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Single

“‘Boca de lobo’ é um nó que a gente faz lá no norte, para encurtar as alças da rede e deixar ela longe do chão, perto do céu”, explica a paraense Natália Matos, conversando, no meio de sua nova música, “São Paulo Capital”, que ela lança nessa sexta-feira, mas antecipa em primeira mao para o Trabalho Sujo. “E aí, de repente, eu me vi fazendo uma música para essa cidade e, no meio, esse nome que é tão nosso, mas acho que tem a ver, porque São Paulo é um pouco isso: é pra onde tudo converge, onde tudo se encontra. Não que a gente goste, mas a gente gosta.” A doce bossinha é o primeiro passo para seu próximo álbum, que ela resolveu tirar do chapéu ao apresentar-se na última edição do Tranquilo São Paulo, na segunda passada (sem saber que seria a última noite do evento, já já falo mais sobre isso). A versão ainda é uma demo, mas já dá um pouco o gostinho do que ela está preparando para esse quarto álbum, ela que voltou para São Paulo há um ano e só há poucos meses começou a preparar sua volta aos palcos. “São Paulo é onde, fora de Belém, eu tenho um círculo de amigos que me fortalece e que, na vida, me faz sentir criativa e potente, quando por aqui”, ela me explica. “E, é claro, tem as paixões, que fazem até a gente ouvir barulho de mar no lugar dos carros, foi numa dessas que escrevi essa canção, que contrasta com a fama da dinâmica da cidade que exaure, pela atmosfera do trabalho e da individualidade. Sinto que as pessoas por aqui são generosas, interessadas e que se pode, sim, construir laços profundos apesar do inegável pano de fundo cinza. Isso deve-se ao fato de que, sem dúvida, aqui se encontra gente de todos os lugares do país, que se unem e formam núcleos, coletividades, cheias de beleza e de resistência, além de ter muita gente de Belém, por exemplo, que eu só vim a conhecer, virar amiga, trabalhar, depois de morar em São Paulo.”

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Assim Lorde recepciona os ouvintes de seu quarto álbum, Virgin, que sai na próxima sexta, mas já teve sua faixa de abertura revelada uma semana antes. “Hammer” segue a mesma linha de crescendos dos dois singles anteriores, mas puxa mais pelo primeiro, “What Was That” (eletrônica classuda que aos poucos vai criando clima de pista), do que pelo segundo, “Man of the Year” (mais dramática e épica), estabelecendo um padrão que possivelmente repete-se pelo disco, saindo de climas intimistas para mais expansivos, sempre tratando de temas ao mesmo tempo íntimos e maduros – “não sei se é amor ou ovulação”, canta logo na abertura. O clipe tá aí embaixo: Continue

Dois expoentes do barulho extremo – cada um à sua maneira – uniram suas forças para celebrar um de seus artistas favoritos, quando o grupo Napalm Death recebeu o eterno sonic youth Thurston Moore para participar de um tributo aos Ramones organizado pelo engenheiro de som ítalo-suíço Marc Urselli para a série Redux, organizada pela gravadora nova-iorquina Magnetic Eye. O resultado é uma versão fulminante com pouco mais de um minuto para o clássico “Now I Wanna Sniff Some Glue”, eternizado pelo grupo de Nova York em seu primeiro disco homônimo. Aperte os cintos e se segura!

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Foto: Tiago Baccarin (Divulgação)

“Dos poucos artifícios que ainda posso usar sobrou o sacrifício de não lhe procurar” – assim vem a Lupe de Lupe ressurge anunciando seu próximo disco, programado para ser lançado em breve, com uma pedrada épica de quase dez minutos de guitarradas sobre o término de um relacionamento chamada “Redenção (Três Gatos e um Cachorro)”. Se comentei outro dia que a nova cena de rock de Belo Horizonte poderia chamar-se de indie come-quieto, esta surgiu com a centelha acesa há mais de dez anos pela própria Lupe de Lupe, que, sem fazer alarde, tornou-se uma das melhores bandas de rock do Brasil, mesmo que não toque no rádio, não esteja em grandes festivais ou faça shows no exterior. Na verdade, o mote da Lupe é rock como trabalho, com o guitarrista e vocalista Vitor Brauer vindo à frente de suas redes sociais para falar das dificuldades de ser underground no Brasil, mas sem tom de reclamação – e sim pregando a importância do ofício, mostrando que fazer sucesso quer dizer ser pago pra fazer o que se gosta sem precisar bajular uns ou ter parentesco rico ou célebre . E além de anunciar sua volta com uma faixa espetacular (escrita e cantada por Renan Benini, com a participação de Felipe Pacheco Ventura, da banda Baleia, nos arranjos de cordas), o grupo também acaba de anunciar mais uma extensa turnê, passando por mais de 20 cidades nas cinco regiões do país apenas na raça, como sempre. Ouça a música nova e veja as datas da turnê abaixo: Continue

