
Vocês viram que semana que vem tem mais um festival em São Paulo – e dessa vez ninguém sabe quem vai tocar. O No Line-Up Festival é um evento assinado pela cerveja Heineken, que trará 15 atrações em doze horas de shows, no próximo dia 25, na Fábrica de Impressões, na Barra Funda, em São Paulo. A ideia de fazer um evento sem contar quem serão as atrações parece apenas uma daquelas sacadas de publicitário pra tentar colocar a experiência à frente das atrações, mas com a curadoria assinada pelo jornalista Lúcio Ribeiro (que faz o Popload Festival) e pelo dramaturgo Felipe Hirsch (que também é curador do C6 Fest) há um mínimo de segurança de atrações convincentes e contemporâneas, puxando mais prum lado indie e dance, do que pra outros gêneros musicais, embora possa ter um pouquinho de música queer e um tanto de rap também. Outra vantagem é que o festival é gratuito e é preciso se inscrever no aplicativo do evento para garantir os ingressos. Tem uma graça nesse formato que é a possibilidade de assistir a shows de artistas virtualmente desconhecidos, sem precisar que a popularidade ou o hype balizem o evento. Nesse sentido, ele pode se tornar o extremo oposto de um publifestival, quando o público será apresentado aos nomes na hora em que os artistas subirem no palco. É uma confiança quase cega na curadoria – que se acertar pode fidelizar o público de um jeito bem interessante – e que exige que o público entre de coração aberto para a novidade. Mas ao mesmo tempo é uma faca de dois gumes, pois qualquer deslize pode botar tudo a perder. A ver.

Rafael Castro e Juliana Calderón finalmente estão colocando sua banda Repentina na rua, projeto musical dos dois que estreou no palco do Centro da Terra no primeiro ano em que comecei a fazer a curadoria de música do teatro, quando a apresentação do grupo fez parte da temporada Mete o Louco, que Rafael fez no segundo semestre de 2017 por lá. Acompanhados da bateria precisa e new wave de Gongom e do versátil trompete de Gá Setúbal, os dois destilam sarcasmo e ironia em canções que quase sempre falam de amor e seus desdobramentos inevitáveis misturando música pop com rock, MPB e um retrogosto de indie rock e mostrando que o universo da banda está pronto para grudar em nossos repertórios mentais. Eles mostraram as músicas que estarão no disco A Primeira Última Vez, pronto desde a primeira vinda da banda e que deve ser lançado ainda esse ano, e fizeram o público entrar em sua onda. Maravilha!
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Um prazer receber a nova aparição da banda Repentina, formada a partir do encontro dos grandes Rafael Castro e Juliana Calderón que, como reza o nome, ressurge sem aviso depois de um hiato recente – agora com Ga Setúbal e Gongom na formação -, antecipando o próximo álbum, A Primeira Última Vez, no espetáculo Música de Amor, batizado a partir de uma das canções do disco que será lançado ainda este ano. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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O segundo Tiny Desk Brasil, exibido nessa terça-feira, foi também o primeiro a ser gravado, no dia 2 de setembro deste ano – e foi a edição cuja gravação pude presenciar ao vivo. Depois de João Gomes, a não assumida mesinha foi para outro extremo do espectro da nossa música e reuniu o querido trio Metá Metá ao idiossincrático Negro Leo, numa curta apresentação em que além de tocar “Rainha das Cabeças”, “Bará Bará” e “Obatalá”, ainda fizeram “Sem Cais” (que Leo compôs para o soberbo Delta Estácio Blues, segundo disco de Juçara Marçal, produzido por Kiko Dinucci, trazendo finalmente Thiago França para o universo DEB) e “Eu Lacrei” do próprio Leo num show, como de praxe, foda.
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Kiko Dinucci encheu o Centro da Terra mais uma vez, agora como integrante da temporada que o selo Desmonta está fazendo no teatro, sempre trazendo velhos e novos compadres em apresentações feitas para o aniversário de 18 da iniciativa de Luciano Valério. O bardo de Guarulhos veio só com o violão e, ao contrário de seu plano original, em que testaria novas sonoridades com seu próprio repertório, preferiu focar no período em que lançava discos pelo selo anfitrião, reunindo no decorrer da noite músicas do disco que lançou com seu Bando Afromacarrônico, no Duo Moviola que tinha com Douglas Germano (#voltaduomoviola), no seu disco de compositor Na Boca dos Outros (em que convidava vocalistas para cantar suas músicas) e nos dois primeiros do Metá Metá. Entre as canções, soltou seu lado cronista lembrando dessa fase de sua biografia, indo das noites de quarta-feira no Ó do Borogodó aos tempos do Cecap em Guarulhos, enumerando causos que misturava personagens típicos e situações do início de sua carreira profissional, quase sempre confirmando algumas dessas histórias com o próprio Luciano, que conhece desde os tempos do prézinho, como chamávamos a aula de alfabetização (hoje o primeiro ano) nos tempos em que a TV só tinha seis canais e saía do ar de madrugada. No percurso, passeou por “Deja Vu”, “Fio de Prumo”, “Engasga Gato” e “Santa Bamba” (duas em que reclamou dos trava-línguas que compunha quando era mais novo), “Partida em Arujá (Manezinho)”, “Depressão Periférica”, “Anjo Protetor”, “Oranian”, “Cio”, “Samuel”, “Mal de Percussión” e “São Jorge”, sempre alternando o tanger das cordas de seu violão sambista entre o batuque da fundo de quintal e o pogo de shows de hardcore, usando quase sempre o corpo do instrumento como percussão. No bis voltou com duas pérolas pessoais, a ode ao samba paulistano “Roda de Sampa” e a clássica contemporânea “Vias de Fato” que, tocada depois que Kiko ironizou não ter hits, foi acompanhada por todos num coro silencioso, solene e apaixonado. Tudo isso sob a luz atenta de Giorgia Tolani, por vezes intensa e difusa, outras hiperrealista, como os causos musicados de Kiko. Foi lindo.
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Encerrando a etapa californiana de sua turnê pelos Estados Unidos, Dua Lipa celebrou dois ícones pop de São Francisco nos dois show que fez na cidade nesse fim de semana. Ela começou os trabalhos no sábado, quando visitou o blues imortal de “Piece of My Heart” de Janis Joplin, numa versão light que ficou aquém de seu potencial vocal (vai ver ela não estava inspirada no dia). E no domingo ela recebeu o próprio vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, para marcar de vez a mudança de estação com sua balada “Wake Me Up When September Ends”. Sua próxima parada é em Seattle. Será que ela vai de Jimi Hendrix, Heart ou Nirvana?
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Robbie Williams adiou o lançamento de seu próximo disco, batizado de Britpop, para o ano que vem, pois não queria correr o risco de ser destronado por Taylor Swift. “É bem egoísta, eu quero meu décimo sexto disco no topo da parada”, disse ao jornal Guardian, explicando a nova data de um disco cujos singles que já foram mostrados contam com participações especiais de Tony Iommi, do Black Sabbath, e da dupla mexicana Jesse & Joy. E para não perder o espaço nos holofotes, pinçou o primeiro hit da banda “Wet Leg” para tocar em uma apresentação que fez no programa Radio 1 Anthems Live Lounge da BBC londrina. Além de misturar o hit “Chaise Longue” com sua própria “Candy” e com o grito de guerra dos Ramones, ele ainda mudou o início da música, falando de sua própria carreira, ao cantar que “eu entrei no Take That e ganhei diploma de pop star”. Ficou massa.
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Duas estreias na edição deste sábado do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma. A primeira foi uma estreia de fato, quando Isabella Gil e Zyom finalmente colocaram em prática seu projeto musical Soxy – que só existia no quarto delas e em alguns MP3s no Soundcloud. A princípio elas iam tocar sozinhas – Bella na guitarra e vocais, Zyom nos vocais -, mas por ser a primeira vez chamaram o camarada Lucas Cavallin, guitarrista da banda curitibana Marrakesh, com quem elas estão gravando os primeiros sons, para ajudá-las nesse debut e o convite deu certo, trazendo uma nova camada da fase Doug Yule do Velvet Underground à crueza blues das duas, que tocaram apenas músicas próprias em seu primeiro show, um feito e tanto. Uma bela estreia – e elas já querem fazer outros shows!
A outra estreia desta sexta-feira já é de uma banda veterana na festa, quando as Boca de Leoa tocaram pela primeira vez no Redoma. Cada vez mais entrosadas, elas também fizeram o show inteirinho autoral, salvo à exceção da bela versão trip rock que fazem para “Azul Moderno”, de Luiza Lian, que voltou para o repertório. É muito bom vê-las tocar, como a precisão discreta da baixista Duriu e da guitarrista Nina Goullos encaixa-se com a força carismática da baterista Bee Cruz e da vocalista Duda Martins, que dessa vez tocava um synth. Acompanho a carreira delas há dois anos, logo que Nina entrou na banda e fechou essa formação e é muito bom ver a evolução do quarteto. E encerraram a noite tocando duas músicas, apontando para o que já pode ser o sucessor do disco de estreia que lançaram esse ano, No Canto da Boca. Vamos lá, garotas!
#inferninhotrabalhosujo #bocadeleoa #soxy #redoma #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2025shows 219 e 220

Mais uma vez levo meu Inferninho Trabalho Sujo para o Redoma e no dia 10 de outubro, assistiremos a mais uma apresentação de uma banda que cresceu com a festa e mais uma atração que estreia no nosso palco. Quem abre a noite é a dupla Soxy, formada pelas vocalistas Zyom e Isabella Gil, que também toca guitarra e faz sua estreia ao vivo fundindo de forma experimental e DIY gêneros musicais como indie/alt-rock e dream pop, com um quê de nostalgia, em formato intimista. Já a Boca de Leoa, que já passou por diferentes palcos do Inferninho, estreia no Redoma mostrando seu disco de estreia que lançou este ano, No Canto da Boca, misturando rock e brasilidade com muita personalidade. E eu toco antes, entre e depois dos shows no Redoma, que fica na rua Treze de Maio, 825-A, no Bixiga. A festa começa às 21h e os ingressos já estão à venda.

Se Dua Lipa já tinha subido bem o sarrafo ao puxar uma música do Mamas & The Papas e outra do Fleetwood Mac como suas primeiras celebrações californianas, durante sua turnê pelos EUA, nas duas outras noites que tocou em Los Angeles, ela trouxe talvez duas de suas melhores participações locais dessa turnê. Na primeira noite, na terça-feira, ela trouxe para o palco ninguém menos que o senhor Lionel Richie, irretocável, para celebrar sua essencial “All Night Long”. No dia seguinte, ela foi ainda mais fundo e trouxe a própria Gwen Stefani para dividir os vocais do maior hit de seu grupo No Doubt, a baladaça “Don’t Speak”. É tão bom vê-la não apenas mapeando os hits da cidade em que passa, mas colocando-os em uma genealogia própria, que parece seguir a cronologia do rock clássico, mas que também apóia-se em grandes hits pop (e não importa se é um rap, uma música latina ou um rock farofa) e baladaças arrasa-quarteirão, mostrando de onde ela veio. A próxima parada ainda é na Califórnia, mas dessa vez em São Francisco.
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