos melodias, cantarolamos frases e repetimos refrões, mas foi a noção de linha de montagem do século passado que forjou esse formato que hoje tomamos como eterno. Antes da possibilidade de gravar-se música, não havia uma limitação de tempo que determinasse os poucos minutos que resumem uma canção. Bardos medievais puxavam épicos que não pareciam não ter fim, saraus domésticos atravessavam a noite emendando letras e músicas umas às outras, concertos e óperas podiam durar horas, o canto de pergunta e resposta das plantações agrícolas duravam o tempo da jornada de trabalho. Foi preciso uma inovação tecnológica – o fonógrafo – para que se estabelecesse que a breve duração delimitada por uma restrição técnica poderia ser o início de um novo formato. A canção surgiu como uma necessidade mercadológica para alavancar um novo mercado: se a música erudita não cabia nos primeiros suportes para a música, era preciso inventar um novo padrão. A canção é fruto do encontro do teatro de revista com a música popular e surge no início do século vinte como uma versão musical do conto ou da crônica.

À medida em que o século passava vimos a ascensão de verdadeiros ourives do formato. É uma lista imensa e traduz o espírito de época de todo o século: de Irving Berlin à dupla Morrissey e Marr, passando por Bob Dylan, Noel Rosa, Buddy Holly, Bob Marley, Luiz Gonzaga, Lou Reed, Carole King, Caetano Veloso, Lennon e McCartney, David Bowie, Burt Bacharach, Chico Buarque, Serge Gainsbourg, Gilberto Gil, Nick Drake, Page e Plant, Chuck Berry, Brian Wilson, Rita Lee, os irmãos Gershwin – e a lista continua. A maioria da produção musical do século passado foi construída firme sobre o formato canção, mesmo que gêneros mais instrumentais (como jazz e a música eletrônica) ou mais agressivos (como o heavy metal, o punk e o hip hop) tenham abertos novas possibilidades para além deste formato, criando a base para a música deste século.

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Embora conhecido como uma banda essencialmente cancioneira, o Teenage Fanclub não começou como tal. Seu primeiro disco, A Catholic Education, de 1990, era um disco mais pesado, improvisado e ruidoso do que qualquer outro trabalho da banda, mais próximo à sonoridade caótica do início dos anos 90, à exceção da faixa de abertura, o hino “Everything Flows”. O segundo disco, The King, foi lançado às pressas para cumprir o contrato com a gravadora norte-americana Matador e liberá-los para assinar com a Geffen, que à época queria estabelecer-se como o lar do rock daquela nova década, assinando com o Nirvana, o Sonic Youth, os Stone Roses e os Guns N’Roses. Seu terceiro disco, Bandwagonesque, virava o jogo e mostrava uma nova cara para a banda, em que a canção era o vernáculo principal.

As grandes influências neste sentido são a base do pop britânico (os Beatles) e seus pares californianos (Beach Boys e Byrds), mas principalmente o influente e obscuro grupo norte-americano Big Star, fundado por Alex Chilton e Chris Bell no início dos anos 70, e pelos solos de guitarra lacrimosos do canadense Neil Young. O quarteto formado por Norman Blake e Raymond McGinley (vocais e guitarras), Gerard Love (vocais e baixo) e Brendan O’Hare (bateria) dedicava as dozes músicas à lapidação de canções pop perfeitas, envoltas em doses homeopáticas de microfonia e ironia (como a que levava batizar a própria banda de Fã Clube Adolescente ou a colocar um saco de dinheiro na capa de um disco cheio de canções de amor).

A incrível sequência de canções começa com a descrição de uma garota que “usa jeans onde quer que vá” e que disse “que vai comprar uns discos do Status Quo” numa música cujo refrão canta apaixonadamente que “não quis te machucar” – em uma música chamada “The Concept” que parece resumir o que aquele disco pretendia. Pelo resto de Bandwagonesque, somos apresentados à canções compostas principalmente – e em separado – por Norman e Gerard – a radiante “What You Do to Me”, a fugaz “Star Sign”, a apaixonada “Metal Baby”, a setentista “Pet Rock”, a acústica “Guiding Star”. Mas há também momentos melancólicos do disco, alguns deles assinados pelos outros músicos da banda, como “I Don’t Know” é de Raymond e “Sidewinder” (que Brendan compôs com Gerard), além de, claro, da chorosa “Alcoholiday”, de Norman, outro grande momento do disco. Bandwagonesque termina com a instrumental quase irônica “Is This Music?”, em que solos e riffs de guitarra soam como se estivessem tocando num rádio-despertador que interrompe o sono no fim da madrugada.

