Kiko Dinucci e um sambinha cheio de meias verdades sobre essa vida digital…
“Space is the place”
Sesc Pompéia @ São Paulo
11 de fevereiro de 2012
Fantástica a apresentação da Arkestra de Sun Ra em São Paulo no sábado passado, dentro do Nublu Festival. Liderada pelo carismático Marshall Allen – braço-direito de Sun Ra até sua morte em 1993, o saxofonista tem quase 80 anos e mais de meio século sob a égide da música de seu comandante-, a Arkestra soa como a chegada dos alienígenas ao planeta Terra via Nova Orleans, como se o Mardi Gras fosse entendido como uma etiqueta social e o jazz tradicional nosso idioma nativo – e eles tentassem se equiparar à nossa sensação de inquietação através da música.
Com quase vinte pessoas sobre o palco (não contei), a big band enfileira seqüências de solos apaixonados e desenfreados, embora caminhando sobre os trilhos do ritmo e sem fugir da harmonia. Eram quatro saxes em primeiro plano, trompa, trombone, EVI (um instrumento de sopro com som de sintetizador, da Akai), trompete, guitarra, piano e teclado, contrabaixo acústico, bateria e muita percussão – e todos fantasiados com roupas reluzentes e referências ao Egito antigo numa missão de paz sideral e psicodélica. Abaixo, alguns vídeos que fiz do show – o primeiro deles mostrando o momento em que a banda desceu do palco para atravessar a platéia da choperia do Sesc Pompéia em fila indiana. Clássico!
Cante com eles:
Of Montreal no Jimmy Fallon. E tome sax:
Vi na Babee.
Seguem os boatos sobre a nova vinda do mestre ao Brasil. Dessa vez é o Destak dizendo que Dylan chega por aqui no mesmo mês em que ele completa 71 anos.
Fui ontem no Sesc Pompéia ver o primeiro dia do Nublu Festival com duas expectativas: ver o show do Marginals e ouvir a música nova da Tulipa, que o Ronaldo já havia cantado a bola no blog dele. Estava com uma certa pulga atrás da orelha em relação à participação do Rodrigo Brandão no show dos Marginals – afinal, o próprio já tinha me falado na terça que estava tenso em relação ao show porque os Marginals não ensaiam. E, realmente, não acho que tenha funcionado direito – principalmente pela sensação de que Rodrigo parecia estar sobrando do transe endiabrado que o grupo submeteu o público que lotou a choperia.
Marginals + Rodrigo Brandão – “Sem Título”
Eles estavam infernais – no melhor sentido do termo – e o calor quase sólido que esquentava a casa ajudava no clima pesado da jam. Thiago França, devidamente caracterizado de beduíno, alternava-se entre a flauta transversal, o sax e a própria voz como instrumento, manipulando-os com pedais espalhados ao chão, como também fazia Marcelo Cabral, que até tirou o arco certa feita para deixar seu baixo acústico harmonizar. Tony Gordin, na bateria, dava o clima para as viagens dos dois, mas manteve-se mais contido que o normal, talvez para marcar mais o ritmo e facilitar para as rimas de Brandão.
Marginals- “Sem Título”
Já o Wax Poetic eu acho bem chato – parece um sub-Morcheeba sem carisma e nenhum hit conhecido. Só vale por terem dado espaço para Tulipa apresentar sua nova música, além da banda ter encarado (ponto pra eles) um dos hits dela – “Brocal Dourado” – com o arranjo original.
Wax Poetic + Tulipa Ruiz – “Brocal Dourado” / “Assim”
E por falar no Adriano, ele e Marquinho – que revi dia desses, no maior reencontro improvável – retomaram aquela que é uma das grandes bandas de rock de São Paulo – e os Butchers’ já estão com show marcado pro mês que vem.
Coisa fina…
Você já tinha visto a versão crua – pois segue a versão finalizada, bem melhor:
Isso é demais.


