
Cara, eu não tava animado com essa volta dos Replacements até que vi o setlist do show de Seattle, no início da turnê na semana passada, e comecei a caçar os vídeos desse show online… Putamerda, que parada foda. Pena que ninguém vai trazer os Rolling Stones do indie americano dos anos 80 pro Brasil.
“Seen Your Video” e “Color Me Impressed”
“The Ledge”
“I’ll Be You”, “Anywhere’s Better Than Here”, “Take Me Down To The Hospital”, “Tommy Gets His Tonsils Out”, “I’m In Trouble”, “Left Of The Dial”, “Can’t Hardly Wait”, “Bastards Of Young”, “Skyway” e “Alex Chilton”
“Within Your Reach”, “Can’t Hardly Wait”, “Bastards of Young” e “My Boy Lollipop”
“20th Century Boy”
“I’m In Trouble”, “Kissing In Action”, “Left of the Dial” e “Valentine”

O Blur tirou o fim de semana para mostrar duas músicas de seu novo disco no programa do Jools Holland, mantendo bem a expectativa em relação ao lançamento. Enquanto a grudenta “Ong Ong” cutuca de leve as raízes gospel da música pop, “I Broadcast” gira ao redor de um riff de guitarra que parece saído do final dos anos 90 da banda.

O jovem Kevin Parker já começou a mostrar o terceiro disco do Tame Impala, já batizado de Currents, ao vivo. Começou com o início de sua turnê norte-americaa nesta quarta-feira, na cidade de Pomona, na região de Los Angeles, na Califórnia, quando a banda revelou as duas músicas que já havia revelado “Let it Happen” e “‘Cause I’m a Man”, que crescem bastante (especificamente a segunda metade da primeira) ao vivo, saca só:
Tem gente lamentando esse novo rumo estético da banda, mas eu tô apostando que eles, de novo, vão deixar todo mundo de cara.

Mais uma bola dentro do pessoal da Balaclava, que, por falar no Mac, vai trazer o vocalista do Superchunk para tocar no Brasil no final deste mês em seu próprio Balaclava Fest. O evento acontecerá em dois dias (25 e 26) no Centro Cultural São Paulo e ainda terá a presença dos americanos dos Shivas e dos brasileiros Sheds e Soundscapes. Lineup redondinho, delimitado numa estética guitar indie limpinha que vem se tornando a marca do selo, um festival com apenas quatro bandas em dois dias com ingressos a vinte reais (a inteira!) é daquelas utopias que, nos anos 90, quando o Superchunk veio para o Brasil pela primeira vez, ninguém botaria fé que ia rolar. Palmas pra Balaclava!

Grimes aproveitou o primeiro de abril pra avisar que estaria abrindo a segunda parte da turnê de Lana Del Rey pelos Estados Unidos. Imagina um show desses…

Se não deu pro Johnny Marr vir pro Brasil no auge dos Smiths, talvez sua atual fase seja a melhor época de sua carreira – por isso é bola dentro do Festival da Cultura Inglesa. Explico o porquê no meu blog no UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/johnny-marr-vem-para-o-brasil-na-hora-certa/
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O Festival da Cultura Inglesa vem se confirmando como um dos principais eventos do calendário cultural de São Paulo graças a uma programação constante e coesa. Fui curador das duas primeiras edições em que o evento começou a trazer artistas britânicos para fazer shows gratuitos na cidade (em 2011 e 2012) e nas ocasiões trouxemos Franz Ferdinand, Miles Kane, Blood Red Shoes, The Horrors, We Have Band e Gang of Four. De lá pra cá o festival seguiu bem seu rumo, trazendo Kate Nash em 2013 e Jesus & Mary Chain no ano passado e, para 2015, sua principal atração é o guitarrista Johnny Marr.
Seu nome não é tão conhecido como seus riffs precisos que funcionavam como espinha dorsal para todas as músicas dos Smiths durante a curta existência da banda nos anos 80. Entre 1982 e 1987, a banda liderada por Morrissey e pelo guitarrista reescreveu a história do rock mundial como uma espécie de antítese à desenvoltura dos Rolling Stones – uma banda doce (nas melodias de Marr) e ácida (nas letras de seu vocalista) que reeducava a música pop para o nascimento da estética roqueira introvertida que com o tempo seria referida como indie.
E tudo isso antes de completar 24 anos – prodígio é pouco! O fato de ser lembrado pelo legado dos Smiths ofusca uma longa carreira como guitarrista convidado e session man que segue a tradição dos velhos músicos do início do século passado, que andavam quilômetros sozinhos apenas com seus instrumentos, prontos para tocar com quem viesse pelo caminho.
Marr tocou e gravou com quem quis: Bryan Ferry, Talking Heads, Paul McCartney, Beth Orton, Everything but the Girl, Oasis, Crowded House, Pet Shop Boys, Pharrell, Beck, Jane Birkin, Cult, Lydia Lunch, Black Uhuru, Sandie Shaw, além de criar grupos passageiros com integrantes de bandas como Radiohead, Pearl Jam, Kula Shaker, Echo & the Bunnymen e o filho de Ringo Starr (Zak). Fundou o Electronic com o Bernard Sumner do New Order, foi integrante oficial por curto período de bandas tão diferentes como The The, Pretenders, Cribs e Modest Mouse e participou da trilha sonora de Inception, de Christopher Nolan.
Ao atingir o primeiro escalão do rock na tenra idade, Johnny Marr saiu dos Smiths e passou a trilhar os caminhos que quis no mundo do topo do pop dos últimos trinta anos. Antes de completar 50 anos, em 2013, assumiu sua carreira solo e desde então lançou dois discos, The Messenger e Playland, este último inspirado no livro Homo Ludens, do historiador holandês Johan Huizinga, que discute a importância do jogo no desenvolvimento da cultura humana. Os discos não são brilhantes mas estão longe de serem medianos e funcionam como credenciais para Marr seguir desbravando o planeta com sua munheca mole conduzindo sua indefectível guitarra. E sem nenhum drama em relação ao passado, sempre tocando hits dos Smiths e do Electronic em suas apresentações.
E assim ele chega mais uma vez ao Brasil, depois de uma grata apresentação à tarde no Lollapalooza do ano passado, desta vez como atração principal de um evento. O timing é perfeito: Marr está escrevendo sua autobiografia (“chegou a hora de contar a minha história”, disse à Rolling Stone) e começa a falar sobre dirigir seu primeiro filme, como revelou à BBC, sem dar maiores detalhes.
Esperto, Marr pode estar preparando também um filme para acompanhar o lançamento da autobiografia, que ele mesmo está escrevendo, sem ghostwritter, como disse na mesma entrevista à BBC em que também falou que já escreveu um terço do livro, que será lançado no segundo semestre de 2016. Marr também revelou que irá “honrar os Smiths” no livro, que ainda não tem título.
Assistiremos, portanto, o show de Johnny Marr num momento de reflexão sobre a própria carreira que pode render bons frutos, como esta recente versão que ele gravou para um clássico de outra banda contemporânea sua, “I Feel You”, do Depeche Mode.
O show de Johnny Marr acontecerá no dia 21 de junho, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Ao completar duas décadas em atividade, a banda escocesa Mogwai foi convidada pelo pessoal do festival All Tomorrow Parties para comemorar seu aniversário fazendo a curadoria de uma An ATP Session at the Roundhouse, em Londres. Serão seis dias de apresentações entre os dias 24 de junho e 6 de julho e além dos shows do próprio Mogwai, ainda haverá shows do Public Enemy, do rapper GZA, do Tortoise, do Godspeed You! Black Emperor, Jesus & Mary Chain tocando o Psychocandy na íntegra, Bardo Pond, Prolapse, Lightning Bolt, entre outros. Programaço.

