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WannabeJalva2014

Como quem não quer nada a banda gaúcha Wannabe Jalva fechou uma trinca de ouro rumo ao reconhecimento no meio indie norte-americano: seu novo EP Collecture teve suas três faixas disponibilizadas em três diferentes publicações nos EUA – a “Mainline” estreou na revista T do New York Times, a faixa “Miracle” foi apresentada pela primeira vez pela rádio KCRW e agora eles liberam a terceira faixa, “One Way Street” (ouça abaixo), no blog nova-iorquino Brooklyn Vegan. A banda embarca para EUA no mês que vem para colher os frutos deste disco, mas passam antes em São Paulo, quando tocam nesta sexta no Beco 203 (ao lado do Bidê ou Balde) e no domingo no Puxadinho da Praça (com os Single Parents). Vale conferir.

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E o Mac DeMarco tocando “Lights Out” da Angel Olsen? Que conexão!

Não custa voltarmos à original, já que a senhorita Olsen tá garantindo seu lugar no ranking de 2014.

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Foi de chorar.


Spiritualized – “Sound of Confusion”

Jason Pierce trouxe apenas o broder Tony Foster para acompanhá-lo ao teclado elétrico, enquanto empunhava apenas um violão à sua frente. Jason de branco, Tony de preto, um de frente para o outro, ladeados por oito brasileiras divididas em dois quartetos: de preto ao lado de Tony, as cordas; de branco ao lado de Jason, o coral.


Spiritualized – “Feel So Sad”

Uma formação simples que, auxiliada pelo sofrimento gospel das canções do Spiritualized elevou algumas almas na quinta-feira passada, no Audio Club. Cheguei depois do comecinho do show (perdi “True Love Will Find You In The End” de Daniel Johnston), pois saí correndo do curso que estava dando no Espaço Cult (depois falo mais dele aqui), mas consegui pegar mais de uma hora da apresentação que, embora tenha sido assistida em tom solene pela maioria do público, teve seu brilho arranhado por idiotas gritando “toca Raul” em pleno 2014 ou gritando time isso, time aquilo.


Spiritualized – “Stop Your Crying”

Fora esses, a apresentação foi exemplar, Jason moveu os corações dos presentes com suas músicas tristes e hinos a amores passados – não à toa vi mais de um marmanjo debulhar-se em lágrimas durante o show.


Spiritualized – “Ladies and Gentlemen We are Floating in Space”

Músicas simples, mantras circulares envoltos por cordas e um coral gospel que por vezes preenchiam delicadamente os vazios budistas de algumas canções, noutras dava o tom épico ou emotivo que a melodia original apenas insinuava.


Spiritualized – “Broken Heart”

Mas a apresentação Acoustic Mainlines, por mais comovente que pôde ser, é metade do que é o Spiritualized. Várias canções pediam o início de arrebatamento tradicionalmente puxado por viradas de baterias retumbantes ou riffs de guitarra espaciais – e por mais que nossos egos fossem dissipados pelos singelos versos gospel sussurrados por um Jason que quase não se comunicou com o público, fora alguns vagos “obrigado”.


Spiritualized – “Too Late”

Visitando músicas de seus discos mais recentes, a apresentação teve, entre seus grandes momentos, a versão abrasileirada de “I Think I’m in Love”, quando o coral revelou-se brasileiro, respondendo ao refrão com versos em português. Alguns torceram o nariz e acharam brega, mas achei um bonito gesto de saudação ao público brasileiro que não destoou do clima reverente da canção original.


Spiritualized – “I Think I’m In Love”

Um show comovente, mas que funcionou mais como aperitivo para um show completo do Spiritualized, que, um dia, quem sabe, dá as caras por completo por aqui.