Coberto de riffs memoráveis e refrões pegajosos, Bandwagonesque levou a banda a um patamar de sucesso nunca imaginado por eles, chegando a ganhar o título de “disco do ano” de acordo com a revista norte-americana Spin, uma das principais vozes do pop da época (deixando Nevermind, Screamadelica e Out of Time fora do páreo). Mas aquele sucesso não era para o Teenage Fanclub. O disco seguinte, o azarão Thirteen, mudou o tom de sua abordagem em relações a canções e matou a possibilidade de continuar fazendo sucesso nos EUA. De volta ao Reino Unido, lançaram dois outros discos perfeitos (Grand Prix e Songs from Nothern England) no auge do britpop, atingindo a estatura que gostariam que a banda tivesse.

Sem pretensões mercadológicas, planos de negócios, shows em estádios ou discos de diamante, o Teenage Fanclub conseguiu sintetizar a essência da canção pop em um disco ousado por sua despretensão e marcante por sua simplicidade. Doce e direto, Bandwagonesque sobrevive não apenas como um registro do início do fim da era da canção ou como souvenir nostálgico daquele período, mas como um disco de música pop deveria soar, por definição. Essencialmente humano.

E tem disco do Teenage Fanclub vindo aí!

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Quem está com saudade do Teenage Fanclub? Então toma o single do novo disco deles, Here, “I’m in Love”.

Um single bem Byrds antecipa o novo álbum que só chega para o resto dos mortais em setembro deste ano. Eis a lista das músicas do disco novo:

“I’m In Love”
“Thin Air”
“Hold On”
“The Darkest Part Of The Night”
“I Have Nothing More To Say”
“I Was Beautiful When I was Alive”
“The First Sight”
“Live In The Moment”
“Steady State”
“It’s A Sign”
“With You”
“Connected To Life”

20 anos de Grand Prix, do Teenage Fanclub

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Apesar do Bandwagonesque ser celebrado como o grande disco do Teenage Fanclub, meu disco favorito deles – e o mais redondo da discografia da banda – é o irrepreensível Grand Prix, lançado exatamente há vinte anos. E nessas coincidências cósmicas, o Dave Grohl festejou a importância da banda num show na quarta passada, quando seu Foo Fighters dividiu a noite com a banda escocesa, justo em Manchester. O próprio Norman Blake twittou:

Não chegou a ser um cover, mas Grohl escolheu uma de suas músicas mais pop (“Big Me”, do primeiro disco dos Fufa) pra fazer reverência à banda.

Dica do Ricardo (valeu!). E se você não conhece o Grand Prix, faça-se esse favor….

Vida Fodona #438: Tudo pode mudar

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Falou tá falado.

Chiftons – “He’s So Fine”
Teenage Fanclub – “Mellow Doubt”
Arcade Fire – “Jean of Arc”
Franz Ferdinand – “Lucid Dreams”
Spoon – “Do You?”
Bonifrate – “Paralaxe”
Broken Bells – “The Angel and the Fool”
Lana Del Rey – “Ultraviolence”
Céu – “Retrovisor”
Tim Maia – “Nuvens”
Tame Impala – “Angel”
Warpaint – “Biggy”
Giancarlos Ruffato – “Enseada”
Goblin – “Snip Snap”

Vamo aê?

Vida Fodona #386: Primeiro dia de agosto de dois mil e treze

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Entrei numa trip noventista por culpa da Tied to the 90s, aí já viu…

