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Hoje começa a Mostra Prata da Casa, com o melhor da programação de 2012 do projeto do Sesc Pompéia, que fui curador no ano passado. Como disse no final de 2012, o Prata foi um dos melhores trabalhos que fiz na vida, por uma série de motivos diferentes. E a partir desta terça até o próximo domingo, reunimos os doze melhores shows do ano passado em uma maratona com a melhor música nova produzida em 2012. Não custa lembrar que, ao contrário dos shows do Prata, os da Mostra são pagos e não de graça: mas o ingresso custa R$ 8,00 😉

Abaixo segue o texto que escrevi para a Mostra e sobre as duas atrações de hoje, Afroelectro e Sambanzo.

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Traçar um panorama de artistas com apenas um disco de carreira poderia ser fácil no século 20, quando o percurso natural de qualquer artista passava necessariamente pelo lançamento do primeiro álbum. Mas com a popularização dos meios digitais no século 21, há artistas que nem pensam em lançar CDs – ou vivem de shows ou soltam MP3s aos poucos online -, e ao ser convidado para a curadoria da 13ª edição do Prata da Casa, resolvi testar os limites desta definição ao chamar artistas que não são propriamente novos (como o rapper Max B.O., figurinha carimbada do rap paulistano, cujo primeiro CD foi temporão, ou da octagenária pernambucana Dona Cila do Coco, cujo único disco foi lançado há anos) e que já têm uma longa carreira mas nem sequer têm disco físico (caso do paulistano Rafael Castro, que já havia lançado músicas na internet com sua banda Os Monumentais e que chegou ao primeiro disco físico em 2012, e do carioca Bonifrate, dos psicodélicos Supercordas, pai de dois EPs digitais).

Mas o desafio de uma curadoria dessas vai muito além do formato. É preciso explorar a amplitude de gêneros e estilos que tornam o Brasil um país tão reconhecido mundialmente por sua generosidade musical. Assim, a edição do ano passado teve desde jazz (Raphael Ferreira), samba (Maíra Freitas e Jorginho Neto), música eletrônica cabeçuda (Pazes), psicodélica (Psilosamples) e descerebrada (Gang do Eletro), metal instrumental (Elma), dub (Café Preto), instrumental freak (Chinese Cookie Poets) e com molho regional (A Banda de Joseph Tourton), pop de verão carioca (Mahmundi) e paulistano (Circo Motel), chillwave (Dorgas), indie folk (Rosie & Me, Me & the Plant e Onagra Claudique), indie rock sisudo (Quarto Negro) e indie com flerte com o brega (Dead Lover’s Twisted Heart), a celebração de ritmos (Iconili) e rock regional (Os Sertões), entre vários outros shows que ajudaram a compor um panorama que desassocia a música popular brasileira ao estereótipo da MPB, essa versão institucionalizada dos conceitos criados pela bossa nova. Outro ponto em comum entre a maioria dos artistas desta edição é o fato de colocarem seus próprios discos na íntegra para download.

Escolhi cinco recortes específicos para a Mostra Prata da Casa 2012 reúne duas atrações por noite que acabam por resumir os grandes momentos do ano passado: a influência da música africana na cena paulistana, o rock direto e sem rodeios cantado em português, a maturidade do indie rock, uma jornada entre dois extremos da música tradicional pernambucana, um pop radiofônico com um leve toque de psicodelia e o hip hop de São Paulo.

Foi um ano intenso, plural e, acima de tudo, divertido. Agradeço ao Sesc pelo convite e pela oportunidade – e mando um salve ao produtor Wagner Castro, que, comigo, foi a única testemunha de todos os Prata da Casa de 2012.

Terça, 19 de fevereiro – 19h

África-São Paulo

Uma das principais tendências da atual cena musical paulistana é a cada vez mais intensa conexão africana. África e Brasil sempre tiveram um vínculo muito forte no que diz respeito à musicalidade e pontes sobre o Atlântico já foram erguidas a partir de Salvador e do Rio de Janeiro. É a vez da maior metrópole do país começar a exploração da harmonia polirritmica e da intensidade elétrica e acústica – e um dos principais polos de convergência desta nova linha de frente passa pela dupla Kiko Dinucci e Thiago França. Há, claro, mais nomes envolvidos, mas o trabalho do guitarrista e saxofonista paulistanos (que, ao lado da cantora Jussara Marçal, respondem pelo nome Metá Metá) consegue agregar referências musicais tanto brasileiras quanto africanas muito específicas, que se misturam de diferentes formas à medida em que pulam de um projeto para o outro. O Sambanzo, grupo liderado por Thiago França que conta com Kiko Dinucci na guittarra, é o encontro destas duas forças em voltagem máxima, contando com uma cozinha luxuosa, liderada por Marcelo Cabral (que coproduziu, ao lado de Daniel Ganjaman, o disco de estreia de Criolo, outro marco da conexão África-São Paulo) com Wellington Moreira na bateria e Samba Sam na percussão. O show que fizeram em fevereiro de 2012 foi também quando lançaram seu primeiro EP Etiópia e a catarse coletiva dos músicos contagiou o público. Quase seis meses depois, em agosto, foi a vez do Afroeletro, não tão central neste novo cenário mas de importância ascendente, de conduzir o público ao transe de ritmo e harmonia. O show contou com a presença do próprio Kiko Dinucci – comprovando seu papel de catalizador desta nova cena – e letras em português, além da intensa presença grupal da banda, que inevitavelmente levou o público ao delírio.

cafetacvba

É sério – e já está com ingressos à venda prum show no… Teatro Bradesco, dia 5 de março. Sim, aquele dentro do Shopping Bourbon, do lado do Sesc Pompéia. Nem sou fã da banda nem nada, mas aposto que vai ser um bom show – a começar por ser em um teatro, coisa rara quando o assunto é show de música pop estrangeira no Brasil. Tomara que a moda pegue.

wilco-2013

“Walk On” foi a escolhida, sente o drama:

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A gravação aconteceu no mês passado.

Alguém podia trazer os caras prum show num lugar pequeno…

of Montreal

Kevin Barnes e companhia tocando nos Tiny Concerts da NPR:

Demais :~

Lana Del Rey Live At Amoeba Records Hollywood

O vídeo abaixo só foi liberado agora e é de um show que aconteceu há um ano

A foto é do LA Weekly.

cure-2013

Só falta a confirmação oficial, mas tudo indica que o Cure fechou sua passagem pela América do Sul com direito a dois shows no Brasil em abril. Assim, as datas da banda de Robert Smith (que promete shows com mais de três horas) pelo nosso continente ficam assim:

4 – Rio de Janeiro, HSBC Arena
6 – São Paulo, Morumbi
9 – Assunção, Jockey Club
12 – Buenos Aires, River Plate
14 – Santiago, Estádio Nacional
17 – Lima, Estádio Nacional
19 – Bogotá, Parque Simon Bolivar

Teoricamente os ingressos começam a ser vendidos já no mês que vem. Alguém anima acompamhar a banda em turnê?

E aí, já decidiu se vai viajar pra gringa ainda nesse semestre?

primavera_coachella_2013

As duas opções parecem semelhantes, mas vale ver nas letrinhas miúdas…

sandman

E na trilha sonora do documentário Cure For Pain – The Mark Sandman Story (veja o trailer abaixo) a faixa “Brazil” traz uma canção cantada em português em que ele fala sobre o nosso país e o que aprendeu no Rio de Janeiro. Ele foi líder do Morphine, uma das bandas mais foda dos anos 90 (embora completamente alheia à cena barulhenta da época), que contava com um saxofonista (que muitas vezes tocava dois saxes ao mesmo tempo), um baterista e o próprio Sandman, balbuciando palavras com sua voz grave enquanto tocava um baixo com duas cordas. “Low rock”, rotulava o próprio grupo, que só terminou porque Sandman sofreu um ataque cardíaco fulminante em pleno palco durante um show em Roma, em julho de 1999. Uma das histórias mais peculiares daquela época.

Dica do Bela.

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2012-75-sinkane

A faixa que apresentou o trabalho solo deste hipster sudanês (guitarrista no Brooklyn nova-iorquino, já tocou com Of Montreal, Caribou, Yeasayer e Born Ruffians) ainda é seu principal trunfo – um delírio sossegado e groovy, com molhos afro, funk 70, indie e chillwave, esperando o Toro y Moi na ponta de lá da ponte que ele iniciou no EP Freaking Out.

(E nesta versão ao vivo abaixo, então…)