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Show

Vi só o finzinho do show dos Racionais no Lollapalooza, mas o Mateus assistiu a tudo e conta mais:

Uma quantidade moderada de pessoas, se comparada ao público médio da tenda Perry (eletrônica), aguardou por pouco mais de uma hora para tirar a prova. Ao contrário de todas as outras bandas do festival, os Racionais não começaram no horário. O suspense para entrar no palco povoou as mentes com toda sorte de conspirações, alimentadas pela mítica em torno do grupo. Shows cancelados. Perseguição da polícia. Confusões de toda sorte. As teorias mais plausíveis davam conta de um suposto desentendimento a respeito da gravação do show (que, segundo o Multishow, foi proibida pela banda). Nada vem fácil para o Racionais, nunca veio. Não vai ser desta vez, justo ali. A tensão foi levada ao limite, e o grupo só entrou quando a plateia já vaiava o atraso de forma generalizada. Mas o que aconteceu na próxima hora e meia tornou sem sentido qualquer especulação a respeito das razões.

(…)

E eis que o bando estava muito à vontade, Mano Brown sorridente e interagindo o tempo todo com o público e com a pequena multidão no palco. Os clássicos vieram: “Vida Loka II”, “Negro Drama”, “Eu Sou 157”, “Homem na Estrada”, “Jesus Chorou”, “Estilo Cachorro”. Deve ter sido a primeira vez em qualquer edição do festival que tantos boys (de vila ou quatrocentões), minas, indies, seguranças e funcionários da limpeza curtiram um show juntos e misturados, sem qualquer distinção ou condescendência aparente. Mas foi só quando o jogo estava ganho que o Racionais decidiu mostrar por que esse dia seria ainda mais especial do que todos já sabiam. Como um soco na cara, surgiu nos telões a imagem da carteira de afiliação de Carlos Marighella ao PCB. Ao lado de seu rosto, a foice e o martelo ardiam impiedosamente nas vistas de um festival que representa tudo, menos o comunismo. Uma cena completamente impensável de acontecer em qualquer festival nos EUA.

A projeção seguiu ali durante toda a execução de “Marighella”, mas foi além, como foi além Mano Brown. As rimas da música nova se fundiram em uma exaltação ao “momento do Brasil”, sobre como os estrangeiros estão fascinados pelo país, e como nós temos que estar preparados para aproveitar a maré a nosso favor.

A íntegra tá lá no site da Soma.

Pronto, depois que até o Kapranos twittou, dá pra oficializar: o Franz Ferdinand é o nome que faltava para completar a escalação do 16° Cultura Inglesa Festival, que ainda tem We Have Band, Horrors, Banda Uó tocando Smiths e Garotas Suecas tocando Rolling Stones. O festival acontece em São Paulo no fim deste mês, no mesmo Parque da Independência que, ano passado, viu Gang of Four, Miles Kane e Blood Red Shoes, A curadoria do festival é minha e do compadre Lúcio Ribeiro.

Paul McCartney chamou os velhos compadres para acompanhá-lo ao final de uma apresentação no Royal Albert Hall, na Inglaterra, no fim do mês passado.

Vi no Lucio.

Começamos a programação de abril com o trabalho solo do Supercorda, autor do meu disco brasileiro favorito do ano passado, Um Futuro Inteiro, tocando-o no Sesc Pompéia com o auxílio luxuoso de sua banda oficial. O show começa às 21h, é de graça, e os ingressos começam a ser distribuídos às 20h. Abaixo, o texto de apresentação que escrevi para o show dele:

A psicodelia brasileira tem um ar meio matuto, meio caipira, como se os grandes nomes da nossa música lisérgica olhassem a urbanidade com desconfiança ou picardia. Mesmo seu maior nome – os Mutantes – brincava com isso em músicas como “2001” e “Tiroleite”. Os cariocas do Supercordas assumem essa conexão em sua plenitude – mas um de seus integrantes, Pedro Bonifrate, vai além: não apenas linka o estado de espírito da expansão de consciência a uma arcádia roceira, utopia rural brasileira, como a localiza no Clube da Esquina do início dos anos 70, quando a turma de Milton e Lô ainda tomava doses cavalares de Abbey Road. Sua carreira solo vem sendo maturada há anos, em EPs gravados em CD-R e faixas em MP3, mas só em 2011 lançou seu primeiro álbum, o belíssimo Um Futuro Inteiro, cuja melancolia parece concluir que o lado sombrio da psicodelia passa pela tristeza do jeca.

Vi no Marcelo.

Que maravilha foi o show de Dona Cila do Coco na semana passada no Prata da Casa. Até quem mais tinha expectativa (como eu) ficou surpresa: do alto de seus 73 anos (“74 em abril!”, gritava), a velhinha transformou a choperia do Sesc Pompéia em um imenso bailão, com todo mundo disposto a se acabar de dançar. Não faltaram homenagens a Chico Science, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, mas o grande momento do show foi o final, quando ela fez todo mundo da platéia formar uma grande ciranda. Já tinha visto Lia do Itamaracá fazer isso no Recife, mas aqui em São Paulo, foi a primeira vez… Sente só:


Dona Cila do Coco – “Lia é Lia” / “A Rolinha”

Tem mais vídeos que fiz aí embaixo:

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Nessa terça tem Pedro Bonifrate no Prata da Casa, quem vai?

Todo ano, nosso trio nova-iorquino mais querido passa na melhor rádio alternativa dos Estados Unidos (a WFMU) para fazer uma maratona em que eles tocam músicas que o público pede pelo telefone. O intuito é basicamente chamar atenção para que a rádio continue não-comercial. Veja como foi esse ano:

No dia 9 de junho de 2001, o Radiohead fez a seguinte apresentação no programa de Jools Holland, via BBC:

Sente o setlist:

“The National Anthem”
“Morning Bell”
“Lucky”
“Packt Like Sardines In A Crushd Tin Box”
“No Surprises”
“Dollars & Cents”
“Life In A Glass House” com Humphrey Lyttleton
“Exit Music (For A Film)”
“I Might Be Wrong”
“Street Spirit (Fade Out)”
“Paranoid Android”
“Idioteque”
“Everything In Its Right Place”
“Pyramid Song”
“Talk Show Host”
“You And Whose Army?”
“How To Disappear Completely”
“Knives Out”
“The Bends”

Fase Berlim ao vivo, num show que aconteceu no dia em que meu irmão nasceu (21 de maio de 1978), versão lindaça de “Heroes”, Adrian Belew na guitarra… Que artista!