Morphine – “Good”
Delgados – “The Arcane Model”
Sonic Youth – “Saucer-Like”
Foo Fighters – “I’ll Stick Around”
Weezer – “The Good Life”
Supergrass – “Sun Hits the Sky”
Belle & Sebastian – “Legal Man”
Cornershop – “Good Shit”
Beck – “Where It’s At”
Stereolab – “Percolator”
Girls Against Boys – “Vera Cruz”
Björk – “Army of Me”
Daft Punk – “Da Funk”
Moby – “Bodyrock”
Primal Scream – “Swastika Eyes”
Prodigy – “Poison”
Beastie Boys – “Body Movin'”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”
Superchunk – “Watery Hands”
Grandaddy – “The Crystal Lake”
Solex – “Rolex by Solex”
Looper – “Burning Flies”
Garbage – “Stupid Girl”
Bran Van 3000 – “Drinking in L.A.”
Pavement – “We Are Underused”
Galaxie 500 – “Fourth of July”
PJ Harvey – “Down by the Water”
Sebadoh – “Everybody’s Been Burned”
Olivia Tremor Control – “No Growing (Exegesis)”
Teenage Fanclub – “Sparky’s Dream”
Yo La Tengo – “Blue Line Swinger”

Chegaê.

On the run 104: Zeuhl: blum hamtai itah, und^em, zanka, walomend^em, por Fabio Bianchini

Já é uma tradição: ao começar a primavera, Fabio “Mutley” Bianchini (o Mumu) começa sua expectativa para a chegada da mais bela estação. E este é o segundo ano em que sua espera diária se materializa no Tumblr Contagem Regressiva para o Verão, com links diários para vídeos ensolarados – como os dias que têm feito essa semana, a penúltima da primavera de 2011. Sabendo desse astral, a Dani pediu para ele fazer uma mixtape temática sobre a próxima temporada, e sua resposta foi em kobaïano, sua atual fixação progressivista, idioma que batiza a coleção de hits. A foto que embeleza a mixtape foi tirada pela Malg, em uma passagem pelo mítico Riozinho, uma das melhores praias de Florianópolis, de onde Mumu transmite.

Zeuhl: blum hamtai itah, und^em, zanka, walomend^em, por Fabio Bianchini (MP3)

Undertones – “Here Comes the Summer”
Katrina & the Waves – “Walking on Sunshine”
Amigos Invisibles – “Merengue Killa”
Verano – “Summerlove”
Eddy Grant – “I Don’t Wanna Dance”
Beatles – “Ob-La-Di, Ob-La-Da”
Bodysnatchers – “Let’s Do Rock Steady”
Erasmo Carlos – “Maria Joana”
Plastilina Mosh – “Pervert Pop Song”
Weezer – “Island in the Sun”
General Johnson + Joey Ramone – “Rockaway Beach”
Divine Comedy – “Pop Singer’s Fear of the Pollen Count”
Panda Bear – “Surfer’s Hymn”
Elf Power – “Stranger in the Window”
Jorge Ben – “Que Maravilha”
Teenage Fanclub – “Aint That Enough”
Lulu Santos – “Como uma Onda”
Fun Lovin’ Criminals + Ian McCulloch – “Summer Wind”

Vida Fodona #295: Vai ser preciso ter muito fôlego

A semana encerra quente na sexta, por isso vou pegando leve agorinha no início…

Savath & Savalas – “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”
Pulp – “This is Hardcore”
Radiohead – “Morning Mr. Magpie”
Little Boots – “Stuck on Repeat”
M. Takara 3 – “Rei da Cocada”
Javiera Mena – “Ahondar en Ti”
Sebadoh – “Think (Let Tomorrow Be)”
Roberto Carlos – “O Tempo Vai Apagar”
Teenage Fanclub – “Neil Jung”
Juliana R. – “Desde Que Cheguei”
Midnight Juggernauts – “Into the Galaxy”
Twin Sister – “Bad Street”
Notwist – “Pilot”
Miles Fisher – “This Must Be the Place”
Maroon 5 + Christina Aguillera – “Move Like Jagger”

Can You Come Down With Us?

Vinteonze: A pocketização de tudo

Thor para meninas, O Natimorto e uma tarde com Mutarelli, Teenage Fanclub e o Whisky Festival, lembranças da Rádio Muda, Wayne Shorter, Moon e Bá, Marginals no Berlim, festivais em São Paulo, Marcelo Mastroianni, Danger Mouse, canal Viva, mas nada de Ed Motta nem de Bethânia. Vinteonze novinho, com os mesmos assuntos de sempre, remixados ad lib à medida em que o álcool e a nicotina dissolvem o cérebro e na vitrola rodam os primeiros discos dos Doors e da Gal.


Ronaldo Evangelista & Alexandre Matias – “Vinteonze #0007“ (MP3)