
E pra encerrar a série de posts sobre Guerra nas Estrelas, eis o pianista norte-americano Richard Grayson recriando a Marcha Imperial que John Williams compôs para a saga de George Lucas como se Beethoven a tivesse composto.
E se o tema principal da série de filmes fosse uma composição barroca?
Grayson (sim, homônimo do primeiro Robin) é um ás do piano e do humor erudito – e esta paródia acima é só uma de muitas das estrepolias que faz ao piano, sempre improvisando a partir de pedidos do público. Ele também toca o tema Cantando na Chuva como se fosse uma valsa de Chopin, o tema da Pantera Cor de Rosa como se fosse Bach, Pequeno Mundo como se fosse Mozart, “Parabéns a Você” como se fosse Debussy, o coral da Nona Sinfonia de Beethoven como se fosse um tango, o tema dos Muppets como se fosse uma fuga de Bach, “Smoke Gets in Your Eyes” como se fosse Schubert, “Good Vibrations” como se fosse Bartók e por aí vai, veja abaixo…

La Cave 1968 – Problems in Urban Living é um senhor disco pirata (comprei o meu em vinil) e nunca é uma má hora para ouvir Velvet ao vivo nos anos 60…

Hm?

E Prince aos poucos começa a mostrar seu novo trabalho e sua nova banda, 3rd Eye Girl, formada apenas por mulheres. Em uma apresentação no programa do Jimmy Fallon nessa sexta, ele tocou a nova “Screwdriver” e a clássica “Bambi” (de 1979!) (veja abaixo) e confirma que sua nova fase é bem puxada na guitarra elétrica. Segue mestre!

A Soma está começando a lançar as gravações dos shows que os Marginals fizeram no espaço da revista Vila Madalena entre 2010 e 2011, uma série de apresentações em que o trio formado por Thiago França, Marcelo Cabral e Anthony Gordin tocou ao lado de bacanas como Guizado, Lurdez da Luz e Criolo, Thomas Rohrer, DJ Marco, entre outros nomes. A estréia conta com a participação do jovem mestre Maurício Takara e o encontro volta a acontecer neste domingo, na Casa do Mancha. Pedi pro Thiago escolher uma música pra lançar aqui no Trabalho Sujo ele pediu pra colocar a terceira: “groovezão bacana, melodia chicletona, sucesso!”. Pois sente só:
O disco pode ser baixado neste link. Há um tempo já dá pra ouvir o único show destes que vi desta série, quando eles entraram em alfa ao lado do Thomas Rohrer. Veja os vídeos que fiz abaixo:

Más notícias para dois bons festivais brasileiros. Segundo o jornal Destak, o Sónar deixa o Anhembi onde havia funcionado bem no ano passado para ir para o complicado Espaço das Américas e o festival Planeta Terra deste ano não deve acontecer no Jóckey Club, como no ano passado, indo para um lugar ainda menor. E como não há grande oferta de lugares em São Paulo…

Outro dia estava conversando com a Tati sobre as fases do Miles e não adianta, eu sou fiel ao segundo quinteto, quando Miles, Herbie Hancock, Ron Carter, Wayne Shorter e Tony Williams se encontram numa música que não parece ter começo nem fim. Eu não faço idéia pra onde eles vão – o importante é que eu vou junto. Aperte o play nesse show no dia 31 de outubro de 1967 e boa viagem:

E a última noite da Mostra Prata da Casa teve duas novas autoridades do hip hop de São Paulo: o trio Elo da Corrente, que chamou crianças para dividir o palco com eles, e o avassalador Rodrigo Ogi, que fez todo mundo cantar os refrões de suas crônicas, veja nos vídeos abaixo. Os shows foram demais e quem foi a qualquer dia da Mostra sabe como ela foi legal. Semanaça!

Hoje é o último dia da Mostra Prata da Casa do Sesc Pompéia reunindo as melhores apresentações do projeto do Sesc Pompéia no ano passado, quando fui o curador do evento. A última noite reúne dois jovens mestres do novo hip hop paulistano: Ogi e Elo da Corrente representam a partir das 19h (mais cedo porque é domingo, afinal), com ingressos a R$ 8,00. Abaixo, o texto que escrevi sobre os dois artistas de hoje para o catálogo da mostra:
A maturidade do rap paulistano
Os shows de hip hop do Prata da Casa em 2012 foram marcados por duas características: a superlotação e as participações especiais. Como é sintomático do rap paulistano, nenhuma apresentação teve menos do que a metade da lotação da casa e as duas principais noites de rap durante o ano no Sesc Pompéia contaram com a presença massiva do público. Ogi foi o primeiro a apresentar-se na edição 2012 do projeto, em fevereiro, mostrando seu festejado CD Crônicas da Cidade Cinza, lançado no fim do ano anterior, e chamou os comparsas Henrick Fuentes, James Ventura e Rodrigo Brandão para ajudar a descrever as diferentes facetas dos coadjuvantes, protagonistas e figurantes da cidade de São Paulo, tema de seu novo disco. Já o trio Elo da Corrente, formado pelos MCs Caio, Pitzan e pelo DJ PG, recebeu o mano Doncezão para ajudá-los a rimar sobre bases e versos criados a partir de pesquisas musicais na história da música popular brasileira, no início de junho do ano passado, numa noite que, mesmo com forte chuva, não foi o suficiente para impedir que o público viesse em peso. Em ambas as noites, longas conversas e bases precisas tornavam o diálogo entre o palco e a platéia quase uníssono e a função dos artistas estava mais para dominar o delírio rítmico imposto à casa do que propriamente liderar ou chamar atenção. Público, DJs e MCs em plena sintonia, as duas apresentações mostraram que o rap paulistano não só já chegou à sua maturidade como só atingiu este nível graças ao amadurecimento também de seu público.

Dois shows incríveis na noite deste sábado consagraram aquela que pode ter sido a melhor apresentação da Mostra Prata da Casa do ano. Abrindo os trabalhos, Rodrigo Caçapa visitou gêneros ancestrais com violas e percussão, apontando para um futuro moderno e nada deslumbrado. Depois foi a vez da incendiária Dona Cila do Coco transformar ao choperia do Sesc num imenso bailão, que culminou com a presença de Caçapa e Alessandra Leão ajudando a diva de 85 anos a fechar seu show – veja os vídeos abaixo. E domingo é dia de hip hop na Mostra.