
O fotógrafo Mike Mitchell tinha 18 anos quando tirou fotos do primeiro show que os Beatles fizeram nos EUA, em 1964. E, agora, 50 anos depois do registro original, ele começa a vender as imagens que capturou, sem flash e de pontos de vistas incríveis, depois de expor seu trabalho em Nova York no fim de semana passado. Veja mais abaixo:

E por falar nos 50 anos da apresentação dos Beatles no programa do Ed Sullivan, os Arctic Monkeys aproveitaram o show que fizeram no Madison Square Garden, em Nova York, no sábado, para relembrar o acontecimento. “Aparentemente, um em cada três americanos assistiram àquela apresentação, então se tivermos sorte, um em cada três americanos poderão assistir a isso no YouTube”, disse Alex Turner, antes de começar uma versão correta para “All My Loving”.
Atualização: o Bracin descolou a íntegra do áudio desse show, o maior show que os Monkeys fizeram nos EUA. Replico abaixo, junto com o setlist:

Uma escolha improvável? O projeto Álbum, do Sesc Belenzinho, criou fama por levar ao palco a íntegra de clássicos da música brasileira interpretados por seus próprios autores – nomes como João Donato (tocando A Bad Donato), Tom Zé (Todos os Olhos), Walter Franco (Revolver), Sepultura (Chaos A.D.), Ave Sangria (o disco homônimo), Pato Fu (Gol de Quem?) e Titãs (Cabeça Dinossauro) já passaram pelo palco da unidade tocando seus discos. Mas o show deste sábado é dedicado a um disco tão específico e pouco ouvido que sua simples lembrança é uma grata surpresa: o grupo curitibano pós-punk Beijo AA Força, um dos pilares da cena musical da capital paranaense desde os anos 90, apresentará hoje seu mítico Sem Suingue, de 1995, o disco que consolidou sua mudança estética de banda punk rumo ao autorreferido retropicalismo “polaco-nagô”, que propunham ao realçar as contradições entre a identidade cultural de Curitiba e à onipresente exuberância da brasilidade pós-Vargas, aquela da linha evolutiva que começa na semana de 22, passa pela bossa nova e pelo tropicalismo para descambar na Blitz e nos Paralamas (para quem não conhece, o disco pode ser ouvido e baixado aqui). Conversei com o Luiz Ferreira, vocalista e líder do BAAF, sobre o show deste sábado (que acontece às 21h30, na comedoria do Sesc Belenzinho):
Por que vocês escolheram o Sem Suingue para tocar na íntegra?
Foi um convite do Sesc, eles têm um projeto, o Álbum, em que convidam músicos para fazer o show de seus álbuns mais significativos. Este é o nosso álbum mais conceitual, com referências musicais mais diversas, o que mais elaboramos e ano que vem fará 20 anos, todos os músicos estavam disponíveis. Juntar e tocar com esses caras é sempre divertido.
O que significa esse disco para a carreira do BAAF?
Seguramente é o nosso disco mais importante, é onde estão nossas referências mais fortes. Tem tudo ali, ousamos e chegamos a um resultado nunca alcançado até então. Foi nosso primeiro trabalho com Antonio Saraiva, que é um grande arranjador, enfim, é o nosso trabalho mais elaborado.
A formação que toca em SP é a mesma que gravou o disco? Há alguma surpresa no show?
Tivemos que substituir somente o tecladista Therciano Albuquerque, que não pode participar devido à sua agenda, convidamos Cesar Reis, um velho amigo.
O que mudou na Curitiba dos anos 90 para a atual?
Curitiba hoje é uma grande cidade com muitos bares, cafés e casas de show, naquela época eram muito poucos os locais para se apresentar. Hoje é uma cidade com muitas bandas e existe por lá uma grande efervescência cultural, os jovens artistas de hoje têm mais expectativas.
Por que Curitiba não conseguiu emplacar um artista de dimensão nacional?
Curitiba mostrou ao mundo Paulo Leminski, herói da cultura local e somos todos muito fãs de Dalton Trevisan. Curitiba é assim, meio vampira mesmo. Conhece a Teoria da Invisibilidade do Jamil Snege? O curitibano gosta mesmo é da invisibilidade.
Como anda o BAAF em 2014?
O BAAF na verdade acabou em um show em 2007 lançando um DVD e CD gravado ao vivo com nossos punk rocks que esgotou naquela noite – fizemos só 400. Ficamos um tempão sem fazer show, mas não nos deixaram descansar, vieram convites e provocações, a partir de 2011 aceitamos os desafios, hoje temos uma agenda até junho. O BAAF na verdade são várias bandas, tem o Sem Suingue, que é esse show com uma formação e o foco mais pro samba e pra música brega, com o punk rock mais ofuscado. Temos outra formação, mais punk rock mesmo, o quarteto da formação clássica, de antes e depois do Sem Suingue. Talvez façamos algo em dupla, é que eu e o Rodrigão fizemos muitas músicas para trilhas de teatro e cinema, nosso estúdio chamava Chefatura – por causa de um armário que lembrava arquivos de delegacia, com várias gavetinhas…. Aí será mais um Beijo AA Força, o BAAF Chefatura.

