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AC/DC no Brasil!

O AC/DC acaba de anunciar que fará mais uma turnê e passa pela primeira vez no Brasil em 16 anos! Batizada de Power Up, a excursão da banda australiana vem para o continente americano no ano que vem, quando passam primeiro pela América do Sul (tocando dia 24 de fevereiro em São Paulo, 11 de março em Santiago, 23 em Buenos Aires) e toca depois para a América do Norte (passando na Cidade do México dia 7 de abril e subindo para os Estados Unidos e Canadá a partir de julho. Os ingressos para o show no Brasil começam a ser vendidos na próxima sexta, neste link. Eu é que não sei se tenho mais disposição pra encarar um show dos caras…

Quem brilhou neste domingo, mesmo com o som baixo do Índigo Festival, foi o Weezer do menino Rivers Cuomo, que lavou a alma dos fãs ao transpor o repertório para além do disco azul, que teoricamente era o centro do show. Tocando 20 músicas em pouco mais de uma hora, o grupo também passa por uma transformação geracional, quando as bandas de indie rock dos anos 90 começam a surgir como artistas de um novo rock clássico. Falei sobre isso no texto que escrevi sobre o show pro Toca UOL. Continue

Com apenas cinco shows (todos bons) e poucas horas de duração, o Índigo Festival, que aconteceu neste domingo no Parque Ibirapuera, conseguiu acertar as medidas para que um festival de música não se tornasse nem sinônimo de maratona nem de perrengue. Claro que tem coisas pra se corrigir (uma atração brasileira? O som poderia estar mais alto e a duração poderia ser ainda menor), mas para uma primeira edição, o festival fez bonito, ainda mais encerrando em grande estilo com o Weezer. Escrevi sobre o festival em mais uma colaboração para o Toca UOL. Continue

As paisagens musicais desenhadas pela música são entendidas de formas diferentes por cada um dos ouvintes, mas é impressionante como o quarteto de rock tuaregue Etrain de L’Air consegue fazer todo o público sintonizar numa mesma frequência, que desenha horizontes desérticos e caravanas em movimento ao mesmo tempo em que põe todos para dançar. O fato de subirem ao palco vestidos com suas túnicas, taguelmustes e lithams inevitavelmente aciona o inconsciente coletivo que nos leva ao norte da África, em que povos nômades cruzam o Saara em longas e pacientes travessias. Mas a junção de duas guitarras, baixo elétrico e bateria inevitavelmente nos leva para o território do rock, o que ajuda a traçar conexões tão distintas entre rockabilly, surf music e heavy metal buscando origens que podem estar mais perto do Equador do que se pensa. O quarteto do Níger foi uma das atrações do último fim de semana do Sesc Jazz e manteve o alto nível que pode ter tornar esta a melhor edição do festival. E não teve dificuldades de envolver o público em uma dança que, apesar de movida a guitarradas, era essencialmente impulsionada pelo ritmo e pelo groove dos quatro instrumentos atacando em uníssono. Um longo transe elétrico de mais de uma hora e meia transformou a comedoria do Sesc Pompeia em um bailão intenso, suor pingando do teto e o público completamente entregue ao grupo. Delírio.

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“Eu nunca achei que a gente ia viver de música quando a gente fez essas músicas, eu nunca achei que ia ter esse tanto de gente pra ouvir e cantar essas músicas desse jeito, quando a gente lançou esse disco a gente nem tocava ele inteiro”, comemorou Dinho no final da comemoração de dez anos do segundo disco dos Boogarins, Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos, que o grupo fez nesta quinta-feira no Cine Joia. Com a casa lotada e o público cantando todas as músicas (inclusive os solos de guitarra), o grupo deslizou seu disco mais pop com a química musical e a excelência sonora que atingiram picos que os goianos nunca poderiam imaginar quando o gravaram originalmente, como o guitarrista bem salientou ao final da última música, “Auchma”, esticando sempre os miolos instrumentais para lugares improváveis. E para não ficar preso no passado, o grupo sequer parou para um bis e já emendou com uma sequência de músicas do disco novo Bacuri (“Amor de Indie”, “Chrystian & Ralf”, “Chuva dos Olhos” e a faixa-título) e encerrou a viagem com uma versão delírio para o hit “Foi Mal”. E os cabelos do Fefel estavam ótimos.

