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Show

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E falando no ruivo, meia horinha de show do Amarante no início deste ano, quando ele abriu para o Devendra no Fonda Theatre, em Hollywood, Los Angeles, no dia 16 de maio desse ano. Um show pianinho, que parece antecipar o disco que vem aí. A foto é da Debi Del Grande e o show pode ser baixado inteirinho no Un Peu de Joie. O setlist segue abaixo:

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O elixir Bixiga 70

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O Bixiga 70 lançou seu segundo disco na semana passada no Sesc Pompéia – e pude comparecer à segunda noite (que o tecladista e arranjador Maurício Fleury arriscou dizer que estava melhor do que a primeira). Não há dúvida: a banda é uma das melhores coisas que aconteceram à música instrumental brasileira nesta década e é nítido que já deixaram a primeira fase – em que eram apenas a única banda de afrobeat de São Paulo – para trás. É claro que o caldeirão de grooves temperado pelo Bixiga ainda tem sabor inevitavelmente afro – culpa da percussão e time de metais -, mas agora eles estão rumo aos afluentes do fluxo principal, quando a Mãe África começa a parir a música caribenha, a cúmbia sulamericana, os ritmos jamaicanos, a black music dos EUA e o tapeçaria de referências de nossa música brasileira – há ecos de Tom Jobim, João Donato e Eumir Deodato na mesma medida em que pitadas de carimbó e guitarradas. A proeminência das guitarras chama atenção principalmente quando Maurício deixa os teclados e assume o dueto elétrico com o guitarrista Cris Scabelo, deixando os arpejos highlife conversarem com guitarras caribenhas e dedilhados paraenses. A mobilidade dos metais pelo palco – que ora vêm à frente para solar, ora agem como grupo e cercam determinados integrantes da banda – é contagiante e o público deixa-se levar. O amálgama de gêneros ferve num calor em que até Luiz Gonzaga soa psicodélico sem parecer alheio àquela poção que borbulha no palco. Um show de purificação que funciona como um santo remédio. Veja uns vídeos que fiz aí embaixo:

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JT apresentou mais duas músicas da segunda parte do disco que lançou no início do ano durante o show que fez no festival IHeartRadio, neste sábado em Las Vegas. As faixas “Only When I Walk Away” e “True Blood” seguem abaixo, nas versões ao vivo.


Justin Timberlake – “Only When I Walk Away”


Justin Timberlake – “True Blood”

Já já o disco vaza.

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O jovem Emicida cada vez mais se consolida como um dos principais nomes da nova música brasileira. Já deixou a esfera do hip hop há algum tempo, mas em vez de simplesmente expandir seus horizontes para outros gêneros, prefere fazer que esses venham para a roda do rap, a rinha de rimas em que aprendeu a ser artista. Lançou seu novo disco O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui em duas noites de gala no teatro do Sesc Pinheiros em São Paulo, na terça e quarta da semana passada, e pude assistir ao show da segunda noite (quarta, 18 de setembro) – apenas para atestar sua maturidade e compromisso com o espetáculo.

Pois por mais que Leandro cante a importância da música em sua obra (seja ao ironizar a relação entre música em dinheiro ou simplesmente ao celebrar que “música é luz” em “Hino Vira Lata”), é evidente que o MC ultrapassou a música e tornou-se um showman. Mais do que simplesmente ser um mestre de cerimônias das próprias qualidades e defeitos, Emicida transforma cada gesto num momento para ser eternizado, cada verso em frase de guerra ou oração, cada recepção de um novo colaborador (e foram tantos!) em uma cerimônia de reverências, sempre acompanhado da banda formada por Doni Jr. (violão, cavaco e guitarra), Anna Tréa (violão e guitarra), Carlos Café (percussão), Samuel Bueno (baixo) e seu fiel escudeiro, o DJ Nyack.

E isso não pára apenas no palco. É seu domínio da platéia que impressiona. Ele consegue suplantar aquela zona cinzenta entre o você e o vocês e conversa com as centenas de pessoas presentes como se encontrasse cada uma delas casualmente num elevador, numa fila, num ônibus. Emicida é aquele cara transforma o tédio em história, o mágico que sublinha nossa rotina para nos surpreender com uma beleza distante dos nossos olhos. E ao conversar com a multidão, ele não parece que está falando num púlpito nem num palanque – parece olhar nos olhos de cada um dos presentes (aí os óculos escuros são providenciais) e contar-lhes uma coisa que ninguém mais percebeu. Ele troca a sedução natural de qualquer artista por um carisma que é bruto em sua intensidade, mas refinadíssimo no detalhe. A beca que lhe acompanha ao subir ao palco tira o ar moleque do boné e camiseta mas não parece exigir um respeito falso. Ele é sincero.

E, no palco, recebeu cada um dos artistas que participam de seu novo disco para recriar aqueles momentos eternizados em disco que, aos poucos, transformam este Glorioso Retorno em um dos melhores discos desta década. Na parceria com Pitty, “Hoje Cedo”, ele reforça um refrão que tem a tristeza dos samples usados por Eminem em seus momentos menos cínicos e um ar emo/new metal que contamina toda canção, deixando-a livre para Emicida vociferar seus versos.