Ao apresentar-se no Circo Voador no fim de semana passada, Tulipa chamou O Terno, que havia aberto seu show, para fazer os vocais de apoio em seu novíssimo samba-reggae “Megalomania”, esquentando os tamborins para o carnaval 2014. Ela toca em São Paulo nos próximos dias 13 (no Cine Jóia), 14, 15 e 16 (as três datas no Sesc Bom Retiro).
A foto que ilustra o post é um regram que o Terno deu numa foto do @michaelrobertm.

James Mercer e Danger Mouse convocaram o pulso de Ringo Starr – mesmo sampleado – para acompanhá-los numa versão de um clássico beatle feita pelo Broken Bells no David Letterman. Ficou massa.

Miley Cyrus aventurou-se pelo disco madrugada dos Arctic Monkeys no Acústico MTV que acabou de gravar – e embora a versão não tenha entrado no programa oficial, mostra que essa menina, com toda a mise-en-scene que parece maluquice, sabe o que está fazendo. Ouça abaixo:

E a mulher faz sucesso mesmo, hein… Olha só a partir de 1:30…

Duas grandes bandas da geração 2013 podem vir fazer shows por aqui. O indie-dance do Jagwar Ma já está com datas marcadas para o Brasil – tocam no Rio na última sexta de março (dia 28) num esquema do Queremos (e pré0ingressos a 60 pilas, um bom preço) e em breve anunciam a data de São Paulo. Já o trio psicodélico-psicótico Unknown Mortal Orchestra teve sua vinda ao Brasil cogitada para maio, através da conta do Twitter do LiztBlog – o que ainda não é fato e sim mero rumor. Mas não custa um rumor pra agitar uma torcida – e vai que…

A Natalia (valeu!) me deu um toque sobre o show que os Monkeys fizeram no ano passado no programa francês L’Album de la Semaine e eu descolei a íntegra do show, saca só:
Coisa fina.

Vocês viram, né?
Foi bonito: Boogarins, Single Parents, Rodrigo Amarante, Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acaju e Caetano Veloso frequentarão os palcos do melhor festival que eu já fui, que acontece no final de maio, em Barcelona. Bonito um front generoso que não peca por favorecer um recorte específico da música brasileira (forçando, daria pra falar em indie-MPB, mas isso nem é um gênero como descarta os Móveis, os Single Parents e os Chalks).
E numa edição com uma escalação memorável – que pode não pecar por ter grandes headliners, mas isso um “problema” mais da indústria e das transformações do mercado que do festival em si (são poucos eventos que conseguem emplacar nomes com grande peso na segunda década do século 21).
Mas tire Arcade Fire, Queens of the Stone Age, Pixies, Nine Inch Nails (oi Lollapalooza Brasil), National, e o Kendrick Lamar da equação e imagine apenas shows de bandas como (ainda seguindo a ordem do cartaz) Neutral Milk Hotel, Disclosure, St. Vincent, Metronomy, Chvchers, Slowdive (!!! – aliás, o !!! também, perdoem-me a infâmia), Darkside, Dr. John, Haim, John Grant, Slint (!!! de novo), Mogwai, Television e Godspeed You! Black Emperor… Bandas se viessem para cá em palcos de médio porte por preços mais decentes (mais de cem dinheiros num show é algo bem pesado pro bolso, ponham na ponta do lápis), não nos obrigariam a cogitar viajar para ir a um festival na Europa ou nos Estados Unidos. E é aí que a música ganha um contrapeso considerável, ao notarmos, além dos shows, a forma como o público destes países é tratado em eventos do tipo. Talvez por isso seja bom vermos como as coisas funcionam em países que já tiveram a era do desbunde consumista que estamos vivendo para entender no que realmente vale pagar. Vai lá, assiste um monte de shows de bandas que quando vierem pra cá vão chegar custando uma bica – e, como você já viu o show, não precisa pagar pra ir.
Eu ainda não sei se vou, mas se você realmente cogitou, faça as contas e boa viagem.
E ficam duas questões no ar: o Caetano vai tocar o Transa na íntegra (como será que surgiu esse boato?)? E será que o Primavera tá querendo vir pro Brasil?
Abaixo, as bandas brasileiras que irão para essa edição do festival: