Com dois de seus integrantes morando em São Paulo, dois no Recife e um no sul da Bahia, o grupo Mombojó inevitavelmente entrou num estágio de hibernação. Foi o período em que lançaram a colaboração com a vocalista do Stereolab Laetitia Sadier e que o vocalista Felipe S. lançou seu primeiro disco solo, mas também foi o tempo para arquitetarem uma volta que os tornasse viáveis como integrantes de uma banda mesmo com as distâncias geográficas no meio. Pioneiro no uso da internet para publicar seu trabalho, o grupo agora vem usando a rede para encurtar estas conexões e anuncia o sexto disco da banda, MMBJ12, que será lançado uma canção por vez até completar doze faixas no ano que vem. O primeiro single é a faixa “Ontem Quis”, que antecipa uma pequena turnê que o grupo faz entre setembro e outubro, passando pelo Rio de Janeiro (dia 11), Belo Horizonte (dia 12), São Paulo (dia 20) e Recife (dia 5).
Bati um papo com o Felipe sobre esta nova fase do grupo, que aproveitou para fazer um balanço destes anos no Mombojó.
Como aconteceu esta volta do Mombojó? Há quanto tempo vocês estavam parados?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-aconteceu-esta-volta-do-mombojo-ha-quanto-tempo-voces-estavam-parados
Como vocês farão nesta nova fase, ainda mais morando em estados diferentes?
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O ciclo com Laetitia Sadier foi concluído?
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O quanto o sucesso do Del Rey atrapalhou a boa fase do Mombojó?
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Vocês são digitais desde que surgiram. Ainda faz sentido prensar um disco?
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Você continua fazendo seu trabalho solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voce-continua-com-seu-trabalho-solo
Como você vê as mudanças no mercado independente desde que vocês começaram?
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E os shows?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-ha-previsao-de-shows
A cantora baiana Josyara lança seu segundo disco, produzido por Junix, do BaianaSystem, ainda este mês e antecipa a faixa-título, “Mansa Fúria”, em primeira mão para o Trabalho Sujo.
Vem quente…
Começando a preparar seu quarto disco, batizado de Tuda, Bárbara Eugenia lança mais um single reforçando a vibe “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style” que determinou ao novo disco no início do ano, quando apresentou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira. “Confusão”, faixa em parceria com Felipe Cordeiro, e não só produziu a faixa, como fará durante seu próximo disco, como também dirigiu o clipe, reforçando a ideia que irá segurar ela mesma as rédeas do próximo trabalho, prometido para o segundo semestre. A faixa também mostra sua afeição em relação aos timbres eletrônicos, que devem dominar o disco, e que serão sublinhados pela nova aquisição de sua banda, a tecladista Cris Botarelli, que também toca e canta no Far from Alaska.
A cantora cearense lança o primeiro single de seu novo trabalho, “De Manhã, Logo Cedo”, composta por Juliano Gauche e produzida por Daniel Ganjaman, lançada em primeira mão no Trabalho Sujo.
O single é um lançamento do selo paulistano EAEO.
A cantora francesa Laure Briard encontrou porto seguro no Brasil e acaba de gravar o EP Coração Louco no estúdio Mestre Felino, em Mogi das Cruzes, ao lado dos locais Hierofante Púrpura, com produção do guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz. Este foi instrumental ao reunir seus companheiros de banda – o guitarrista Dinho e o baterista Ynaiã Benthroldo – para participar da gravação, que, entre outras, gerou a bossa novinha lo-fi “Cravado”, lançada em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Essa talvez seja a música mais pop do EP”, conta Benke. “É um sambinha bem simples, mas bem carismático, por isso, já que não somos sambistas, optamos por um arranjo mais lo-fi captando Dinho e Ynaiã tocando ao vivo juntos na sala, violão e bateria respectivamente. A roupagem mais crua da canção junto do sotaque de Laure cantando as letras em português soaram especiais de cara”. A cantora lembra da primeira vez que ouviu a música e como se apaixonou à primeira audição. “Escutei Dinho tocar a música na guitarra e na mesma hora me apaixonei. E ele simplesmente disse que poderia me dar para gravar. A letra fala muito o que estava sentindo no momento”, lembra, se referindo à música composta pela irmã de Dinho, Flávia Carolina. Além de Ynaiã, Dinho e Laure, a faixa também conta com Benke tocando baixo. É o segundo single que ela mostra deste próximo disco, o primeiro foi “Janela”, composição dela mesma:
Coração Louco será lançado em junho pela gravadora francesa Midnight Special Records.
A banda mineira Moons, projeto paralelo do André Travassos, guitarrista da falecida banda mineira Câmera, está prestes a lançar seu segundo álbum, antecipa mais um single “Fire Walks With Me” em primeira mão para o Trabalho Sujo.
O single foi obviamente inspirado pelo seriado de David Lynch, como explica o próprio André: “Passei anos da minha vida ouvindo amigos falarem mil maravilhas de Twin Peaks. Me lembro vagamente da série sendo exibida na TV aberta do Brasil mas até o final do ano passado não tinha tido interesse suficiente para uma aproximação. Foi quando me deparei com um vídeo onde o compositor da trilha Angelo Badalamenti, sentado a beira de um fender Rhodes, narra como foi guiado por David Lynch para compor a música tema de Laura Palmer. Dali em diante mergulhei de cabeça na série. Me apaixonei por diversos personagens, o carisma de cada um deles, a história surreal e envolvente, a bucólica cidade, suas matas, mistérios e o típico café americano Double R. E, apesar de toda tensão, desejei por vezes estar ali. Poucas vezes me identifiquei tanto com personagens com Harry, Andy, Agent Cooper, Hawk e Gordon! Ah como eu queria ser um dos Bookhouse Boys. Fire Walks with Me, a música, não é propriamente sobre a série em si. Mas faz referência direta já que seu nome vem da frase que permeia toda a série e acompanha Dale Cooper como uma charada a ser desvendada.” O single estará disponível em todas as plataformas digitais a partir dessa sexta-feira e o disco, Thinking Out Loud, será lançado na próxima semana.
Mais uma faixa do próximo disco do Chromeo na área e embora “Bad Decisions” não saia do funk oitentista típico da dupla canadense, ela desce um pouco o tom e o BPM, soando como “um tipo de funk bop lento anos 80 dos Talking Heads e meio tipo as coisas do Funkadelic”, como explicou Dave1 ao radialista Zane Lowe em seu programa na rádio Beats.
Sonzeira. Head Over Heels, o próximo disco da dupla, sai em junho.
Prestes a lançar seu sétimo álbum nas vésperas de uma Copa do Mundo, Maurício Pereira não esconde sua paixão pelo futebol e dedica uma faixa inteira de seu Outono no Sudeste, que será lançado ainda este mês, ao belo jogo. “Eu adoro futebol”, me escreve o Pereirão. “Mas o futebol como ele é hoje, veloz, racional, às vezes me enche um pouco o saco. Não sou nostálgico, mas sinto falta de um pouco de fuleiragem, sonho, molecagem.”
“Então um dia – um pouco antes do famoso 7 a 1 – catei um groove do Tonho Penhasco e viajei em cima dele. Pensei no Tião, parceiro clássico do Rivelino no meio campo do Corinthians. Bola no chão, olhar no infinito, cadência, respiro. No arranjo, um toque precioso do Gustavo: a bateria do Biel (Basile) e o baixo do Henrique (Alves) é que iam conduzir o groove, deixando espaço vazio pra a conversa do piano do Pedro (Montagnana) com o violão do Tonho. Nos coros, novamente os Pereirinhas (os filhos de Maurício: Tim, Chico e Manuela) – e de quebra ainda matei a vontade de fazer uma locução de futebol nos moldes do mestre Fiori Gigliotti.”
Ele mostra a futebolística “Quatro Dois Quatro” em primeira mão no Trabalho Sujo – e a ação nas quatro linhas é só mais uma canção que usa o futebol como metáfora para a vida em versos como “buscar o espaço, se apresentar”, “levantar a cabeça e imaginar”, “sentir que tudo tem seu tempo”, “coração é o nosso escudo e um par de asas, o único peso que devemos carregar”, “beber com o inimigo”, “atirar todo o dinheiro pela janela e depois sair correndo atrás dele feito louco”, “perder o medo de perder”, “bola pra frente, sem nostalgia nenhuma”, entre outras pérolas líricas.
O disco foi produzido por Gustavo Ruiz – sugerido por seu filho Tim – e ainda conta com parcerias de Maurício com Skowa, Edson Natale, Lu Horta (a já lançada “Mulheres de Bengalas“) e Arthur de Faria. Eis a capa (da artista plástica Biba Rigo) e a ordem das músicas do novo disco:
“A Mais (Rubião Blues)”
“Tudo Tinha Ruído”
“Cartas Pra Ti”
“Florida”
“Os Amigos ou O Coração é Um Órgão”
“Mulheres de Bengalas”
“Outono no Sudeste”
“Não Me Incommodity”
“Piquenique no Horto”
“Quatro Dois Quatro”
“Maldita Rodoviária”
“Uma Pedra”
Rodolfo Krieger, baixista da banda gaúcha Cachorro Grande, está começando a trabalhar em sua carreira solo ao anunciar o lançamento de um EP no segundo semestre com a faixa “Louvado Seja Deus”. De inspiração psicodélica – bebendo tanto na fonte inglesa clássica dos anos 60 quanto em sua versão dance que aconteceu duas décadas depois -, o single, cujo clipe é apresentado em primeira mão no Trabalho Sujo, é a semente de uma conexão com um dos maiores nomes de nossa psicodelia – e do rock brasileiro -, o mutante Arnaldo Baptista, que é sampleado na frase que batiza a canção, extraída do disco Let it Bed, de 2004.