No sábado o Weezer apresentou-se no festival Burgerama, na Califórnia, nos EUA, e no meio do show o vocalista Rivers Cuomo chamou ninguém menos que seu próprio pai para acompanhá-lo – tocando bateria! – na versão ao vivo de “Back To The Shack”, uma das faixas do novo disco da banda, Everything Will Be Alright In The End.
Dá pra ver a música inteira no vídeo deste fã que filmou o show todo (o pai de Rivers entra no palco aos 30 minutos):
Madonna foi uma das principais atrações da premiação IHeartRadio, que aconteceu na semana passada em Los Angeles, nos EUA, mas quando ela revelou que a instrumentista que a acompanhava era Taylor Swift, aí não restou dúvidas que aquele foi o grande momento do evento.

Uma sensação de paz intensa tomou conta do pequeno teatro do Sesc Belenzinho, quando poucos puderam submeter-se ao volume sonoro do sexteto instrumental Ruído/mm, em mais uma apresentação de lançamento de seu ótimo Rasura, um dos grandes discos brasileiros do ano passado. Impassíveis no palco, os seis músicos curitibanos conduzem o público a um transe coletivo a partir de camadas de microfonia que vão superpondo-se e retraindo-se à medida em que oscilam entre o silêncio e o volume ensurdecedor, transitando entre estes em solos dedilhados, acordes expansivos, melodias ao teclado, gritos, galopes de baixo e bateria.
É o jardim elétrico cultivado pelo My Bloody Valentine e pelo Sonic Youth nos anos 80 que ergueu-se sem voz com o codinome de pós-rock na década seguinte, aglomerando influências vindas do free jazz, da música eletrônica, de trilhas sonoras de filmes, do pós-punk e da música erudita contemporânea. A massa viva de som habitada pelo Ruído/mm é uma densa floresta de improvisos musicais em que o grupo extrai recortes específicos de uma musicalidade que quase sempre recaem naquele universo instrumental de ruído branco do que preguiçosamente convencionamos chamar de indie rock: a psicodelia estática branca que une os devaneios instrumentais do Cure, o lado contemplativo do Low de David Bowie, as extensas incursões instrumentais do Yo La Tengo, os espasmos de guitarra do Radiohead e do Built to Spill, os longos caminhos percorridos pelo Spiritualized e pelo Galaxie 500.
No palco, o grupo encarna essas diferentes personalidades. Os três guitarristas quase que de forma didática dividem suas influências no vestuário casual, cada um levemente pendendo para um lado. À esquerda, André Ramiro de camisa xadrez e boné equilibra-se entre espasmos de eletricidade e solos cortantes que entregam influências do shoegaze, hardcore e do noise; ao centro, Ricardo Oliveira, de camisa e cabelos compridos, burila seu instrumento conduzindo-o para planetas musicais tão diferentes quanto National, Radiohead e Sigur Rós; à direita, o recém-regresso Felipe Aires, vestindo uma camiseta do Lost, vai da psicodelia tradicional dos solos de David Gilmour no Pink Floyd a climas de filmes de velho oeste. Os três na linha de frente quase sempre sentam-se no palco entre as canções para ajustar pedais e brincar com a microfonia. Na linha de trás, o tecladista Alexandre Liblik conversa com o baixista Rafael Panke e o baterista Giva Farina criando camas de timbres ou ritmos intensos propícios para cada diferente incursão. A formação mudou poucas vezes, apenas com Felipe assumindo um theremin digital para contrapor ao canto em falsete de Ricardo em “Penhascos, Desfiladeiros e Outros Sonhos de Fuga”, ou André e Alexandre tocando chocalhos ao final de “Bandon”.
Arquitetos conscientes de pequenas catedrais de som, eles poderiam esticar cada uma de suas músicas por mais de dez minutos, mas quando muito elas ultrapassavam os cinco (uma ou outra quase chegou nos dez). O grupo explora bem silêncios e estica temas instrumentais o suficiente para serem memorizados pelo público sem repeti-los à exaustão, como se enfatizassem a eficácia matemática explícita no “por mílimetro” de seu nome. Tocando a íntegra do novo disco e apenas uma canção de seus discos anteriores, o sexteto de Curitiba fez uma apresentação impecável que apenas reforça sua reputação, que já tem mais de uma década.
Filmei o show inteiro abaixo – ponha os fones e aperte o play.