Emicida + Pitty – “Hoje Cedo”

Um dos principais momentos do disco e do show, a bela “Crisântemo” já tem sua importância ao transformar o drama violento da favela em dor universal, num grande momento da música brasileira. A presença da mãe de Leandro, Dona Jacira, que não subiu ao palco na noite anterior, é forte e solene, e deixa a teatralidade da segunda parte da canção – que em vários momentos nos faz engolir em seco – ainda mais intensa. Um momento mágico:


Emicida + Dona Jacira – “Crisântemo”

Tulipa não estava programada para tocar no segundo show, apenas no primeiro, mas apareceu com toda sua doçura para o momento bonitinho do show:


Emicida + Tulipa Ruiz – “Sol de Giz de Cera”

Com Wilson das Neves, Emicida prostra-se como criança que vê um ídolo pelo espelho, querendo parecer respeitável apenas por estar na presença de uma personalidade inspiradora (mais mérito do seu Wilson, é verdade). Mas antes de convidá-lo para sambar sua “Trepadeira”, repete o discurso que fez na noite anterior, em que respondeu aos que criticam sua canção por dito sexismo, em tom mais bem humorado, próprio para receber a lenda-viva do samba:


Emicida + Wilson das Neves – “Trepadeira”

Este magnetismo ganhou força com as cinco vozes do Quinteto em Branco e Preto entoando o ótimo refrão de “Hino Vira-Lata”, outro momento mágico do disco novo de Emicida:


Emicida + Quinteto em Branco e Preto – “Hino Vira-Lata”

Quase ao fim do show, convocou Juçara Marçal para mais um momento épico:


Emicida + Juçara Marçal – “Samba do Fim do Mundo”

E antes de encerrar a noite, emendou seu já clássico pout-porri com pedras fundamentais da história do hip hop brasileiro, especificamente inspirado naquela noite.


Emicida – “Tic Tac (Doctor’s MCs)” / “Verão na VR (Sistema Negro)” / “Fim de Semana no Parque (Racionais MCs)” / “Us Mano e as Mina (Xis)” / “Fogo na Bomba (De Menos Crime)” / “Quatro Nomes de Menina (Pepeu)” / “Rap é Compromisso (Sabotage)”

Afinal, tudo aqui é hip hop. Por mais que transite entre a MPB e o samba de raiz, o rock e o sambão-jóia, Emicida carrega todos estes gêneros musicais para sua arena, o palco erguido com beats e cercado de palavras de ordem que, vez ou outra, sublinha com um holofote, no cenário cheio de frases, seu maior bordão: “A rua é nóis”. Pois ele traz cada um de nós para esta mesma rua chamada Brasil, nos puxando para a realidade pela orelha mas sem que isso tenha um tom de humilhação ou recalque. Ele quer que saibamos que estamos todos num mesmo barco em que o individualismo não faz o menor sentido. Um dos grandes shows do ano, de um artista em plena ascensão.

Abaixo, todos os vídeos que fiz, na ordem em que as músicas apareceram no show (e a foto que ilustra o post é do Ênio César e foi concedida pela equipe do Emicida):

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E que tal essa versão sussa da música que fecha esse AM, dos Arctic Monkeys, que melhora cada vez mais? Foi gravada na parisiense Oui FM na sexta-feira da semana passada:

“I Wanna Be Yours” é a faixa que encerra AM, a única vez em que o protagonista do disco cede à postura agressiva que retém em todo disco e desmancha-se para a amada. A faixa também é uma versão hipnótica e açucarada do poema pós-punk do inglês John Cooper Clarke, veja abaixo o original:

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Queens-Of-The-Stone-Age-Whyd-You-Only-Call-Me-When-Youre-High

Josh Homme saudou o disco novo dos macacos.

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Mundo Livre S/A e Nação Zumbi subiram juntos durante essa semana para apresentar o disco em que tocam músicas uns dos outros no palco do Sesc Pompéia. Foi a oportunidade que o Radiola Urbana encontrou para inaugurar seu canal no YouTube, fazendo os dois vídeos abaixo no show de terça-feira (a foto acima, da Piky, é do show de quarta). Sugiro que você se inscreva no canal porque semana que vem tem o 73 Rotações e é inevitável que eles subam vídeos relacionados aos shows…


Mundo Livre S/A – “A Praieira”


Nação Zumbi – “Pastilhas Coloridas”

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Nem Chico Buarque nem Geraldo Vandré, Bruce Springsteen escolheu Raul Seixas para homenagear em seu primeiro show em São Paulo, nesta quarta-feira. E não bastou puxar o refrão, o cara tocou a música inteira.

Updeite: pintou uma versão em vídeo oficial deste momento.

Aí embaixo seguem o vídeo original…

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MichaelKiwanuka

Ninguém vai trazê-lo pro Brasil?

foto: Helena Yoshioka

Quem foi sabe! Já já pintam as fotos da Helena por aqui, mas por enquanto deixo esses dois videozinhos que fiz na festa – dois rolês pelos corredores da Trackers para registrar os ótimos shows do Bonifrate e dos Soundscapes. Saca só aí embaixo:


Bonifrate – “Vertigem de uma Festa Interestelar”


The Soundscapes – “You Are Love”