Trabalho Sujo - Home

Show

É isso aí: os caras são os primeiros a abrir o projeto Toca Aí, do Sesc Pompéia, nesta quinta-feira. Além deles, o mês ainda inclui os Forgotten Boys tocando Stones (quinta que vem), a banda paralela do Cidadão Instigado (Clayton, Régis e Ryan atendem como The Mockers) tocando Beatles pós-66 e o Vanguart tocando Dylan. Mas confesso que, de todos, é o Instituto tocando Pink Floyd que mais me chamou atenção. Corre logo pra comprar o ingresso, que já tá acabando. Conversei com o Ganja sobre o que dá pra esperar desse show.

De onde veio a idéia desse show, hein: ela é parente do Dub Side of the Moon ou tem alguem na banda que é megafã do The Wall ou do Syd Barrett?
Na verdade, esse show faz parte de um projeto do Sesc chamado Toca Aí!. Serão quatro bandas tocando o repertório de outras bandas. Nos chamaram pra fazer o Pink Floyd e como o Instituto abre espaço pra eu montar a banda que eu quiser, chamei músicos amigos de outras bandas que são mega fãs do Pink Floyd como eu.

Quem tá na banda?
A formação será Fernando Catatau na guitarra e Regis Damasceno na guitarra e vocal – ambos do Cidadão Instigado -, Marcos Gerez -do Hurtmold – no baixo, Samuel Fraga – de uma das formações do Instituto – na bateria e eu nos teclados, piano e vocal. Montei um repertório bem lado B, focando na fase mais progressiva e de canções da banda. A idéia é seguir fiel aos arranjos do próprio Pink Floyd, mas é claro, tocando do nosso jeito.

O Instituto está há um tempo fazendo versões de outros artistas. Vem mais um projeto aí?
Olha, temos feito alguns laboratórios no Studio SP com shows temáticos e chamando vários convidados. É um formato que me agrada muito fazer, um exercício no que diz respeito a arranjos e direção musical. Dentre esses laboratórios, fizemos uma noite dedicada a música africana que foi incrível! Acredito que levaremos esse projeto adiante.

E o tão aguardado segundo disco, sai em 2010? Ou vocês já desistiram do formato disco?
Fazem 6 anos que dizemos em entrevistas “esse ano sai!”. Fico até com vergonha, mas a idéia é realmente sair esse ano. Eu sou fã do formato disco e acho um absurdo as pessoas quererem acabar com esse formato por conta de total incompetência da indústria fonográfica de grande porte. Acho que todos os formatos devem continuar existindo e o principal deles ainda é o disco – seja CD, vinil ou digital.

Instituto versions

Falei com o Ganja sobre as versões que o Instituto tem mandado ao vivo, mas você já ouviu?

Atente pro próprio Ganjaman cantando. Fiquei de cara.

Parabéns para o capricorniano de janeiro do dia!

Beastie Boys, 1983

QUE FODA. Não consigo para de ver.

E o Danilo me atentou para dois detalhes: a batera é Kate Schellenbach, que depois seria do Luscious Jackson. E o baixo que eles usam é o mesmo que tocam no clipe de “Gratitude” (em que eles parodiam o CLÁÁÁSSICO Pink Floyd em Pompéia).

Campinas, São Paulo, 17 de setembro de 1994. Ou melhor, 18 – a meia-noite já tinha passado longe. No palco, o Brincando de Deus. Para uma geração que cresceu associando rock independente brasileiro a associações, cachês e MySpace, uma pequena amostra do que era isso há quinze anos. Esperem até cair a energia no meio do show.

Eu tava lá. Época boa. Tudo era tosco, amador e feito na marra. Mas tinha mais sangue, mais paixão. As bandas gostavam mais de tocar juntas do que de tirar foto de divulgação.

O Moralis upou umas fotos que fez no festival-chave de toda uma geração crescida na base da fita demo, CD importado barataço e Fabio Massari na MTV. Era mais do que tinham na década anterior, mas quase nada comparado ao que se tem hoje. Ele ainda escreveu um textinho igualmente nostálgico para emoldurar o set de fotos:

As fotos que ilustram esse álbum são apenas fragmentos de uma noite no histórico festival Juntatribo, eu era apenas um moleque com uma camiseta do Sonic Youth (Goo), uma Yashica amarela e as passagens do ônibus Cometa que me levariam para Campinas, no observatório da UNICAMP, onde a lona de circo estava montada para receber mais de uma dezena de bandas, entre elas algumas que entrariam para a história da cena musical independente brasileira, como Garage Fuzz, Killing Chainsaw, Little Quail, Planet Hemp, entre outros.

Lembro-me de ter visto o primeiro Juntatribo pela MTV, fiquei fascinado pelo Tube Screamers, Mickey Junkies, Safari Hamburguers, Low Dream, Raimundos, Pin Ups, Second Come, Okotô, entre outros. Era uma época onde a comunicação acontecia por cartas, as músicas eram trocadas em K7 e muitas informações eram divulgadas por fanzines, entre eles o Broken Strings, capitaneado pelo Thiago e pelo Sérgio (Hëavën in Hëll), nessa época me comunicava principalmente com o Thiago (Broken Strings) e o pessoal do Low Dream de Brasília! No mesmo ano trocava cartas com o Marcos Boffa, que realizaria o BHRIF e que traria o Fugazi!

Existia algo no ar que só compreenderíamos anos e anos mais tarde!

1994 se tornava histórico por todas essas bandas que começavam a surgir do norte ao sul do país, pelo Fugazi, e tragicamente pela morte de Kurt Cobain!

Memórias

Uma das recordações mais engraçadas do Juntatribo 2 foi um acidente de carro que aconteceu horas antes do festival começar, era de tarde, fazia um sol escaldante e algumas bandas chegavam para o festival! Recordo-me do pessoal do Brincando de deus chegando, enquanto alguns estavam sentados no chão conversando, tudo extremamente calmo, um Chevette branco perdia o controle e batia em uma árvore, uma cena surreal!

Logo após o acidente, ficamos sabendo também que na noite anterior o palco havia caído, danificado alguns instrumentos e que as bandas da sexta tocariam junto com as bandas do sábado! Confesso que fiquei feliz com a notícia, como só poderia ficar no sábado, o fato de unirem as bandas fez com que eu assistisse dois dias em um!

Outro fato marcante foi a confusão que os punks fizeram na apresentação do Garage Fuzz, interrompendo o show e fazendo um discurso patético, nem me lembro o que os irritava, sei que atrapalharam bastante o show, e mesmo após o fim da apresentação a discussão continuaria, como vocês poderão ver em uma das imagens que traz Ale (Pin Ups) batendo boca com os punks! Nessa época a Ale, ex- do João Gordo, iniciava o namoro com o Farofa, vocalista do Garage Fuzz!

Não sei ao certo quanto tempo durou o festival, se não me falha a memória, o festival começou por volta das 18h do sábado e terminou lá pelas sete da manhã do domingo, ou seja, no mínimo 12 horas ininterruptas de som e terra, muita terra vermelha!

Você devia ter estado lá.

Olha esses vídeos que sendo colocados de um mês para cá, no YouTube…

Tudo do mesmo show, no dia 7 de março de 1998, na Knitting Factory, em Nova York.

De chorar…

Foi bem bom o “último show da década” do Whitest Boy Alive, que aconteceu neste domingo no Studio SP. Depois eu falo mais dele, por enquanto, fica com a dobradinha que começou o show. Tem outros vídeos lá na TV Trabalho Sujo.

Não conhecia o Duo Siqueira Lima (um casal?) formado pela uruguaia Cecília Siqueira e pelo brasileiro Fernando Lima. A dica foi do Chapiro, logo cedo. Bem foda.

Apareceu do nada. Ontem à noite o Portishead foi ao programa do Zane Lowe na BBC e tirou da cartola essa improvável “Chase the Tear”, disponibilizada para download hoje de manhã no site da Anistia Internacional, que está vendendo o MP3 para arrecadar fundos. A nova canção é improvável por manter o mesmo clima de exploração de texturas do disco anterior, o cabeçudo Third, mas aproxima-se da melodia e do drama teatral característico do grupo de Bristol – e, mais do que isso, apontar para um possível quarto disco do grupo, para o ano que vem. E o flerte com o pop, quase ausente no hermetismo do último disco (“The Rip” era a exceção), fica evidente quando o instrumental ecoa, quase literalmente, a fase mais clássica do Cure. Fora que, em cima da hora, embaralhou a lista das melhores músicas do ano. Ao menos a minha. Afinal, 2009 só termina dia 31…


Portishead – “Chase the Tear