“Você me conheceu numa época estranha da minha vida” – citando uma frase do Clube da Luta numa música que fala sobre a própria masculinidade, Lorde seguiu a construção de seu verão Virgin nesta quinta-feira, ao lançar, com alarde, o segundo single de seu próximo disco, “Man of the Year”, uma música ainda melhor que a ótima “What Was That”, que usou para abrir os trabalhos. Com produção de Jim-E Stack e cello gravado por Dev “Blood Orange” Hynes, ela escreveu o seguinte sobre a música nova em seu site: “Andar de bicicleta. Fumar. Nadar. Força nova em meus ombros. Sentir algo despertando. Primeiro tapar meu peito. Tanto medo de ser ele. A festa da GQ. Deitar no sofá branco com o microfone na mão e deixar rolar. Sol (…) O som do meu renascimento.” Além de lançar o single – junto com um belo clipe minimalista -, ela também revelou a ordem das faixas do novo álbum, que traz músicas com títulos como “Shapeshifter”, “Favourite Daughter”, “Current Affairs”, “GRWM”, “If She Could See Me Now” e “David”, entre outros. Veja o clipe e o nome das músicas abaixo: Continue

“Quando o amor desaparece, a vida desaparece”, canta Jarvis Cocker no novo single do Pulp, “Got to Have Love”, o segundo desde que o grupo inglês anunciou sua volta com o álbum More, programado para sair no próximo dia 6. A faixa foi composta quando o grupo gravava seu disco anterior, We Love Life, na virada do século passado, e parece ter saído de qualquer disco clássico da banda, mostrando que sua volta parece fazer mais sentido artisticamente do que apenas do ponto de vista comercial. Para acompanhar o novo single, o grupo desenterrou imagens de uma competição de dança realizada em 1977 e registrada no documentário Wigan Casino, lançado no mesmo ano, e o próprio Jarvis editou o vídeo, sintetinzando a excitação retrô para uma volta do britpop clássico que faz sentido em 2025.

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“Eu lhe dou força na necessidade, mas sombra e água fresca não dou não / Dizem que Amélia é mulher de verdade, mas eu sou de outra opinião / Eu não lhe dou facilidade, eu não lhe dou satisfação / Eu boto é lenha na fogueira pra acender seu coração”: assim a mestra Joyce Moreno fecha a tampa da bravata que aplaudia o machismo na clássica mas infame “Ai! Que Saudade Da Amélia” escrita por Ataulfo Alves e Mario Lago em 1942. Com uma carreira marcada por posicionamentos feministas em meio à sua reverência à bossa nova e ao jazz brasileiro, Joyce volta ao tema do samba para dizer-lhe adeus em seu novo single, “Adeus, Amélia”, que anuncia o lançamento de seu novo álbum, O Mar é Mulher, seu primeiro disco com músicas inéditas desde Brasileiras canções, de 2022. Como antecipou Mauro Ferreira em seu blog no G1, o disco sai no dia 12 de junho e traz parcerias de Joyce com Zé Renato, Paulo César Pinheiro, Ronaldo Bastos, João Donato, Donatinho e Jards Macalé (esta última com a letra que fez para a antes instrumental “Um Abraço do João“, parte de um causo hilário que Jards conta em seus shows pós-pandêmicos, que os dois registraram ainda no ano passado). O disco ainda traz cinco músicas apenas da musa, uma delas justamente o jazz “Adeus, Amélia”, em que é acompanhada por Hélio Alves ao piano, Rodolfo Stroeter no baixo e Tutty Moreno, o grande amor de sua vida, à bateria, além de metais tocados por Rafael Rocha (trombonista, que escreveu o belo arranjo), Jessé Sadoc (trompete) e Marcelo Martins (sax). Ave, Joyce!