Spiritualized – “Goodnight Goodnight”

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Era uma previsão mais fácil de acertar do que o catastrofismo dos “elefantes brancos no meio do nada” que a galera do #NãoVaiTerCopa cogitava como destino inevitável para os megaestádios construídos pra Copa 2014 – que estes espaços se tornariam lugares não apenas para jogos, mas também para shows – e shows granfes. E agora o jornalista José Norberto Flesch, do Destak (aquele que só crava vinda de show pro Brasil quando está 100% certo disso), nos conta de uma rodada de negócios que poderá trazer, nos próximos meses, megasshows para se apresentar nos estádios pelo Brasil, com nomes como Paul McCartney, Rolling Stones, The Who e Foo Fighters para fazer grandes apresentações nos novos estádios brasileiros, entre eles o reformado Maracanã, o novato Itaquerão, o novo estádio do Palmeiras (que agora chama-se Allianz Parque) e o velho Morumbi.

Paul já se apresentaria em novembro agora, com datas fechadas, por enquanto, pra São Paulo e Brasília. São Paulo e Corinthians disputam os shows dos Foo Fighters. Os Stones já estão acertando Rio e São Paulo para o início do ano que vem e devem tocar pela primeira vez em outra cidade brasileira além das duas, provavelmente Belo Horizonte. E o Who pode finalmente vir para o Brasil pra tocar no Palmeiras.

São as primeiras movimentações. É inevitável que alguns desses artistas acabem tocando em mais praças do que apenas Rio e São Paulo. E que produtores de outros shows de grande porte percebam que o Brasil pode entrar em mais uma nova fase de grandes shows, dessa vez com apresentações espalhadas por todo o país, com shows gigantescos para cidades que nunca viram eventos com essa proporção. O próprio Paul já semeou o início dessa era ao apresentar-se em Fortaleza, Goiânia, Recife e Florianópolis noutras vindas. Público pra isso tem. E o próprio Flesch nos lembra que ano que vem tem Rock in Rio, o que torna a temporada de shows ainda mais quente… Vamos aguardar.

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Nesta quinta-feira, o grupo Single Parents revisita o disco Rather Ripped, do Sonic Youth, nem show na Serralheira (mais informações aqui). Como aperitivo, um vídeo com apresentação da banda tocando a clássica “Incinerate”.

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O disco Cavalo, que Rodrigo Amarante lançou no ano passado, continua rendendo frutos ao seu autor. Desta vez no exterior, quando o hermano gravou quatro músicas na série de shows Tiny Desk Concerts da NPR norte-americana. Sem banda e com o clima informal dado pelo próprio compositor, o showzinho funciona – e as músicas soam melhores do que no álbum, confira:

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E no bis do show que fez na quarta passada em Seattle, Beck convidou Jenny Lewis para dividir os vocais com ele num cover de “Do Ya Think I’m Sexy?”, aquela música que o Rod Stewart roubou do Jorge Ben nos anos 70. Ficou jóia.

A foto é do Kirk Heynen.

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Um dos grandes nomes da cena pós-punk norte-americana, a poetisa e performer Lydia Lunch confirmou sua participação no Mês da Cultura Independente em sua página no Facebook, veja:

LydiaLunch

O Mês da Cultura Independente é uma atração da prefeitura de São Paulo que já acontece há oito anos sempre no mês de setembro, disposta a difundir a produção cultural fora do esquemão do mercado. É a primeira vez que Lydia Lunch se apresenta no Brasil e ela vem com o show que está fazendo com a banda Retrovirus. Sua apresentação acontece no dia 6 de setembro no Cine Art Palácio, na Avenida São João, 419, no centro. A programação completa do evento será divulgada na semana que vem.

Todd Terje @ Øyafestivaeln 2014

Dono de um dos melhores discos de 2014, o norueguês Todd Terje coroou seu grande ano com uma apresentação inacreditável no festival Øya, que aconteceu há duas semanas na capital de seu país, Oslo. Não se contente com o áudio, se puder pare para assistir a uma apresentação ao vivo de um produtor como há muito não se via – e no show ele toca quase todas as faixas de seu disco mais recente.

A foto que ilustra esse post é do Johannes Andersen, do blog norueguês Deichman Musikk.

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O Spoon talvez esteja chegando a seu ápice criativo – seu novo They Want My Soul disparou para os primeiros lugares da minha lista pessoal de melhores discos de 2014. E basta ouvir pra entender o porquê – ouça-os no Morning Becomes Eclectic, da rádio KCRW, tocando “Inside Out” e “Rainy Taxi”, abaixo: