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Show


Midnight Juggernauts – “Vital Signs”


MGMT – “Flash Delirium”


Titus Andronicus – “A More Perfect Union”


Peaches + Shunda K – “Billionaire”


Little Boots – “Earthquake”

Tão falando disso aí agora. Você já tem mais ou menos uma idéia do que esperar? Pois imagine: artistas gigantes que frequentam as paradas da Billboard e tem uma ou outra música tocando em rádios que você só ouve quando pega táxi + artistas que permitem quarentões pais de família que usam camisa pra dentro da calça no trabalho se comportar como adolescentes (usar camiseta preta! gritar em público! ficar bêbado! sair com os amigos ouvindo som alto no carro!) em shows feitos em estádio + aquelas bandas sub-Barão Vermelho (como se o Barão Vermelho por si só já não fosse um grande sub) que em algum lugar entre as orelhas de executivos de gravadora são o mais perto de rock’n’roll que pode ser consumido pelo público-médio brasileiro comprador de discos.

O que boa parte do público de um evento desses tem em comum é só a criação de uma espécie de ideal rock’n’roll na cabeça de gente que nunca gostou de rock ou que tem um CD do Phil Collins no carro pra quando quer parecer mais “descolado”. Justamente – é gente que usa esse tipo de termo, o “prafrentex” dos anos 00. E não é etário – o cara que tem idade pra ter ido ao Woodstock original devia estar reclamando dos hippies em 69 e o cara não tem idade para ter ido ao primeiro festival simplesmente nunca deve ter ouvido as bandas que tocaram lá – e, se ouvir, vai chamar de “porraloca” ou “mutcholoco”, apertando a voz pra ironizar na marra, enquanto entorna mais uma latinha de Bavária. No meio deles, um monte de meninas gritando “êêêêêêêêêêê” – como sempre tem, seja no show do Cordel, numa “festa rave”, na Pachá ou num “é bailão, é rodeio” da vida. E os próprios Wood & Stock do Angeli juntando os poucos trocados pra pagar centenas de dinheiros pra ver bandas que, saberão ao final do evento, desonraram toda uma geração. Se bem que o Wood vai aproveitar pra encoxar umas gatinhas.

Mas se meterem o Rage Against the Machine no elenco, vai rolar a descida ao inferno. Afinal não é todo dia que o Led Zeppelin da sua adolescência toca no seu país. O mais perto disso que podia acontecer era se o Red Hot (não o Chili Peppers, sou da geração que aprendeu o que era overdose de drogas com a morte de Hillel Slovak) viesse fazer um show tocando o BloodSugar de cabo a rabo.

Aliás, por falar nisso…

Updeite: Produtora diz que Woodstock no Brasil é ‘mera especulação’

Ufa.

Que disco…

Que disco.

Imagine um Pedro Bial da vida apresentando o vídeo abaixo. Agora delete esse pensamento idiota e aperte o play.

Hendrix vive.

Infelizmente foi preciso que o Speed morresse para que os três voltassem ao mesmo palco, na madrugada da última sexta, com o Afrika Bambaataa nas picapes do Circo Voador. Mas isso só aumenta a expectativa em relação à volta do Planet Hemp. Vi lá no Cumbuca.

Tem coisas que era bom nem cogitar:

E olha que eu simpatizo com os Móveis, que é legal mais gente conhecer os Flaming Lips, mas não, não dá. Tirou a alma da música.

Nirvana na BBC

Gostou, né? E que tal esse disco com todas as gravações do trio do Cobain na BBC? Você conhece provavelmente boa parte dessas gravações: as versões de “Molly’s Lips”, “D7”, “Turnaround”, “Son of a Gun” (gravadas na segunda participação da banda no show de John Peel, no dia 21 de outubro de 1990), “Aneurysm”, “Been a Son” e “Polly” (estas gravadas no Evening Session de Mark Goodier no dia 9 de novembro de 1991) formam a grande parte do Incesticide, o disco de sobras que a banda lançou entre o Nevermind e o In Utero. Além destas, duas outras (“Dumb” e “Endless Nameless”) gravadas no dia 3 de setembro de 1991 em outro programa do John Peel também apareceram na caixa With the Lights Out. Das gravações não-oficializadas ainda restaa íntegra da primeira participação da banda no programa de Peel, dia 26 de outubro de 1989 (“Love Buzz”, “Spank Thru”, “About a Girl” e “Polly” ainda com o baterista Chad Channing) e duas versões alternativas para “Something in the Way” e “Drain You”. As BBC Sessions do Nirvana são um capítulo clássico na história da banda – os três pegando seu melhor público na veia, no auge, em versões perfeitas de músicas menores do repertório de Kurt.

Bem que alguém podia trazer pro Brasil esse ano, hein…

O ano do Emicida

E não dá pra falar em música brasileira atual sem citar o Emicida. Leandro Roque de Oliveira já não é novidade faz tempo, mas só consegui ver um show do cara no mês passado, dentro da noite que o Rômulo e as meninas da Alavanca tão fazendo ali no CB, nas quintas-feiras. Venho acompanhando a ascensão do cara há um tempinho (até já tinha pautado a Ana para fazer um Vida Digital com ele) e é interessante perceber como ele é a síntese da mudança de ares que aconteceu na década passada com o hip hop brasileiro, ao mesmo tempo em que também é um reflexo do que também aconteceu com a MPB.

No lugar da marra e da cara de mau dos Racionais MCs e seus contemporâneos gangsta, surge um rapper quase sambista, quase malandro, quase manhoso, cantando sobre pobreza, miséria e violência sem separá-las da rotina, da felicidade e da família. Sem o pesar arrastado de beats de funk, ele prefere ancorar-se no samba e resume uma evolução que aconteceu no rap nacional. E mais especificamente no que diz respeito ao MC – e é possível ouvir enfileirados na voz de Leandro nomes tão diferentes quanto Sabotage, Marcelo D2, De Leve, Max B.O., Kamau, Marechal, Rappin’ Hood e todos aqueles que orbitaram entre o Instituto e o Quinto Andar, a Trama e o festival Indie Hip Hop, entre mixtapes e MP3s.

Ao mesmo tempo é estúpido mantê-lo apenas sob o rótulo do hip hop. Suas referências não são tão universais quanto as de seus compadres do microfone e das picapes – ele prefere samplear referências brasileiras e citar Cartola, enchentes em São Paulo e a novela das oito em vez de repetir a mesma ladainha de gangues e guerra urbana do rap do século passado. Como aconteceu antes com Sabotage, ele regula o equilíbrio entre o sambista, o rapper e o cronista com exatidão, assumindo o papel de trovador que nenhum outro cantor ou músico brasileiro atual – presos demais às egotrips, a conceitos abstratos e à correria para pagar as contas para assumir esse papel – se dispõe.

E ele também é bom de conversa: rendeu um ótimo papo com o PAS, uma boa matéria sobre samba com o Werneck e uma boa entrevista feita pela Stefanie, além do perfil feito pela Ana pro Link. Sai clicando e vai lendo – se você não o conhece ainda, está passando da hora.