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“Talkin to The Trees está sendo anunciado hoje e nosso novo single, ‘Lets Roll Again’, já está aí, espero que vocês gostem”, escreveu Neil Young em seu site, ao anunciar mais um novo disco. “Ouvi dizer que o Elon Musk ficou chateado e me chamou de ‘Neil Velho’, mas, ei, eu tenho a mesma idade do sujeito que está gerindo o país”. E assim o mestre canadense oficializou a música que tocou ao vivo essa semana, uma versão de “This Land Is Your Land” em que ele fala para as empresas montadoras de carro dos EUA darem um jeito de produzir carros melhores senão vão ser engolidas pelas da China – e aproveitou para dar uma cutucada ferina no bilionário que comprou a presidência dos EUA para Trump ao cantar que “se você for um fascista, compre um Tesla”. Talkin To The Trees é o primeiro disco que Young lança com a banda Chrome Hearts, que montou no ano passado para cumprir datas que sua tradicional banda, o Crazy Horse, não pode cumprir, por questões de saúde de alguns de seus integrantes. Formada pelo veterano organista Spooner Oldham (que tocou com deus e o mundo, de Aretha Frankin a Bob Dylan, passando por Wilson Pickett, Sheryl Crow, Jewel e Frank Black), pelo guitarrista Micah Nelson (filho de Willie Nelson) e pela cozinha de outra banda de Young, o Promise of the Real, com o baixista Corey McCormick e o baterista Anthony LoGerfo, a banda lança seu disco de estreia no dia 12 de junho (já em pré-venda) e tanto o single quanto o nome das faixas podem ser vistos abaixo: Continue

O Stereolab não está pra brincadeira e soltou mais uma de seu próximo disco, Instant Holograms on Metal Film, o primeiro disco de inéditas em 15 anos, que será lançado no próximo dia 23. E depois da ótima “Aerial Troubles”, que fugia de qualquer expectativa em relação aos próximos passos, eles soltam agora a magnífica “Melodie is a Wound”, que com seus quase oito minutos de groove repetitivo já pode ser considerada um novo clássico da banda anglofrancesa que já tem data marcada para vir ao Brasil.

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“O encontro com Lenine aconteceu de forma mais direta no carnaval recifense do ano passado, quando ele assistiu ao meu show no Polo da Várzea”, explica a sagaz pernambucana Flaira Ferro sobre o encontro com seu ídolo e mestre, com quem acaba de gravar um single,”Afeto Radical”, que será lançado nesta terça mas já pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Para quem não sabe, o carnaval do Recife é bem espalhado, com palcos em vários pontos da cidade e o da Várzea é um deles. Toquei antes dele e, sem saber, ele foi para a coxia do palco e ficou assistindo de lá. Segundo a galera que estava vendo, ele tava pirando, dançando, curtindo o show. Quando terminei minha apresentação, ele me chamou para ir ao camarim.”

Flaira continua explicando como foi o encontro: “Lá, ele falou um monte de coisas lindas sobre o show, disse que já estava há tempos esperando para ver ao vivo, que já conhecia o meu trabalho, mas nunca tinha me visto no palco. Ele me contou também que a família dele, em especial a irmã que faleceu há alguns anos, falava muito dos meus shows e que ela ia direto. Nesse momento, rolou uma sinergia, uma troca de carinho real. Foi algo genuíno, sabe? Uma conexão muito forte. Eu sou muito fã dele, ele é uma força inspiradora para mim há mais de 15 anos. Escuto suas músicas como um norte, uma referência, desde antes de eu começar a trabalhar com música.”

“Quando nos reencontramos naquele carnaval, senti uma intimidade se construindo, e eu sabia que, em algum momento, seria possível fazer algo juntos. Era um sonho meu conseguir registrar algo com uma figura que eu admiro tanto. Para mim, a ideia de feat e singles vai além do aspecto mercadológico, que muitas vezes se resume a juntar públicos diferentes. Para mim, esses encontros precisam ter um propósito verdadeiro, algo que venha do coração, da essência de cada artista. E o Lenine é essa figura que me inspira profundamente, com suas canções que falam de sabedoria existencial e força motora.”

“Então, em 2024, no primeiro semestre, eu o convidei para colaborar, por mensagem. Ele respondeu na hora: ‘Você pode contar comigo sim! Adoraria dividir uma de suas canções’ E foi tudo muito rápido, muito fluido, fácil. Eu mandei a música para ele e, pouco tempo depois, ele já estava gravando no estúdio O Quarto, no Rio de Janeiro, com Bruno Giorgi, seu filho, que também é produtor. Eles me mandaram as vozes, e a gente pirou. Foi tudo muito tranquilo, rápido, e isso só tornou a experiência ainda mais especial.”

“O single ‘Afeto Radical’ que nasceu dessa colaboração tem muito a ver com a proposta do Lenine”, continua Flaira. “A sonoridade e a mensagem dela têm tudo a ver com o que ele transmite nas suas canções. Foi um encontro de essências, e é por isso que essa música é tão importante para mim. Quando avisei para ele que o nosso single sai agora dia 11, ele respondeu: “Flaira querida, Que bom que o novo rebento tá chegando! Adorei estar junto contigo…, te curto faz tanto… Sim, nos veremos no reinado de momo e brindaremos nosso encontro! Xêro gigante”.

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