“Eu ainda estava morando em São Paulo, desfrutando das noites frenéticas da Rua Augusta, e entrei em uma fase Arnaldo Baptista, daquelas que vem de tempos em tempos”, me explica Rodolfo por email. “As audições eram diárias e constantes, em uma dessas viagens em meu apartamento, decidi escrever uma carta à mão para ele. Na carta escrevi sobre discos voadores, equipamentos valvulados e também contei um pouco sobre as canções que eu estava compondo, inclusive algumas muito influenciadas por ele, devido às exaustivas sessões do ex-mutante no meu toca-discos. O tempo passou e um dia, quando estava voltando de um show da Cachorro Grande, o porteiro do meu prédio me entregou um pacote com o nome da Lucinha – esposa do Arnaldo – como remetente. Quando eu abri me deparei com uma camiseta pintada a mão por ele, uma carta e um pequeno quadro que ele pintou com a seguinte frase ‘creia em seus sonhos’ aí foi o start para dar inicio às minhas gravações e começarmos a trocar alguns manuscritos e presentes!”
Sarau o Benedito?
A conexão já gerou frutos para além do single, quando o cachorro grande participa de uma homenagem feita ao mutante no dia 20 de maio, quando ele dirige um show-tributo a Arnaldo com a presença do próprio e de outros convidados como China, Karina Buhr, Hélio Flanders e Lulina na Caixa Cultural, em São Paulo. A homenagem encerra o ciclo Sarau o Benedito? que também terá apresentações solo do mutante nos três dias anteriores. “Quando surgiu o convite para fazer a homenagem, pensei logo de cara que tinha que fazer algo diferente. Como um bom fã do Arnaldo, sempre vou em homenagens que vez ou outra acontecem e a maioria dos repertórios dão ênfase ao Loki?! e aos discos dos Mutantes. Então, montei o repertório baseado apenas nos álbuns Elo Perdido, Singin’ Alone e Let it Bed. E confesso que esse é um show que eu sempre quis fazer, aquelas musicas do Elo Perdido são uma paulada!”
Ele antecipa algumas pérolas desta noite ao instigar um pouco sobre quem toca o quê: “Posso te adiantar que o Helio Flanders vai aparecer com um trompete em ‘I Fell in Love One Day’ e a Karina Buhr, aniversariante do dia, vai cantar a musica ‘Oh Trem’ numa versão explosiva tipo ‘Yer Blues’, do White Album, do Beatles.”
“Venho da geração da fita K7, quando na zona sul de Porto Alegre tinha um grupo de amigos que sempre pirateavam algumas fitas e em uma das milhares dessas fitas, encontrei algumas dos Mutantes”, Krieger lembra de como conheceu o grupo. “Mas foi no final dos anos noventa que adquiri a discografia em CD. Nessa época já fazia alguns covers com os conjuntos locais e sempre acabava rolando músicas deles nas rodas de violão. Hoje tenho tudo em vinil e que não sai da minha vitrola, assim como os Beatles, David Bowie e todos aqueles clássicos que a gente é fã desde moleque. Já o trabalho solo do Arnaldo só tive acesso quando pisei em São Paulo pela primeira vez, em 2005. Meu sonho era conhecer a galeria do rock e no dia que entrei lá enlouqueci, o primeiro álbum que eu comprei foi o Lóki. Foi amor à primeira vista e agora estamos aqui, nós dois juntos reunidos em uma música só!”
Ele não esconde a vontade de colaborar com o mestre: “Estou deixando o universo conspirar. Eu não vou negar que adoraria fazer alguma coisa com ele, tanto no palco, quanto no estúdio. Foi dada a largada e existe muita energia na nossa relação, algo que eu acredito que possa jogar a favor. Mas só de ele ter liberado o sample e topado participar do clipe já é um sonho realizado.”
“Os Mutantes são o nosso maior patrimônio musical, sem dúvida nenhuma”, empolga-se. “Aquela frase que o Rogério Duprat fala no documentário Lóki é muito certeira: ‘o Arnaldo Baptista é o responsável por quase tudo que aconteceu no Brasil de 67 para frente’.
O produtor carioca Alexandre Kassin lançou seu terceiro álbum, Relax, no Japão em 2017 – e agora prepara-se para mostrá-lo por aqui, puxando o lançamento, com a versão que fez ao lado de Clarice Falcão para “Something Stupid” – imortalizado nas vozes de Frank e Nancy Sinatra -, na versão feita nos anos 60 pela dupla Leno e Lilian. O disco ainda conta com participações do soulman Hyldon e da banda portuguesa Orelha Negra e tem previsão de ser lançado por aqui no final de março, pelo selo Lab 344.