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“Ninguém me retira do Bom Retiro!”, Tom Zé começou o show que deu nesta quinta-feira celebrando o bairro em que a unidade do Sesc onde se apresentou fica instalada. Para receber a quase nonagenária lenda viva da música brasileira – o baiano acaba de completar 89 anos! -, o Sesc Bom Retiro preferiu fazer o show fora de seu teatro fechando a área livre da unidade para comportar mais gente, num espetáculo cujos ingressos esgotaram-se rapidamente. E a alegria contagiante do protagonista da noite começou quase instantaneamente, mesmo que tenha preferido ir de forma comedida, chamando um novo músico a cada nova música no início da apresentação. Mesmo em apresentações mais intimistas (quando dividiu “A Boca da Cabeça” apenas com o guitarrista Daniel Maia e depois quando fez “Curiosidade” com Andréia Dias, que está cantando na banda do mestre). Quando toda banda subiu no palco, pode passear, sem regras pré-estabelecidas, diferentes fases de sua carreira, emendando “Nave Maria” com “Jimmy Renda-se”, “Um ‘Oh!’ e Um ‘Ah!’” com “Jingle do Disco”, sua “2001” composta com Rita Lee com “Tô” e “Hein?” com “Politicar”. O público, boa parte formada por fãs de Tom, não fez cerimônia e fez coro em várias músicas, deixando Tom Zé à vontade para colocar todo para cantar. E dançar! Tão empolgante quanto vê-lo sorrindo enquanto canta é notar como Tom Zé mexe com seu corpo continuamente, sempre entregando-o à música, fazendo a própria dança parte de sua sonoridade. A idade pareceu pedir para encurtar o show antes da hora, mas Tom Zé voltou animado para um bis não apenas como uma, mas duas músicas, quando emendou a envolvente “Xique-Xique” com a implacável “Parque Industrial”, uma música que parece fazer ainda mais sentido em 2025 do que no ano em que foi lançada, 1968. A benção, Tom Zé!

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O grupo Florence + The Machine acabou de lançar um novo disco (Everybody Screams) e para divulgá-lo gravou uma sessão acústica de músicas do novo álbum na rádio Siriusxm – mas não só. E para fugir do roteiro apontando para o clima de dia das bruxas, eles voltaram para sua “Which Witch?” que já tem dez anos de idade e a emendaram com duas “Abracadabra” – a primeira, claro, uma versão para o primeiro single do disco que Lady Gaga lançou esse ano, mas também acenando para o clássico hino soft rock da Stevie Miller Band. Ficou jóia.

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Festa não, festival. A comemoração dos dois anos do bar Matiz, que já entrou no mapa da noite paulistana com DJ sets e shows inacreditáveis, acontecerá em outro endereço, também no centro de São Paulo, e reunirá, no mesmo dia 6 de dezembro, nada menos que shows de Nubya Garcia, Azymuth e o encontro inédito de Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago, além de discotecagens encabeçadas pelo DJ Nyack. Os ingressos já estão à venda e mesmo sem saber onde vai ser realizado, acho que vai ser imperdível.

A vez da Céu

O Tiny Desk Brasil dessa semana é com a Céu e aos poucos o prumo da versão brasileira do programa (depois de João Gomes, Metá Metá com Negro Leo, finalizando com Péricles) parece que vai se definindo – ou será que eles ainda podem dar mais um cavalo de pau em nossas expectativas?

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Novembro se avizinha e aos poucos vamos encerrando 2025 – e com o ano vamos encerrando mais uma safra de apresentações musicais no Centro da Terra, pois este é o último mês em que ocuparemos todas as segundas e terças do mesmo mês, já que dezembro temos menos datas para shows. Quem faz a última temporada do ano, batizada de Paisagens e Conexões, é o mestre percussionista Ari Colares, que reúne novos e velhos para noites em que coloca todo mundo em sua Canoa, cada semana com um time diferente de músicos, juntando nomes tão diferentes quanto Benjamim Taubkin, Lari Finocchiaro, Ricardo Zoyo, Lenna Bahule, Toninho Carrasqueira, Viviane Pinheiro , Vanille Goovaerts, Ricardo Herz, Ariane Rodrigues, Alexandre Ribeiro e Heloísa Fernandes, criando diferentes formações por apresentação. Na primeira terça-feira do mês (dia 4) quem segura a noite é o trio Tranca, formado por Juliana Perdigão, Bernardo Pacheco e Juliano Gentile, que convida o grupo audiovisual MeioLAB e o músico Murilo Kushi, tocando o instrumento japonês sanshi, para uma noite de improviso livre chamada de Trinta Tons de Tranca. Na segunda semana (dia 11), Felipe Vaqueiro apresenta Ensaios Diamantinos, em que mergulha no universo do garimpo da Chapada Diamantina, pela lente do ex-garimpeiro Leôncio Pereira, apresentação solo acústica que funciona como piloto do projeto Saga Diamantina, que se transformará em um álbum visual lançado por seu grupo Tangolo Mangos. A terceira terça-feira do mês (dia 18) fica por conta do guitarrista Caio Colasante, que apresenta o espetáculo Atropelado, em que mostra as canções solo que estarão em seu primeiro disco solo, ainda em construção, que exploram o cotidiano urbano e suas camadas entre a sátira, o romantismo e a introspecção, misturando referências tão distintas quanto King Krule, Stereolab, João Donato e Moreira da Silva. A programação do mês encerra-se com Preto no Branco, que a pianista Julia Toledo apresenta na última terça de novembro (dia 25) suas primeiras composições solo para além do repertório de sua banda anterior, o Trio Cordi, agora explorando os limites da canção com o improviso e a música erudita, amém do potencial de comunicação da palavra e do som. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.